Era uma vez uma caçadora...

1 Capítulo 1 - História para dormir.


Notas iniciais
Esse é o meu primeiro capítulo dessa história de caçadores, logo preciso saber se continuo ou não a escreve-la! Leiam e comentem!

- E então ele morreu? — A pergunta era tão boba e tão óbvia, no entanto quem a ouvisse sem saber o contexto da história responderia errado.

- Claro! O que você esperava? — Perguntou o menino a minha esquerda.

- Não deduza as coisas assim. — Respondi fria, mas serena. — Até hoje seu corpo não foi encontrado. Ele pode estar vivo.

- Como pode dizer isso? O leão estava em alta velocidade! Ele estava bêbado e talvez até drogado, tinha brigado com o mundo inteiro! Tinha se machucado durante a luta e ainda caiu de cima de um penhasco ao mar. — A menininha, sentada no colo do irmão, na minha frente parecia uma advogada falando sobre como ela estava certa.

- Eu digo o que eu quiser dizer, a história é minha, certo? — Meu sorriso não foi dos maiores, mas para história antes de dormir, aquela já estava ficando longa. Era apenas mais uma história dos Caçadores que me contavam quando eu era pequena.

Já se passava das nove horas, o horário para as crianças dormirem na casa dos Marvins nunca passava das nove. Millene, Julieta, Ronald, Christina, Sedrik e Derek tinham respectivamente três, cinco, nove, doze, dezoito e dezenove anos. No começo eu vinha ser babá de Ronald e Tina, um dos garotos mais bagunceiros que já cuidei, e uma das garotas mais fúteis que conheci. Na época eu tinha doze, ele tinha três, ela seis. Com o tempo passei a cuidar de Julieta e Millene também. Julie sempre foi um doce de criança sempre pronta para discutir com qualquer um e Millene está sendo uma bebê bem quietinha, pouco são as vezes que escuto sua voz.

Sedrik e Derek já eram próximos demais da minha idade, então dias depois de começar meu 'trabalho' eu desisti de colocar ordem na bagunça deles. Agora é mais tranquilo ficar perto dos seis. Pois cuidar de verdade só cuido das duas mais novas. Conheço-os há seis anos, mais ou menos a época que mudei para cá. Minha mãe virou amiga da Sra Marvins quando faziam academia antigamente, antes de se mudar para Dunas. Mas como morávamos fora, só vim a conhecê-los há alguns anos.

- Certo — Disse Julie olhando para baixo, como se tivesse levado uma bronca. Me levantei da grama e segurei a lanterna. A casa dos Marvins era só alguns metros da onde eu contava minhas histórias para as crianças. Segurei a mão de Ronald para o menino levantar e depois peguei Mill no colo.

Os dois tinham incríveis olhos azuis e lindos cachos dourados, oposto dos dois irmãos mais velhos. Sedrik tinha aquele ar de malandro, que a qualquer momento vai dar em cima de você, seus olhos verdes faziam um contraste com seus lisos cabelos castanhos. Derek parecia um badboy, normalmente com jaqueta preta de couro e jeans escuro, apesar de ter um cabelo curto, estilo militar, seus cabelos e seus olhos tinham a mesma cor do irmão. Ambos eram altos e fortes, a diferença de idade dos dois era invisível quando os colocava lado a lado. Tina e Julie têm lisos cabelos loiros e olhos verdes. Todos os irmãos Marvins são uma mistura bem radicalizada dos pais.

Esperei-os levantar. Sedrik empurrava pelas costas Christina no caminho até a casa. Mais atrás, seguido de perto, estava Ronald chutando pedrinhas e ao meu lado levando Julie no colo, estava Derek. Mill estava mexendo nos meus cabelos negros e fazendo com que suas pontas lisas ficarem encaracoladas.

- Por que você nunca termina a história? — Perguntou Julieta. — Por que sempre que dão exatas nove horas você levanta e todos te seguem para a casa?

- Deve ser por que nossos pais só chegam as dez, e você não devia reclamar, Jujuba. Era para estarem dormindo às oito e meia. Liz age errado quando põem vocês mais tarde na cama. — Derek deu uma parada e ajeitou Julie no colo, olhou para mim e seu sorriso surgiu rapidamente ao notar que Mill já dormindo no meu colo. Seu sorriso também sumiu mais rápido ainda.

- Não termino as histórias por que elas não têm fim. Falando nisso, vou deixar você escolher a história de quarta-feira. Qualquer coisa que quiser que eu conte, é só você me pedir. — Dei um sorriso cansado e pisquei.

- Tudo bem! — A menina sorriu e ficou com um olhar brilhante em minha direção. — Sobre amor.

- Óbvio... — Resmungou Derek.

- Mas, eu quero uma decente! — Disse a menina de cinco anos. — Não pode ser amor de amigos, nem o tipo de amor que ele tem por aí. — Julie apontou para o irmão que a segurava.

