Escolhas
7 Clichê
Agosto de 2006
Hoje , faz um ano e meio que eu e Rodrigo estamos namorando, lembro-me como se fosse ontem o dia em que cheguei aqui e de como ele fora atencioso, até de mais, tão atencioso que estamos namorando. Me arrepio só e lembrara o dia em que nos beijamos no sofá e em como ele foi carinhoso comigo, neste dia me apaixonei e decidimos que tentaríamos ser mais que amigos. As meninas nos apoiando a seguir em frente, até a Ana Laura o que achei estranho, desde que a vi e o jeito que ela falava com ele, pensava que ela o queria nu.
— São 35 reais e 45 centavos moça! — disse a caixa do supermercado sorridente.
— Obrigada. O troco pode ser dessas balinhas e caramelo. – sorrio de volta
— Alguma data em especial hoje? – pergunta ela apontando para os chocolates em forma de coração que comprei.
— Não é bem hoje, mas sim, eu e meu namorado estamos fazendo um ano e meio de namoro e quero fazer uma surpresa para ele – falei tagarelando, hoje ninguém me tira do sério.
— Legal – disse ela – espero que ele goste, então.
— Eu também, Obrigada. – falei pegando sãs sacolas, achei ela um pouco metida, mas estou feliz para que isso me afete.
Geralmente, os casais fazem algo de especial, como jantares, ir ao cinema ou algum programa especial quando estão no primeiro ano de namoro. Mas eu e Rodrigo ficamos meio “quebrados” nesse primeiro ano, eu principalmente, estava com dificuldade em achar emprego então decidimos adiar a comemoração. Eu sou mais ligada nessa coisa de datas e tudo o mais, hoje nós estamos fazendo um ano e meio de namoro e como, Graças ao bom Deus e ao meu esforço, recebi meu primeiro salário no meu trabalho como garçonete e hoje estou de folga, resolvi fazer uma surpresa para ele. Nossos planos era de sair final de semana, fazer um programa a dois que acabaria com sexo, lógico. Passei no mercado e comprei uns chocolates, e alguns ingredientes para fazermos o jantar nós mesmos, com vinho, será romântico, sei que quarta-feira as meninas estarão fora de casa, Michele vai para a casa do namorado e Ana Laura ficou tagarelando essa semana que sairia com um cara que conheceu no O bar, então estaremos livres para fazer o que bem entendermos.
Hoje não tenho aula, então tenho tempo extra pra comprar uma lingerie nova, são cinco da tarde Rodrigo está na faculdade fazendo um curso extracurricular, então tenho tempo para passar na loja de sexy shop e aproveitar que a casa estará vazia e posso arrumar meu quarto, que esta uma bagunça. Chegando na loja de sexy shop, tem um desenho e uma boca mostrando a língua, sensual, desenhado na vitrine menor, na maior a exibição de conjuntos de pijamas, fantasia de enfermeira – adorei- e de lingeries, estou empolgada para compra algo sexy sem ser vulgar, pra dar uma apimentada no nosso relacionamento.
— Olá moça, posso ajudar? – pergunta a atendente da loja, que vete uma camiseta com a estampa de desenho igual ao da vitrine.
—Oi, Pode sim – respondo e ela sorri, acho que a maioria as pessoas vem com vergonha ou diz a frase mais típica “só quero dar uma olhadinha “ – Estou procurando uma lingerie, ou uma camisola sexy, é meu aniversário de namoro sabe, quero arrasar.
— Uhum, você veio na loja certa então, há há! – tagarelou a moça. Ela foi para atrás do balcão e começou a me dispor varias roupa todas lindas, como escolher uma delas?
— São Lindas, quanto custa? – perguntei.
— Bom, elas variam de valor, nós temos e 70 reais há 140,00! – respondeu ela.
— Então me mostre as de 70,00 reais, por favor, quero fazer uma surpresa, mas não quero exagerar nas compras, há há. –eu tive que ser sincera não posso estar gastando exageradamente.
— Claro, tem preferência por alguma cor? – pergunta ela pegando uma nova remeça de peças, claro que ela me mostrou as mais caras primeiro, esperta.
— Vermelha ou azul – Rodrigo sempre comentou sobre lingeries azuis serem sexys para ele, mas eu amo comprar roupas intimas vermelhas.
