Erro primordial
2 TRIBUTO
Vai usar ela?
— A inútil…
— Ela é necessária para essa aliança.
— Então… finalmente vai servir para algo.
Ela ouviu tudo.
E não disse nada.
Já estava acostumada.
Naquela família… valor só existia quando havia utilidade.
A sétima filha.
A bastarda.
Seus dedos tocaram levemente os próprios ombros.
Fria.
Como sempre.
Ela caminhava pelos corredores.
A casa era grande.
Grande demais… e ainda assim, sufocante.
Os passos ecoavam, como se não Houvesse ninguém ali.
E, de certa forma… não havia.
Ninguém se importava com a bastarda.
Desde aquele dia…
Já se passaram cinco anos.
Humanos começaram a despertar marcas.
Poderes que nunca deveriam existir.
Pela primeira vez…
O medo diminuiu.
Mas aquela explosão…
Nunca foi esquecida.
Porque até hoje…
ninguém sabe se aquilo foi uma bênção…
Ou o início de algo pior.
Ela parou por um instante.
Um leve incômodo percorreu suas costas.
Quase inexistente.
Ela ignorou.
Como sempre.
— Sephyra.
Uma voz seca ecoou pelo corredor.
Um arrepio percorreu seu corpo.
— O chefe está te convocando.
Já sabia…
Nada de bom vinha quando era chamada.
Não era um convite.
Nunca foi.
A porta da sala se abriu.
O som ecoou mais do que deveria.
A sala estava cheia.
Olhares se voltaram para ela.
Nenhum deles carregava surpresa.
Nem acolhimento.
Apenas avaliação.
Como se sua presença fosse esperada…
e ainda assim, indesejada.
No centro da sala, eles estavam.
Sentados.
Intocáveis.
Sua família.
O homem à frente não a olhou imediatamente.
Como se ela não fosse digna disso.
Até que, sem emoção alguma, ele falou:
— Você vai se casar.
O silêncio permaneceu na sala.
Ninguém questionou.
Ninguém reagiu.
Como se aquilo já estivesse decidido muito antes dela entrar.
Sephyra não respondeu.
Não perguntou.
Não recusou.
Seus olhos permaneceram calmos…
vazios.
Como sempre.
Então ele continuou:
— Com um Virkhyn.
Por um breve instante…
O mundo pareceu desacelerar.
Não pelo peso das palavras.
Mas pelo que elas significavam.
Um inimigo.
Um monstro.
E agora…
Seria seu marido.
Seus dedos se fecharam levemente.
Imperceptível.
O único sinal de que algo, dentro dela
Havia se movido.
— Ele é necessário.
A voz do homem continuou, fria.
— Essa aliança define o futuro da humanidade.
Sephyra abaixou o olhar por um breve instante.
Não em submissão.
Mas em aceitação.
Porque, no fim…
Ela já sabia.
Nunca teve escolha.
— Quando?
A pergunta saiu baixa.
Controlada.
Mas suficiente para quebrar o silêncio.
Alguns olhares se voltaram para ela novamente.
Surpresos.
Como se não esperassem que ela falasse.
O homem finalmente a encarou.
Pela primeira vez.
— Ele já chegou.
Um leve calor percorreu suas costas.
Dessa vez…
Ela não ignorou.
Do outro lado da cidade…
Alguém abriu os olhos.
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