Era você
12 Making Deal with.
Notas iniciais
LEGENDA:
Itálico — pensamento
Negrito — sonho/lembrança
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Cheguei ao portão e interfonei.
— Higurashi. – falei somente isso, mas foi o suficiente para que minha passagem fosse permitida. Passei pelas longas e velhas árvores que traçavam o caminho até a entrada da mansão, parando ao lado de uma das várias lamborghinis que eu sabia que havia ali. Saltei do carro e entrei na enorme construção.
Havia se passado um mês desde que descobri que a família Naraku também era minha família. E aquele havia sido um dos piores meses que eu tinha recordação.
Naraku Onigumo, seu filho e neta jantaram lá em casa uma vez por semana e eu sempre sentia a mesma agonia e aflição por estar perto deles. Bankotsu não apareceu durante esse período, mesmo eu deixando dezenas de mensagens na caixa postal, mandado várias mensagens de texto e ligado inúmeras vezes. E esse silêncio me deixava apreensiva. Até Jakotsu estava menos alegre em suas visitas, que haviam se tornado mais raras devido ao aumento de vigilância da nossa casa.
Já não me sentia mais à vontade de sair seja de casa ou do apartamento, trabalhava e pesquisava sobre as pastas que havia encontrado, mas eu sabia que só havia um modo de dar o próximo passo e avançar nas minhas descobertas. E esse seria o mais arriscado de todos.
Tudo estava no exato lugar que lembrava. A construção de arquitetura tipicamente chinesa no lado de fora, mesclava no lado de dentro o japonês tradicional ao futurístico com a mesma maestria que os negócios eram tratados. Subi a imensa escada localizada no centro no Hall de entrada, e conforme as pessoas passavam por mim, ora com expressões de respeito ora medo, a única coisa que eu sentia era que não pertencia mais àquele lugar.
Segui pelos corredores, ignorando todos os rostos que passavam por mim e entrei, sem cerimônia, no cômodo que eu sabia estar o foco dos meus problemas.
— Finalmente. – ouvi aquela voz irritante assim que entrei no grande salão. Naraku Onigumo estava jantando em uma pequena mesa, com apenas uma cadeira, mas lotada de comida e bebida – Esperei mais de um ano para isso. Demorou para finalmente entender que o seu lugar é aqui.
— Desde o início você deixou claro que a qualquer momento eu era livre para ir e quando escolho partir você me caça? – mesmo à distância podia reconhecer aqueles olhos castanho-avermelhados e odiá-los. Continuei caminhando calmamente em sua direção, atravessando o salão. Mantive a postura reta, expressão fria e a cabeça erguida, características que usava todas as vezes que estava naquele lugar.
— O que posso dizer? – ele mexeu os ombros – No início não acreditei que pudesse ir tão longe, e justamente quando estávamos próximo de finalmente conseguir a joia, você pula fora? – ele balançou a cabeça e o hashi em minha direção – Me decepcionou quando jogou tudo para o alto por conta de Banryu. Vocês realmente acreditaram que eu ia deixar meus dois braços direitos saírem, — ele estralou os dedos – do nada?
— Hanna já estava pronta. Você mesmo dizia que ela era o prodígio que nunca fui. – parei no início da curta escada que levava até ele.
— Sinto rancor vindo de você.
— Totalmente normal, principalmente pelo fato de ela ter 13 anos na época. – mexi meus ombros – E Suikotsu não reclamou em assumir todas as responsabilidades de um Realizador. – Naraku abriu a boca para responder, mas vozes alteradas vindas do outro lado da pesada porta principal o interromperam.
— Me larguem! – ouvi a voz de Bankotsu e olhei para Naraku.
— O que ele faz aqui? – minha expressão já dizia que eu não estava brincando.
— Ele veio fazer outro acordo, — ele levantou o saquê e inclinou em minha direção – por sua causa. – odiei o tom que ele usou – Mal sabe ele que a sua 'preciosa Kagome' já está aqui.
Houveram batidas nas portas, sendo logo abertas. Por elas, dois capangas de Naraku apareceram segurando Bankotsu pelos braços. Assim que ele pôs os olhos em mim vi surpresa neles. Isso não é hora para sentimentalismo, Kagome. Continue com o plano.