Ela me mostra algumas peças e de repente vejo uma no meio das peças que ainda estão dentro da caixa, um azul marinho que me chamou a atenção, peço para que a moça me de permissão para pegar dentro da caixa, puxo e é um conjunto de calcinha e sutiã azul marinho com renda, é perfeito, vem acompanhado de uma liga de renda com um laço também em azul marinho.
— Moça, quanto custa este –pergunto- ele é perfeito e do meu tamanho.
— É 75,00 reais, o preço está ótimo! – diz ela sorrindo, papo e vendedora, ótimo se fosse uns 40 reais, mas para a ocasião está valendo.
— Vou levar este mesmo — sorrio
***
Chegando em casa finalmente, meus pé estão doendo, andei bastante pelo centro da cidade, além de que deixei meu carro estacionado longe porque foi difícil encontrar uma vaga, pelo menos o transito está amigável hoje, sem filas e sem acidentes. Só mais uma esquina e chego em casa, estou ansiosa, a casa será só nossa então aproveitaremos muito, normalmente as meninas estão em casa e namorar fica difícil, apesar de que Michele vive levando o namorado para lá e escutamos eles transando a noite. Rodrigo também é dono da casa, mas acho deselegante e estranho saber que outras pessoas estão nos ouvindo, a casa tem repartições em madeira então se pode ouvir bem. Cheguei finalmente, estaciono o carro e pego minhas sacolas, já tenho tudo planejado.
A porta esta destrancada, será que Ana Laura se esqueceu de passar a chave de novo? Ela faz isso às vezes, com a desculpa de que foi em um lugar por perto e que ninguém entraria na casa, reviro os olhos. Coloco as bolsas em cima da mesa de centro na sala, volto para o carro para buscar a sacola do sexy shop que joguei no banco de trás do carro, de repente ouço um barulho vindo de um dos quartos, deve ser Michele se arrumando para a aula, olho a hora no celular, 18:40, ela já devia ter saído se não quer pegar transito. Escuto risadas, que estranho Michele não costuma trazer o namorado antes do horário de aula, vou andando em direção aos quartos e começo a ouvir pequenos gemidos e arfados, estalos de beijos e barulho da cama em movimento. Percebo que esse som vem do meu quarto, não pode ser, não acredito que uma delas teve a cara de pau de usar a minha cama para sexo com seus namorados, a porta está entreaberta vou em silencio em direção a ela e espio pela greta.
Estou certa, é a loira na minha cama com alguém, ela que me aguarde, espiando e ouvindo os gemidos me dá náuseas, e pensar que se eu não chegasse agora nem saberia o que ela teria feito ali. Quando eu vou me virando para sair dali, ouço uma voz familiar, meu corpo paralisa, minhas mãos ficam frias, a voz que escutei é de Rodrigo, não quero me virar e espiar de novo.
— Se vira, galega – disse ele. Sinto vontade de vomitar.
Não pode ser, não quero acreditar. Faço um esforço para olhar de novo pela brecha na porta, e vejo ele sobre ela, tenho certeza que é ele, aquela tatuagem perto da nádega esquerda eu conheço bem, uma tribal de tartaruga marinha. Sinto meu coração acelerando, meu sangue subindo e fervendo, vou entrar nesse quarto e tirar ele de lá de cima dela, enche-lo de ponta pés. Estou prestes a colocar a mão na maçaneta, mas me contenho, quer saber? Vou esperar eles terminarem essa imundície que estão fazendo, com certeza ele ficará surpreso.
Sento no sofá e pego os chocolates que comprei para este dia fatídico, comprei chocolates deliciosos, som de gemidos me fazem querer vomitar o chocolate, mas engulo como se fossem pregos. Não vou dar esse gosto a ele, comerei todos, e o presente que comprei para usar só para ele tacarei fogo, não, vou usa-lo agora e esperar ele aparecer na porta, isso mesmo. Levanto vou ao banheiro sem fazer barulho, coloco a lingerie sensual que comprei, me olho no espelho e lagrimas teimam a cair, limpo elas depressa, não quero nenhum vestígio de abalamento quando ele, eles, me verem.
