Escarlate
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Sentaram-se em um banco, numa pracinha e continuaram a conversa.
- Mas onde tu conhecera estes gajos?
- Miguel conheci à beira do D\'Ouro... e Manuel em uma festa aqui.
- Nunca ouvi falar destes.
- São pouco conhecidos lá por nossas bandas...Manuel é senhor Feudal e Miguel um simples pescador.
Afonso fez que entendeu. Avistou uma pequena rosa em meio o amto da praça. Levantou e pegou-a.
Cheirou o doce perfume da flor e estendeu-a para Amélia.
- Ela tem o teu cheiro. — sorriu
Amélia pegou a rosa e também cheirou-a. Retribuiu o sorriso a Afonso, que se sentava ao seu lado novamente.
- Não quero que penses que não lhe amo mais... Pois amor de muitos anos nunca se acaba, só não continua o mesmo.
- Sei que sentes carinho por mim ainda, Afonso, como eu o sinto também. Mas como o teu coração é de Ana, o meu é de Manuel.
- Então decidistes que é de Manuel?
- Sim. O amo muito.
- Por que não o procura?
- Não sei onde mora, nem onde está.
- Se é senhor de um feudo, alguém pode conhecê-lo por aqui. Pergunte.
- Não fica bem, uma moça como eu perguntar sobre um homem.
- É verdade. Eu perguntarei.
- Como fará isto?
- Onde tu o vira pela última vez?
- Aqui mesmo, nesta praça.
Afonso levantou-se e dirigiu-se a um grupo de rapazes do outro lado da rua. Ficou à olhá-los por um segundo e logo após chegou mais perto.
- Com Licença...
Um dos garotos assustou-se e deu um passo para trás. O outro, Antônio, ficou estático, encarando Afonso.
- O que queres?
- Sabem de algum Dom Manuel??
- Sim. Conheço muitos. — sorriu.
- Se conheces muitos, deverá conhecer o qual estou a procurar.
- Não sabes o nome inteiro?
- Não, não sei. O vi poucas vezes. Aquela rapariga saberá explicar-lhe quem é. Podes vir comigo?
- Sim, posso.
- Diga-me teu nome.
- Antônio.
- Antônio... — repetiu baixo — Meu nome é Afonso Fernandes. Vamos. Acompanhe-me.
Afonso saiu na frente. Antônio o acompanhou até Amélia.
Ela continuava sentada no banco, com a rosa na mão. Lembrava-se de Manuel, de como ele tinha o olhar sedutor.
Uma presença atrapalhou-a.
- Amélia, este é Antônio.
- Olá. — Levantou-se.
- Prazer, linda senhorita, com todo respeito. — Beijou sua mão.
- Diga a ele como é Manuel. Talvez ele o conheça.
- É um homem de altura baixa, cabelos louros até as orelhas, olhos claros...
- Não precisa de falar-me mais. Sei quem é. Mas à muito não o vejo, cá por estas bandas. Dizem que ele anda por aqui de noite, quando os tais vampiros estão à solta...
- Podes me informar onde Manuel, mora?
- A casa de Dom Manuel está abandonada. Ninguém mais reside lá.
- Muito obrigado, Antônio. Foi de muita ajuda.
- Não há de que. — retirou-se o rapaz.
- Pronto Amélia. Agora sabes que Manuel está desaparecido.
- Tem uma coisa que não entendo, Afonso, é que só aparecem na noite. Miguel fora me visitar pela noite... Agora este gajo me diz que só vêem Manuel pela noite também... o que está acontecendo?
- Se esta coisa de vampiros for real, Amélia.. Sinto em dizer-te que desconfio... que Manuel e Miguel sejam...
- Nem brinque com uma coisa desta... !
Amélia percebera, depois de um tempo, que ao longe, um rapazote à olhava com curiosidade.
Ele era bem parecido com Afonso, de diferença entre os dois, só os cabelos dele que eram um pouco mais curtos e mais cheios...
Ela parou de olhar o rapaz, mas Afonso já havia percebido.
- O que foi? Algum problema?
- Não... Não.. Não é nada...
- Quer andar um pouco mais?
- Sim... Vamos.
Ela ficara incomodada, pois o rapaz a seguia com os olhos. Afonso e Amélia saíram dali e ele continuou observando.
Ele havia encontrado a mulher por quem queria se apaixonar. A loura havia fisgado seu coração morto. Só o que tinha de fazer agora, era pegá-la para ficar junto de si. Tomá-la para a vida escura...
Pra viver a eternidade com ele.
E assim.... faria.
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