Escola de Assassinos
6 Capítulo 6: O Guia Psicopata
Notas iniciais
O céu parecia chorar naquela manhã de sexta-feira. A chuva caia torrencialmente desde quinta à noite. Sentado no banco do ponto de ônibus, William transmitia calma, parecia indiferente com o mundo, coisa bem diferente do que ele sentia por dentro.
Finalmente era o dia, era a última sexta-feira de agosto, dia vinte e nove. Era o dia de embarcar no Transatlântico de Nizar. Coincidência ou não, mas a primeira segunda-feira de setembro também seria seu primeiro dia do mês.
Seu cérebro não parava de trabalhar imaginando como seria Nizar, nas teorias sobre sua família, no que aprenderia. A vontade de aprender artes marciais ofuscava qualquer outra coisa, mas incrivelmente, no ultimo mês ele aprendeu a controlar completamente seus sentimentos e expressões, como sua cara de tédio e seus bocejos enquanto esperava o ônibus pra retornar para o orfanato.
William vestia uma jaqueta de moletom e capuz preta e uma calça jeans preta. Em seus pés, ele usava as botas pretas que Alistair, o seu guia para Nizar lhe deu no dia de seu aniversário. Bom, ele apenas deixou no correio embrulhado em um papel presente e com um bilhete que o parabenizava e pedia que ele usasse as botas sempre e só tirasse pra dormir e tomar banho e que William confiasse nele, e assim ele fez. Por um mês inteiro e alguns dias, William usou as botas e só as retirou na hora de tomar banho e dormir. No final do dia, ele sempre se sentia cansado, como se tivesse andado quilômetros, coisa impossível já que ele mal saia do orfanato.
No colo dele, um pacote no formato de um cubo quase do tamanho de uma bola de basquete dentro de uma sacola branca foi o que levou a diretora do orfanato, Kristin a pedir para Sra. Dobbs ir buscar no centro da cidade e como a Sra. Dobbs é alguém tão agradável, mandou William ir buscar.
Já estava quase na hora do almoço e ele estava sem o café da manhã. Ao seu lado esquerdo, uma mulher que não passava dos trinta conversava ao celular sobre homens e sempre que podia, ela falava “tipo” como se fosse uma adolescente. No ponto também havia um homem de terno, uma velha segurando um guarda-chuva fechado, um grupo de adolescente que por alguma razão olhava na direção dele e riam. E quanto a ele, simplesmente se fazia de desinteressado as pessoas a sua volta.
No ultimo mês, William treinou. Sua velocidade era incrível, seus reflexos surpreendentes, ele notou que ate mesmo sua força aumentou. Quando Sra. Dobbs não se encontrava, ele assistia filmes de artes marciais, não era nenhum Karate Kid, mas já era bom o suficiente para não apanhar. Seus sentidos aumentaram, ate mesmo a presença de pessoas ele começou a sentir, também começou a perceber algo que Sra. Dobbs explicou ser Aura. Aura era como eles sabiam que o inimigo era perigoso e o quanto era forte.
A aura é como o ar, invisível, mas pode ser sentida. A aura pode ser como uma simples brisa, como também pode ser um tornado devastador. Sra. Dobbs tinha uma aura assustadora. E foi uma aura de congelar o corpo que William acabou de sentir.
O clima ficou tenso. Tudo aconteceu em apenas um segundo.
Em apenas um segundo, William focou sua visão no outro lado da rua.
Em apenas um segundo, duas auras devastadoras tomou conta daquela rua movimentada de carros.
Em apenas um segundo, William agiu por reflexo e instinto jogando seu corpo para a calçada.
Em apenas um segundo, uma ventania atingiu o ponto de ônibus vinda dou outro lado da rua.
Não ouve nem tempo para gritarem, William sentiu seu corpo ser atingido por algo líquido e não era a água da chuva, pois ele ainda estava de baixo do teto do ponto de ônibus.