Os gemidos pararam , ainda bem estava quase vomitando, os sons asquerosos que faziam estavam me instigavam a imaginar eles dois na cama, e como Rodrigo faz isso bem, que raiva. Vou a passos largos do banheiro para a sala me sentar de novo, como mais um chocolate sem fazer barulho e escuto a o barulho da cama, minha cama, alguém esta se levantando, ouço um cochicho. “Vai tomar um banho que eu ajeito aqui” foi o que a loira disse, eu ajeito aqui, fala sério iam deixar tudo arrumadinho para que eu não percebesse? Pouca vergonha desses dois. Ouço ele empurrar a porta e eu me levanto, quero ver a cara dele de espanto ao me ver.
— Por que não me convidou para sua festinha particular? Eu teria o maior prazer. — falei com sarcasmo e raiva. Ele ficou estabilizado a dois passos a frente da porta.
— Ma... Maya? – gaguejou ele
— Não a mãe Joana, o que você pensa que está fazendo? Não, não me responda, sei muito bem o que você estava fazendo.
— Maya, eu estava tirando um cochilo no seu quarto, para estar bem antes de você chegar em casa — falou ele, mentiroso.
— Não me venha com essa de cochilo Rodrigo, seu merda de um mentiroso – retruquei nervosa – eu cheguei aqui e a porta estava aberta, vocês deviam tomar mais cuidado esse não querem que peguem os dois nessa “nojeira” que estavam fazendo ai.
— Não tem ninguém no quarto amor. – disse ele, sem se mexer.
— Não me venha com essa de amor, sei muito bem que a loira peituda ta ai dentro, ajeitando a cama, vamos Ana Laura pode sair daí – falei dando passos em direção a porta do quarto.
Rodrigo está estacionado no mesmo lugar, de modo que fica na minha frente. Estando frente a frente com ele agora, sinto uma vontade de esmurrar a cara dele, mas não faço isso. Ele tenta colocar as mãos em mim, me desvencilho, dando um olhar duro e magoado para ele.
— Maya, e.. eu posso explicar. – disse ele desconcertado, e me olhando se cima a baixo, percebendo que eu estou de lingerie.
— Ata, agora você quer me explicar, até então não havia ninguém no quarto e agora quer me dar explicações? Por favor Rodrigo, sei muito bem como se faz isso que estavam fazendo ai, eu ouvi tudo e foi nojento. – falei quase gritando, mas eu estava controlada, não ia me rebaixar a tanto. Ouço passos vindos do quarto, finalmente ela resolveu dar as caras.
— Ana Laura é melhor você ficar ai – falou ele , se dirigindo a loira – deixa eu acalmar a Maya.
— Me acalmar? Eu estou super calma, só quero entrar no MEU quarto e pegar uma muda de roupas, e vou sair daqui. – falei tentando empurrar Rodrigo da minha frente.
— Maya, eu nem sei o que dizer, aconteceu... – falou ele.
— Eu só quero entrar no meu quarto – repeti – Galega, não é assim que você a chama? – perguntei olhando nos olhos dele- pode sair do meu quarto e de roupas, de preferência. Ouço ela se mexer dentro do quarto, evitei olhar lá para dentro e esperei que ela saísse.
— Muito obrigada, vadia – falei a ela – e você não tente entrar neste quarto a trás de mim – falei entre dentes para Rodrigo.
Ana Laura foi direto ao banheiro, não olhei na cara dela e nem mesmo notei se ela tinha realmente se vestido, passei por Rodrigo e entrei direto no quarto, senti aquele cheiro de sexo e tive náuseas. Arranquei os lençóis da cama e joguei no chão, com raiva, andei até o guarda-roupa e enfiei o que pude em uma mochila velha, visto um shorts e uma camiseta, depois ligaria para Michele e explicaria a ela o motivo de eu não querer mais voltar a morar ali. Respiro fundo, coloco a mochila nas costas e saio pela porta.
Rodrigo está sentado no sofá com a caixa em forma de coração com chocolates, os que restaram, nas mãos. Vou na direção dele e ele olha para mim com cara de cachorro sem dono, pego a caixa de chocolates da mão dele e minhas chaves que estavam na mesa de centro, arranco a chave da casa e deixo em cima da mesinha.
— Maya, você não precisa fazer isso, vamos conversar – pede ele. – vamos dar um jeito, eu não sabia o que estava fazendo, foi à primeira vez, a única vez.
— Rodrigo, não fale mais comigo, não me dirija à palavra nunca mais – falei serena, nunca fiquei tão calma na minha vida – Eu não quero ouvir as suas desculpas, não quero saber se seria a única vez que você treparia com essazinha ai – fiz gestos em direção ao banheiro, afinal ela não é tão cara de pau assim, ainda não saiu de lá — Pode ficar com ela quantas vezes você quiser, pode até ser na hora que eu sair por aquela porta, podem fazer um segundo round o que acha? – meu sarcasmo final.
