Erehwon
1 Cem Patas
Notas iniciais
Era mais um dia normal para Isabella. Ela acordaria 7:30, se vestiria e iria assistir a primeira aula do dia. Quer dizer, era pra ser se mais tarde não acorresse algo um tanto estranho para pessoas normais.
A garota acordou sentindo uma respiração perto do rosto, e com um resmungo, abriu os olhos devagar.
_ Mas o que é isso?! – gritou a garota um tanto surpresa a ver que Sarah, sua colega de quarto a observava dormir com aqueles olhos grandes.
_ Ah, não é nada, é que você é fofa quando está dormindo... – a ruiva deu de ombros.
_Você é estranha... – disse Isabella enquanto se levantava. A morena se dirigiu ao armário, pegou umas roupas e começou a se trocar na frente da colega. – Enfim, quantas horas?
_ Hmm... São 7:56...
Isabella olhou para trás com os olhos arregalados, e disse algo sobre a colega ser doida.
_ Daqui a pouco começa as aulas, e eu estou com fome. E você, ao invés de me acordar, fica ai me observando dormir! Qual é a sua, hein? – falou Isabella enquanto pegava sua mochila e saia do quarto, com Sarah logo atrás.
A menina não respondeu, apenas deu de ombros, e começou a cantarolar pelos corredores do dormitório feminino.
As duas percorreram pelo campus até chegar ao prédio central, onde assistiriam às aulas do dia.
_ Vamos passar na lanchonete, eu preciso de comida ou vou acabar morrendo de fome. – disse Isabella.
_ Bem, dizem que arquitetura é um curso amaldiçoado. Não dormimos e nem nos alimentamos direito... – respondeu Sarah, mas quando a morena olhou a colega, viu que ela estava em uma terra distante da realidade.
Ao passarem pela lanchonete, as meninas pediram salgadinhos e cafés.
_ Meu Deus, Isabella, você é movida a cafeína, só pode! – surpreendeu-se Sarah ao ver que a colega pedira dois copos de expresso triplo.
_ Eu não durmo direito por causa dos trabalhos que passam. Então, essas belezuras me mantém acordada – disse a morena dando de ombros, depois de dar uma golada e uma bela mordida no seu salgado.
Logo depois de saírem da lanchonete, foram para a primeira aula, e graças aos dois expressos triplos de Isabella, a garota ficou acordada durante o dia.
Ao voltarem para o dormitório no fim da tarde, as meninas conversavam sobre a festa de Halloween que seria daqui a duas semanas. Todos estavam incrivelmente ansiosos para o evento organizado pelos veteranos.
_ Dizem que a NYU tem as melhores festas de toda história! Imagina, nós duas na festa, fantasiadas de bruxas! – a ruiva estava animada com a ideia de que finalmente poderia ir uma festa sem ter horas para voltar para casa.
_ Vai ser muito divertido. Mas fantasia de bruxa é meio que fora de moda, não? Sei lá, eu gostaria de ir de outra coisa, tipo, a versão feminina do Chapeleiro Maluco... Ah, esquece, Chapeleiro Maluco é mais sua cara! – a morena riu com a ideia de ver a amiga fantasiada como o maluco dos contos clássicos.
_ Boa ideia! E você? Você ficaria bem de... – a ruiva parou um pouco e pensou – Pirata sexy! Com esses seus olhos, ficaria perfeita!
_ Bah, eu acho que vou de Jedi sexy, eu tenho um sabre de luz q quero usá-lo. – disse a morena, imaginando como ficaria contente em usar o sabre de luz que comprara pela internet.
Sarah pensou um pouco. Murmurava algo sobre começar a preparar as fantasias logo ao chegar no dormitório.
Isabella andava calmamente, e ao chegar à entrada dos dormitórios, parou bruscamente. A garota sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Sentia estar sendo observada.
_ Isabella? – perguntou Sarah já com a mão na maçaneta da porta – Aconteceu algo? Está se sentindo bem?
A voz de Sarah fez a morena voltar a realidade.
_ Sim, estou... Eu só... Hm... Nada, vamos. – as meninas caminharam pelos corredores do dormitório feminino, até chegarem ao quarto.
Ao entrarem, Isabella se jogou na cama, com roupas e tudo. Enquanto sua amiga pegava o telefone e começava a discar.
_ Tá ligando aonde? – perguntou Isabella.
_ Pizzaria, merecemos pizzas. Será que peço duas médias? – perguntou a ruiva. Isabella assentiu com a cabeça, e virou de lado, fitando a parede enquanto a amiga pedia duas pizzas médias.
Demorou um pouco até as pizzas chegarem. Mas ao chegarem, as meninas atacaram sem dó, comendo quase tudo sozinhas.
_ Ai meu Deus, obrigada por ter criado pessoas capaz de fazer pizzas. – disse Sarah, dando leves tapinhas em sua barriga.
_ Amém! – respondeu a morena, com uma risada – Agora, eu vou dormir porque amanhã começa tudo de novo.
_ Certo. Eu vou fazer uns esboços das nossas fantasias, então vou dormir só mais tarde – respondeu Sarah.
_ Noite. – Isabella ainda vestida com a roupa do dia puxou a coberta para se encobrir e virou para a parede, fitando-a. Ainda pensava na sensação de estar sendo observada.