Caído de barriga na calçada, ele se obrigou a olhar para as pessoas no ponto, ele se arrependeu no mesmo instante. O ponto de ônibus estava coberto de sangue de todas as pessoas que ali estavam um segundo atrás. Havia braços, pernas e cabeças decepadas. Punhais, facas, adagas e estrelas ninjas cobriam tudo no ponto do ônibus do banco pra cima.
Ele ouviu um estrondo vindo dou outro lado da rua. Ao tirar seus olhos daquela cena nauseante e focar no outro lado da rua, ele viu duas figuras. Uma das figuras, a menor, mas masculina, usava uma capa acinzentada que parecia ser de chuva com capuz, em cada uma de suas mãos, ele portava um tipo de faca, um punhal flamejante em modo de ataque e defesa. Seu corpo estava inclinado pra trás, ele havia pulado escapando por um triz do ataque do outro homem.
O outro homem era um brutamonte de uns dois metros e uns cento e dez quilos, mas não gordo e sim forte e intimidador. Ele usava também uma capa com capuz, mas sua cor era um preto meio marrom. Suas duas mãos seguravam o cabo de um martelo gigante retangular, provavelmente do tamanho de William, que estava fincado na cratera que ele fez ao atingir a calçada visando aniquilar o homem de capa acinzentada.
– O QUÊ VOCÊ AINDA ESTA FAZENDO AÍ, WILLIAM? – o brutamonte gritou e William reconheceu sua voz, mesmo já tendo passado mais de um mês, ainda era claro a voz dele em sua cabeça. Finalmente ele podia dar um rosto para a voz de Alistair, aquele que seria o seu guia psicopata. – LEVANTE-SE E CORRA O MAIS RÁPIDO DIRETO PARA A SUA CASA! AGORA!
Seu coração estava acelerado e em um momento assim, alguém normal simplesmente paralisaria, mas William estava longe de ser normal. Apesar de cada fibra de seu corpo estar com medo e em choque, ele se levantou com o pacote em mãos, deu um ultimo vislumbre de Alistair e do homem de capa acinzentada, seu guia portava o martelo como se fosse um simples taco de beisebol e tentava atingir o misterioso homem que tentou mata-lo, mas falhou e como consequência assassinou mais de dez pessoas ao mesmo tempo. O misterioso homem, assim como Alistair agiam como se a gravidade não os afetassem, seus saltos e velocidade superavam as cenas dos filmes de artes marciais que ele assistiu.
O caos se instalou na rua. Pessoas corriam e gritavam desesperadas, veículos freavam bruscamente e causavam acidentes e ate algumas explosões. Ele notou que algumas tentavam fazer o celular funcionar, mas nenhum dava sinal de vida. Era como se uma onda eletromagnética fosse lançada e afetasse somente os aparelhos celulares e provavelmente as câmeras de vídeo espalhadas pelas ruas.
William se virou e com um espetacular impulso, ele correu rumo ao orfanato. Ele sabia do por que de Alistair dizer casa e não orfanato, simplesmente era pra não dar nenhuma pista de onde ele morava.
Eram dez passos por segundo que William dava. Tudo ao seu redor estava mais lento, exceto pelos punhais que eram lançados atrás dele e alguns eram ate mais rápidos que ele, chegando a quase o atingir por um triz. Ele olhou por cima do ombro, o homem misterioso o tentava atingi-lo lançando punhais ao mesmo tempo em que lutava contra Alistair, e uma coisa que William achou surreal era o fato de que as armas do homem de capa acinzentada nunca pareciam acabar, era como se ele tivesse um estoque ilimitado, e foi em uma das olhadas por cima do ombro que ele viu o homem misterioso materializar as armas do nada como se fosse mágica e usar, dessa vez, uma espada para parar o ataque de Alistair, enquanto com a outra mão, uma adaga negra se materializou e ele praticamente nem a tocou, ela simplesmente foi lançada contra William.
Ele virou sua cabeça para frente.
