Escolhas
2 Decisão.
Notas iniciais
Quando o sol já tinha se posto e o céu estava iluminado pelo crepúsculo, eu lembrei que tinha que avisar o meu pai. Estou pensando em ir para Volterra depois de amanhã.
—Eu acho melhor eu ir avisar o meu pai, eu tenho que falar para ele primeiro. –Termino de falar já de pé.
—Ele não vai deixar você ir sozinha para Itália. –Diz ela. –Eu vou com você.
—E se os Volturi resolverem te matar. Eles não vão deixar isso barato, vão lembrar que você é uma fugitiva. –Explico os motivos de ela não poder ir comigo. Mas vejo que ela não desistirá por pouco.
—Eu vou correr o risco, por você, minha nova amiga e pelo meu amigo Carlisle, eu estou devendo a ele por ter me afastado daquele jeito. –Ela fala.
—Obrigada. –Agradeço e vou abraçá-la. Ficamos daquele jeito por um minuto, então ela me solta e diz:
—Chega, mesmo você tendo uma parte de vampiro, você ainda cheira a cachorro molhado.
Depois que concordamos que ela podia ir comigo, fomos para a minha casa, quer dizer meu chalé. Minha avó deu para a minha mãe quando ela e meu pai se casaram.
Quando chegamos, o meu pai Jacob estava nos esperando na porta.
—Onde você esteve sumida? –Pergunta o meu pai.
—Eu estava passeando pela floresta, esclarecendo a mente um pouco e encontrando uma nova amiga. -Respondo. –Esta é Wendy.
—Aqui deve ser a parte mais cheirosa da floresta dos Cullen. –Diz ela sarcasticamente e ainda cobre o nariz com a mão.
Eu a fuzilo com os olhos, se ela continuar fazendo isso meu pai não me deixará ir viajar com ela, pensando bem nem a minha mãe deixaria. Eu me sento num tronco de arvore caído na lateral da passagem e olho para o meu pai, que está encostado na parede de casa, há um metro e meio de nós, então falo:
—Pai, preciso falar com você.
—Pode falar querida. — fala ele olhando para mim com o rosto calmo, como se eu fosse falar da minha amiga e não que eu ia para a Itália, mas é claro, ele não faz a mínima ideia de que eu vou fazer isso.
—Pai, tenho que ir para Volterra, vou falar com os Volturi. –Quando falo de ir para Volterra, o meu pai dá um pulo e começa a tremer. Ele fecha os olhos e respira fundo antes de falar.
—Você vai aceitar o convite de Aro? E não vai falar comigo e nem perguntar o que eu acho sobre isso... — Explode meu pai gritando.
—Pai, — O interrompo antes que ele termine e comece a tremer mais. –Eu vou falar com eles, eu já me decidi, eu não vou ser uma volturi. E também tenho que tomar muito cuidado pra que eles não machuquem a mamãe.
—Eu vou com você! –Diz meu pai ainda tremendo, mas não como antes.
—Não, pai, você não pode ir. Eles vão querer te matar, eles não gostam de lobisomens. – E parte da culpa, foi a batalha perdida quando eles vieram ver minha mãe pela primeira vez. Termino de falar com um aperto no coração só de pensar no que eles fariam com o meu pai.
—E que vampiro, sem ser alguns Cullen, gostam de lobisomens? Nenhum, mas não é por isso que você vai sozinha.
—Ela não vai sozinha, eu vou com ela, preciso resolver um probleminha com Aro. –Fala Wendy pegando meu pai de surpresa, então se levanta e se vira para o meu pai. – Pode ficar tranqüilo, vira-lata, eu cuido da sua filha. –Ela dá alguns passos na direção da casa do meu bisavô e vira-se para me olhar. – Adeus, amiga. Eu tenho que ir.
—Adeus! –Quando termino de falar, ela já tinha desaparecido na floresta.
—Você não vai com ela! Ela não gosta de lobisomem, você acha que vai gostar de rescorys? –Diz meu pai, quase gritando.
