Escola Para Mutantes - Fic Interativa

7 Capítulo 7 Sonhos e Esperanças


O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.Martha Medeiros

- Annelise –

Levei mais um pouco de pipoca á boca, apreciando a surra que meus “amiguinhos” levavam. Angel pegou um pouco, também se divertindo com a cena e soltou uma risada quando Derick levou um chute naquele lugar de Polaris, mas como era de se esperar não causou dano algum. Sempre me perguntei como era ser imune, não sentir dor nem nada, mas se ele é imune á tudo, quer dizer que é imune ao tempo? Nesse caso ele não envelhecia, era imortal assim como Logan.

- Então, o que você acha? Ajudamos ou não eles? – perguntou jogando o saquinho fora.

- Temos que esperar “eles” chegarem! Mas você sabe que foi humilhação eles perderem para apenas duas mutantes, né?

- Nem me lembre! – falou olhando com desgosto.

Nós duas estávamos em cima da ultima arvore sobrevivente ao “incêndio”. Eu e Angel não podíamos atacar ainda, tínhamos que esperar nossos queridos professores darem o ar de sua graça. Não tivemos de esperar muito, logo Wolverine, Tempestade, Fera, Homem de Gelo, Lince Negra, Anjo e Noturno apareceram. Agora sim, com os X-mens na área as coisas mudam.

Os mutantes de Polaris avançaram para cima deles, aproveitei a distração deles e correndo na direção delas, peguei meu chicote de espinho, elas me olharam céticas achando que ia usar o chicote nelas. Girei-o ao redor de mim fincando-o em várias partes do meu corpo, a dor era alucinante, mas o meu sangue escorria pelo chicote. Lancei o chicote na direção de Polaris, ela riu como se não fosse acontecer nada, mas graças ao meu sangue, o chicote perfurou seu capacete como ácido e ela começou a gritar de dor, procurei pela Feiticeira Escarlate, mas ela não estava mais lá. Os outros se libertaram, agora preciso achar as telepatas.

- Sarah –

Corremos para a ponte, porém um mutante desgraçado fez o favor de explodir o meio dela e a vidente da Sophia quase morreu afogada, só que Thomas o herói da pátria segurou-a rapidamente á puxando para cima.

Os dois se entreolharam por um tempo, mas logo Thomas se afastou com indiferença. Homens! De repente senti como se meu corpo estivesse sendo controlado e meus olhos pousaram sobre um ponto á direita, para minha surpresa, percebi que de lá subia uma coluna de fumaça negra.

Essa não... Foi uma armadilha, o Rei das Sombras estava lá e deixou seus comparsas aqui.

Eu sentia tudo ao meu redor clarear, eu estava prestes a ter uma visão.

“Pisquei os olhos co força, tentando me habituar com a claridade. O céu estava vermelho e os prédios todos destruídos, assim como Genosha, eu caminhava pelos destroços do que antes era Nova York. Senti que havia tropeçado em algo e ao me agachar, foi com horror que vi o corpo de Logan. Isso era impossível, ele não pode morrer, é imortal.

Alguém apertou meu braço e ao me vira deparei-me com Sophia:

- Eu não sabia que videntes podiam se encontrar em visões! – murmurei tentando encontrar uma resposta para toda essa destruição.

-Eu também não... Veja! – apontou para um vulto que se movia próximo a nós.

Era Derick, ele caminhava por todo o lugar, seu olhar estava perdido, mas não parecia aquele mesmo louco de antes, é como se ele tivesse recuperado a consciência. Foi com surpresa que vi que no céu estava Jhenny, seu rosto estava sombrio e seu sorriso era débil, mas havia alguém atrás dela, era Candice e Merit, estavam sendo controladas por Jenn.”

- Cuidado – Drigori se jogou sobre mim, nos lançando para longe das pedras de fogo que caiam. Corri na direção de Logan que havia acabado de matar um mutante.

- Eles não estão aqui, foi uma armadilha, temos que ir para lá – apontei para o enorme pilar de fumaça que infestava o céu.

Ele me olhou sério e rapidamente todos nós fomos para o avião que Yudi havia acabado de descer. Dei pela falta de Rose, mas decidi que ela merecia sua chance de enfrentar o pai.

— Yudi -

Controlei o avião para ir à direção ordenada, talvez fosse minha ultima chance de ver Kristen e dizer o quanto á amava, eu precisava aproveitar.

- Vem comigo – pedi puxando seu pequeno corpo para as ultimas carteiras do avião onde ninguém nos ouviria.

Encarei os belos olhos desejando poder salvá-los, eu queria que essa chama nunca se apagasse. Percebi que Luna chorava no ombro de Tigure.

- O que houve? – Kristen perguntou chamando minha atenção.