— Vejo que voltou Banryu. – Naraku tomou a frente da conversa – Mas acho que o seu tempo foi gasto à toa, pois veja quem também voltou. – ele colocou mais um pouco de comida na boca e eu me mantive parada na pequena escada.
— Achei que o Realizador desse conta de dois? – continuei com a postura da antiga 'ela' e o encarei.
— Não ocupo mais esse cargo. – Bankotsu respondeu e Naraku soltou uma gargalhada.
— Saudades dessas trocas de farpas. Era disso que eu estava falando! – revirei os olhos. Dei as costas à Bankotsu e comecei a subir os degraus.
— Temos assuntos inacabados. – parei ao seu lado na mesa – Devo esperar pacientemente pela sua boa vontade ou devo voltar outra hora?
— Sempre gostei quando você chegava aqui nessa pose de 'bad girl', com jaqueta de couro, bota, roupas pretas. – Naraku limpou a boca com o guardanapo e jogou dentro do próprio prato – E vê-la novamente com as mesmas roupas de antes e a mesma postura, me deixou nostálgico. – ele se levantou – Venha, vamos tratar de negócios. Tragam Banryu. — O QUÊ?! Não posso seguir com o plano na frente dele!
Saímos do salão principal e começamos a percorrer os intermináveis corredores da mansão.
— Algum problema Higurashi? – Naraku usou a visão periférica ao olhar para mim – Parece nervosa.
— Desde quando o meu silêncio é interpretado como nervosismo? – tenho certeza que não fiz nada que me denunciasse! Droga! Escutei passos atrás de nós e percebi que Bankotsu não estava sozinho.
Chegamos à sala de reuniões e eu pude ver Kanna, sentada de frente para um computador. Ainda não me acostumava com o fato de uma adolescente estar fazendo isso de boa vontade, sem nenhum pingo de arrependimento. Naraku sentou confortavelmente em uma cadeira com recosto alto atrás de uma mesa grande no centro da sala.
— Diga-me Higurashi, — ele recostou na cadeira e escorregou um pouco nela – que tipo de assuntos você quer tratar?
— Vou lhe entregar a Shikon no Tama, mas quero garantias de que nunca mais – frisei – seremos incomodados por qualquer um dos seus. Te darei o que você quer e você nos deixará em paz. Para sempre. – falei de forma séria e firme, mas o sorriso insano dele me fez duvidar de que ele acreditara em minhas palavras.
— Por oito anos, — ele pensou um pouco – sete na verdade, você procurou por ela e nada. E agora, que está com lapsos de memória, acha que pode conseguir o que procurei por toda a minha vida?
— Você pode ter razão quanto às minhas lembranças, mas minhas habilidades não foram afetadas e agora as motivações são outras. – tentei ser o mais evasiva possível.
— E posso saber quais são as suas motivações. – fiquei em silêncio – Vamos lá Higurashi, preciso saber os termos desse acordo.
— Proteger pessoas que não são responsáveis pelas minhas escolhas. – ele sorriu maliciosamente.
— Você sabe como as coisas funcionam por aqui. Tem certeza disso?
— Tenho. – ele cruzou os dedos, unindo as mãos.
— Aceito sua proposta, mas tenho uma condição. – ele sorriu novamente, mas dessa vez um calafrio correu pela minha espinha. Continuei quieta – Enquanto você procura, voltará às atividades que exercia.
— Isso vai me atrapalhar.
— Preciso de uma garantia de que você está realmente procurando.
— Eu volto. – finalmente Bankotsu se pronunciou.
— Não. – respondi. Naraku continuou sorrindo. Continuei firme, me forçando a não olhar para Bankotsu – Preciso de Banryu me auxiliando.
— E a dupla dinâmica ataca novamente! – Naraku soltou uma gargalha, rindo de sua frase de efeito em seu humor duvidoso. Esperamos ele acabar até que uma voz baixa e constante nos interrompeu.
— Mande Byakuya trabalhar com eles. – Kanna prendeu a atenção de todos no recinto.
— Depois quando eu falo que ela é um prodígio você fica com ciúmes. – Naraku soltou – Ótima ideia Kanna, muito obrigado. – ela continuou mexendo no computador como se em momento algum tivesse aberto a boca – Aceita?
