Escolhas 2

4 4 - Need a little love


Notas iniciais
Nesse capítulo, decidi dar um pouco mais de foco ao Travis, que apesar de ter só 11 anos, cresceu muito menos de um ano para cá, mas é importante saber como andam seus pensamentos atualmente depois de um começo perturbado.

Boa leitura amores! =)

Capítulo 4

Precisa de um pouco de amor

When the darkness leaves you lonely

Quando a escuridão te deixar sozinho

Or the world tries to push you away

Ou o mundo tentar te empurrar para longe

When your sky is looking troubled

Quando o céu estiver parecendo perturbado

You can count on me cause I'm gonna stay

Você pode contar comigo, porque vou ficar

Need a little love – Miley Cyrus feat. Sheryl Crow

Rosalie POV

Travis me pareceu, de certa forma, meio aliviado quando viu Emmett e eu chegarmos à cafeteria do hospital de mãos dadas.

-Já comeram? – estranhei, ao ver que nem ele nem sua irmã tomavam o café da manhã. Ella, na verdade, estava debruçada em cima da mesa.

-Na verdade não. – Travis coçou a cabeça, meio sem graça, e deu um cutucão em Ella. Minha filha levantou a cabeça meio grogue, mas percebi que ainda nem tinha conseguido dormir.

-Por quê? – quis saber, arqueando uma sobrancelha. Ella não deixou que Travis respondesse.

-O Trav ficou falando que a culpa de você e o Emmett estarem brigando era dele. – Ela respondeu com sua inocência de criança.

-Menina, você não pode falar para o mundo todas as coisas que eu falo pra você! – Travis disse com os olhos arregalados; controlando a provável vontade de estrangular a irmãzinha.

Olhei para Emmett. Ele parecia segurar a risada.

-Não se preocupe com isso, filho. – acariciei os cabelos negros que Travis herdara de Royce. Meu garoto corou. – A culpa com certeza não foi sua.

-Não mesmo. – pelo canto do olho, vi quando Emmett sorriu. – Sua mãe que é teimosa demais.

Revirei os olhos, mas levei na brincadeira. Meu namorado beijou a minha bochecha e, depois de ver o que todos íamos comer, levantou-se para pedir. Ella foi rapidamente ao seu encalço, o que me deixou apenas com Travis.

-Desculpe. – meu garoto balbuciou assim que viu que Emmett havia tomado uma distância considerável. – Não era da minha conta.

-Filho, está tudo bem. – repeti, estranhando por ele estar se sentindo tão culpado. – Mas por que está agindo assim?

Travis olhou para a palma da mão, sem saber o que dizer.

-Trav? – insisti.

-Sabe a história da ovelha negra? – ele desconversou. – Estava vendo na escola ontem... Mas o sinal bateu e a professora não pôde continuar.

Arqueei uma sobrancelha, sem entender onde uma história contada para a quinta série podia se relacionar com minha pergunta.

-A ovelha recebia tratamento diferente das outras exatamente porque era negra. Todas as outras a tratavam como se fosse alguém desprezível, que não merecesse qualquer demonstração de afeto... Ficava sempre em último lugar. – ele contou, parecendo perdido nas próprias palavras. – E então, um dia, essa ovelha ficou farta de tanto desprezo e se afastou do rebanho, ficando sozinha de vez.

A expressão de Travis estava cada vez mais confusa.

-É o destino das ovelhas negras, então? Ficarem sozinhas para sempre, simplesmente porque são incompreendidas? – ele me perguntou ao fim de alguns poucos minutos. Eu o encarava, sem saber o que dizer. Ele estava falando da própria vida usando um conto infantil.

O pior é que, sendo sua mãe, eu tinha obrigações de saber como ele se sentia; mas desde que meu relacionamento com ele tinha melhorado nos últimos meses, realmente não tinha me importado mais com isso.

Não sabia sequer que ele ainda se sentia a ovelha negra da família.

-A história não acabou, Trav. – procurei as palavras certas para dizer e, em minha mente, tentei me lembrar do resto do conto. – A ovelha fica sim, sozinha, mas passa a noite em um monte de farinha e, então, fica tão branquinha quanto às outras.

-Então a solução é mudar, ser igual aos outros. – ele concluiu erroneamente. Eu meneei a cabeça, mostrando minha discordância.

-Não. – dei voz a minha negativa. – Quero dizer, primeiro ela permanece daquele jeito mesmo, branquinha, pensando ser essa a solução dos seus problemas. Mas quando o príncipe dos cordeiros chega, junto com uma forte tempestade que tira toda a farinha do corpo da ovelha negra, ele a escolhe simplesmente por ser diferente.

Ficamos em silêncio por poucos segundos, até que Travis deixou de olhar para as mãos e passou a me encarar.

-Eu não preciso mudar para ser aceito. – ele sentenciou, mas logo percebeu a falha que cometera. – Quero dizer, ela não teve que mudar... Ah, você entendeu.

Dei uma risada e baguncei os cabelos negros de Travis.

-Não, você não tem que mudar. – sorri para ele, mas depois a preocupação se transformou em um vinco em minha testa. – Agora, de verdade, por que você está se sentindo assim?

-É só uma história, mãe. – ele desconversou novamente. – Nada a ver.

Eu o encarei com as duas sobrancelhas arqueadas, mostrando que não tinha acreditado em nenhuma palavra que ele acabara de dizer. A face de meu filho lentamente se ruborizou.

-Eu sou diferente de Ella, e com certeza vou ser diferente desse meu irmão que está vindo aí. – ele apontou para a minha barriga. – O que eu tenho medo é de ficar sozinho. Não quero causar brigas suas com o Emmett, porque sei que vou sair perdendo se fizer isso.

Arregalei os olhos.

-Travis Jeffrey King, nunca pense nisso de novo. – sentenciei. – Amo o Emmett, mas nunca te colocaria em segundo lugar! E tenho certeza que ele não quer que eu faça isso.

Um peso parecia ter sido tirado dos ombros do meu garoto de onze anos, que suspirou.

-Promete que nunca vai me deixar de lado?

Eu sorri, levando uma de minhas mãos ao seu ombro.

-É claro que eu prometo. – eu disse, e ele pareceu relaxar ainda mais. – Apesar de você ser esse pestinha quando quer, você é meu filho e eu te amo. Nunca ia te deixar.

Travis sorriu e deu a volta na mesa para me dar um abraço.

Tudo estava nos conformes, mas algo me dizia que logo a tempestade estava por vir.

Notas finais
Espero que gostem desse capítulo, porque eu adorei escrevê-lo. Acho que é o mais diferente de toda a fic até agora, incluindo os últimos três capítulos e a primeira temporada inteirinha.
Eu gosto muuuito do Travis. Apesar de meus pais não serem divorciados e eu não vivenciar os problemas que esse menino vivencia, me vejo muito nele.
Estava vendo 2012 esses dias e o Travis que eu imagino é exatamente igual ao Noah (Liam James) e a Ella também é super parecida com a irmã dele no filme, a Lily (Morgan Lily).. Hahahaha
Enfim, espero pelos reviews. Beeeeijos!