Corro rapidamente como um raio sem destino pela floresta, com movimentos cautelosos e desvio das árvores e dos troncos caídos, a terra era úmida devia ter parado de chover a pouco tempo. Noto um pequeno pássaro de penas brancas que tinha uma linha reta nas suas costas dourada, ele estava prezo no seu próprio ninho, pude escutar o seu batimento cardíaco desesperado, rapidamente solto para cima da árvore. Ela deve ter uns dez metros de altura, uso as minhas unhas para escalar ela e vou até o topo aonde esta o pequeno pássaro, num simples gesto o solto o devolvendo a natureza. O som das suas assas batendo eram altos até de mais, porém só para os meus ouvidos. Às vezes me assusto com as minhas próprias habilidades, olho para os últimos momentos da noite na floresta, o sol já começava a expulsá-la. Desço da árvore com um pulo e volto a correr, sempre tive bons reflexos desde criança. O que me faz ser tão rápida mesmo é a mistura de passos largos, equilíbrio e agilidade.

Sem querer me gabar, eu sou incrível.

O bom é que nenhum ser humano a olho nu nunca conseguiria me acompanhar, papai acha que eu herdei essa velocidade da mamãe por causa da mutação genética, por mais que ela fosse um simples ser humano, porém ele diz que esses seres mal usam dez por cento dos seus cérebros, então não podemos saber do que eles são capazes.

uma Lordis, mas no fundo ninguém sabe dizer o que eu sou.

Como o doutor Emaci diria: você é incompreensível, uma hora você está bem e na outra mal.

Sorrio.

Faltando alguns segundos para chegar à reserva, diminuo a velocidade para que eu não pareça suspeita, tenho que guardar muito bem esse meu segredo, pois não quero colocar em perigo as pessoas que eu tanto amo. Quando avisto o pai de Airy, um senhor já de idade, seus cabelos já são mais grisalhos do que do meu pai, o bom de ser um Clastique é que envelhecemos devagar, o que são dez anos para um ser humano de vida é o que vale cem mil anos para gente.

A pele dele é mais avermelhada que a minha, ele e o ancião da sua tribo de índios. Com muito esforço ele segurava uma pá, estava cavando um buraco. Airy tinha me dito que o seu pai era uns dos diretores da reserva, ele ajudava as tribos e vilarejos com comida, roupa e cuidados médicos.

As pequenas civilizações da Amazônia são pobres, porém ricas de culturas e de histórias fascinantes com misturas de magias, as pessoas daqui são gentis, carinhosas e prestativas.

Lembro-me de quando o meu pai me trazia a reserva para que eu pudesse assistir as aulas e interagir com as pessoas, foi onde eu conheci o Airy, podemos dizer que ele é o meu melhor amigo, um pouco besta e perturbado, mas de uma incrível personalidade, adoro a sua companhia.

E também é uma desculpa que eu arrumo para sair de casa, o meu pai não gosta muito que eu saia sozinha.

Aproximo-me do pai de Airy, ele coloca um punhado de areia junto com as outras.

— Bom dia senhor Iaky, mal amanheceu e já esta trabalhando – ele leva um susto quando eu falo levemente as palavras e coloco a mão em seu ombro.

— Meu Deus!! Lia um dia você vai acabar me matando, tem que para de chegar perto das pessoas como um vulto – diz sorridente, mas pude ver que arfava um pouco.

— O senhor que estava ai distraindo pensando em assobiar e chupa cana ao mesmo tempo – falo pegando uma pá, perto de um banco de madeira um pouco desgastado pela chuva e começo ajuda-lo a cavar.

— Lean não precisa... – protelo e olhou para mim com desaprovação, mas finjo que não escuto.

Rapidamente enfio uma pá atrás da outra na areia amarronzada, o peso dela parecia uma pena na minha mão em quanto na dele uma tonelada.

— O seu pai vai falar que estou explorando menor de idade, e se ele vier tirar satisfação comigo vou manda-lo pesca peixe piranha no rio.

O meu sorriso toma conta do meu rosto de orelha a orelha.

— Acho que ele vai gosta de ideia, claro se você for com ele – digo rindo, como sempre o senhor Iaky não perdia o seu bom sensor de humor.

— Merda Airy! – exclamei tinha me esquecido dele novamente.

— Senhor Iaky você viu o Airy? – pergunto, assistindo umas gotas de suor descer pela sua testa.