—Pai, você acha que eu ia acreditar nela, se eu não sentisse que ela é confiável? –Digo um pouco mais alto que o normal, não é bom gritar com meu pai, então uso minha carinha de anjo ou como algumas pessoas dizem “carinha de cachorro que caiu da mudança”. O que combina mais comigo.
Ele rosna e começa a andar de um lado para o outro, pensando um pouco no que dizer, ele odiava quando eu uso aquela cara, por que sempre funciona. Então fala:
—Vá, mas tome muito cuidado. –Diz ele parando na minha frente.
—Obrigada, pai. –Me levanto para abraçá-lo, ele corresponde ao meu abraço –Te amo!
—Também te amo, filha. E é por isso que eu quero te proteger. –E então me abraça mais forte.
—Eu sei. –Solto meu pai e ele me solta também –Boa noite!
—Durma bem, querida! –E vai se sentar no tronco onde eu estava sentada.
Eu vou para o meu quarto no fim do corredor, onde era o quarto da minha mãe. Na parede do fundo tem uma janela, do lado direito uma cama e do lado esquerdo o guarda-roupa. O quarto é rosa claro. Me apronto para dormir e me deito, fico pensando no que falar para os Volturi até cair no sono.
Acordo cedo, umas seis e meia da manhã. Coloco um vestido azul claro e penteio meu cabelo louro. Eu sou a única da matilha que não precisa cortar o cabelo, ele não fica comprido quando eu me transformo. Leah teve que cortar o cabelo, por isso eu perguntei para ela se ela queria que eu cortasse o meu, mas ela me falou para ficar assim e para eu não me preocupar com isso, pois ela já estava acostumada.
Vou comer alguma coisa. Quando acabo, me lembro que tenho que avisar a Sam, para a matilha do meu pai e para a minha família que eu ia viajar. Então saio correndo pela floresta e paro para me transformar, ainda bem que esse vestido é leve e fácil de carregar amarrado no tornozelo, o que faço antes de me transformar é claro. Lobos não tem mão para poder amarrar as coisas.
Vou para o meio da floresta e uivo para chamar a todos, mas eles já estavam por perto, talvez ouviram meus pensamentos quando me transformei. Quando nos transformamos nos falamos assim, pelos pensamentos.
‘Eu tenho que ir para Volterra falar com os Volturi, tenho que avisar para eles que não vou entrar para o clã. Espero não demorar muito, quero ir para lá amanhã. ’ Olho para todos que formaram um circulo a minha volta, a matilha do meu pai inteira estava lá, menos um, meu pai.
Como podiam ver que eu estou com pressa, não fizeram nenhuma pergunta para mim, alguns pensaram se era seguro e outros pensaram se eu não iria mudar de idéia quando encontrasse a minha mãe. Mas eu não liguei e continuei.
‘Eu só vim falar adeus. ’ Olho para cada um de novo e me viro,então começo a andar. Atrás de mim, escuto as pessoas dizendo adeus e alguns até logo.
Eu começo a correr para La Push, lá eu vou encontrar Sam para lhe avisar que irei viajar.
Ele estava me esperando, encostado numa arvore e olhando para o local da floresta dos Cullen onde eu apareci.
‘Sam, vim avisar que irei para Volterra, vou falar para os Volturi que não serei um deles. ’Respiro fundo.
‘Tudo bem, vou avisar a matilha. Adeus. ’Se vira e sai correndo.
‘Adeus. ’ Quando ele desaparece, eu olho para ver se não tem ninguém por perto e volto a forma humana, coloco o vestido e saio correndo para a casa da minha tia Rachel. Ela tinha se transformado em loba depois de dois anos aqui, então entrou para a matilha do meu pai. Minha tia cortou os cabelos igual o de Leah, mas fez com que eu deixasse meu cabelo comprido, ela gosta de passar as mãos nele.
Quando chego, só preciso dar uma batida na porta para que minha tia a abra.
—Oi, querida, tudo bem? –Pergunta me abraçando.
—Oi, tia, posso falar com você? –Eu retribuo o abraço.
