Notas iniciais
hola o/
em uma parte desse capítulo é a Emilly que narra (é um dos meus caps preferidos)

Fiquei paralisada. Como assim? Então Pedro estava certo... Minha família ajudava aquela criatura a matar, para a própria proteção... Meu pai não aceitou isso, e aparentemente eu também não. Mas eu não me lembrava de nada. Isso só fez eu ficar com mais orgulho dos meus pais. Eles não aceitaram essa coisa horrível, diferente de todos os outros. Meus pais, as únicas pessoas decentes da minha família. Minha vida toda foi uma mentira.

Dei a carta para Pedro ler, esperei ele terminar de ler.

-Então eu estava certo, sua família ajuda aquilo. – Pedro estava feliz por estar certo, até olhar minha cara. Eu estava horrorizada. Aquilo me pegou de surpresa. Descobrir que sua família inteira é desprezível, que as únicas pessoas corajosas o suficiente para trair a causa eram seus pais, e eles foram os que morreram mais cedo. E eu falei com a coisa, mas não me lembrava. Tia Ana falou que eu traí a causa também, então eu... eu me recusei a ajudar. Assim como meus pais, eu vou lutar contra isso, só que dessa vez eu não vou perder. Eu não posso perder. Vou acabar com isso, por eles.

- Nós temos que acabar com isso. Temos que parar aquela coisa, por eles. Nem que seja a última coisa que eu faça.

- Mas como? – Pedro estava certo, não tínhamos a mínima ideia do que aquilo era, muito menos de como matá-lo. – Além disso, o que tudo isso tem a ver comigo, com Emilly,com nossa família?

- Não sei, mas não podemos ficar muito tempo aqui – estava sentindo alguma coisa, ele estava próximo. – Nenhum lugar é seguro. Ele está se aproximando.

Saímos dali, entramos no Fusca e quase no mesmo instante meu celular tocou, ele estava em cima do banco do Fusca. Era Emilly novamente. Eu e Pedro nos olhamos por um instante, e praticamente nos jogamos no banco, consegui pegar o telefone primeiro.

- Alô? Emilly?

- Oi, quero encontrar vocês na minha antiga casa. Vou explicar tudo.

- Graças a Deus, que horas?

- Agora

E ela desligou o telefone na minha cara.

- Vá para a casa de vocês, agora!

- OK!

Pedro nem pediu explicação, dirigiu rapidamente até a casa deles, parou na frente de qualquer jeito e entramos pna porta, que estava destrancada. Lá, sentada no sofá como se nada tivesse acontecido, Emilly. Com seus cabelos cacheados e negros presos em um rabo de cavalo, uma camiseta dos Beatles e uma casa jeans comum. Ao ver ela, Pedro quase teve um infarto.
— Oi, tudo bem? – Em falou com a maior naturalidade.

-EMILLY! MEU DEUS, QUE SAUDADES! O QUE ACONTECEU?

Depois de ela convencer Pedro que estava bem, nós começamos a conversar.

- Então, explique-se. – Falei séria.

- Depois que aquela coisa me pegou, ela me levou até aquele lugar. Ela me falou algumas coisas, não sei como já que não tem rosto, só que... Eu não me lembro. Não me lembro de nada. Só sei que nossa família é interligada de alguma forma, e também que, desculpe falar assim Isabela, mas a sua família... – Emilly foi interrompida por Pedro:

-Ajuda aquilo a matar vítimas a séculos, os pais dela traíram a coisa, eles morreram, Isabela traiu também, ele tá atrás dela e blá blá blá. Já sabemos disso, fala como você fugiu.

Ele falou aquilo com tanta indiferença que chegava a assustar

- Mas como...? – Emilly perguntou, ela não sabia da nossa parada na casa da minha tia.

- Tia Ana nos explicou – Falei, entregando a carta a ela – Ela está morta.

