Escolhidos (slenderman)
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Quase no momento que ele disse isso, pudemos ouvir Em acordando.
- ME DEIXE SAIR DAQUI! EU NÃO VOU MACHUCAR VOCÊS, POR FAVOR – De repente Emily gritou, me assustando – EU ESTOU MELHOR AGORA, ME DEIXEM SAIR!
- Ela está mentindo Pedro, não abra. – Estava com pena de Emilly, mas eu sei que não era ela de verdade. Tínhamos que fazer alguma coisa. – Não podemos deixar ela assim, quando chegarmos na sede perguntamos se não tem algum modo de desfazer a hipnose, se tem como ela voltar a ser a Emilly que conhecemos.
Pedro concordou com a cabeça. A irmã dele queria nos matar, não tínhamos notícias de seus pais. Ele procurava esconder, mas eu sabia como ele se sentia. Ele estava com medo, confuso.
- Eu sei como se sente. Mas pense, eles podem estar na sede – Ele me olhou confuso – Seus pais.
A expressão deprimida dele foi trocada por um pouco de esperança.
- É, temos que ir logo para lá. Mas onde vamos deixar a Em? Não podemos levar ela junto. – Pedro deu uma pausa de uns cinco segundos e decidiu – Vamos deixar ela naquele quarto, com algo para comer e beber. Meu Deus, estamos a tratando como um animal. Mas é o melhor para ela, e para nós também... eu acho.
Pedro ficou bravo consigo mesmo por fazer isso com a irmã, e eu também. Mas ela iria nos matar, matar a todos e talvez até a si mesma depois de cumprir sua missão. Peguei minha mala, ela continha as mesmas coisas dês daquele dia, Pedro pegou sua mochila preta e laranja, entramos no fusca e fomos em direção a biblioteca.
- Pegou todas as cartas, fotos e a folha com as famílias do clã? – Pedro me perguntou enquanto dirigia.
- Sim, sim. Tudo aqui. Aqui está o código... 2549. Não podemos nos esquecer dele – dei uma pausa, tentando memorizar o código. Dois Cinco Quatro Nove, Dois Cinco Quatro Nove – Pare aqui, nós podemos caminhar até a biblioteca.
Pedro parou na frente de uma loja de bugigangas, nós caminhamos até a biblioteca, entramos. Fomos para a frente do balcão, onde encontramos a bibliotecária. Ela devia ter por volta de 60 anos, era loira, tinha sardas e era bem sorridente.
- Posso ajudar? – a mulher falou, nos encarando com um sorriso.
- Tá, fale você o código. — sussurrei para Pedro
- Por que eu? – Pedro sussurrou de volta.
- Fala logo! – Falei, dando um tapa na cabeça dele. Dessa vez não estava mais sussurando.
- Ahn... 2549! – Pedro disse, vermelho que nem um pimentão. Depois que disse isso repousou a não em sua cabeça, bem onde eu tinha batido e me olhou com um olhar indignado. Aquela mulher devia pensar que com certeza estávamos bêbados. Mas em vez de chamar a polícia, ela nos disse com um sorriso ainda maior:
- Sabia que vocês iam descobrir logo, são crianças inteligentes. — Apesar de ser provável que ela participasse do Clã, foi meio bizarro ouvir aquilo da bibliotecária. Por outro lado, minha vida se tornou bizarra. Tinha que me acostumar com coisas desse tipo. – Sigam-me.
Eu e Pedro nos entreolhamos, demos nos ombros e seguimos a bibliotecária. Ela nos guiou, sem olhar para trás, até uma porta com uma placa pendurada dizendo: ‘apenas funcionários’.
- Pensei que era debaixo das escadas – Falou Pedro, assustando a bibliotecária que estava concentrada em procurar qual era a chave certa para abrir a porta.
- Ah, você deve estar falando da carta direcionada a sua mãe, não é? Bem, ela sabia já a localização da nova sede, mas o código para entrar tinha mudado. Caso aquela carta caísse em mãos erradas, a pessoa iria para aquela porta – Ela apontou para uma porta em baixo das escadas, uma porta mofada com a maçaneta prateada, se destacando no marrom desbotado– E seria presa. Ou morta, não sei o que tem lá dentro.
Ela falou isso com tanta naturalidade que me assustou um pouco.
- Vocês pensam em tudo mesmo! – Pedro exclamou, ele parecia muito animado, e não posso negar que eu estava ansiosa por estar ali. O que nos esperaria atrás daquela porta?
A mulher deu uma risadinha, e abriu a porta.
