Notas iniciais
Mais uma oneshot! Poisé, espero que gostem! Beijos e até as notas finais! Boa leitura!

Com um último movimento eu derrubei o zumbi e me joguei sobre ele, enterrando com força a chave de fenda em seu crânio e vendo-o com sangue nos olhos parar de se mover.

Me levantei e me mirei no espelho a minha frente. Minhas roupas já encardidas e rasgadas se encontravam num estado ainda pior. Sangue, tripas e peles de zumbis se espalhavam da cabeça aos meus pés.

Revirei os olhos me lembrando de como fora meu primeiro dia naquele novo mundo caótico. Fora pior, muito pior. Gritos, caos e sangue. Era tudo o que havia naquele novo mundo. Apenas o pútrido cheiro da morte, eu e minha família.

Ah sim, eu ainda tinha uma família no início. Digamos que... Eu tive sorte. Afinal muitos perderam tudo no início, mas eu não.

Infelizmente a sorte sempre acaba e com ela se foram todos. Meus pais, minha irmã e meu namorado. Todos partiram e eu me vi sozinha naquele terrível mundo que um dia foi belo, claro e... Vivo! Mas tudo sempre acaba não é? Tudo que tem um começo tem um fim. Infelizmente essa era a minha dura realidade.

Dei as costas para o zumbi e subi a escada para o segundo andar. A casa estava totalmente destruída e fedia a cadáveres e o cheiro característico dos malditos zumbis. Um cheiro que até hoje não sei identificar. Era podre e enebriante.

Soltei a chave de fenda nos degraus da escada e olhei o corredor acima.

Ali estava o corpo dele... O garoto que eu encontrará depois que todos se foram. Ele me protegeu e eu o protegi. Tínhamos a mesma idade, poucos meses de diferença.Seu nome era Trevor.

Meus olhos arderam e ameaçaram começar a chorar, mas não haviam mais lágrimas, não havia mais nada. Estava mal alimentada e muito desidratada. Faziam dias que não comia direito e água eram apenas gotinhas de orvalho que pegávamos nas plantas do jardim. Não chovia a meses.

Uma ferida enorme no estômago de Trevor denunciava sua morte. Seus olhos azuis que um dia foram vividos e brilhantes estavam apagados e vidrados. Olhavam para mim, mas não haviam qualquer expressão neles, foi apenas como ficaram enquanto a vida deixava seu corpo.

Desejei poder ver aquele brilho novamente e acompanhado de seu belo sorriso e sarcasmo sem fim.

Me ajoelhei ao seu lado.

A transformação já devia estar próxima... Quanto tempo ele ainda tinha como um cadáver?

Com um suspiro peguei meu canivete. Brinquei com ele por alguns instantes, apenas lembrando de como Trevor rira da minha unica arma "inofensiva". Sorri com a ironia bizarra de tudo. Minha arma "inofensiva"é que o impediria de se tornar um daqueles monstros.

Outro suspiro, outro pequeno golpe no crânio. Quantas vezes tive de fazer isso? Quantos cérebros meu mini canivete perfurou? Quantos monstros eu matei? Quantos humanos eu tive de matar? Foi preciso!Era o que meu pai diria. Foi mesmo? Não teria sido mais fácil eu acabar com tudo logo no início? Porque sobrevivi tanto tempo? Pra que lutei tanto?

Me levantei novamente após abaixar as pálpebras dele e esconder seus olhos do mundo. Andei pelo corredor sem me importar se pisava no chão ou no corpo de algum zumbi. Não importava mais.

Abri uma porta e entrei. Ali haviam duas coisas, a primeira era uma pistola sem bala e a outra era um galão cheio da gasolina que usaríamos para sair daquele lugar quando Trevor conseguisse concertar o carro. Algo que não iria acontecer nunca. Não mais pelo menos.

Apanhei o galão e o joguei pelos restos da casa, os restos dos zumbis, os restos de humanos e o resto do cara que me protegeu e o cara que fez com que eu visse um pouco de esperança naquele mundo.

A esperança acabara finalmente. Me sentia tão vazia...

Com tudo coberto por gasolina eu simplesmente fui soltando pela casa os poucos fósforos que ainda tínhamos e finalmente cheguei ao quarto com a pistola sem munição.

Peguei a peça de metal e a observei atentamente. O fogo ardia ao redor daquele quarto e ameaçava chegar a mim em qualquer momento, mas eu não me importava.

Instintivamente minha mão subiu para a corrente ao redor do meu pescoço.

— Use quando não aguentar mais. — Dissera Trevor quando me entregou aquela bala, a última que tínhamos.

— Mas e você?

— Eu estarei bem. — Ele falou sorrindo daquele jeito que só ele sabia.

— Desgraçado! — Falei comigo mesma enquanto puxava a bala e rompia o cordão. Coloquei a última bala na pistola e a observei mais um pouco.

Era o fim. Não aguentava mais tanta dor, culpa e por fim e o maior de todos: a solidão.

Só queria que o mundo voltasse ao que era. Só queria voltar a ser aquela adolescente cuja a única preocupação era estudar pra entrar numa boa faculdade, se casar algum dia e ter uma carreira sustentável.

Mas aquele mundo não existe mais.

Estava tudo tão morto... Que me dava uma profunda vontade de chorar. E o que eu podia fazer? Apenas continuar a existir. Tentar sobreviver num mundo morto. E também aceitar que todos que amei se foram.

Não, eu não aguento mais. Só quero que... Tudo... Acabe...

Com um último suspiro levo a pistola a minha têmpora e a seguro ali.

Um segundo... Uma última escolha...

Lentamente aperto o gatilho e o tiro vem.

Tudo em câmera lenta, fecho meus olhos e os vejo.

— Você disse que sobreviveria... — Foi a última coisa que ouvi, a voz de minha irmã retumbando em minha mente até mesmo no meu fim.

— Eu tentei... — Sussurro. — Eu juro que tentei...

E então tudo desaparece.

Notas finais
E então o que acharam? Não deixem de comentar Okay?Seria muito legal se vocês respondessem as perguntas que fiz no resumo da história. Adoraria ver como outras pessoas agiriam no lugar da protagonista!Obrigada por ler! E até alguma outra história!Qualquer erro de digitação é só me avisar que eu irei concertar. Revisei a historias diversas vezes, mas é muito possível que tenha deixado um erro passar em branco.Beijos das Trevas u.u
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!