— Ele foi para o rio criança – disse cravando a pá na areia.

— Depois eu volto para te ajudar! Tenho que ir – ele entreabre a boca para falar algo, mas saio correndo por bem dizer andando, porém aos alhos humanos eu corria. Vou até o rio atrás dele.

— Como sempre pensado, no silêncio atormentador... Com a mente vagando em cada pensamento e memória... Não acha que é muito novo para ser atormenta não com preocupações – o repreendo, me sentando ao seu lado de frente para beira do rio, aonde alguns pássaros cantavam.

— Como sempre atrasada... Imagina ser tivesse alguma responsabilidade de verdade – murmura, sorrindo.

O empurro levemente o seu braço, como sempre chato.

Sorrio e o abraço fortemente.

— Feliz aniversario Airy – falo suavemente, o cheiro da sua pele era delicioso.

— É muito gratificante em nossas vidas, sermos amados e lembrados pelas pessoas. E melhor ainda é deixar em nossa caminhada as marcas de uma verdadeira felicidade, nesta data importante te desejo um feliz aniversário, saiba que você sempre será especial para mim! Esses últimos trezes anos você tem sido um ótimo amigo, quase um irmão. Obrigada por sempre cuidar de mim, por fazer parte da minha vida – digo cuidadosamente palavra por palavra não queria estragar tudo, o abraço, mas forte, ele retribui também.

— Ta bom! Lia chega de melação, já estou estranhado tudo isso – sorriu contra o meu pescoço.

Não tenho palavras para descrever a sensação de telo em minha vida, isso deve ser coisa de destino.

— Humm. Está ficando velinho, Vinte dois anos estou certa? – pergunto olhando nós seus olhos que pareciam brilhar, esperando a resposta.

— Verdade! Já tenho idade suficiente fazer um filho contigo, porém seria pedofilia por que você é uma criança – disse extrovertida mente, achando graça da minha expressão de supressa.

— Idiota como sempre!! — reviro os olhos, gargalhando.

— Fazer o que, se eu não resistor, de ver esse sorriso tão belo em seu rosto – diz com um tom de brincadeira, mas, com um olha de cafajeste.

Olho para ele e começo rir, como eu ama esse garoto! Ele é tudo para mim. Todas as escolhas, todas as duvidas com no final um pingo de incertezas.

Levemente ele acaricia o meu rosto, o seu toque era quente e macio. Rapidamente planto um beijo em sua bochecha dourada, Airy passa o braço por cima do meu ombro, me aconchego mais em seus braços. Deito a cabeça em seu ombro com as pontas dos dedos ele fazia carinho em meu braço.

Pouco a pouco o nascer do sol vai tomando conta do imenso rio o deixando num tom meio alaranjado, a correnteza é fraca. Sinto uma pequena brisa sopra em meu rosto, ficamos um bom tempo só contemplando a paisagem.

— Então Lia quais são os seus planos para o futuro? – perguntou quebrando o silêncio calmo em nossa volta.

Mas contínuo em silêncio, pois não tinha ideia de como seria o meu futuro, só para o presente.

Ser a resposta for pelo ponto de vista do meu pai, eu vou ficar o resto da minha vida escondida no meio do mato, até entendo que ele não queira me perde, porém necessito viver. Ter a minha vida pode tomar decisões... A merda já foi feita e não tem mais volta. Não tem como mais esconder a minha existência.

— Não sei Airy... – sussurro olhando fixamente para água do rio meia barrenta.

— Há sabe sim! Nós dois vamos se mudar para o Rio de Janeiro, comprar uma casa, fazer uma boa faculdade e depois fazer um time de futebol na cama – fala pegando o meu rosto em suas mãos e me dando um sorriso amarelo.

— Airy o que deu em você hoje? Estou te achando muito pervertido – digo rindo e olhando intensamente nos seus olhos que pareciam se divertir.

— Falando serio Lia vem comigo para o Rio, chegar de viver no meio da floresta como se a gente fossemos animais silvestres domesticados. A vida é muito bela só para gente ficar aqui – murmura entrelaçando as nossas mãos.

Queria pode disser que sim, que aceitava ir para qualquer lugar do mundo com ele. Mas não podia. A única coisa que eu não quero nesse mundo e magoa-lo, ou acabar o colocando em perigo. O amo muito para isso.

