Escravos da Lua
1 Capítulo 1:
Notas iniciais
Boa leitura
Capitulo 1:
5 Anos depois.
Faz uma semana que completei 16 anos, uma existência sem sentido ou propósito, e apenas aguardo a lua me chamar.
A floresta apresenta um ar mais magnético que das outras noites, não gosto da sensação que isso me trás.
Foi quase instantâneo, quando a lua atingiu o alto do céu, afastando-se do sedoso emaranhado de nuvens, senti tudo, ouvi tudo, vi tudo. Minha pulsação acelerou-se descontroladamente e meu coração batia enlouquecido, enquanto minha visão se adaptava ás sombras da noite, mas a pior parte foi quando as presas cresceram e as garras substituíram minhas unhas. Eu estava lá, mas não quis me controlar e me entreguei completamente, senti o poder, e tudo foi dominador, deixei a raiva fluir e me transformei na máquina de matar que nasci para ser, destruí tudo que vi pela frente.
Senti um cheiro, e em minha consciência aquilo era apenas uma coisa, significava “Alimento”.
Meus pés moviam-se sozinhos, quando o encontrei, um garoto, que definitivamente escolheu o dia errado para passear pela floresta.
Não pude me controlar era uma presa fácil demais para o animal em mim se controlar,minhas garras cortaram-lhe o rosto e ele caiu batendo a cabeça, o ergui segurando seu pescoço e vi o rosto inconsciente, quando minha mãe morreu tinha a mesma expressão no rosto, e eu não podia fazer aquilo... Tinha que parar!
O larguei no chão e arrastei minhas garras pela pele do meu pescoço, me concentrando apenas na dor para controlar-me, para não me tornar uma assassina.
Reuni minhas forças para manter-me de pé, arrastando o garoto desacordado comigo até minha casa.
Com certeza isso era algo muito estúpido, mas se o deixasse sangrando na floresta seria o mesmo que mata-lo.
Chegando a minha casa, observei o garoto inconsciente enquanto o deitava no sofá próximo a lareira, limpei os ferimentos do rosto antes que infeccionasse, retirando toda a fuligem, seu rosto era tão bonito quanto o sol do amanhecer, mesmo com as minhas cinco garras marcadas em seu rosto.
Fui a cozinha procurando algo para alimentar o meu novo hospede, conseguindo achar um pouco de carne que sobrou do dia anterior, pondo então meus inexistentes dotes na cozinha em prática, mas se ele sobreviveu a noite anterior, talvez sobrevivesse a minha comida.
Suas bochechas estavam mais rosadas e os cortes muito melhores, por um impulso toquei seu rosto a tempo, assim que senti o músculo se mover em baixo da minha mão, recolhi-me rapidamente a um local mais distante.
Seus olhos se abriram deixando seu rosto ainda mais bonito, os olhos azuis escuros encaravam os meus.
-Quem é você?- Ele me perguntou me encarando ainda confuso.
- Meu nome é Sophie, quem é você?- Respondi retribuindo seu olhar intimidador, buscando algo que eu nem mesmo sabia o que era.
-Eu sou o Patrick,e você está sangrando?- Disse alarmado,estendendendo a marca das garras, e seu toque fez minha pele se arrepiar, senti meu rosto esquentar, supus que fosse algo normal, apesar de não lembrar como era o toque de outra pessoa.
-Ah, isso não é nada.- Afirmei e relutantemente afastei sua mão, interrompendo a estranha sensação de conforto.- Suponho que esteja com fome, consegue andar?
Ele nem mesmo se incomodou em responder, apenas se apoiou no sofá e tentou erguer-se com esforço.
-Você bateu a cabeça com força, deve estar tonto.- Recordei oferecendo meu ombro como apoio. -O que você estava fazendo na floresta a noite?
-Eu estava fugindo...- Ele disse ficando com os ombros levemente tensos.
-Fugindo de que?-Perguntei sem consegui conter minha curiosidade.
-Meu pai traiu minha mãe, quando ela descobriu cortou os pulsos trancada no quarto, aquele cretino é o culpado da morte dela, ele tentou me explicar, seus motivos, disse que estava apaixonado, que não sabia que ela faria uma coisa dessas. Eu o bati e corri pra floresta. — Ele disse a ultima frase sorrindo apesar de toda a história que definitivamente não era nem um pouco feliz.