Uma semana se passara desde a sensação estranha que a garota sentira. Ao sábado, o dia da festa, as roupas das meninas já estavam prontas, e todo o campus já tinha decorado com o tema de terror. Uma excitação vagava por todos os alunos, todos animados para a festa.
_ Ok, é hoje. Então, como vai usar o cabelo? – perguntou Sarah enquanto agitava o seu cabelo curto para ficar bagunçado.
_ Bem, eu vou deixa-lo solto mesmo, creio que não tem problema nenhum... – respondeu Isabella enquanto vestia um vestido curto branco e simples, depois passando um cinto marrom e colocando um sobretudo bege claro.
_ Bem, eu acho que você deveria fazer um penteado, ia ficar linda. Mas se é o que você quer... – a ruiva terminara de se vestir. Estava com um vestido roxo com detalhes branco e preto. Usava meias listradas de preto e branco e uma bota estilo medieval. E para caracterizar melhor o personagem, um grande e magnífico chapéu azul, com uma fita preta passando por ele, com cartas e talheres presos a ele.
_ Uau... você vai arrasar! – disse Isabella ao ver a menina pronta. A morena finalmente tinha terminado de se vestir. Estava com um sabre de luz verde preso a cintura, e usava uma bota marrom. O casaco enorme caia até os pés.
_ Isabella, se eu fosse homem ou lésbica, eu namoraria você, sério mesmo. – disse Sarah boquiaberta a ver a menina.
Isabella corou um pouco e riu. E quando finalmente iria sair para a festa, a morena sentiu uma tontura.
_ E-ei! Você está bem?! – perguntou Sarah ao ver a menina se apoiando na porta, com os olhos fechados.
_ Ai... Eu estou... Só senti uma tontura... tudo bem, pode ir, eu vou daqui a pouco, não se preocupe – disse Isabella a ver que a menina estava realmente preocupada.
_ Não, eu vou ficar, vai que você passa mal e desmaia! – disse Sarah em protesto.
_ Vá logo, Sarah, eu vou ficar bem, é sério. – disse a morena, e vendo que a menina ia protestar novamente, ela usou um argumento melhor – Olha, aquele garoto que tu tá de olho é bem bonitinho, então, vá logo antes que chegue outra garota nele!
Sarah pensou um pouco, e vendo que a amiga tinha razão, cedeu.
_ Certo, mas cuidado viu? Não saia até se sentir bem, tá? – perguntou Sarah, e sem esperar a menina responder, fechou a porta do quarto e deixou Isabella só.
A menina respirou fundo, e andou até a poltrona, se afundando nela. O que foi isso que sentira tão de repente? Ela se preocupara de verdade. E de novo sentia aquela sensação de que estava sendo vigiada. Ela sentia a presença de alguém ali, ou de algo...
A menina fitava o chão, e então viu algo se mover pelo quarto, e quando finalmente viu que sentira a presença de uma pequena centopeia, ela soltou um suspiro de alívio.
Estava pronta para se levantar dali, quando viu que o bichinho vinha em sua direção, com calma. E se Isabella não estivesse ficando doida, aquela coisinha estava ficando maior, e maior...
Ela se levantou rapidamente da poltrona e correu para abrir a porta do quarto, porém, ao fazê-lo, cometeu o erro de olhar para trás quando ouvira um grunhido estranho de um líquido saindo, e depois, um barulho de algo sendo corroído.
Onde ela estava segundos antes sentada, não tinha mais nada de sólido, só uma poça de algo verde brilhante e borbulhante. E a pequena centopeia que vira, agora estava do tamanho de um pitbull, soltando um rosnado estranho pela garganta.
Sem pensar duas vezes sai correndo pelo corredor em direção à saída. Ela deveria gritar por ajuda, qualquer coisa, mas se sentia incrivelmente assustada. E aquela coisa estava a perseguindo.
Novamente, cometera o erro de olhar para trás, e quando olhou, não viu nada. A menina pensou estar louca e ter imaginado tudo aquilo. Um monstro centopeia do tamanho de um pitbull que cuspia ácido. Ela provavelmente comera algo estragado.
Ouviu um barulho de patinhas se mexendo, e quando olhou para cima, aquela coisa horrenda estava no teto.
Ótimo, pensou a menina, essa coisa também anda nas paredes.
A centopeia gigante se desprendeu do teto, caindo em cima da garota, que finalmente conseguiu soltar o grito preso em sua garganta.
_ Sai..! – gemeu Isabella, tentando se livrar daquela coisa. A menina tentou não olhar para a centopeia, mas o fez. O que ela viu seria algo que carregaria pelo resto da vida: uma boca horrenda, cheia de caninos afiados e espumando uma saliva branca meio esverdeada. Ela sabia que aquela coisa podia cuspir ácido.
O monstro soltou um grunhindo do fundo da garganta, preparando um outro ataque. Ele cuspiria ácido em Isabella, e a garota sabia disso, fechou os olhos, e esperou o líquido atingir seu rosto. Ela nunca mais veria a luz do dia.
Então, para sua surpresa, ela sentiu aquela coisa explodir em cima dela sujando tudo de um líquido roxo que ela supôs ser o sangue do monstro, e ácido. Ela tentou se levantar para saber o que explodira a coisa. E então sua visão escureceu, e a última coisa que vira foi duas sombras se aproximando de seu corpo para vê-la melhor.
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