Erase And Replace
9 Azul
Notas iniciais
Por Layla
Eram 9h30 da manhã e eu já estava correndo pelo aeroporto procurando o portão 4, onde meu amigo podia parar o jato. Fazia muito tempo que eu não via esse meu amigo, Rafael. Nos conhecemos na faculdade e ele começou a me dar caronas para casa. Não pensei que aconteceu algo entre nós, porque não. Ele gostava de uma moça bem mais velha e tal. Do jeito que sou louca com horas, comecei a correr no aeroporto até que atropelei um homem e derrubei tudo que eu tinha em mãos no chão. -Senhora, eu posso lhe ajudar? Me desculpe, deixe-me pegar suas coisas. — disse o homem que eu nem havia visto o rosto. — Não precisa. Eu... Parei por um instante. O que eram aqueles olhos? Me lembravam uma piscina. E aquele cabelo? Meu Deus, tão diferente. Aquele homem não era real. — É, eu... Não, eu... — Está tudo bem? — ele sorriu segurando no meu braço para me ajudar a levantar. — Sim — eu disse meio sem certeza — é que eu estou para pegar um jatinho com um amigo e não sei onde é o portão 4. — Você é Layla Donis? — Sim, e como sabe? — Rafael, seu amigo, me pediu para levá-la até Paris, pois está com a família aqui e não quer estragar os planos com as crianças. Espera um pouco ai: eu ia viajar durante algumas horas com um homem desse ao meu lado? Eu tentava me lembrar de Bill e de que eu não podia errar com ele, mas eu me perdi. Me perdi nos olhos azuis de... não sei o nome dele. — Sou Jack, mas pode chamar de Strify. Eu piloto faz algum tempo e espero que não esteja muito decepcionada por Rafael me mandar como piloto. — Não, tudo bem, desde que eu consiga chegar lá, tudo bem. Ele pegou tudo que eu tinha em mãos e eu só fui levando a minha pequena bolsa de rodinhas. Eu ainda não entendi o que eram aqueles olhos. Eu não consiguia lembrar de nada quando eu olhava fundo neles. Tão lindos, tão diferentes, tão especiais, tão azuis.
Entramos no avião, que pelo tamanho nem parecia um jato. Strify colocou as minhas coisas numa "caixa" e e depois desceu para me ajudar a subir. Ele primeiro me deu a mão e depois que eu já estava sentada, sorriu.
— Então, estamos prontos. Coloque o cinto e decolamos.
Comecei a ouvir aquele barulho e um pressão forte no meu ouvido, como todas as vezes que eu decolava. Eu daria tudo para ter uma balinha para mastigar.
Eu ficava olhando o céu e tentando não desviar o olhar para Strify. Ele controlava todos aqueles botões tão facilmente e eu só vendo várias cores piscando. Não fazia a menor ideia de quanto tempo ia demorar para chegarmos e então perguntei:
— Eu tive uma noite agitada, será que se incomodaria se eu dormisse um pouco? — perguntei com um pequeno sorriso.
— Não, sem problemas. Irei fazer isso também.
— O que? Você tem que pilotar. Como assim?
Strify olhou para aquele monte de botões e apartou um que era verde e disse:
— Piloto automático.
Eu acertei o meu corpo na poltrona rindo baixo e ele também estava rindo. Virei de lado e vi aqueles olhos. Sim, aqueles olhos. Ele olhava pra mim com um sorriso. Tinha um piercing na boca, usava uma maquiagem muito leve e bonita.
Tirou um pacotinho de chicletes do bolso e fez um gesto como se estivesse me oferecendo. Eu peguei da mão dele e toquei em seus dedos levemente. Eram macios. Tirei o chiclete do embrulho e coloquei na boca.
Strify me observava com muita calma, analisando todos os meus movimentos. Parecia uma câmera firmadora. Devolvi o resto do pacote para ele.
— É, nunca viajo sem um desses. Gosto de mastigar uma coisa para diminuir a pressão. — ele falou.
— Eu também.
E continuamos ali nos olhando até que peguei no sono.
— Layla? Tudo bem? Acabamos de chegar. — Strify disse enquanto passava a mão em meu rosto.
Eu levantei meio tonta e quase cai para fora do jato. Ele me segurou, me colocou no chão e foi pegar as malas.
— Você irá voltar para L.A. quando resolver o seu problema aqui? — Srify disse pegando tudo o que era meu.
— Sim, mas não sei como ainda.
— Rafael disse que eu poderia te esperar por aqui mesmo e assim levarei você de volta. Vou arrumar um hotel para ficar até o dia que quiser ir embora.
— Nossa! Muito gentil de sua parte. Pode ficar em casa se quiser já que...
Me perdi nos olhos. Esses olhos. Como eu vou ficar tantos dias aqui com esses olhos me perseguindo e ainda na mesma casa que eu?
Strify fez um sinal com a cabeça aceitando o meu convite. Andamos até a parte de fora do aeroporto e pegamos um táxi. Eu estava muito bem com aquela companhia maravilhosa e quando entramos no carro, começou a tocar a música que tocava na festa quando Bill me pediu em namoro. Eu fiquei paralisada e comecei a pensar neles que ficaram em L.A., até que Strify colocou a mão sobre a minha e olhou para mim. Seguimos até minha casa.
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