– Só pode ser brincadeira... – ele encarou o ônibus que ele tanto esperava no ponto chegar agora, tarde demais.
Ele soltou uma lufada de ar e saltou. Seu corpo ficou leve como se ele pudesse voar, ele fechou os olhos, era uma sensação prazerosa, foi como se ele tivesse descoberto a verdadeira maravilha do mundo. A gravidade não surtiu efeito em seu corpo por uns segundos. Ao ouvir o som de vidro sendo destruído, ele abriu os olhos e se viu no ar acima do ônibus e seu corpo perdendo o efeito. Ele caiu em pé sob o teto do veículo público e não perdeu tempo, continuou a correr sob o teto do ônibus enquanto o motorista freava bruscamente por um doido surgir na sua frente e depois saltar e sumir e logo em seguida seu para-brisa ser destruído por um tipo de faca esquisita e atingir no meio da cabeça de um passageiro, um homem e o matar.
William saltou mirando o teto do carro logo atrás do ônibus. Enquanto continuava essas manobras, os sons da batalha entre Alistair e o homem misterioso iam ficando para trás. Ele virou na próxima rua e continuou sem diminuir a velocidade.
Com todos os seus sentidos em alerta, William teve a certeza de que já era seguro voltar para o orfanato. O que levaria duas horas para uma pessoa normal levou apenas vinte minutos pra ele chegar ao orfanato. Ele estava encharcado e sujo de sangue.
Com a chuva, o prédio parecia ainda mais sombrio do que o de costume. Ao entrar, ele se deparou com a diretora do orfanato que descia a escada.
– Aqui está... – ele disse pondo o pacote nas mãos dela e não se importando em ser rude.
E sem esperar mais nada dela, ele começou a andar rumo à cozinha.
– Olhe o que você esta fazendo! – ele ouviu a diretora reclamar. – Esta deixando o piso imundo...
Tudo o que ele se importava no momento era em relatar o que aconteceu para a sua tutora, ele não dava a mínima se o piso pegasse fogo. Ele parou e apenas inclinou o corpo dando uma olhada na diretora. Ela se calou no mesmo instante, pois sentiu o perigo.
Ele se virou e continuou seu rumo ate a casa dos fundos. Ao passar pela cozinha, viu que o almoço já estava sendo finalizado pronto para servir. Os órfãos, boa parte estava na escola por estudarem no período da manhã e a outra parte estava se arrumando no andar de cima para irem pra escola para o período da tarde.
Sra. Dobbs não se encontrava. Cair em desespero não iria lhe render nada. Um banho já por outro lado, iria o ajudar se acalmar e impedir uma gripe.
Depois do banho tomando, ele foi ate a cozinha do orfanato e lá encontrou a Dona Bartira levando as panelas com o almoço para a mesa.
– Com o que seremos presenteados hoje pela sua incrível culinária, Dona Bartira? – perguntou William cheirando o ar.
– Oh... – ela se virou pra ele com uma travessa de salada nas mãos. – Espere um momento, só vou colocar isso na mesa... – ela se virou e começou a andar rumo à sala de jantar. Ela parou e se virou. – Nem ouse mexer nessas panelas.
– A senhora é quem manda. – ele ergueu as mãos em sinal de rendição.
William se apoiou na mesa que se encontrava na cozinha. O ar no cômodo era de certa forma limpo, mesmo com o vapor das panelas e o delicioso cheiro de carne de panela junto do feijão e o arroz e o cheiro de molho, tudo apenas aumentava o seu apetite. Com apenas dois passos, ele já estava diante do fogão observando as panelas. Seu estomago roncou.
– Eu sei, eu sei... – ele murmurou com água na boca.
Ele levou sua mão ate a tampa da panela.
– O que foi que eu te disse? – ele ouviu a voz de Dona Bartira.
Ele parou e se virou e deu um sorriso de quem é pego no flagra.
– Desculpe... – ele sorriu como uma criança.