Viro minhas costas para ele e vou em direção à porta da casa que dá para a rua, minhas lagrimas começam a escorrer pelos olhos, toda a minha raiva se convertendo em lagrimas, atravesso a porta sem olhar para trás, mas sinto a presença dele na porta me olhando partir, talvez, e só talvez, eu estivesse esperando uma cena romântica como nas dos filmes, do homem indo atrás da mulher depois de levar um pé na bunda, fazendo promessas de amor e dando beijos calorosos, mas não estamos em cenas de filmes onde tudo fica bem. Minha raiva é tanta que é capaz de eu passar por cima dele com o carro, se ele viesse atrás de mim realmente.
Entro no carro, engato a ré e saio cantando pneus — pra dar mais ênfase ao meu ódio — toda a calma que estava momentos antes se esvaiu e a raiva tomou conta de mim, estaciono na vaga mais próxima e começo a chorar e a esmurrar o volante do carro, não me importo se têm pessoas na rua me olhando, eu só quero que toda essa raiva passe. Choro até não ter mais lagrimas, como eu pude ser tão burra? Estava o tempo todo na minha cara e eu não vi? Lógico que a loira gostosa e peituda ia incentivar a ir fazer compras para o “dia especial”, ela sabia que teria tempo para ficar com ele a sós na casa. Burra, burra, burra, falo esmurrando o volante. Paro, respiro fundo varias vezes e me olho no espelho retrovisor, estou me sentindo acabada, derrotada.
***
Estou no O Bar, comecei a frequentar este lugar por que Rodrigo vinha aqui, com o tempo comecei a gostar do lugar, fiz amigos de diferentes cursos que frequentavam aqui. Não devia ter vindo, esse lugar me lembra ele e meu olhos começam a marejar, mas respiro e evito que as lagrimas caiam, chamo o garçom e começo com uma dose de tequila, quero sair bêbada daqui, quero esquecer , pelo menos agora, a cena que eu ouvi e vivi.
— Maya, aqui está mais uma dose – disse Matheus o garçom, ele já me conhece – aconteceu alguma coisa? – nossa, minha cara deve estar péssima, não sei quantas doses já tomei.
— Não, só quero beber– falei sem olhar para ele – espera, quer saber mesmo o que aconteceu? O idiota, imbecil e traidor Rodrigo, meu namorado, não, meu ex- namorado, me traiu com a nossa companheira de casa. Isso é tão clichê não é mesmo? O namorado trai a namorada com a loira peituda e muito mais gostosa que você, e para ficar melhor ainda, ela morava na mesma casa que eles – falo dando risadas e percebendo que estou um pouco bêbada – para completar a historia a namorada traída vai encher a cara no bar que os dois frequentavam juntos, viva o clichê. – falo levantando meu copo e dando o gole na dose.
— Sinto muito – diz ele – mas acho que você deveria parar com as doses, já é a usa oitava, e sabe como é tequila, quando você ver já vai estar caída no chão da praça. – fala ele sorrindo para mim, nunca notei que ele era tão gatinho e gentil.
— Quer trepar comigo Matheus? – perguntei, a bebida já tomou conta de mim e estou totalmente desinibida.
— Não nessas circunstâncias – fala ele sorrindo.
— Então, me traga outra dose – respondi entregando meu copo para ele.
***
Nossa, que dor de cabeça, não devia ter bebido tanta tequila. Sento na cama e olho ao redor, tem duas pessoas nuas no chão, em sono profundo, não reconheço este cômodo, onde estou? Olho para quem está ao meu lado torcendo para que seja uma amiga da minha sala, eu lembro de encontrar ela no bar, Aline, é, ela esteve no bar ontem. Não é ela, é um rapaz moreno que não faço ideia do nome, o que eu fiz ontem? Puxo e levanto um pouco a coberta que cobre ele, é, ele está nu. Me deito de novo, suspiro, e alguns lembretes começam a vir, o nome dele é Felipe e é engenheiro, estuda engenharia, e nós viemos para a casa do amigo dele, deve ser o pelado no chão, e nós transamos. Fecho os olhos tentando pegar no sono de novo, não consigo, Felipe se mexe do meu lado, antes que ele acorde me levante e saio de mansinho pelo quarto, não quero acordar ninguém.
