Era uma vez uma princesa
1 Regina
Notas iniciais

Durante muito tempo eu nem ao menos pensei naquela criança, mas com a quebra da maldição e Henry se afastando de mim por vezes me peguei pensando no que teria acontecido se eu tivesse ficado com ela.
Na época que dei a luz a aquela garotinha tudo que eu queria era me livrar dela, não por não ama-la, mas pelo que ela representava. A garota não era fruto do amor verdadeiro, pelo contrário era filha do mal, ela nasceu no auge de minha maldade e eu sabia que não seria uma boa mãe, para não cometer os mesmos erros que minha mãe cometeu eu a mandei para longe, para que pelo menos ela tivesse uma vida boa, ou pelo menos melhor que a minha.
Sim eu dei a luz a uma filha do rei, não muito antes de mata-lo. Após a morte do rei, fiz um acordo com Rumple que prometera levar a criança para longe, e acabei forjando um desaparecimento culpando Branca, e por um tempo o povo realmente acreditou, porém quando realmente me rebelei alguns me acusaram de matar minha própria filha. Meus súditos poderiam não gostar de mim, mas gostavam da garotinha o que de certa forma me deixava com raiva.
Hoje pensando melhor sobre o assunto tenho certeza que o que fiz foi a pior coisa de toda minha vida. Aquela criança poderia ser filha do homem que eu mais odiava no mundo, mas era uma parte de mim também. Isso me tornou igual a minha mãe, foi o que Rumple me disse em uma certa ocasião, e não é mentira.
Não muito tempo depois de chegar a cidade após ter lançado a maldição fui atrás de Rumple para reaver aquele acordo, mas ele não voltou atrás. Ele disse que um acordo não poderia ser quebrado e que eu já não tinha nada mais que o interessava. Sem dúvida eu quase pulei no pescoço dele mais de nada adiantaria.
Lembro-me perfeitamente da última vez que a peguei.
Aquele crocodilo me olhava ansioso, “Você não vai desistir agora vai querida?” Eu olhei a criança em meu colo, tão pequena, tão inocente. Ela se parecia comigo, os cabelos, os olhos, o rosto, exceto a pele, branca como a neve, o que de certa forma me incomodava. “Não, um acordo é um acordo” Eu disse entregando ela a ele, mas não antes de dar lhe um beijo. “Não se esqueça da minha condição Rumple” ele riu e me respondeu debochando “Claro querida, o nome deve permanecer o mesmo, não é mesmo Rebecca?” Essa última parte foi uma pergunta dirigida para minha filha, ela pareceu compreender, pois soltou uma risadinha. “Oh perfeito, acho que alguém aprecia a minha companhia, até breve vossa majestade”. E assim ele desapareceu, levando minha pequena princesa.
Eu já tentei mais de mil vezes arrancar dele o que aconteceu com ela, porém ele nunca me disse. Com o passar do anos minhas maldades com Branca foram apagando da memória daquele povo que um dia eles tiveram uma outra princesa. Tanto é que poucos se lembram dela, e aqueles que o fazem jamais tocaram no assunto, nem mesmo Branca, acredito que eles acham que eu a matei.
Sou tirada dos meus lamentos “Vai querer alguma coisa senhora prefeita?” era aquela velha viúva Lucas, tinha me esquecido que estava esperando “Um café” ela me serviu o café, “Cadê sua neta?” deixei a curiosidade tomar conta, a velha me encarou “Saiu, não os criamos para nós não é mesmo majestade?” Ela disse se retirando, aquilo era uma indireta?
Mais uma vez eu passava a sexta à noite sozinha em casa, pois Henry havia saído com sua outra mãe. Tomando um copo de vinho me encosto no sofá e entro em uma espécie de sonho.
Eu estou correndo apavorada por uma floresta, sinto-me cansada, com fome e sede avisto um rio e me aproximo para tomar água, mas quando olho meu reflexo não sou eu, ou pelo menos não nessa idade. Sei que não sou eu, mesmo parecendo muito aquela pele alva só podia ser de uma pessoa.
E de repente eu acordo assustada, era apenas um sonho ou talvez não. Poderia ser uma visão, tenho que falar com Rumple amanhã bem cedo, poderia até ser agora, mas acordar aquele velho seria difícil.
Meus planos de falar com Rumple são estragados graças a Emma e sua família encantada, que me acusam de matar o Archie. Não preciso dizer que resistir imensamente a vontade de arrancar o coração de todos eles, mas não o fiz, por Henry.
Acho que é verdade quando se diz que vilões não tem finais felizes. Iludida a esse mantra me aliei a minha mãe, mas foi aí que eu a vi. No meio da minha vingança aparece ela, a garota de pele alva e cabelos longos, aquela que habitava meus sonhos nos últimos dias.
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