Eram dois.

1 Capítulo 1


Eram dois.

Pareciam irmãos, primos, colegas.
Pra eles não importava.

O que importava era aquela mensagem no fim de tarde.

— Oi, pode vir aqui?

— Posso. Tô subindo. 5 minutos.

E gritava pelo seu nome, pela ausência de campainha.

O que realmente importava, era a companhia garantida do outro.

— Tô doente. Vem no hospital comigo fazer companhia?

O que importava, era a intimidade incrível que sempre tiveram.

— Vou tomar banho. Grita quando der 5 minutos pra eu tirar o produto do cabelo?

O que importava, era a confiança no outro.

— Sobe aqui. Preciso desabafar.

O que importava, eram as piadas internas, que ninguém achava graça e nem entendia.

— Lá vai, suco de pêssego. Vai, escrava, trabalha!

O que importava era aquela ligação de horas.

— Tá fazendo o que, estrume?

Ás vezes até choraram juntos em ligação: de rir, de tristeza.

De um Adeus.

Mal ele sabia, que fora a escolha mais difícil que ela já fizera.

Mas ela sabia que teria que lidar com as consequências das suas ações.

Ela já havia se punido o bastante: ela não precisava mais disso.

Ela não precisava ser relembrada o tempo todo.

Ela tinha noção do ocorrido. Não queria mais se sentir daquele jeito.

Não importava os bloqueios nas redes sociais,

as memórias daquela amizade predominavam. Em todo lugar.

Ele não sabe, mas sempre que ela passa em seu portão,

tem vontade de gritar seu nome de novo. Mas ela não o faz.

E se… as coisas ainda seriam as mesmas?

Ele não sabe, mas ela revive suas memórias, fotos.

Sua amizade era muito importante pra ela.

E se afastaram. Por pecado de ambos.

Ele não sabe medir a gravidade de seus erros.

Já a consciência dela, pesa mais que uma tonelada.

Ou será que a dele também?

Sem respostas.

Ela, ao ver suas novas amizades, se sente mal, por não poder fazer nada.

Ela já estivera no lugar daquelas pessoas.

“Aproveitem bem.” Pensava ela.

Ficava mal quando os ciclos sociais se separaram: por culpa dos dois.

Amizades se dividiram, em consequência.

Foi tudo tão repentino.

Mas ninguém sabia que ela se sentia desse jeito.

Guardava pra si mesma, com medo de ser mal interpretada.

Não havia maldade no sentimento dela, algo tão puro, como a saudade.

Apenas sentia falta de seu melhor amigo; pisaram tanto na bola.

Será que alguém tem noção de como ela se sente? De como pensa, e se pune?

Ela sente demais. Sente falta demais. Se culpa demais. Deveria ser assim?

Ela se cobra tanto, que não dorme. Não se relaciona direito. A esperança se fora.

Estava cansada de se sentir tão mal consigo mesma. Precisava se importar menos.

Ela queria ter a opção de fazer algo a respeito. Mas não havia opção alguma.
A não ser lidar com as consequências.

Ela sabia que tinha de lidar com isso direito: já se foram muitas crises.

Em tempos, ela já pensou que ninguém mais acreditava nela.

Já pensou que ela não era boa o suficiente.

Ela não queria mais pensar assim sobre si mesma.

Sim, havia lados ruins. Mas eles se aceitavam.

Queria que alguém acreditasse no seu melhor lado.

E ele, já fizera esse papel muitas vezes por ela.

Sabia que sua amizade não se encontrava em qualquer esquina.

Mantinha a esperança que se reencontrassem de novo.

Porque ela se sentia sem uma parte de si. Estava com ele.

Ela havia mudado. E ele também.

Eram dois.

Eram.





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