Dona Bartira apenas fingiu que estava brava e andou para o fogão e o tocando com as mãos. Ela se abaixou e abriu o forno. Com um guardanapo, ela retirou uma travessa e William logo viu sua boca encher de água.
– Lasanha...? – ele perguntou tentando não soar desesperado por um pedaço.
Dona Bartira o fitou e sorriu.
– Bom... Já que você esta de partida pra uma escola chique lá pra Austrália e como eu sei que esses... – ela passou e se recompôs. – Essas pessoas não vão nem se despedir, decidi te fazer o seu prato favorito...
Sem pensar duas vezes, William perguntou:
– Casa comigo?
Ela apenas riu antes de responder:
– Infelizmente meu coração já pertence a um bode velho que atende pelo nome de Felipe Araújo...
Ele deu de ombros.
– Que pena...
– Agora tome isso e vá comer naquilo que aquela bruxa chama de casa antes que os abutres sintam o cheiro. – ela disse entregando a travessa para ele.
William usou o guardanapo de pano para segurar à travessa.
– Obrigado. – ele agradeceu com sinceridade.
– Sempre um prazer... – ela sorriu antes de voltar sua atenção ao almoço dos abutres.
Meia hora depois William já tinha comido toda a travessa de lasanha.
– O manjar dos deuses... – ele disse finalmente farto.
Depois de lavar a travessa e escovar os dentes, William foi ate o orfanato. Dona Bartira não estava na cozinha. Ele ouviu as vozes dos órfãos e dos talheres atingirem os pratos. Sob a mesa ele deixou à travessa e se retirou para a casa de Sra. Dobbs.
Passou a próxima meia hora deitado na cama tentando não pensar no ocorrido, o que foi em vão. Tudo aquilo era uma loucura, era surreal, era... emocionante. Sim, ele só podia ser louco por desejar conhecer mais que nunca Nizar.
Ao ouvir a porta da frente da pequena casa em que ele vivia junto de sua tutora, Sra. Dobbs, abrir, ele se levantou. Podia ser ela, seu guia ou outro assassino visando mandar ele mais cedo para o além. Os sons dos passos no azulejo eram leves e arrastados, ele reconheceu. Era Sra. Dobbs.
Ao lado da cama, no chão se encontrava sua mochila e uma bolsa de viagem de mão preta. Ali esta suas roupas e o que ele achou necessário para levar para Hawkphurts.
William foi ate a porta e a abriu, viu Sra. Dobbs entrando na sala. A seguiu e a encontrou sentada na poltrona.
– Tive que ir à escola finalizar a sua transferência. Pra quem perguntar lembre-se, você está indo estudar em uma escola particular na Austrália. – disse Sra. Dobbs.
– Tudo bem. Tenho que te dizer... – ele começou.
Ela o cortou enquanto retirava os óculos e o colocava na mesinha ao lado da poltrona.
– Não precisa, me encontrei com Alistair e ele já me pôs a par do que esta acontecendo. Infelizmente aquele cara fugiu. Alistair vem passando o ultimo mês lutando e te protegendo dos mercenários que foram contratados para te matarem antes que você chegue em Nizar.
– Por que antes de eu chegar em Nizar? – ele perguntou. O motivo ele já sabia de o quererem morto. Ele era filho dos traidores.
Ele estava parado em pé na entrada da sala e ela sentada o olhando com um olhar pesado, era como se ela já estivesse cansada da vida.
– Matar em Nizar é proibido, exceto em algumas ocasiões. Como eu já havia dito, os crimes são punidos em prisões ou ate mortes. E matar lá é mais difícil, afinal, lá esta cheio de assassinos altamente treinados. Sabendo disso, os fanáticos que acreditam que quando alguém atenta contra seu precioso país, toda sua família deve ser exterminada. Só não sei como eles descobriram que você estava vivo e morando no Rio de Janeiro.
William também achou isso estranho. Ele teria que descobrir como a informação dele estar vivo e morando no Rio de Janeiro vazou.