- Por favor, me diga que nunca viu o amor que faço por aí — Os músculos de Derek pareciam mais tensos ao dizer isso.

Ela deu de ombros — Se isso faz você se sentir melhor.
Soltei um riso fraco e entrei na casa atrás de Ronald. Subi as escadas coloquei Mill no sua cama, dei um beijo em sua testa e andei até a porta. — Por favor, não faz isso. — Sussurrou ela.

- Não sei sobre o que está dizendo, princesa. — Andei até perto da cama, surpresa ao ouvi-la falando. Era tão raro que sempre que Mill falava comigo eu me sentia especial.

- Não vá embora...

- Eu tenho que dormir em casa. — Suspirei cansada. — Amanhã já tenho aula na minha nova faculdade.

- Não vá para outra cidade, você ama aqui... — Ela se virou para a parede.

- Sinceramente, não faço ideia do que está falando, Mill. A faculdade é aqui perto. — Sai do quarto e me deparei com Derek, ainda segurando Julieta.

Ela bocejou e abriu os braços para mim. Segurei-a no colo e ela abraçou meu pescoço. Andei com ela até o final do corredor, onde erra seu quarto e abri a porta. Cuscuz, o cachorro da família, estava deitado em cima da cama de Julie. Empurrei-o cuidadosamente para o canto e a coloquei na cama. A garota puxou o cão para mais perto, olhou para mim na espera de algo. Depois que dei um beijo em sua testa, ela e dormiu abraçando o Cuscuz.

- Ronald e Tina também querem o beijo de boa noite. — Derek estava encostado na porta aberta do quarto de Julieta.

Fiz um sinal de silêncio e saímos do quarto. — Você tem que parar de falar quando as meninas estão dormindo! — Murmurei indo até o quarto de Tina, que era a próxima porta a direita. Eu já estou aqui há muito tempo, que tanto eu quanto as crianças já nos acostumamos uns com os outros.

Ela estava sentada fazendo a cutícula. Christina deve ter reparado que eu ia fazer um sermão sobre hora de dormir ser hora de dormir, pois quando entrei no quarto ela tirou tudo da cama e deitou. Olhou para mim e murmurou um "foi mal" usual dela. — Boa noite, até amanhã na hora do treino das líderes. — Beijei sua testa.

- Vai mesmo me levar?

- Esta de brincadeira? Todos os dias do ano passado em que vim aqui você me dizia o quanto o sexto ano ia ser legal, pois finalmente você poderia se inscrever para o time. — Sorri e segurei a maçaneta na porta.

- Que bom que você se lembra. — Ela falou baixo, mas consegui entender. — Minha mãe nunca lembra...

Ao sair fechei a porta e fui para o próximo quarto, o de Ronald. Quando cheguei lá pude ouvir um pouco da conversa entre ele e Derek. — Não vai mesmo fazer nada quanto a isso? — Perguntou Ronald.

- Não é da sua conta. — Derek se pôs de pé quando eu entrei e saiu do quarto, o qual estava bem bagunçado.

- Honestamente Ron, se você deixar seu quarto assim toda noite, não vou mais receber o meu salário... — Coloquei a mão na testa como se isso pudesse me matar.

- Arrumo amanhã antes da escola. — Ele disse chutando os jogos para o canto do quarto e indo pra cama. — Você vai ao meu jogo amanhã?

- Se você não se importar em me ver estudando na arquibancada, tudo bem. — Sorri e beijei sua testa. — Vou para lá depois de deixar sua irmã no treino das líderes.

- Vai dar tempo? — Sua voz não estava nada cansada. Porém, pelo menos hoje ele não criticou ir dormir essa hora.

- Claro! — Caminhei até a porta. — Antes disso ainda terei que buscar Mill da creche e depois do seu jogo você vai comigo buscar a Julieta na escola?

- Ah, claro que não! Tenho minha vida! — Ele resmungou. — Vou com os garotos fazer alguma coisa.

- Vai me avisar onde estiver. — Não foi uma pergunta.

Desci as escadas até dar de cara com Sedrik que sorriu e levantou duas cervejas. — Quer beber com a gente, Liz? O jogo já vai começar. — Olhando para a sala, ele gritou — Quais são os times mesmo?

- Não, valeu S. — Me esquivei com dificuldade e fui até a porta, de repente me lembrando de que não peguei minha mochila.

- Para qual faculdade amanhã? — Perguntou Derek do sofá, sem olhar em minha direção. E antes deu perguntar como ele sabia que eu ia começar a faculdade, ele disse — Ouvi você e a Millene.

- ACWane, por que?

- É perto da sua casa, Liz? — Sedrik aumentou o volume da TV e Derek bateu em sua cabeça pegando o controle de volta.