Saio do quarto e estou em um apartamento, minha mochila está jogado no chão da cozinha/sala, apartamento pequeno, pego ela e vasculho a procura das minhas chaves e do meu celular, ufa, estão aqui sãos e salvos. Ligo meu celular e tem 15 chamadas não atendidas de Michele, a essa altura ela já deve saber dos acontecidos, ignoro e enfio o celular no bolso da mochila. Vou procurar o meu carro, saio do apartamento sem fazer muito barulho, e pego um elevador até o térreo, orando para que meu carro esteja na garagem bem estacionado, por que eu não faço ideia de onde o deixei. Chego à garagem e avisto o meu carro, ótimo, não importa como ele veio, mas que está aqui. Entro no carro e tem latas de cerveja no chão e cheira a vodca aqui dentro, para uma quarta-feira as pessoas bebem bastante, eu bebi bastante.
Dou arrancada no carro, não me lembro de tudo o que aconteceu na noite passada, mas sei que não me arrependo de nada que fiz. Rodrigo estará, a partir de agora, fora da minha vida, e eu posso ficar com quem bem entender e achar que devo, eu quero mesmo é beijar desconhecidos e ficar bêbada sem lembrar os acontecimentos, exatamente como na noite passada. Isso parece muito clichê, mas é o que quero, não devia ter começado a namorar logo que cheguei, logo que sai de baixo da saia da minha mãe, não devia ter me prendido tão fácil, quero mesmo é apenas estudar e viver sem pensar na aprovação de terceiros.
Agora, estou mais “relaxada”, passei na farmácia e comprei analgésicos, vou ligar para Aline, minha colega de curso, e esperar que ela tenha uma cama sobrando para mim no apartamento dela.
***
Meu celular ta tocando no meio da aula, dou uma espiada e é o numero dele ignoro. Aline sentada na cadeira ao meu lado olha para mim com cara de brava. “eu ignorei” falo para ela baixinho, ela volta a olhar para frente. Meu celular fica vibrando a cada dois segundos, mensagens e mais mensagens vinda do numero dele, Aline olha para mim e diz sussurrando,” desliga esse celular, se não eu que vou jogar no lixo”, ignoro ela e o celular. A aula está quase no fim, o professor dá um trabalho complicado e nos dispensa, instintivamente pego meu celular para olhar as mensagens, meu coração dói.
“ MAYA,POR FAVOR ME LIGA”
“MAYA, ME DÁ MAIS UMA CHANCE PARA ME EXPLICAR, FOI TUDO UM ERRO”
“ATENDE O CELULAR POR FAVOR, PRECISAMOS CONVERSAR”
“ME DESCULPA, EU NÃO SABIA O QUE ESTAVA FAZENDO, NÃO ME IGNORA, ME PERDOA, ME PERDOA, ME PERDOA”
“VOCÊ MAIS ME IGNORAR ATÉ QUANDO? EU VOU TE ENCONTRAR NA UNIVERSIDADE EU SEI ONDE É A SUA SALA”.
“MAYA, MEU AMOR, NÃOQUIS SER GROSSO,TODOESSEGELOQUE VOCÊ ESTÁ ME DANDOESTÁ MEMATANDO,PORFAVORME DEUMACHANCE DE ME EXPLICAR, PODEMOS NOS ENTENDER.
No que ele está pensando? Não sabia o que estava fazendo fala sério, como você transa com alguém conscientemente e não sabia o que estava fazendo, vai colocar a culpa na loira agora? Vai vim com aquele papo de “ela me seduziu”. Me enoja ler estas mensagens. Reviro os olhos e estou pronta para respondê-lo quando Aline arranca o celular da minha mão e começa a ler as mensagens. Vejo a raiva compartilhada nos olhos dela.
— Não estava pensando em responder essas mensagens né?- pergunta.
— Claro que não, eu ia apaga-las. – menti.
—Ia apagar não é? Então porque estava no responder em aberto?!.- questiona.
— Tá! Eu ia responder, mas mandar ele parar de me enviar tantas mensagens, não quero voltar para ela se é isso que está pensando- Digo.
— Assim espero. O que ele fez foi estupidez e o que você fez foi o troco, não tem que estar respondendo mensagensinha de texto dele. – ela. Esta mexendo no meu celular, apagando uma por uma das mensagens. Me entrega o celular.
