Era uma vez... de novo.
21 O dia que passei de Doroteia para Doromouse
Notas iniciais
( Hora de gravar, hora de gravar, lá, lá,lá. Ei, cadê as almofadas? Ei, o trato era deixar elas aqui! Por favoooooor! Maldita, vai se ferrar, então. Espera.)
Me desculpem por esses 20 segundos de barulhos indecifráveis ao fundo. Isso era eu tentando pegar uma almofada no topo do armário enquanto Rachel tentava puxar meu short do pijama para baixo. Levou chute e agora tá agonizando de forma dramática na cama. Diga oi, Rachel!
Sim, esse barulho abafado que ouviram foi ela gritando um “Vá se ferrar, Dorotéia!” .
Ela é realmente encantadora.
Pelo menos entendeu o motivo de minhas risadas histéricas no GTA, não é? Viram, ela está rindo de novo.
Enfim, peguei uma das almofadas mais legais: a do quati. Sei lá, esses bichos tem uma cara de retardado tão grande que chega a ser engraçado.
Para os que estão se perguntando o porquê de termos tantas almofadas: eu e a loira fazemos coleção de almofadas engraçadas. É meio que um Hobbie para quem, mesmo sendo personagem de contos-de-fada, tem grandes momentos de tédio na vida.
É a vida, meus amigos.
Vamos para a história, produção? Ok.
Cara, eu acordei de bom humor hoje. Que milagre.
HISTÓRIA, DOROTÉIA. FOCO, HISTÓRIA, QUATI, HISTÓRIA, FOCO.
Ok, foquei.
Por onde começo?
Ah, lembrei de como combinei com Rachel.
Ok,vamos tentar.
SEIS MESES DEPOIS.
Faziam mais ou menos seis meses que estávamos na Cidade do Halloween, e nossa situação era a seguinte: tínhamos aula com Jack das 5 da manhã até as 10 da manhã. Parece cedo , mas como não dava para diferenciar o dia da noite, não era tão cansativo. Mas não posso negar que haviam dias que eu e Rachel praticamente nos arrastávamos de nossas camas e íamos para a aula. Ainda nos arrastando. Outra coisa, alguns monstros ainda eram contra nossa estadia, mas Jack e Sally faziam de tudo para convencê-los de que éramos legais. Terceiro, eu havia mudado de roupa de novo. Agora para umap arecida com a de Rachel, bem moderna. Era tão quentinha e confortável que eu até dormia com ela. Enfim. E por fim, quarto, como tínhamos o dia todo livre depois das aulas, o tédio aparecia. Aí começavamos a fazer coisas qualquer.
– Ok, minha vez. Pisar num formigueiro descalço ou se obrigado a andar e agir como um pombo por 2 anos sem descanso? — Perguntei, minha cabeça pendia de cabeça para baixo na cama.
– Hm... a primeira opção. — Disse a loira, que tentava se concentrar em um livro do qual logo desviou os olhos. — Minha vez. Beber leite estragado direto da vaca ou enterrar seu pé sem querer em fezes de rinoceronte?
Pensei.
– A primeira, também.
Sabe aquele filme Irmão Urso? Então, tem aquela cena dos alces montados num elefante brincando de No que Estou Pensando, o problema era que a resposta era sempre "árvore". Eu e Rachel naquele momento éramos aqueles alces.
Mas tivemos dias divertidos também. Certo dia, Rachel e eu estávamos no total silêncio em nosso quarto, amabs lendo um livro. Eu contemplava o livro que haviam retratos — no caso, desenhos — de cada Personagem de contos de fada existente. O primeiro retrato do livro era o de Mary Margaret, fiquei impressionada com o quanto ela era diferente. Principalmente os cabelos, eram gigantes. Depois vinha David, Regina, Cora, Henry — no caso, o pai de Regina — o homem que era o Caçador — fiquei babando nesse aí, pois ele era lindo — um bebê chamado Emma, Aurora, Filipe, Malévola — nesse momento, percebi que todos os desenhos foram feitos com uma tinta marrom escura que parecia que havia saído de uma caneta de pena, em um papel amarelado. Continuando: vi muitos personagens como Bela, Sr.Gold, Mulan, Peter Pan, alguma mulher loira com uma trança lateral, Ruby, Granny, Robin, Peter Pan.. até que cheguei em Killian. A imagem dele me lembrava de quando eu fazia parte do bando dele, ele tinha uma expressão determinada e um sorriso debochado. Uma pitada de tristeza bateu em meu peito, eu estava com saudades do homem que era praticamente o pai que nunca tive. Mas a tristeza durou alguns minutos somente, porque me recompus, sabendo que eu iria reencontrá-lo, mesmo que não fosse em breve. Passei a página, me deparando com uma mulher de cabelos castanhos. Na outra folha, um homém barbudo e loiro. Ambos possuíam uma coroa na cabeça. Me surpreendi quando mudei de página novamente, me deparando com a face de Rachel, sorridente. Ela parecia feliz, e usava um penteado igual ao da mãe. Embaixo de sua imagem, estava escrito Rapunzel. Sorri. Passei de página, e tive visão de um garoto mais ou menos Da idade de Rachel — mentira, devia ter uns dois anos a mais, que ostentava um sorriso travesso. Ele possuía cabelo castanho bagunçado, e seja lá quem pintara aquela imagem teve algum problema com a edecução do nariz. Dei um sorrisinho bobo para a imagem, o garoto era bonito. Li a legenda: Flynn Rider.