— Contando que pare de espreitar. – troquei meu peso de perna e cruzei os braços – Aceito trabalhar com Byakuya. – Naraku sorriu pelo acordo.
— Suikotsu, — o rapaz apareceu de detrás de um das colunas. Nem sabia que ele estava aqui — Avise a todos os que deixem em paz. Quem não cumprir a ordem, terá problemas comigo.
— Todos eles, minha família, meus amigos, todos os que sei que vocês não perde de vista. – impus.
— Está querendo demais, Higurashi. Sou eu quem dita os termos. – seus olhos perderam o divertimento e se tornaram coléricos. Me aproximei da mesa e apoiei minhas mãos nela, me aproximando dele.
— Você quer ou não sua maldita joia? – falei baixo, com um sutil tom de ameaça.
— Não brinque comigo Higurashi, você tem mais a perder do que eu.
— Concordo, — voltei à postura normal, mas continuei apoiada na mesa – mas o que você ganha com todos mortos? Que benefício te traria matar parte de sua família? – um sorriso começou a brotar em meu rosto.
— Sabe que não sou sentimentalista, mas acho sua persistência em achar que por ser minha sobrinha terá privilégios, fascinante. – ele voltou a sorrir – Tudo bem, temos um acordo. – foi a minha vez de sorrir – Mas você terá apenas 6 meses. – aquela sentença tirou o meu chão.
— É pouco tempo.
— É pegar ou largar. – ele balançou os ombros. Respirei fundo. Ele estendeu a mão em direção à Kanna e ela lhe entregou duas folhas.
Conhecia a eficiência com que os acordos eram feitos ali, mas estar fazendo parte de um não me deixava tranquila. Peguei as folhas que me foram estendidas assim que ele terminou de lê-las. Todos os detalhes foram explicados e os termos estavam claros. Eu saberia identificar se houvesse alguma brecha, já que eu, por tantos anos, realizei a tarefa que hoje era executada por Kanna.
Devolvi as vias do acordo. Naraku puxou uma pequena vasilha de prata, com uma faca do tamanho da minha mão, apoiada nela. Por último, uma caneta de pena foi retirada da gaveta.
— Kagome, — ouvi a voz de Bankotsu e me permiti olhar para ele. Ele estava transtornado, magoado e, principalmente, decepcionado – não faça isso. Podemos dar um jeito.
— Você já fez muito por mim. – não sorri, mas deixei que meus olhos lhe mostrassem o quão desesperada eu estava para ter que fazer aquilo – Tenho que parar de me fingir de vítima, encarar que sou a culpada disso tudo e resolver de uma vez por todas.
— Lindas palavras, — Naraku não permitiu que Bankotsu falasse – mas se você puder assinar logo. Tenho que tratar de negócios com Banryu.
Voltei a erguer minhas muralhas. É a única solução. Vamos terminar logo de uma vez. Peguei a faca, pressionei na extremidade fofa da minha mão e deixei que algumas gotas pisgassem no vasilhame. Puxei um lenço do bolso de minha jaqueta e fechei minha mão sobre o local. Com a outra, peguei a pena, molhando em meu próprio sangue e assinando no local indicado. Naraku fez o mesmo.
— Aproveite que o seu tio está muito feliz por revê-la e saia daqui antes que eu mude os termos do contrato, dificultando sua vida. – Naraku possuía um tom leve, mas sabia que nada vindo dele seria simples.
O encarei por alguns segundos antes de dar as costas e sair dali. Meu corpo entrou no automático e me levou até onde havia estacionado o carro. E ali fiquei não sei por quanto tempo.
...
— Vamos. – levei um susto e pulei – Sua louca! – olhei e vi que Bankotsu havia tampado minha boca. Respirei fundo e tirei a mão dele de mim. Não reparei que havia gritado.
— Pare com isso!
— Vamos. – abri minha boca, mas ele me ignorou colocando o cinto. Bufei e nos tirei dali.
O caminho até o apartamento foi feito em silêncio, ao mesmo tempo em que era reconfortante era constrangedor. Por vezes achei que ele havia dormido.
...