Pego e guardo na bolsa. Não ia me encontrar com ele, não quero vê-lo nem ouvir a sua voz estúpida me pedindo perdão, perdão, antes pensasse na merda que estava fazendo. Levantamo-nos e saímos pela porta afora, jogando conversa fora quando alguém me segura pelos ombros, olho para frente e identifico seu perfume e seu rosto. É ele. Gelo, meus pelos da nuca se arrepia, sinto uma vertigem, mas nãodemonstro meu desconforto e logo me desvencilho dele.
— O que você quer? –pergunto com tom severo- eu não responder suas mensagens e não atender suas ligações não bastam para você ficar afastado?
—Maya, por favor, vamos conversar, sei que você está brava comigo, mas posso me explicar – ele.
— Rodrigo, ela não quer falar com você. – Aline.
— Isso não é da sua conta, Aline. – diz ele.
— Ela é minha amiga e é da minha conta sim! – ela.
— Tudo bem, amiga, eu resolvo isso. – digo a ela – pode ir indo na minha frente que não vou demorar.
— Ta bem, mas estou por perto. – diz ela e se afasta.
— Maya, eu quero explicar o que aconteceu, estou desesperado com esse gelo que está me dando. – ele.
— Não quero ouvir suas explicações, não tem o que você explicar, me traiu e ponto final- digo ficando com raiva.
— Sim tem explicação, foi uma estupidez minha, eu amava você –diz – eu amo você, quero que demos certo, podemos conversar e voltar a..
— Não tem conversar, não tem voltar a nada,você me magoou, e muito. Se precisava de outra pessoa que acabasse comigo antes. – digo. Vou um passo para o lado ele fica na minha frente e segura no meu braço. Puxo e ele não solta.
— Maya, escuta pelo menos o que tenho a dizer, eu amo você, como pode jogar o nosso amor assim fora? –diz.
— Eu jogar fora, foi você quem trai a nossa relação, você quem jogou esse a-mor no lixo – estou gritando, tem pessoas ao redor e percebo o segurança desse bloco se aproximar. Rodrigo ainda não soltou o meu braço e está apertando.
— Só assim você para e me escuta – ele- eu fiz uma burrada, foi uma única vez, eu nem falo com aquela sedutora. Fui errado eu sei, mas quero concertar.
— Sedutora? Vai colocar a culpa nela agora? Faça-me o favor Rodrigo, suma da minha vida. – digo com sarcasmo,
— Escuta aqui – diz ele e aperta meu braço, está com raiva. Tento puxar, mas não consigo – você vai me ouvir sim, só você fala e eu ouço não mesmo – vejo raiva nos olhos dele. Fico com receio e tomo uma atitude.
— Rodrigo, solta o meu braço está me machucando. – digo falando alto o suficiente para que o guarda escute e venha intervir.
— Este rapaz está incomodando você? – o guarda
— Sim, ele está, o senhor pode pedir para que ele solte o meu braç. –sem terminar minha frase Rodrigo solta o meu braço e resmunga alguma coisa e sai pisando firme.
— Está tudo bem com você moça? – pergunta o guarda.
— Está sim, obrigado por aparecer. – digo com meus olhos enchendo-se de lagrimas. Meu braço ficou adormecido. Olho em volta e vejo Aline vindo na minha direção, graças.
—Maya, vamos ao banheiro – diz Aline segurando meu braço e me conduzindo ao banheiro próximo. Voltou na melhor hora.
No banheiro desabo e choro, soluço. Aline me abraça e me acalmo, pode ter parecido um drama, mas eu não o queria por perto, não queria estar naquela situação, não sabia que ele poderia começar a ser agressivo, meu braço está dolorido e espero que ele não apareça mais. Lavo o meu rosto para ficar com a melhor cara possível, para que as pessoas não achem estranho no corredor, fora aquelas que me viram fazendo um escândalo.
— E ai? – pergunta Aline – podemos ir? Está melhor?.
— Sim, vamos. – digo.
— Sua cara está péssima, toda borrada parece um panda. – diz ela me passando um lenço de papel.
— Obrigada por me avisar e a panda são fofos. – digo. Rimos. Só ela para me fazer rir quando estou indignada e triste.
Saímos do banheiro e os corredores estavam vazios, ótimo. Entramos no carro e fomos para casa.
Fale com o autor