Era uma sala de reuniões. Um delicioso cheiro de café passado invadiu minhas narinas. As paredes eram verde escuro, a tinta estava descascando. Um grande quadro de imã estava pendurado numa das paredes, continha vários recados, avisos e algumas fotos. A sala era enorme, uma mesa grande no centro, com pessoas sentadas por volta da mesa. Um homem, o que mais me chamou a atenção, cabelos pretos e lisos, olhos negros profundos. Estava usando uma jaqueta preta, seu rosto era pálido. Uma mulher com cabelos vermelhos (pintados, com certeza) cacheados presos em um coque rápido e olhos de um azul intenso. Ao seu lado um homem com cabelos pretos e alguns fios brancos bem aparados, com uma camiseta havaiana verde e óculos com uma armação fina. Reconheci como os pais de Emilly e Pedro, Erica e Marcos. Também havia uma mulher jovem, devia ser um pouco mais velha que eu, negra, seus cabelos cacheados estavam presos para trás, deixando a mostra seu rosto sério. Usava uma camiseta branca e calças jeans. Também havia também um homem com um olhar simpático, usava óculos redondos com uma armação bem grossa, seus longos cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo. Ele tinha uma aparência meio cômica, e estava obviamente fora de forma. O homem de jaqueta preta, o que me chamou a atenção, começou a falar.
- Olá recrutas. Meu nome é Alex. Sejam bem vindos. Acredito que vocês já saibam de nós, e nosso objetivo. Nossa instrutora, Marina – ele apontou a cabeça para a mulher negra, que sorriu para nós – vai ajudar vocês a se adaptarem. Vocês receberam aulas todas as manhãs junto com nossos outros recrutas, com o Kevin e blá blá blá.
Ele deu um gole de seu café preto, repousou o café sob a mesa, e começou a olhar para o nada. Ele não podia ser considerado simpático.
- Eu sou Kevin! – disse sorrindo o homem gordo de óculos redondos, sorrindo para nós. – Vocês gostam de Harry Potter? Eu tenho todos os filmes e livros aqui.
Eu já ia responder que sim quando Pedro me deu um cutucão, aí eu notei que Alex olhava feio para Kevin.
- Ok. Bem, isso não é como vocês pensam. Nós simplesmente não treinamos um pouco e saímos para matar aqueles monstros. Eu sou profissional nisso, treino dês dos 12 anos e caço dês dos 20. – Alex tornou a falar, e foi interrompido novamente, dessa vez pela mãe de Pedro.
- Está assustando eles, Alex! Sejam bem vindos. Estava com muita saudade sua, Pedro. – ela deu um abraço no filho, como se não o visse a muito tempo. Na verdade, realmente fazia muito tempo. — Onde está sua irmã?
- Bem... Ela meio que está hipnotizada por aquela coisa, acho. Emilly tentou matar Isabela, eu a derrubei no chão e ela ficou desacordada. Eu nem empurrei forte, acho que ela estava meio mal. Depois ela acordou e agora ela tá lá em casa trancada em um quarto com um pacote de pão de queijo, uma barra de chocolate e uma garrafa d’água. – quando ele disse isso, Kevin fez uma cara de surpresa, os pais de Pedro arregalaram os olhos, Marina afundou o rosto nas mãos e Alex não mostrou nenhuma reação.
- Ela não estava pronta para aquilo, eu deveria saber – o pai dele, Marcos falou, com uma expressão triste – agora ela está assim. Ela pode morrer, e é tudo culpa minha, tudo culpa minha.
Lágimas brotaram nos olhos de Erica, que segurou o choro e falou, fraca, quase sussurrando:
- Não foi culpa sua querido, todos nós achávamos que ela estava pronta. Nós vamos dar um jeito, seremos fortes. Tem que ter alguma maneira de liberta-la da hipnose.
- Pelo menos ela ainda tem sentimentos humanos. Emilly sabe que está sob o efeito da hipnose, ela é uma de nós. Claro que isso a faz sofrer mais, mas ela pode ter salvação. O caso dela não será como quase todas as vítimas dele, Marcos. Ainda temos esperanças. Ela não é tão fraca quanto pensa – Alex falou, quase bocejando, indiferente. – Marina, guie nossos novos amigos para seus quartos.
Marina assentiu com a cabeça, ela ia falar alguma coisa, mas eu a interrompi. Na verdade falei tão alto que estava quase gritando.
- Como assim aposentos? Essa biblioteca não é tão grande para abrigar tanta gente. E Emilly? E tenho mais algumas dúvidas a respeito da minha família. Por que eu sou diferente deles? Eu não to entendendo nada, na verdade.
Alex me olhou, seus olhos negros se franziram. Ele estava com as mãos no rosto, como se estivesse pensando. Ele abaixou as mãos, e me encarou nos olhos. Não me esquivei, não tinha medo dele.
- Isso aqui é só uma sala de recepção. Nós temos muito espaço subterrâneo, para os treinamentos e quartos para nossos recrutas e caçadores experientes. Marcos e Erica vão lá ver Emilly, podemos prendê-la em uma cela, se ela já não tiver fugido. – Ele deu uma pausa para coçar o nariz – Suas outras perguntas serão respondidas em breve. Agora por favor, siga Marina até seu quarto.
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