Escola de Horrores
1 Capítulo 1 - Uma noite incomum.
Notas iniciais
Os fones de ouvido já estavam no volume máximo, assim como o celular, mas perante a gritaria do pátio, o som saia tristemente baixo. Era aula do dia e era educação física, a maioria das pessoas estavam correndo feito loucos enquanto jogavam futebol ou pulando na quadra de vôlei, outros simplesmente estavam praticando esportes quaisquer, e eu? Bem, como sempre eu não estava fazendo nada além de ficar deitado embaixo da árvore olhando para o céu que se escondia por entre as folhas. O professor já havia desistido de mim, e os poucos colegas de classe com quem falava estavam praticando esportes, ou seja, não tinha nada pra fazer além de aproveitar o final do dia enquanto o sol se escondia no horizonte e esperava os meros 15 minutos para chegar a hora da saída. Me remexi para lá e para cá a procura da posição de conforto ideal e quando enfim a achei o sinal soou por todo o colégio fazendo-me suspirar. Levantei-me e fui até minha mochila e pus em meus ombros a voz irritante de Paula me chamou:
-Lucian, você chegou atrasado no primeiro horário né?
-Bem, sim.
-Desculpa, acabei esquecendo de te avisar, a tarefa de português, sabe aquela valendo 01 ponto? Então era pra ser entregue para ela hoje e não amanhã como fomos informados e o dia limite é hoje, como não estava no primeiro horário você não deve ter ficado sabendo disso, bem, não entregou sugiro que vá logo, ela já deve estar saindo da escola uma hora dessas.
Nem me dei ao trabalho de responder, sinceramente, minha vontade era de bater nos meus “colegas” de sala. Sou péssimo com matemática ainda assim eles me esqueceram de avisar algo tão importante. Corri até a sala dos professores... nada. Corri até o estacionamento, o carro dela ainda estava lá. Fui até a direção e perguntei onde ela estava, a resposta que me foi dada era que ela tinha ficado para revolver as questões interdisciplinares com os outros professores de exatas. Fui até a sala dela, entreguei a folha, e olhei para o relógio. Ótimo, meu ônibus já teria passado a essa altura, o próximo só daqui a uma hora. Suspirei frustrado, liguei para minha mãe para avisar que chegaria atrasado e fui esperar o tempo passar na quadra esportiva. Após poucos minutos a escola estava vazia, nem mesmo os zeladores estavam lá para conferir, estava cansado e com fome, desci a escadaria íngreme que levava até o deposito, entrei lá para me proteger do frio e retirei o restante do lanche do intervalo: uma Coca-Cola pela metade, quente e praticamente sem gás, um pedaço de saldado e uns quatro biscoitos negresco. Sentei-me perto do ar-condicionado e comi o pouco que tinha, estiquei os braços, liguei a musica e esperei o tempo passa... e esse foi o meu maior erro.
Sinceramente, apesar de querer esganá-lo, não era culpa do zelador ou seja lá quem me trancou naquele lugar, era escuro e pequeno, e eu sempre gostei da cor preta, por isso minhas blusas de frio, short e mochila eram pretos, assim como meu cabelo, até mesmo a calça jeans era de um azul muito escuro. Desesperado olhei para o relógio, quando meu coração quase parou, marcavam-se 10 horas da noite. Bati, berrei, xinguei, nada, chutei a porta com esperança de derrubá-la e nada. No meu celular havia apenas a notificação de duas chamadas perdidas de minha mãe, e uma mensagem que dizia: “Chegarei tarde não espere por mim, deixei dinheiro embaixo do vazo de plantas, pegue-o e compre algo pra jantar.” Só morávamos minha mãe e eu, meu pai morreu pouco depois de eu nascer por isso minha mãe teve dificuldades financeiras pra cuidar de mim e sempre que tinha turno extra ela aceitava. Por isso era o meu fim até minha mãe chegar, o que seria por volta das 2 da manhã, ninguém notaria meu sumiço. Liguei a cobrar para minha mãe, caixa postal, resolvi ligar para meus amigos, mas assim como eu não tinham créditos e não estava nem um pouco corajoso o suficiente para ligar para as autoridades, sério seria uma vergonha ser encontrado preso em um lugar como esse, seria a piada de toda a escola.
Bati e berrei mais um pouco e quando estava prestes a desistir vi o brilho da lua iluminar a pequena janela que ficava lá no auto da sala, estava tão suja que não havia percebido na primeira vez. Era grande o suficiente para passar então resolvi quebrá-la, se eu fugisse da escola ninguém iria descobrir que fui eu mesmo. Com esses pensamentos peque a cadeira o comecei a bater ela contra o vidro, em três pancadas o vidro se estilhaçou fazendo uma chuva de vidro mortal, minhas sorte foi que o casaco era grosso e os cacos só acertaram minha mão e minha bochecha causado pequenos cortes. Peguei meu caderno e o usei para retirar os pedaços de vidro que ainda ficaram na janela e usando a mesa e a cadeira consegui me lançar do lado de fora, uma dor absurda passou por meu ombro quando cai, tirando-me o ar e senti o sangue manchar a blusa quando os cacos de vidro do outro lado me cortaram, lagrimas ameaçaram saltar de meus olhos quando....