—Claro, entre. –Ela me solta e entra dando espaço para que eu passe pela pequena porta marrom escuro, entro e vou me sentar no sofá bege encostado na parede da porta, do lado direito. Ela se senta ao meu lado. A sala é pequena, só tem uma mesinha de centro e outro sofá para duas pessoas encostado na parede da direita, e na parede dos fundos tinha um corredor pequeno.
—Tia, eu vou ir para a Itália. Tenho que falar com Aro, eu não vou ser uma deles. –Por um momento os seus olhos ficaram arregalados de surpresa e medo, mas depois que eu terminei de falar, ela relaxou.
— Você vai sozinha? Quer que eu vá com você?
—Não vou sozinha, a Wendy vai comigo.
—É aquela amiga do Carlisle que veio se desculpar?
—É, ela mesma.
Então escutamos um barulho lá fora e olhamos para a porta ao mesmo tempo. É Paul que entra.
—Oi, tio Paul, eu já estou de saída. –Ele vem na direção do sofá e se senta do lado da minha tia. Eu costumo chamar Paul de tio, pois sei que ele fica muito bravo, mesmo não demonstrando.
—Você já vai pra Volterra? Adeus.
Minha tia olha para ele com uma cara de reprovação e se levanta para me levar até a porta. Eu me levanto também e vou em direção da porta ao seu lado, acompanhando seus passos.
—Até logo, querida, quando voltar vem correndo me avisar, ta bom?
—Ta tia, eu venho correndo, prometo.
Nos abraçamos por um instante e eu a solto, então ela me deixa sair.
Para ir para casa, passo pela antiga casa do meu pai e lembro que meu avô morreu antes de eu nascer. Eu queria tanto conhecê-lo, assim ele mesmo poderia contar as nossas historias para mim, agora quem contava as historias era a senhora Clearwater.
Chego à parte mais difícil, dar a notícia para os Cullen. Então para chegar mais rápido lá, saio da rua e vou pela floresta. Chegando a casa, subo as escadas, mas não preciso abrir a porta, a minha tia Alice está me esperando com os olhos meio assustados e meio tristes, como se eu a estivesse abandonando. Ela deve ter visto que eu iria para lá.
—Me explique. –E começa a me puxar para dentro da casa, passando pela sala e subindo as escadas pra seu quarto.
—Tia, eu sei que você viu que eu vou para Volterra, eu vou mesmo, mas eu não vou ser uma Volturi, só irei falar isso para eles. –Então a abraço –Você acha que eu ia ficar sem a minha família? Como eu ia viver sem suas dicas de moda? Ou sem as compras?
—É mesmo, você não viveria sem ir ao shopping comigo. –Ela me abraça mais forte e ficamos assim por dois minutos, como se eu fosse ir embora para nunca mais voltar, nos soltamos e me lembro de que tenho que avisar o resto da família.
—Tia, tenho que avisar para todos.
—Tchau, querida.
—Tchau.
Começo a descer os degraus e tenho a surpresa de ver todos reunidos na sala, meu avô deve ter falado que eu preciso falar com eles. Quando paro no ultimo degrau, vejo a minha tia Rose, meu tio Em e meu tio Jazz perto da janela, meu avô e minha avó sentados no sofá e meu bisavô, minha bisavó e minha nova amiga perto do piano, todos esperando que eu fale algo.
—Eu tenho que ir para Volterra para avisar Aro que não serei uma deles. Estou pensando em ir amanhã ou o mais rápido possível. E a Wendy vai comigo, para eu não ir sozinha.
Então se forma uma fila na minha frente, a primeira é tia Rose, ela vem em minha direção, me abraça e sussurra uma despedida em meu ouvido, logo atrás dela veio meu tio Em, me abraça também e me diz ‘até logo’, depois vieram minha avó, meu avô, minha bisavó, meu bisavô e meu tio Jazz, todos eles me abraçaram e me disseram um adeus. Meu avô também me disse para encontrá-lo amanhã na garagem.
Quando todos terminaram de me dar adeus, eu dou um aceno de mão para a Wendy e vou para a janela. Então saio correndo em direção da minha casa.
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