— Não sei Airy, tenho que pensar sobre isso – retruco o dando falsas expectativas.

— Pensar em que Lia, para e de ter medo você não é mais criança, pelo ao contrario já e quase uma mulher daqui uns messes você vai completar dezoito anos Lia – murmura pegando novamente o meu rosto com as suas mãos macias, me fazendo olhar para os seus olhos.

— Não é medo Airy, só eu sei o que enfrento, você acha que a vida e fácil, mas nada e fácil nesse mundo. Quando colocamos algo em jogo por pura emoção ou desejo, por não pensar direto o que estamos lidando e arriscando. Para chegar no final perdemos a pessoa que mais gostamos... Dói muito perde alguém que amamos. Só eu sei qual é o desespero que assombra a alma... Em sabe que ela se foi e não vai volta mais. É uma dor insuportável que nem a morfina da jeito — murmuro, piscando varias vezes expulsando as lagrimas.

O medo é o nosso pior inimigo, é uma estacar que está sempre pronta para nos machucar.

— Mas é com as dificuldades que superamos os obstáculos, e tiramos força para lutar – diz franzindo a testa, parecendo confuso.

— Não quero ter que perde, mas ninguém – digo com um nó na garganta.

— Não vai! Nunca vou deixa, porém você tem que tentar ou acreditar – a sua voz aumento sugestivamente no final da palavra.

Ai Airy se você soubesse da minha historia ou quem eu sou realmente por trás dessa mascara seria tão, mas fácil.

— Sei que não vou, por isso que tenho que o deixa e seguir a sua vida – levanto-me e limpo a pequena lagrima no meu rosto.

Não quero nunca, mas ter que chorar porque dói muito. Em um movimento rápido ele se põe de pé. Viro-me para ir embora, mas ele é, mas rápido e segura o meu braço.

— Lia não vai – suplica. Com olhos cheios de lagrimas.

— Não quero fica dando mais argumento – murmuro, para pequena borboleta branca que voava delicadamente.

— Desculpa! Não vou, mas insistir com isso, irei te dar um tempo para você pensar melhor – a sua voz era grave porem firme.

Pelo visto ele não ia tirar essa ideia de me fazer ir junto com ele. Airy porque você é tão teimoso. .

Sem pensar direito me envolvo em seus abraços, e ele não perde tempo e beija a minha testa os seus lábios são quentes.

— Espero que faça a escolha certa – diz por fim.

Não digo nada apenas fico quieta, perdida naquele abraço cheio de ternura que me fazia tão bem, e por fim a minha respiração se acalma. Fecho os olhos e grudo o meu rosto no seu peito, mesmo com a sua camisa no meu rosto, eu podia sentir a sua pele quente através do pano. O seu coração palpita calmamente as batidas parecia uma canção para os meus ouvidos.

Nunca vou deixa-lo para de bater Airy, o seu coração por algum erro meu.

Fico um bom tempo com ele ali, e depois vou para casa, bem não sei se aquilo podia ser chamar de casa. Queria saber quem teve a ideia de construir uma base no meio de uma floresta densa e perigosa. Porém ela em sir foi muito bem planejada, é incrivelmente enorme dava para abrigar umas duzentas pessoas não posso negar ela tem é uma bela estrutura, todos os detalhes dela bem planejado, tanto por dentro e por fora, são perfeitos, cada sala com uma função, com um enorme campo de treinamento.

A melhor é a sala de jogos mentais, que te leva para outra dimensão e testa a sua mente e suas habilidades, de todos sou a única que chegou até o final, o meu irmão fala que é sorte, mas eu digo que não existe sorte e sim talento.

Ele fica para morrer quando digo isso, papai acha que eu devo para de provoca-lo porque ele é o mais velho e devo respeita, mas uma coisa que eu não gosto é de receber ordem.

Sorrio com os meus pensamentos.

O mais magnífico são os sistemas da casa que a faz, que nenhum satélite a veja, o meu pai diz que a base usa um tipo de programa que cega os satélites e as pessoas que se aproximarem dela, se alguém tivesse por perto só veriam árvores por causa de uma toxina que esta espalhada ao redor dela. O gás toxico costumam atingi a mente fazendo as pessoas terem alucinação, mas o gás não e letal e nem causa dano a espécie humana, em alguns dias o gás sai da corrente sanguínea. Trevis fala que as árvores são um tipo de escudo protetor da casa.