Escolhas

4 Capítulo 4


Kurt permaneceu lá tentando processar tudo aquilo. Sua vontade era correr atrás dela mesmo sem saber se, depois de tudo que ouviu, deveria pedir desculpas por não ter visto as coisas da mesma forma que ela ou apenas questionar se essa avalanche de ira à Nas era decorrente apenas desse mal entendido sobre a festa. As pessoas sempre o aconselhavam a dar tempo e espaço a Jane...Ele andou pelo vestiário de um lado para o outro, pensando em tudo que ela havia dito. Droga, ele já não conseguia ver Nas da mesma forma. Algum dia ele superaria o efeito Jane Doe sobre sua vida?

Dar tempo à Jane? Dar espaço a Jane? Dar razão a Jane? Jane. Jane. Jane. Pra qualquer lugar que ele olhasse dentro dele só existia Jane lá. Não perder Jane, por que a vida sem ela não tinha sentido. E ele se viu atravessando o SIOC às pressas enquanto avisava Reade por mensagem que precisavam do resto do dia de folga. Enquanto o elevador descia até a garagem do prédio, seu único pensamento era o desejo de que ela estivesse em casa.

Dirigindo pelas ruas de New York, os flashbacks de tudo que viveram até ali povoaram sua mente. Vencida a distância da portaria até o apartamento, a porta era a última barreira que se impunha à ele. A determinação que tomou conta do seu ser e não deixou sua mão vacilar com a chave nem sua mente vacilar em suas resoluções. Uma vez dentro do apartamento, seu olhos não precisaram vasculhar todo o local. Ele sabia previamente onde olhar, as possibilidades eram poucas. A varanda estava vazia, mas o escritório não. Num capricho do acaso, ela se levantou da poltrona e se recostou no batente da porta como ele fizera na noite em que ela voltou pra casa.

— Estou bem. Não vou fugir.

— Eu não pensei que fosse... Não foi por isso que eu vim atrás de você. _ ele respirou fundo e começou_ Eu vim pra conversarmos.

Ela caminha até a sala e, próximo a ele, diz:

— Eu já disse tudo que tinha pra dizer.

— Mas eu não disse!

Jane não conseguiu conter a surpresa com a atitude desafiadora de Weller. Esse tipo de comportamento dele com relação à ela era raro. Mas não teve outras reações além de ficar ali parada, aguardando o que ele tinha a dizer:

— Sim, eu queria momentos a sós com a Nas quando dividi as equipes na festa.

Jane sorriu com desprezo. E ele continuou:

— Sim, eu flertei com ela naquela noite. E sim, isso inflou tanto o meu ego que nem me senti traído quando ela levou o vírus. Mas não, eu não fiz tudo isso de forma racional ou premeditada. Não foi minha intenção te machucar. Eu não faria isso porque eu sei o quanto doeu te ver com Clem durante a missão de resgate da Avery na Alemanha...

Kurt quase conseguia sentir todos os músculos de Jane se enrijecendo e algo que se tornou ainda mais nítido na postura desafiadora do queixo dela ao se dirigir a ele:

— São situações incomparáveis. Eu fiz de tudo pra evitar que você estivesse lá...

— Mesmo que eu não tivesse ido com vocês, a sua escolha por ele como parceiro para aquela missão já tinha causado a mesma dor que você está provando agora.

Jane respirou antes de responder. Era imcompreensível para ela Kurt se utilizar de uma comparação tão equivocada:

— Como você pode trazer isso pra essa discussão? Clem nunca fez nada que te prejudicasse...

— Ele era alguém que podia te fazer feliz. Alguém que podia te tirar de mim. E não há nada no mundo que me seja capaz de me prejudicar tanto.

— Não! Clem nunca foi uma ameaça pra você, para o que eu sinto por você...

— E Nas nunca foi uma ameaça para o que eu sinto por você.

Quando seus olhos se encontram, a postura firme e a determinação de Kurt em não ceder era tão grande quanto a de Jane. Ficaram ali paralisados por alguns segundos até que as confissões foram penetrando no coração dos dois e o desafio cedeu lugar a um sorriso tímido e constrangido . Foi Jane quem estendeu a mão, alcançando a dele e aproximando seus corpos até ser possível descansar sua testa na dele:

— Droga, Kurt... eu quero nós dois de volta. Quero ter você como abrigo depois dos meus dias difíceis. Quero nossos bons momentos que faziam todo o resto valer a pena.

— Então, abaixe as garras pra eu entender que não estou quebrando o tempo e o espaço que você precisa.

— Eu pensei que tinha feito isso ao voltar pra casa.

Kurt sorri percebendo o quanto eles ainda tinham que lapidar daquele diamante bruto que era o amor que compartilhavam.

Compreendendo que as palavras não fariam mais sentindo, ele busca os lábios dela com uma ânsia intensa. O beijo foi curto e carregado de firmeza. Então, ele se afastou alguns centímetros procurando observar a reação dela. Jane dá um breve sorriso mostrando concordar com a proposta do marido e reinicia o beijo com a mesma intensidade. Kurt impulsiona o corpo dela contra a parede e, com o rosto quase colado no dela diz:

— Sempre que eu tiver uma escolha, Jane, ela é você. E, se eu não puder ter você comigo em campo, vou precisar duas vezes mais de você toda vez que voltarmos pra casa.

— Eu vou te cobrar isso. E toda vez vou te provar que sua escolha foi a mais certa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.