Ah, papai.
Balancei a cabeça e passei de página. Ariel, Eric, Netuno...enfim, mais persinagens com os quais eu nunca havia falado. Após a imagem de Ursula, levei um belo susto ao me deparar comigo mesma. A realidade daquele desenho era tão incrível que fiquei muito impressionada ( me pergunto se os outros personagens que viram esse livro não ficaram assim também ): o formato de meu rosto estava exato, meu cabelo caía com os mesmos cachos, minhas sobrancelhas grossas e bem definidas ( das quais Tia Em sempre reclamou ), meu sorriso tão determinado quanto o de Killian. Sorri ao ver Espantalho, com seus cabelos bagunçados, Homem de Lata, com suas feições duras como pedra e interior similar a geléia, Leão, com suas feições e jeito de criança, abri meu sorriso ao ver Glinda, com sua beleza estonteante e mais ainda ao ver Oz, com sua cartola e sorriso debochado. Eu amava todos eles e tinha lembranças ótimas da minha estadia em Oz. Porém, meu sorriso se desfez quando vi Zelena, a Bruxa Má. Tanto tempo faz desde que a derrotei com um balde d'água, e mesmo assim ela ainda me causava um arrepio, um sentimento ruim e náuseas. Afastei esse sentimento ao mesmo tempo que virei a página. Acho Que a partir daí, a maioria eram personagens que eu não conhecia. Quando acabeide ver o livro, voltei à página de Rachel.
– Ei, Loira. — Ela olhou para mim commuma cara de "que foi, diabo?". — Vem ver isso aqui.
Ela se levantou e se sentou ao meu lado. Quando encarou o livro, seus olhos se arregalaram.
– Meu deus, está igualzinho... — Ela diz, passando os dedos no desenho. — Espera...
Ela passou a página.
– Ah, Flynn! Ele me ajudou a sair da torre. — Ela disse, olhando para mim com um sorriso.,
– É, Rachel, eu vi o filme. — Eu disse.
– É, mas no filme eu saí da torre logo que o conheci. Passamos muitas noites...
– Noites? — interrompi ela, levantando uma sobrancelha com um sorriso maldoso.
–...PLANEJANDO A MINHA FUGA. — Ela continuou, me encarando e aumentando o tom de voz. — Por Deus, Dorotéia! — Ela empurrou meu ombro. Nesse momento eu já estava morrendo de rir. — Por que, se interessou? — Ela me olhou, levantando uma sobrancelha e dando um sorriso, do mesmo jeito que eu fiz.
– Por Deus, Rachel! — Eu disse, imitando-a. Na verdade, eu havia dito por impulso mesmo, só quando percebi que havia imitado a garota involuntariamente que comecei a rir novamente.
– Por que, ele é bonitinho mesmo! — Ela disse, rindo e olhando para mim. Eu não pude responder porque não conseguia parar de rir. Por fim, assenti. Ele era bonitinho mesmo.
Mesmo assim, não paramos de rir.
Alguns segundos depois, ouvimos duas batidas na porta. Fizemos força para segurar o riso e Rachel conseguiu gritar um
"Entra!". Era Jack. Ele teve que se abaixar para entrar, e quando se viu dentro da casinha, olhou para nós, parecendo assustado.
– Está tudo bem? Dava para ouvir vocês lá do meu escritório.
Eu e a loira nos entreolhamos e, surpreendentemente, ao mesmo tempo, gritamos:
Ela está apaixonada! — Nossas mãos foram parar em cima da cabeça da outra, apontando.
Jack, aparentemente, se assustou e apenas saiu do quarto provavelmente sem entender nada.