– Alistar virá de buscar depois das quatro. Esteja pronto. – ela disse se levantando e passando por ele. William se virou e a viu entrando no quarto dela e fechando a porta.
Como ainda tinha tempo, ele resolveu tirar um cochilo, pois seu corpo ansiava por isso.
Ele foi desperto com batidas na porta e pela voz de Sra. Dobbs lhe chamando.
– William! Acorde pirralho, já esta na hora!
Ele abriu sua boca para responder, mas apenas um enorme bocejo saiu dela. Ele se levantou ao mesmo tempo em que se despreguiçava.
– Já vou. – ele conseguiu responder por vez.
Sentado na cama, ele calçou as botas. Ele agora usava uma calça jeans azul escuro quase preta, uma camisa preta sob uma jaqueta de moletom azul escuro com capuz e de mangas cinza. Seu cabelo estava despenteado, mas de uma forma boa.
William pegou seu relógio que não funcionava sob a cômoda e o colocou em volta do pescoço por dentro da camisa. Colocou as mochilas sobre os ombros e a outra bolsa ele levou na mão e saiu do quarto.
Ao chegar na sala, ele encontrou Sra. Dobbs sentada na poltrona e um homem sentado no sofá. Um homem enorme que ao ver ele, se levantou e ficou ainda mais enorme e intimidador. Ele o reconheceu na hora, apesar de mais cedo ele estar usando um capuz, mas seu tamanho o denunciava. Aquele era Alistair, seu guia psicopata.
Alistair se levantou e sorriu abertamente para William quebrando a imagem de um louco assassino e parecendo uma criança gigante. Ele era carece e sua pele era quase morena. Seus olhos eram castanhos claros, ele não tinha sobrancelhas. Usava a mesma capa preta com um tom marrom e capuz. Suas botas eram enormes e pareciam de soldados. Ele também estava usando calças enormes e cheias de bolsos que lembravam as calças de soldados. Nenhum sinal do martelo gigante.
– Finalmente nos encontramos cara a cara. – ele disse pra William estendendo a mão e sorrindo como se fosse inofensivo. – Sou Alistair e serei o seu acompanhante ate o Expresso de Hawkphurts.
William estendeu a mão hesitante. Alistair a agarrou e o puxou. William achou que iria morrer com o abraço quebra ossos do gigante.
– Sem... ar... – William conseguiu dizer.
– Alistair, você passou o mês protegendo ele pra chegar hoje e mata-lo em um de seus monstruosos abraços? – perguntou Sra. Dobbs.
– Oh, desculpe... – ele disse soltando William e desfazendo o sorriso.
William soltou a bolsa e tentou recuperar o folego.
– Tudo... bem... – ele disse. – Não foi nada...
– Então ótimo...! – ele disse sorrindo novamente.
Toda aquela imagem de um gigante psicopata e maluco se quebrou na cabeça de William. De fato, pelo que ele pode ver mais cedo, Alistar era perigoso quando lutava, mas quando não estava em combate, ele parecia ter uns neurônios a menos, mas estranhamente William gostou dele.
– Então, vamos? – perguntou Alistair. – Não queremos perder o navio... Tchau Júlia, nos vemos por aí...
William pegou a mochila.
– Vê se não vai morrer, pirralho. – disse Sra. Dobbs pegando um livro.
– Vou tentar... – disse William saindo da sala e seguindo Alistair.
Eles passaram pelo lado de fora do orfanato. William queria se despedir de Dona Bartira, mas ela já tinha ido embora. Alguns dos órfãos espiavam pelas janelas do orfanato ele entrando num táxi junto do brutamonte. William não soube como Alistair coube no táxi.
Já passava das cinco quando eles chegaram no porto. O local estava cheio de pessoas e navios de todos os tipos e tamanhos.
– Você esta com a carta? – Alistair perguntou enquanto caminhava rumo a uma fila.
– Sim. – William respondeu. – Esta na minha mochila.
