Erros
1 1. Fim
O sol da manhã ainda sem vigor brilhava sobre a grama banhada pela neve fina de uma noite fria que passara, os primeiros raios quentes pareciam se esforçar ao máximo para ultrapassar as densas nuvens que tinham no céu o seu reino soberano, a natureza que pouco se manifestava fazia o ambiente estar carregado por uma certa melancolia profunda, fazia parecer que aquele sol nascente seria o ultimo.
Essa era uma sensação bem conhecida pelos habitantes da cidade de Ekkert, as florestas de pinheiro ao seu entorno se mostravam mortas tanto quanto o animo dos cidadãos em pleno verão do Alasca. Mesmo assim ninguém ali tinha sede por algo novo, tinha vontade de se livrar daquela rotina mórbida e entediante, era um bom lugar de se viver. Tão calmo, ao ponto de ser triste.
Dentro do pequeno trailer da família Heilige a manhã tinha cheiro de mate e o som da água fervente dentro da chaleira compunha a trilha sonora daquela alvorada pacífica, um ambiente pequeno porem muito limpo e organizado que era decorado com uma beleza e pureza em ornamentos religiosos. A calma continua enquanto a mão já velha e sofrida atende aos chamados da chaleira, a água é derramada acima das folhas no fundo da caneca, e é levada até o fim do corredor em uma pequena porta pelo pobre e cansado velho.
__ "Como ele está?" — Diz o senhor que recém entrara no quarto.
__ "Parece estar melhor, foi só uma febre passageira" — Diz a figura feminina sentada a cama ao lado de um garoto. Era senhora Heilige com sua voz branda que cuidava de seu único neto — "Deixe-o dormir mais."
A pequena figura deitada a cama era um pequeno garoto, com uma ternura e ingenuidade que só a infância pode nos dar, diferentemente dos cabelos brancos de seus avós ele tinha o cabelo negro e a pele branca que o fraco sol da região não ameaçava. Apesar do clima frio lá fora o quarto estava quente, aconchegante, e isso embalava o sono do garoto. O seu nome era Aron.
A família Heilige vivia a tempos no seu pequeno trailer, conhecida pela sua generosidade e por seus costumes religiosos muito fortes, tinham como única ocupação espalhar a palavra de Deus e seus ensinamentos, isso fazia de Mary e Patrick Heilige pessoas amadas pela sociedade, um casal de idosos com uma bela vida calma e tranquila.
Ambos deixaram o pequeno quarto para cumprir seus afazeres diários, seus costumes e vícios. O dia passou tranquilamente, como horas perdidas mais próximas da morte, mais algo inquietava Mary Heilige durante aquele calmo dia, o fato de estar calmo a ponto de não ouvir a voz nem ruídos de seu neto. Patrick já não estava mais por lá e isso aumentava sua angústia pela solidão, porém aquela voz na sua consciência dizia, Aron está apenas descansando.
O tempo nos surpreende com a forma que pode passar tão rápido, e foi isso que Mary percebeu, já se encontrava quase ao fim do dia e Aron ainda não despertara. Movida pelo seu instinto protetor foi ao quarto. Abrindo a porta lentamente para evitar fazer barulho percebeu que o clima frio havia tomado conta do local, como se nenhum calor tivesse ousado tocar aquele piso, e a vida do ambiente tinha ido embora a muito tempo. Ao terminar o movimento, a sensação de tristeza que tomava conta do pequeno quarto chegou a senhora Mary ao ver que a cama onde estava seu neto estava inóspita e ao fundo deixando os melancólicos raios de sol passar, a janela aberta.
Notas finais
Zebra Voadora Produções
Texto de
Luis Mian
Revisões a cargo de
Luciano Taváres
Agradecimentos especiais
Equipe ZV.Inc
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