“...Cláp-Cláp-Cláp...”
O som das palmas fizeram meu sangue gelar, virei com dificuldade quando vi uma linda jovem sentada no chão batendo palmas enquanto ria. Os cabelos negros dela se misturavam com a sombra das árvores, a pele branca parecia mármore, os olhos azuis eram como safiras, os lábios, naturalmente rosas, esbouçavam um sorriso travesso.
-Ora, ora. Humanos são mesmo estúpidos. – sua voz era doce e ótima de se ouvir, teria ficado impressionado se a palavra Humano não tivesse sido mencionada. Humano? Bem ela também era humana, certo? Deve ser uma daquelas lunáticas que pensam ser superiores aos outros, e tratam os outros como vermes, né? Apesar de só ter visto isso em livros e filmes, não acreditava que realmente existia algum assim.
-Quem é você? O que faz aqui, não me lembro de você ser aluna dessa escola. – falei.
A garota virou de costas confusa e perplexa, depois apontou para se mesma e disse:
-Tá falando comigo?
-Claro! Tem outra pessoa por aqui? Além do mais se estava aqui por que não me avisou nada nem tentou me ajudar, deve ter ouvido meus gritos não?
A garota me encarou com curiosidade, mas não respondeu nada, apenas se levantou e saiu com o rosto franzido. Gritei e chamei ela, mas ela simplesmente não respondeu e desapareceu na escuridão da escola, dei de ombros e fui até o banheiro para limpar as feridas. Após molhar e torcer a camisa, limpar os pequenos machucados, me vesti novamente e fui até a entrada da escola. No meio do caminho vi a estranha garota encima do telhado da escola, como ela conseguiu subir lá? O lugar era bastante auto e não me lembrava de ter acesso a ele sem uma escada. De toda forma a garota saltava e dançava no telhado, “Ela é louca”, foi o que pensei, caminhei em sua direção para mandar ela descer quando, do nada ela começou a escorregar. Corri até ela mas cheguei tarde, o corpo já tinha despencado no chão, ou deveria ser assim, na verdade a garota simplesmente atravessou o chão, como miragem. Esfreguei os olhos pra ver se o que via era verdade, nada apareceu e o silêncio envolvia o lugar. Cocei minha cabeça e suspirei, estava mesmo tendo alucinações com uma linda garota. Virei de costas para voltar pro meu caminhos, quando seu rosto apareceu poucos centímetros do meu . recuei para trás com um susto que quase fez meu coração para. Que diabos essa louca estava pensando? Aliais, ela não tinha acabado de se jogar do telhado e atravessar o chão?
-Cara que susto! Não apareça assim na frente dos outros e que diabos, acabou de acontecer você não acabou de atravessar o chão, foi teletransporte?
A garota apenas riu, uma risada angelical e feminina. Passou a mão pelos cabelos orgulhosamente e disse:
-Então você pode mesmo me ver...
-É claro que posso, não sou cego! E rápido se explique, o que diabos foi aquilo?
Minha resposta não teve tempo de ser dada, um som de algo pesado acompanhado de um tremor fez a garota olhar para trás, sem em dizer nada ela agarrou meu pulso e começou a correr. Sem opções tive de dar meu máximo para acompanhar seu ritmo insanamente rápido. “As mãos dela são frias.” Foi a primeira coisa que percebi, a segunda foi seus olhos azuis serem pintados com a cor da angustia. Olhei de relance para trás, havia algo pouco maior que um cavalo, de pele roxa e corpo semelhante a de um tigre, a cabeça era uma mistura de felino com réptil e os olhos amarelos se preencheram com fúria quando nos avistou.
-Corre! – Disse ela.
-Nem precisa dizer. – Respondi.
Nos escondemos atrás de uma das paredes da escola, quando ela se virou pra mim e fez sinal de silencio, ponto o dedo indicador sobre os lábios, mesmo sendo algo simples e com uma criatura correndo atrás de nós não pude deixar de ver o quão charmosa era ela.
-Ei, o que está acontecendo? O que é aquilo? Quem é você? Porque ele está nos perseguindo?
A garota olho para cima com se buscasse nas estrelas a resposta virou pra mim e disse:
-É difícil de explicar. Aquilo é um Caçador. Sobre quem eu sou... Bem eu sou eu. E o porque dele estar nos perseguindo? Bem essa é fácil. – ela me deu um lindo e encantador sorriso e completou com alegria. – É porque eu sou um fantasma, ora.
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