UM ANO DEPOIS
Aquilo estava, ao mesmo tempo, muito legal e o maior tédio. Era legal nas aulas, principalmente quando Jack ensinou Rachel a “aparatar” por aí ( no caso, “aparatar” é quando alguém está num lugar, e de repente desaparece, e aparece em qualquer lugar fisicamente possível que ela quiser ) e me ensinou a viajar por meio de sombras. Para o meu eu de um ano atrás, magia de sombras se resumia a controlá-las, mas tem muitas possibilidades inexploradas nessa área. Teve um dia que Rachel estava lendo um livro enquanto eu tentava dormir. Como estava 'de noite” e tudo era sombra, eu tinha muita coisa para fazer ali. O legal é que eu na verdade só queria dormir, porém, viajei na maionese por uns dois segundos e do nada “mergulhei” em minha cama. Sim, eu simplesmente afundei na cama ao melhor estilo Kitty Pride e apareci no chão ao lado da cama da menina.
Jack teve que parar o que estava fazendo para vir até nós, preocupado, devido ao grito que Rachel deu.
E eu, obviamente, não parava de rir.
Também teve o aniversário de 14 da loira. Jack finalmente nos deixou comer comida de verdade, no caso um bolo de chocolate meio-amargo, o que deixou nós duas estupidamente felizes.
O problema é que quando você se acostuma a comer apenas os nutrientes que seu corpo precisa, no meu caso, em forma de açaí, comer algo que é praticamente feito de açúcar não faz exatamente bem, principalmente quando o bolo que era para ser divido para oito foi cortado na metade, cada lado foi para o estömago de uma.
Pena que eles não ficaram dentro de nós por muito tempo. Começou com uma dorzinha semelhante a uma cólica, vinte minutos depois eu estava vomitando em um vaso decorativo de Jack ( sabe-se lá onde Rachel estava ).
( Sério! Meu Deus, Rachel! )
Ela acabou de dizer que estava vomitando no jardim.
No dia seguinte eu brinquei com Zero lá.
Eca.
Mas, no final, eu dei um conjuntinho preto ( feito de sombras, obviamente ), que constituia numa blusinha preta com algumas rendas, uma saia de couro e uma gargantilha. No começo ela me bateu pois de acordo com ela não iria vestir algo tão justo, mas quando obriguei ela a vestir ela adorou.
Doroteia um, Rachel zero.
Sally deu um cordãozinho fofo para substituir o medalhão de Jack, e o esqueleto encantou um esqueleto de gato para que o mesmo obedecesse a Rachel, mas ele se perdeu no além no dia seguinte, coitado..
Aí teve o meu aniversário de 14.
Foi quase a mesma coisa. Jack fez um presentinho ( agora foi mais cauteloso, uma torta de limão que provavelmente não ia nos fazer vomitar ), houve uma celebração pequeninha lá na casa dele, eu escorreguei numa sombra, tudo normal e feliz.
Rachel resolveu me irritar e me deu, a principio, um sutiã preto e branco. Dizia ela que o branco do sutiã era uma grande conquista e que eu deveria agradecer e me lembrar disso quando usar. Quando desdobrei o sutiã, caiu uma correntinha de ancora de lá. Aí sim eu fiquei feliz.
Sally costurou uma pelúcia de Zero para mim, enquanto Jack encantou meu medalhão para que ele ficasse na forma de um coração com rendas.
Aí no final do dia eu escorreguei e caí em uma sombra de novo. Fui parar lá no cemitério onde há aquele morro que se “desenrola”. Zero estava lá, e como eu estava morrendo de preguiça de voltar, me sentei no topo da colina e fiquei brincando com ele.
Alguns dias depois, ocorreu a experiencia mais traumática da minha vida.
Eu e Rachel estávamos em uma das aulas com Jack, e enquanto eu tentava formar um rato de sombras ( algo que não estava dando certo de jeito nenhum ), o esqueleto tentava ensinar alguma coisa para Rachel.
E aí do nada, eu virei um rato.
De acordo com a loira, um rato vermelho.
Me lembro claramente de pés gigantes que queriam me matar, vindo até mim com más intenções que todo sapato tem, fazendo o barulho de um terremoto. Obviamente, saí correndo, mas quando entrei no jardim, um dinossauro de nariz vermelho me perseguiu, por isso, fugi para o cemitério de lápides gigantes. Desesperada, tentei encontrar algum jeito de voltar ao normal, quando ouvi um barulho. Era como o barulho de risadinhas, só que bem mais alto.
E aí, tudo ficou preto.
Quando acordei, parecia que eu estava num avião caindo. Ainda sendo a Doromouse, eu estava provavelmente em um saco, sendo carregada por mãos não muito delicadas. Quando eu finalmente vi alguma coisa que não fosse as paredes do saco, fui jogada em um tubo de metal.
Não sei se ratos gritam, ou qual o barulho que eles fazem quando gritam, só sei que eu berrei muito.
Senti alguma coisa estranha, e na hora tive certeza que estava voltando ao normal.
O tubo felizmente acabou antes que eu ficasse entalada lá.