Nós chegamos ao apartamento e ele foi direto tomar um banho. Estava procurando algo prático e rápido para comermos. Salgadinhos... Salgadinhos... Onde estão os salgadinhos?! – Achei! – levantei o pacote de industrializado à altura dos olhos. Santo Graal!
— Eu ia dar conta de tudo, você não precisava ir até lá e fazer aquilo. – ele soltou assim que chegou à cozinha. Depois de me recuperar do susto, virei o conteúdo do pacote em uma vasilha, peguei meu refrigerante e segui para a sala de estar.
— Quantos? –perguntei assim que passei por ele.
— Como? – ele me seguiu.
— Quantos acordos você fez com ele? – perguntei. Ele ficou em silêncio. Isso é ruim, muito ruim. — Bankotsu!?
— Dois.
— O que você tem que fazer?
— Não espera mesmo que eu lhe diga, não é?
— Se eu estou perguntando é porque quero saber! Agora responda logo! – minha pouca paciência já estava desaparecendo. Ele respirou fundo, mexeu no cabelo e ficou em silêncio por um tempo, até que por fim ele me respondeu.
— Devo vigiar você, reportar todos os seus passos e voltei a trabalhar pra ele.
Quando eu ouvi a última parte da frase, fui tomada por diversas emoções, mas a principal era culpa.
— VOCÊ FEZ O QUÊ?! – levantei do sofá tão rápido, que o refrigerante se espalhou pelo tapete e o salgadinho pelo sofá – VOCÊ É LOUCO? COMO VOC... – Bankotsu se levantou e tampou minha boca.
— Shiiiii. – ele apoiou uma mão em minha nuca e outra sobre minha boca. Em um movimento rápido, passei meus braços por fora e flexionei meus cotovelos na área interna dos cotovelos dele, empurrando pra baixo. Consegui me soltar dele e o empurrei – Pare Kagome! – ele me segurou pelos meus pulsos e me prendeu em um forte abraço. Tentei chuta-lo, porém ele foi mais rápido me dando uma rasteira e usando o peso do próprio corpo para me prender ao chão.
— Como você pôde fazer isso?! Depois de tudo que fizemos pra sair de lá? – cuspia as palavras com raiva e desespero enquanto me debatia. ELE NÃO PODE ESTAR FALANDO SÉRIO! Só então reparei a posição que estávamos – Saia de cima de mim.
Ele rolou para o meu lado.
— Você queria que eu ficasse parado enquanto eles te caçavam? – ele disse depois de um tempo.
— O acidente... – sussurrei.
— Suikotsu estava te perseguindo quando o raio caiu, que derrubou a árvore. O idiota bateu em você e ainda ficou como testemunha do acidente. – percebi que havia muita raiva em suas palavras – Eu realmente estava em Londres, voltei assim que soube.
— O que você estava fazendo lá? – ele voltou a ficar em silêncio.
— Você sabe do que fizemos para sair de lá?
— Hãm? Do que você está falando? – fui pega de surpresa pela repentina mudança de assunto.
— Você falou de forma confiante.
— Já te falei que às vezes falo o que não lembro... Ou o que lembro e não sei. – minha blusa estava um pouco molhada por conta do refrigerante, mas não me importei. Apoiei meu braço em meu rosto, escondendo meus olhos na parte interna dele – Que pecado.
— O quê?
— Refrigerante e salgadinho espalhados pela sala. – ouvi sua risada seca.
— Estamos falando de uma coisa séria Kagome e você pensando em comida.
— Você se recusou a responder a minha pergunta e mudou de assunto. – mexi os ombros – Resolvi falar de algo mais interessante. Além do mais, eu não entendo... Por que se oferecer para trabalhar para ele no meu lugar se você já o faz? E para quê mandar Byakuya para nos vigiar se você já reporta todos os meus movimentos? – respirei fundo.
— Ele queria saber se você sabia dos meus acordos. E Byakuya é uma garantia de que estou fazendo bem o meu trabalho. – ficamos em silêncio. As palavras dele ficaram suspensas em minha mente – Quando começamos?
— Assim que eu o equipamento, e dar um jeito de conciliar o trabalho com Sesshoumaru e a busca pela Shikon no Tama. – ele começou a rir, fazendo com que eu apoiasse sobre meus cotovelos e o encarasse de forma assassina – Qual é a graça?
