Esboço
1 Único
Notas iniciais
Parei, parei de tentar reinventar.
Parei de tentar recriar.
A poesia que é teimosa.
Ela insiste em fazer charminho em meio à tempestade seca.
Ela me olha com um sorriso malicioso,
E me diz ao pé do ouvido
Uma infinidade versos sem sentido.
Ela dança debaixo do sol quente
Sem se importar com o mormaço
E me diz: “é só um esboço”
Ela me olha e faz o mesmo charminho
Na chuva das ideias sem palavras.
Ela está pronta e me diz novamente
Que é só um esboço.
Ela não se importa
Se é medíocre ou se é maravilhosa.
Ela foi contada e está satisfeita.
Ela nasceu e celebra.
Celebra o esboço, o simples esboço.
O esboço do seu poeta.
Ela era um esboço
E assim nasceu.
Ela nasceu do rabisco da caneta no papel.
Do rabisco feito pelas mãos do seu poeta.
Do poeta que criou apenas um esboço.
Por isso, parei de tentar.
E me contentei
Com o esboço.
Pois a poesia é teimosa.
Mais teimosa que a prosa,
Ela não se mostra,
Mas está em qualquer pequena anedota
Presa a mente do poeta.
Quando eu crescer,
Quero ser pequeno,
Pequeno de mente grande,
Como a de qualquer poeta.
Fale com o autor