- Idiota, ACWane não é perto de nada além de outras faculdades. — Derek olhou na minha direção — Quer carona para lá? Não preciso mais levar o Sedrik para o Hillsor, já que recebeu a moto do nosso pai mês passado, mas como eu vou para o Rikte LC, é caminho...

- Não, valeu D. — Sorri e peguei minha mochila no sofá ao lado dele. — Como vou ter que cuidar das meninas e do Ronald à tarde, é melhor que eu pegue o carro da Ash.

- Sua tia não liga por pegar o carro dela? — Perguntou Sedrik. — Minha mãe não suporta, foi por isso que me deu a moto.

- Nem toda família é podre de rica, S. — Fui para a porta com ele ao meu lado.

- Mas a sua é algo próximo a isso também. – Derek deu de ombros e abaixou o volume, lembrando que tem irmãos mais novos dormindo.

- Liz... — Sedrik me segurou pelo cotovelo e me virou. Ele sorriu com a boca bem próxima da minha. — Eu não mereço um beijinho de boa noite também? — Segurei seu queixo e fiquei na ponta do pé, rapidamente beijei sua testa como fiz com as outras crianças.

- Boa noite.

Demorei mais de uma hora para chegar a casa. A sorte de sair antes das dez é que ainda tem uma ou outra pessoa nas ruas que passo. A casa dos Marvins era o oposto da minha. Enquanto eles têm uma mansão, ou algo do gênero, perto das árvores e parques eu moro em uma casa grande de frente para a praia com apenas quatro quartos. É confortável e espaçosa, menor do que a metade de cômodos da casa dos Marvins, mas não vejo problema nisso. Atualmente, não tem mais utilidade os outros quartos.

Entrei pela janela do meu quarto, para não acordar minha tia. Foi fácil, só precisei subir na árvore aqui perto e me projetar para a janela. Faço isso desde quando dormi nessa casa pela primeira vez. Já me acostumei.

Há mais de dez gerações da minha família, só nasceram filhos homens. Eu sou a única que o livro consagrado dos Jafs encontrou sendo garota. É obvio que mesmo meus pais não dizendo, sou uma decepção, mas também uma curiosidade para todos.

Aos três anos de idade me fizeram passar por muitos testes sanguíneos e ósseos. Todos dolorosos. Até duvidaram da lealdade de minha mãe, pois em uma casa só de homens a gerações, ao nascer uma garota, uma dúvida surge. Mas, no final, todos admitiram que eu sou uma menina nascida dos Jafs. A primeira e, possivelmente, a última.

O nome em que minha mãe estava pensando para mim era Eduart. Mesmo não sendo o esperado, minha mãe gostava do som do nome e me deu um parecido, Elizabeth. Desde o momento em que tive idade para estudar nunca fui à escola. Há alguns anos minha mãe conseguiu convencer meu pai que eu tinha que ir estudar de verdade. Porém, meu pai tem vergonha de mim e decidiu que se fosse para estudar em algum lugar fora de casa, teria que ser uma escola que não o conhecessem.

Não conhecer meu pai é um pouco complicado, no seu tempo livre ele cuida de uma grande impressa chamada Jafs's e na maior parte do seu tempo ele é um Caçador. Minha família é antiga, mas nunca entendi a função dos caçadores. Eu sei apenas que todos, com a idade acima de treze anos, é um.

Morava na mansão Dunas desde que me conheço como gente. Sair do nada para ir estudar fora, foi um pouco incomum. Para me ajudar na minha adaptação, vim morar com o único sobrinho do meu pai que mora fora da cidade. Sebastian mora aqui na Califórnia, e tinha por volta vinte oito anos quando cheguei. É provável que seja um caçador também.

Pela idade de Sebastian era visível que ele não seria da minha escola, e no começo não me conformei que iria dividir a casa com ele. Minha mãe pediu para eu não me preocupar, pois o que eu não entendesse, Sebastian iria me explicar. Quando cheguei aqui há seis anos, tinha mais dois homens. Caçadores, como o resto de minha família. Um dia, todos saíram para uma missão, e faz quatro anos que não vejo nenhum dos três. A noiva de Sebastian mora aqui, a qual virou uma tia pra mim. Todos acham que ela realmente é minha tia. Sebastian manda para ela mensagens e ligações toda noite. Pelo que tudo indica, ela não sabe nem da minha vida nem da dele. Acha que ele está a trabalho ou algo assim. O que transformou viver na Califórnia bem mais fácil e prática do que na loucura da mansão Dunas.

Ouvi a minha gatinha ronronando e peguei-a no colo. — Desculpa esse cheiro Nyx, estive com o cachorro da outra casa. Vamos dormir? — Sem esperar resposta a coloquei em cima da cama, troquei de roupa e fui dormir.

Notas finais
Eai? Gostaram? Estou esperando nos comentários!