- Eu não queria fazer as coisas desse jeito, eu sempre soube que te amava, mas apenas agora vendo que á qualquer minuto posso te perde, percebo o quão grande é esse sentimento. Eu cresci de orfanato a orfanato e fui ensinado que amor é coisa para fracos, mas foi inevitável ao te conhecer, estamos namorando há quase um ano e queria que fosse com você como todas as garotas sonham, lua cheia, rosas e uma ponte, mas não tenho muito tempo...

- Yudi, você... – algumas lágrimas rolaram de seu rosto eu limpei.

Eu á amava e não me importava se o que havia dito parecia gay, se isso á fizesse feliz e demonstrasse o quanto ela era importante para mim, faria tudo de novo sem excitar.

- Você Kristen Beckman aceita se casar comigo? Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza até que a morte nos separe? – perguntei estendendo uma caixa de veludo que ela abriu mostrando um pequeno anel de diamante (com dinheiro roubado Ó.ó).

- Claro que sim – me abraçou com força e tudo valeria à pena, se eu morresse hoje, iria feliz, porque sabia que ela era minha.

- Angel –

Sorri internamente, amor? Brincadeira de criança, eu diria em voz alta, mas estávamos à beira da morte, então por que não deixar o casal ser feliz?

- Você não devia pensar assim – Emma falou virando a cadeira na minha direção. Saia da minha mente – Sinto muito, mas parece que você grita suas palavras, como se fizesse questão de que todos ouçam! Olha não sei o que passou, mas...

- Pare, não comece, sei muito bem o que vai dizer, mas não me venha com esse papo, você não me conhece! – gritei furiosa atraindo olhares, mas estava pouco me lixando para eles.

- Sim eu sei, sei que sua mãe morreu no parto e seu pai entrou em depressão, bebendo muito e se metendo em drogas. Sei que quando você completou Sete anos seu pai se suicidou. Sei que foi viver com seus tios que a detestavam e a tratavam como uma criada. Uma noite seu tio a estrupou causando um "curto-circuito" na sua mente que quase a matou a levando a ficar com um dos seus olhos vermelhos. Fugiu um mês depois e foi criada por uma velha senhora que a ensinou a controlar seus poderes. Sei que quando tinha 10 anos a senhora morreu, sei que partiu em busca de seus tios e os matou causando a eles a pior das torturas. Sei que viveu muito tempo sozinha na casa daquela senhora e agora esta aqui porque quer controla o Poder Supremo!

- Isso não quer dizer nada, eu não sou como vocês, vocês não sabem o que é a dor, não sabem o que passei – apertei o braço da cadeira com força, eu já podia sentir o avião tremer.

- Você estar enganada garota – Thomas falou se levantando e se abaixando á minha frente, o ódio era iminente em seu olhar, nossas respirações se mesclavam – Não se faça de inocente, pois você já não mais o é! Acha que é a única á sofrer? Que todos devem ter peninha de você pó que passou tudo isso? Deixa-me te manda a real! A realidade aqui é diferente do seu mundinho encantado. Deixa-me te conta um segredo, meus pais me usaram como meio de fazer dinheiro. Fizeram-me ingressar em circos. Eu nunca gostei daquilo e só não fugir antes porque meus próprios pais me davam morfina depois dos shows. Então um dia, eu consegui escapar, usando meus poderes contra meus pais, os explodindo. Eu fugi até achar uma academia de vilões, que viu meus poderes e tentou roubar, mas eu conseguir fugir sabe de uma coisa? Mesmo que meus pais tenham errado, eu me culpo aqui – apontou para o coração – Mas isso não foi motivo para eu ficar chorando, me achando diferente, pensando que era o único á sofrer, foi apenas um motivo á mais para entender que todos sofrem, mesmo que estejam sorrindo constantemente. – ele virou de costa voltando para sua cadeira – Pare de agir como se fosse à única á sofrer porque você não é!

Fiquei sem fala, eu não sabia o que dizer, eu sei... Sempre soube que não era a única a sofrer, que havia pessoas que passaram por coisas piores do que eu, Carol tinha razão quando me disse na primeira vez que nos conhecemos, que a gente só espera uma brecha de esperança para voltar a acreditar no amor.

Eu me lembro que quando não conseguia me concentrar, dormir ou até sentia uma imensa vontade de chorar e culpa o mundo pelas minhas dores, eu saia e escondida ficava observando as famílias felizes e sorridentes, eu queria ser como eles.

Uma coisa que Emma falou é verdade, eu queria o poder do Controle Supremo, pois poderia mudar o passado e o futuro, além de controlar o espaço-tempo, mas ai vem à pior parte, o motivo... Eu queria controla esse poder para mudar meu passado, porque queria voltar á ser aquela garota alegre e é por isso que estou aqui... Para salvar o mundo, e dar á outras crianças á chance de ser feliz.

O avião desceu e nós descemos, vimos vários vultos á nossa frente, o Rei da Sombra sorria e no chão presas estavam elas, mas eu tinha certeza de nossa vitória, porque eu sou uma X-men e um X-men nunca desisti.