— Você não precisa de emprego Kagome! Não sei porque trabalha para aquele cara!
— Receber dinheiro é bom de vez em quando. – ele voltou a rir – Hey! Até hoje, o que eu gastei foi com o dinheiro da minha reserva! E ela não é eterna! – comecei a ficar furiosa e constrangida. Ele riu por mais alguns segundos antes de levantar e me ajudar a fazer o mesmo.
— Vá tomar um banho e trocar de roupa. – ele balançou a cabeça ainda sorrindo como se eu tivesse dito alguma piada.
...
Voltei minutos depois e Bankotsu estava no sofá, lendo meu caderno.
— Alguma coisa de interessante? – perguntei. Ele sorriu e a forma como olhou pra mim, fez com que meu rosto ficasse vermelho.
— Só o fato de que você sempre tem um comentário interessante para fazer sobre mim. – tentei passar por ele, para me sentar ao seu lado, mas fui puxada pela cintura e sentei no mínimo espaço que havia entre o braço do sofá e suas pernas. Esfreguei minhas costas por conta do leve baque que levei no local, ao mesmo tempo em que tentava acalmar meu coração que parecia se recuperar de uma maratona – Já falei que o fato de você ainda agir dessa forma, quando está perto de mim, me deixa feliz? – uni as sobrancelhas.
— Agir dessa forma como? – ele sorriu pela minha pergunta e me respondeu com um beijo. Diferente dos anteriores, esse foi mais urgente e possessivo, como se de alguma forma ele tentasse me fazer lembrar o que nós éramos juntos.
Me afastei assim que o beijo terminou e apoiei minha cabeça em seu ombro. Como se fôssemos um casal de longa data, o que teoricamente é verdade, ele me deu um beijo na testa e voltou a ler.
Passamos horas na sala analisando o que eu havia escrito no caderno. Poucas vezes Bankotsu acrescentou algo novo, o que ele fazia era tentar absorver o máximo que podia extrair de minhas lembranças. O que na minha opinião foi estressante e frustrante.
— Esperava que você me ajudasse não que me fizesse um interrogatório. – cruzei os braços. Ele simplesmente sorriu pra mim.
— E eu estou. Quando mais eu te desafiar a lembrar, mais você vai se esforçar. Preciso saber do que se lembra. – ele se levantou, pegou minha mão e me puxou de volta para o quarto – Agora descanse. Sei o quão dorminhoca você é e já se esforçou demais por hoje. – ele me fez deitar, colocou as cobertas cobre mim e apagou a luz ao meu lado.
Continuei parada tentando descobrir se ele já havia ido, quando senti suas mãos segurarem meu rosto e seus lábios beijarem minha testa. Só então o ouvi saindo do quarto.
...
Acordei quando meu celular começou a tocar The Imperal March. No começo a música entrou em minha mente como um sonho, mas logo percebi que a insistência não era fruto da minha imaginação.
Tateei a cabeceira da cama procurando o aparelho e acabei derrubando as coisas ao cair da cama.
— Você está bem? – ouvi a voz de Bankotsu, gutural e sonolenta.
— O que você está fazendo aqui? – tentei me levantar. O toque insistente estava começando a me irritar.
— Estava dormindo. Até esse celular maldito me acordar. – ele mudou de posição e colocou o meu travesseiro sobre a cabeça – Atenda logo antes que eu o atire na parede.
Peguei o aparelho e segui para a sala.
— Sesshy? – escolhi o tema do Darth Vader especialmente pra ele.
— Por que não atendeu antes?
— Estava dormindo.
— Abra a porta. – parei no corredor.
— Como?
— Estou esperando. – andei até ela e não me surpreendi tanto ao vê-lo ali. Ele desligou o aparelho e entrou sem que eu permitisse – Desconfiei que estivesse aqui. Bankotsu está? – corei ao lembrar do homem sem camisa e mal humorado que estava no quarto.
— Sim. – segui para a cozinha com o albino parecendo minha sombra – Como está Rin? – ele olhou pra mim com a expressão me dizendo que eu não deveria mudar de assunto. Peguei um copo com água e resolvi me limitar a esperar que ele tomasse frente da conversa.
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