Emilly leu a carta rapidamente, ergueu a sobrancelha e continuou:

- Enfim, quando acordei lá, sentia que ele estava próximo, que ia me matar. Não sei o que me deu, comecei a escrever tudo que me vinha a mente, depois li a carta e fiquei assustada. Eu não sabia o que pensar... Ele estava me obrigando a fazer aquilo, entende? Então eu cometi o erro de me virar para trás – Emilly deu uma pausa, estava atormentada com aquilo, mas tinha algo estranho na voz dela– Eu venho enfrentando isso há meses. Eu nunca me lembro de nada relacionado a ele. Eu acho que ele falou comigo... Eu não sei.

Ninguém falou nada durante um tempo. O que aquilo falou para Em? E por que ela não se lembrava daquilo, afinal isso aconteceu depois dela parar naquela casa.

- Em, onde você esteve nesses últimos dias? – Pedro perguntou, com um ar pensativo.

- Fugindo, na floresta. Um casal, muito gentil me deu carona até aqui. – Não queria duvidar da minha melhor amiga, mas ela parecia estar mentindo.

- Alguma ideia de como matar ele? – será que Pedro ainda não tinha percebido que isso era suicídio?

- Pedro! Não estamos num videogame, não tem como matar ele! – Eu falei, e estava certa. Ele era indestrutível, se não fosse alguém já teria matado ele. Mas devia ter um jeito de parar ele, sei lá. Eu tinha que fazer alguma coisa, pelos meus pais. Se eu não fizer nada, eles teriam morrido em vão.

- Tudo tem sua fraqueza. Só ainda não descobrimos a dele. – falou Pedro, sério.

Emilly (nessa parte, ela que narra)

Odiava aquilo, mas tinha que fazer isso. Mentir para minha melhor amiga, mentir para o meu irmão! Por que, Deus? Por que eu? Aquilo me escolheu, entre os três, para fazer o trabalho dele. Por que ele mesmo não fazia isso? E eu não podia fugir, ele me obrigava a fazer aquilo. Eu estava hipnotizada, por que ele faz isso? Por que ele mata? Só Deus sabe. Isso é horrível. Isabela fica sentindo pena de si mesma, queria ver ela passar pela minha situação. O que estou fazendo? Ela é minha melhor amiga, eu a amo! Estou ficando louca, ele está me fazendo trair as pessoas que eu mais amo, que eu mais confio. Ele está me obrigando a fazer isso, mas se eu revelar isso a alguém só piora, só vai adiantar a morte deles. Me lembro direitinho das palavras dele.

Você não tem escolha. Você vai matar eles. Você é fraca. Uma idiota. Você não presta, eles não gostam de você de verdade. Isabela nunca foi sua amiga. Pedro nem se importou quando você foi embora, eu vi. Eles devem morrer. Você vai matá-los.

Eu sei que ele mente para nós acharmos que ele esta certo, que o correto é matar. Mas toda a mentira tem um fundo de verdade.

Voltei para a realidade. Tinha que tentar dormir, depois de quase duas horas conversando sobre como achar as respostas, como tudo ficaria mais claro quando soubéssemos de tudo. Eu contei sobre a família de Isabela a Pedro e para ela mesma, dei pistas pelo telefone, queria ajudar. Fui castigada por isso, agora eu mal conseguia pensar sem ser interrompida pela sua voz. Ah, aquela voz... Simplesmente não consigo descrever. Uma voz suave, aterrorizante, grave, que parecia vir de todos os cantos da minha mente.

Eles ainda não sabiam de nada... Achavam que tinham quase todas as respostas. E eu, que as obtinha, não podia falar. Eu tinha que morrer, eu sou um monstro, não resisti aos poderes dele. Fui fraca.

Não pense assim Emilly. Você fez a coisa certa. Eles vão morrer, e quando eles morrerem tudo vai voltar ao normal, eu prometo.

Não, aquela voz de novo não! Eu tinha que matar eles, mas isso ia contra tudo que eu aprendi! Tinha que matar meu querido irmão, o qual amei minha vida toda. Matar minha melhor amiga, ela, que passou por tudo comigo. Que sempre esteve ao meu lado. E aquele monstro não ia cessar até sangue inocente ser derramado.

Notas finais
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