Escola de Magos - Interativa
6 O Livro Roubado
Notas iniciais
Doze horas depois de ter recebido sua missão, Arvel já estava escondido atrás de uma árvore observando o esconderijo do inimigo – uma casa abandonada, em frente à um enorme pasto de grama morta. A casa toda suja de sangue, feita de madeira podre; como se fosse cair a qualquer momento. Janelas quebradas e enferrujadas. Aparentemente um local mal-assombrado.
— Caramba... Que nojo de lugar é esse? – perguntou Arvel, montando o seu bastão elétrico parte por parte e testando o mesmo com partidas elétricas. – Meu cajado está ótimo. Preciso de um plano. Se dois caras conseguiram roubar o livro do Rob, eles devem ser bons. Já estou me arrependendo... digo... não posso me arrepender. Eu tenho que ser forte para proteger todos ao meu redor. Preciso fazer algo...
Em questão de segundos, Darian e Garnet saíram da casa. O segundo estava com o livro em suas mãos. Os dois irmãos ladrões eram praticamente iguais em vestimenta (um manto branco com uma seta para cima de cor vermelha, sapatos de madeira e gorros brancos semelhante à de um duende), mas o que diferenciava era o tamanho e a cor dos cabelos. Darian, cabelo vermelho, grande até a cintura. Garnet, cabelo curto e preto.
Arvel não perdeu tempo, apoiou seu bastão no chão e se impulsionou para um salto enorme, partindo para cima de Darian. Não sendo rápido o suficiente, Arvel antes de tocar no ladrão levou um soco em sua costela por Garnet, capotando naquele pasto até impactar com tudo em uma rocha próxima à entrada da floresta que ali havia.
— Mas que droga! Quem é você? – perguntou Darian, fazendo sinal para seu irmão esconder o livro na parte de trás da sua calça.
Arvel se apoiou no bastão e se levantou, limpando o sangue que tinha expelido pela força do golpe que tomou. Tomou bastante ar e respondeu:
— Meu nome é Arvel Johnny! Vocês roubaram algo que pertence ao Embryo e eu vim pegá-lo de volta.
Garnet começou a dar gargalhadas enquanto caminhava em direção a Arvel. Pegou sua espada de cabo vermelho e apontou para cima, citando as palavras mágicas:
— Tsunami de lama.
O chão começou a tremer. Uma grande cratera se formou entre os irmãos e o mago do Embryo. Uma enorme parede de lama se formou e caiu sobre Arvel, o jogando contra as árvores, destruídas por aquele lamaceiro.
Ainda consciente, Arvel se levantou e saiu daquela sujeira toda, posicionando-se sobre uma rocha que não tinha sido afetada pela magia deferida por Garnet. Determinado, falou em voz alta:
— Eu vou pegar esse livro nem que eu tenha que derrotar vocês dois. Eu vou mostrar para você os efeitos dos ensinamentos do Embryo.
Garnet ficou calado e com sua espada foi para cima de Arvel, que começou a se defender com os ataques dele com seu bastão.
O tempo fechou e as gostas de chuva começaram a cair. Arvel já estava cansado e dezenas de minutos tinha se passado e ainda continuava se defendendo dos ataques do ladrão mago de lama.
— Vamos ficar aqui o dia todo brigando, garotinho? Volte para onde você veio antes que não tenha mais essa oportunidade. – sugeriu Garnet, ofegante e em uma pausa rápida, voltando ao ataque.
— Eu só vou sair daqui com o livro em mãos. Essa é a minha missão! – Arvel se abaixou de um golpe da espada do inimigo. Aproveitou aquela chance para dar uma rasteira em Garnet, pegar o livro e chutá-lo para longe. O chute foi tão forte que Garnet bateu com a cabeça em uma árvore, perdendo a vida instantaneamente.
Darian correu em direção ao seu irmão, preocupado. As lágrimas foram inevitáveis, mas ele precisava vingar a morte de seu ente querido. Arvel, assustado por matar – quase que sem querer – um dos inimigos, ficou desestabilizado e não viu a magia de Darian vindo em sua direção. Uma enorme corrente de ar que quando lhe tocou se tornou em um potente tornado, arregaçando com a floresta.
— Você vai pagar pelo que fez, garoto! Você não sabe com quem mexeu. Ele era a única família que eu tinha, seu verme! – gritou Darian, engolindo a força suas lágrimas correntes.
Arvel novamente se levantou. O seu remorso tinha que ficar para depois. Se deixasse o sentimento de culpa o levar, a missão teria uma grande chance de falha. Arvel, de todos do Grupo 1, era o mais determinado. Emoção raramente tinha vez quando estava em batalha, mesmo sendo exceção essa culpa já que foi a primeira vez que matara alguém.
— Eu peço perdão, não foi a intenção. Entretanto, preciso ser forte e concluir a minha missão. – Arvel pegou o seu bastão, dividindo-o em dois e apontando para o inimigo, que estava furioso. – Esfera de Campo Elétrico.
Na ponta de cada bastão, poder mágico foi concentrado, unificando-se em seguida e gerando uma gigantesca esfera elétrica, quase que invisível. Darian, diante tal poder mágico, não conseguiu conter suas pernas trêmulas e sua derrota foi inevitável. O impacto do poder de Arvel deixou um grande buraco naquele chão, onde no seu centro estava o segundo inimigo derrotado, quase morto – por milagre, não tinha sido.
Lentamente, Arvel guardou o bastão – desmontando em várias partes e colocando em sua cintura -, pegou o livro na calça de Darian e saiu caminhando sentido a parte não danificada da floresta.
Missão bem-sucedida.
***
Na sala do Rob, o livro foi colocado com violência sobre sua mesa. Arvel estava concentrando toda a sua culpa em uma dimensão mental que não existia, fingindo estar tudo bem. Rob, inteligente o suficiente, percebeu a emoção contida em seu contratado e perguntou:
— Eu não sei o que aconteceu nessa missão, Arvel, mas tudo passa. O ser humano é adaptável a tudo. Quer me contar mais sobre o motivo de tal reação?
— Eu... Eu... matei um dos inimigos... foi sem querer, eu não queria... eu peguei o livro após golpear um deles, depois o chutei com toda a minha força e ele bateu a cabeça em uma árvore. Acredito que ele morreu na hora. – Arvel limpou uma lágrima que escorreu em seu rosto.
Rob se levantou, deu a volta em sua mesa e o abraçou. Arvel começou a chorar feito criança. O emissário não podia fazer nada, já que tinha passado pela mesma coisa quando matou pela primeira vez.
— Vai ficar tudo bem. Na guerra isso é comum, Arvel. Não será a primeira vez. Acidentes acontecem e as vezes, para proteger alguém ou chegar em algum objetivo, devemos fazer coisas horríveis que vamos nos arrepender de um jeito ou de outro. Tire os dias até a missão principal, de descanso. Você precisa se recuperar.
Arvel, nem um pouco consolado, saiu daquela sala correndo, tentando conter o choro em soluços. Rob sentou novamente em sua cadeira. Pegou o livro e o abriu ao meio. Fechou os olhos. Respirou fundo e abriu os olhos novamente, assustado:
— Ela está vindo!
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