Mas é claro que me sofrimento não acabou, né?
Acho que devem saber que eu odeio, ODEIO mesmo, insetos.
Bom, se não sabiam, agora sabem.
Quando o tubo acabou, eu caí em algo parecido com uma grande tábua de madeira, que se tornou uma mesa de madeira quando voltei ao normal ( de roupas, felizmente ).
As luzes antes acesas se apagaram e algumas luzes vermelhas piscaram.
Quando olhei para o lado, me vi em algo que lembrava muito um cassino.
Aí eu entendi.
Sério, deu vontade de rir do quão ferrada eu estava.
Uma música começou a tocar, e eu ouvi uma voz grave.
Muito bem, não posso acreditar. — Olhei ao redor, não havia ninguém. — Tenho o privilégio de com uma das Princesas da Abóbora estar.
Quase perguntei se era preciso rimar.
Rimei de novo, legal.
Na hora eu franzi as sobrancelhas, me perguntando de onde o termo “Princesa da Abóbora” vinha.
Olhei para cima, vendo um caixão que tinha uma caveira mexicana entalhada. As portas se abriram, com fumaça, e pude ver a silhueta de alguém.
E aí ele saiu de lá. Fiquei cara a cara com ninguém menos que Ooogie Boogie, que sorria marotamente para mim.
Está brincando! A das sombras? — Ele disse de forma cantada. — Está brincando! É vocë mesmo?
Nessa última frase, ele colocou sua face – se é que aqui pode ser chamado de face – bem próxima da minha, e pude ver bichinhos em sua boca. Bichinhos que caíram em mim.
Berrei o mais alto que pude: minhas mãos estavam atadas junto com meus pés, não havia nada que eu pudesse fazer ali.
Mostre-me um truque, não vai fazer mal nenhum! — Ele disse. — Melhor, vou mostrar o meu truque primeiro!
Dito isso, ele tirou dois dados de sabe se lá onde, e jogou os do meu lado.
Não me lembro dos números que deram, só sei que ele ficou feliz. Me pegou pela cintura e começou a “dançar” comigo, enquanto eu não parava de berrar. Ele pegou um gancho do além e me prendeu nele, enquanto me encarava e algo parecido com baratas saía dos olhos dele ( mais um motivo para eu não parar de gritar ).
O chão abaixo de mim se abriu numa grande piscina de algo parecido com fogo, ou uma sopa. Eu tinha certeza que ia virar comida de bicho papão, por isso, lágrimas começaram a descer pelo meu rosto ( na verdade, desceram por causa dos insetos que caíam na sopa, em mim, tudo dos orificios faciais do monstro). O gancho começou a descer, enquanto eu me debatia, quando ele parou e as luzes se acenderam.
Oogie Boogie, você deve ensinar a suas crianças a não sequestrarem qualquer uma de minhas discípulas.
Quando o esverdeado se virou, Jack estava logo atrás dele com um sorriso maroto. Oogie Boogie tentou atacá-lo, mas ele desviou ( não sei como ) e eles começaram a fazer quase que uma luta sincronizada, onde o monstro ativava um de seus “joguinhos de cassino mortais” e Jack se desviava de tudo. Olhei para cima, e vi Rachel descendo uma escada que saía de um buraco na parede. Fiquei em silëncio para não levantar suspeitas, e quando ela estava prestes a alcançar a alavanca para fechar o buraco, o monstro se virou para ela.
Ela arregalou os olhos e tentou subir de novo, mas o monstro fez alguma magia que fez com que os bichos de metal com armas começassem a atirar nela. Ela se desesperou e fez um movimento com a mão, provavelmente tentando fazer alguma magia, que falhou. Olhou para os lados e desapareceu. Quando percebi, ela estava do lado das máquinas, procurando algo que pudessem desligá-las enquanto Jack destraía Oogie Boogie. Finalmente, ela apertou algo que cessou fogo. Desapareceu, voltando para a escada e alcançando a alavanca para fechar o chão abaixo de mim. Suspirei em alívio, prendendo a respiração novamente ao ver que o monstrengo conseguira pegar Jack pelo pescoço. Por sorte, eles estavam próximos aos “bichos” de metal com armas e Rachel conseguiu fazer com que, através da magia de levitação, batesse na cabeça do esverdeado e o atordoasse. Jack, num movimento rápido, pegou uma linha solta que costurava o monstro e o descosturou completamente, que nem fez no filme.
Após isso, ele me soltou do gancho e pegou a eu-traumatizada-sem-reação no colo, naquele estilo “noiva” e me levou para casa junto com Rachel. Dormi no momento que fui colocada na cama.
Agora Rachel vai contar a visão dela disso, e o resto do tempo que passamos na Cidade do Halloween.
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