– Pegue-a, ela é sua passagem.
William apoiou a mochila em um único ombro, parou de andar e pôs a outra bolsa no chão. Fuçou na mochila ate encontrar a carta.
Enquanto andava rapidamente para alcançar Alistair, ele observava os navios. Havia vários deles luxuosos e com nomes bem criativos. Entre um dos cruzeiros, estava um navio que em sua latera estava escrito “Transatlântico” e logo em seguida um símbolo, um “Z” prateado em um circulo prateado. Definitivamente era aquele.
Ele correu e alcançou Alistair que entrou na fila para o mesmo navio.
– Ele é enorme... – William comentou observando o navio.
– Tem que ser, ele é destinado para toda a América do Sul. – Alistair explicou.
Atrás dos dois entraram mais pessoas na fila.
– Você também esta com a lista de materiais? – o brutamonte perguntou.
– Estou.
William mal podia acreditar que finalmente estava a caminho de sua terra natal. Cada fibra de seu corpo ansiava por conhecer Nizar.
As pessoas na fila, uma boa parte usava capas ou sobretudos, qualquer tipo de roupa que lembrava uma capa e dava um ar misterioso. Havia desde crianças de oito anos ate velhos de setenta ou oitenta anos. A fila andava rapidamente.
Ao olhar para o lado, ele não pode deixar de notar um homem usando um sobretudo e um chapéu preto, todo misterioso carregando uma maleta prata típica de filmes de espionagem. Ele o seguiu virando a cabeça e o viu entrar na mesma fila que ele estava. Alistair se encontrava atrás de William, mas aparentemente não o notou observando o homem.
William também notou luvas pretas nas mãos do homem misterioso.
A fila andou. Com em torno de umas vinte pessoas na sua frente, William viu uma menina entrar no navio. Ela devia ter a mesma idade que ele e o mesmo tamanho. Ele não viu seu rosto, mas deduziu ser uma menina pelo formato do corpo e pelos longos e lisos cabelos brancos como a neve, algo que ele só tinha visto em filmes, ou melhor, nos animês. Ela usava uma calça jeans justa, uma blusa de moletom branca e com provavelmente uma toca. Será que ela é anêmica?
Em poucos minutos, ele já estava mostrando a carta que ele recebeu de Hawkphurts para o comissário de bordo e Alistair mostrando sua passagem. A cabine que ele iria dividir com o seu guia era a de numero duzentos e quarenta e três.
– Er... Então, eu notei que quando você estava enfrentando aquele esquisito, os celulares não funcionavam... – comentou William sem jeito.
– Ah, aquilo? – disse Alistair descontraído. – Apenas um pulso eletromagnético que afeta apenas os meios de comunicações e câmeras de vídeos. Usamos isso sempre que temos que lutar no meio de pessoas normais e que não seja em Nizar, usamos esses pulsos eletromagnéticos para desligar os aparelhos de comunicações e câmeras de vídeos, afinal, não queremos ter nossos rostos no jornal das oito. Usamos as capas com capuz para não nos verem...
– Hm... – disse William dando a entender que entendeu, o que de fato aconteceu.
Mais alguns passos e eles já estavam diante da cabine de numero duzentos e quarenta e três. A cabine era grande o suficiente para acomodar duas camas um pouco maior que camas de solteiro, uma mesa de parede de escritório, e acima das camas, na parede, compartimentos para as malas. Havia uma TV de tela plana na parede acima da mesa. Alistair ficou com a cama do lado esquerdo e William com a cama do lado direito.
– Se divirta. – disse Alistair se deitando na cama. – Só iremos desembarcar depois das nove da manhã...
Segundos depois William já estava ouvindo os roncos do brutamonte.
Ele andou ate sua cama e subiu nela ficando de joelhos e abriu o compartimento e deixou suas malas lá. Saiu da cabine e fechou a porta. Olhou para os dois lados do corredor.
– Bom, esta na hora de explorar...
Fale com o autor