-Você não parece querer vê-lo novamente.- Insinuei estudando sua expressão tornar-se dura e ressentida.
-Prefiro morrer de fome na floresta que ouvir a voz ou as explicações dele novamente.- Pude sentir a raiva em sua voz.
-Você é meu hospede, então só morrerá de fome se a minha comida for muito ruim.- Disse sorrindo, e o observei retribuir sem a menor sinceridade.
Lhe servi um grande pedaço de carne e aguardei ele se satisfazer em silencio, parecendo desconfortável sob o meu olhar.
-Nem imagino o quão macabro deve ser ficar me olhando devorar isso como se nunca tivesse comido na vida.- Ele ergueu o olhar limpando a boca.
-Na verdade é lisonjeiro, significa que alguém no mundo aprecia minhas qualidades de cozinheira.- Debochei sorrindo.- Mesmo assim acho que está dolorido, tome um banho e descanse um pouco.
-Estou tão acabado assim?- Ele me perguntou inclinando a cabeça com os olhos cintilando entre os fios de cabelo negro.
-Acho que tenho roupas que podem lhe servir, e uma cama confortável, precisa de ajuda para andar?- O encarei enquanto se levantava com as forças recompostas.
-Estou ótimo, obrigado, graças a você e a sua comida não tão ruim.- Ele sorriu com os olhos intensos e com um ar debochado.
-Fico feliz que não estivesse tão ruim, mas imagina se estivesse bom, não sobraria nem o prato afinal.- Tentei responder a altura mas tudo que consegui foi faze-lo rir alto.
O segui pelas escadas, me mantendo perto caso caísse, indiquei-lhe o banheiro e fui ao quarto do meu pai em busca de roupas limpas, sempre as mantive conservadas, quase ainda podia sentir o cheiro dele, deixei sobre a cama a roupa e retornei ao andar de baixo.
Aguardei o estranho eco de outros passos na casa, e o vi descer, estava com a calça Jeans e a blusa branca do meu pai, que ficaram um pouco folgadas mas lhe caíram bem.
-Obrigado por tudo.- Ele disse me encarando enquanto tudo que eu conseguia fazer era tentar me concentrar para conter o calor que tomava conta do meu rosto.- Por que você está corada? — Questionou com um sorriso sonoro e doce, fazendo meu coração acelerar estranhamente, o que me fez concluir que passei muito tempo longe do convívio humano.
-Eu... Não.... Bem, você ficou ótimo com essas roupas, lhe caíram muito bem, agora precisa descansar.- Sugeri encarando o relógio, me assustando com a forma que o tempo passou.- Você precisa ficar aqui dentro e não saia por nada!
Eu sai correndo escancarando a porta e o ouvindo me seguir, senti a dor no peito, e as garras, tornava-se tudo mais doloroso quando se tenta resistir, conseguia ouvir seus passos em minha direção, ecoando em meus ouvidos.
-Você está bem?- Ele perguntou tocando em meu ombro.
-Vai Embora!-Gritei em puro desespero.
-Eu não vou embora, você não me abandonou e eu não vou sair daqui!- Afirmou com uma insistência teimosa.
-Olha pra mim, fui eu quem te fez isso, vai embora antes que eu te mate!- Me encolhi sentindo a dor cortante da resistência, parecia como tentar conter entre as mãos os espinhos de um cacto, quanto mais forte se tenta, mais os espinhos entram na carne.
-Não é isso, você me fez sorrir.- Ele se ajoelhou ao meu lado e me abraçou, mas algo escapou da minha garganta, parecia um grunhido.- Você está rosnando pra mim é?- Ele questionou com um sorriso divertido no rosto.- Deixe que resolvo isso.
Ele passou os dedos pelo meu maxilar e abafou outro grunhido com a pressão dos seus lábios contra os meus, senti a força e a energia explodirem dentro de mim,o tive tão próximo e tive que fazer de tudo para não ataca-lo,e lentamente tudo se dispersou e ficou escuro.
(CONTINUA???)
Notas finais
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não??
Como vai a familia? O gatinho??
Desejam uma continuação??
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