Era uma vez... de novo.
4 Ganho uma nova cicatriz para a coleção.
Notas iniciais
( Me dá o microfone logo. )
Me desculpem por isso, é que a loira é lenta demais para passar o microfone.
Onde paramos? Ah, quando Rachel ficou amiguinha do único ser de nossa idade naquele navio: Henry. E sim, fiquei amiga de Regina. Eu e ela temos personalidades parecidas, e ela é bem gente-boa para uma rainha Má.
Acordei de mau humor. Talvez porque primeiro: eu estava em um barco, e isso me enjoava. Segundo: Rachel e Henry ficavam tentando me convencer de que tudo aquilo era real, e acreditem em mim, fiquei à dois passos de dar um soco em cada um. Terceiro: levei uma travesseirada na cara antes de acordar. Muito obrigada, Rachel. Só saiba que vai ter volta.
– Acorde, Bela Adormecida. – Rachel disse, sem nem ligar para o fato de que eu estava atirando facas nela, mentalmente. – Espera, de acordo com o livro você é Dorothy, que confusão. – Ela murmurou para si mesma, o que não me impediu de ouvir.
– Para com essa baboseira. – Murmurei, irritada, coçando a cabeça que doía como o inferno.
– Caramba, você já entrou num navio invisível, foi paralisada contra sua vontade por meio de magia, conheceu uma mulher que faz magia e ainda não consegue acreditar? – Ela perguntou, indignada. – Sinceramente, isso aí não é bom-senso, é ser retardada.
– Já ouviu falar de esquizofrenia? Eu posso nem estar falando com você neste momento. – Respondi, tentando fazer que minhas pálpebras não caíssem e eu acabasse voltando a dormir.
Rachel me deu um tapa bem forte no ouvido.
– Ai! – Gritei, lhe lançando um olhar indignado.
– Por que é tão difícil acreditar? – Choramingou, impaciente.
Dei de ombros. Estava tudo tão óbvio.
– Sério? Depois de doze anos vividos normalmente, você vai começar a acreditar em tudo à sua frente? Isso foi inesperado demais! – Insisti, me levantando, procurando a roupa – Lê-se uniforme sem graça – que eu estava usando antes. Não estava lá.
– Por favor! Tente acreditar, pelo menos até chegarmos nessa tal Storybrooke! – Ela choramingou novamente. Deus, como isso me irrita.
– Eu não conseguiria, mesmo se quisesse. – Disse, e logo depois avistei alguma coisa dobrada ao pé da minha cama. Aquilo não estava lá antes. Ou estava?
E não era o uniforme.
– Ah! Roupas. Branca deve ter deixado elas aí.- Rachel sorriu, de um jeito que pareceu que ela havia esquecido tudo que havíamos falado antes. Agarrei a roupa, que parecia caber perfeitamente em mim. Não ia perguntar nada, só o olhar que a loirinha me lançou quando expressei confusão já me avisava que se eu tentasse contrariá-la, seria só mais uma dor de cabeça à mais.
Trocamos os pijamas improvisados pelos conjuntos que supostamente Branca deixara ao pé da minha cama e da da loira. O meu era uma uma calça Legging que imitava couro bem justa, uma blusa preta longa de alças grossas, dessas que ficavam coladas no corpo e um cinto para prender na cintura, apenas como acessórios. Seja lá quem escolhera essa roupa, acertou de fato o estilo que eu geralmente uso. Rachel estava usando uma calça Legging exatamente igual a minha, só que a blusa que ela trajava era composta por uma regata de alças finas brancas e apertadas, cobertas por uma camisa bem solta, meio transparente com mangas um pouco bufantes. Parecia que a mesinha de miojo estava indo trabalhar em um escritório, e não posso deixar de admitir que suas roupas estavam até bonitas.
Eu e a loira estávamos prestes a sairmos do quarto quando nos realizamos de que não usávamos sapatos. Demos um olhar geral no quarto, as duas procurando os tênis. Foi quando vimos que, no canto do quarto, haviam dois sapatos que obviamente não eram os nossos. Havia uma bota preta sem salto, e ao lado das mesmas, coturnos vermelhos. Meu instinto natural me fez deduzir que o vermelho era meu.
Dois minutos depois, saímos da cabine. Todos já estavam no barco, fazendo cada um suas coisas. Henry chegou apressado até Rachel, com um sorriso no rosto.
– E então, conseguiu convencer ela? – Ele perguntou, ansioso.
– O que você acha? – A loira respondeu, me apontando com um movimento da cabeça. De fato, eu estava com a cara fechada, braços cruzados e olhando com frieza para os lados.
Henry fez uma expressão de desapontamento.
– Bem, sempre há esperanças. – Ele disse, com a voz um pouco desanimada.
Ignorando-os, andei sem rumo pelo navio. De acordo com o que eu ouvi de Belle, já estávamos nos aproximando de Storybrooke. Tá aí mais um motivo para eu não acreditar: Storybrooke fica em Maine, que, pelo o que eu aprendi em geografia, é bem longe de Los Angeles. Mas do que adianta descutir, não é? Sou a ovelha negra nesse navio.
Fiquei sentada na borda do navio, observando o mar. Depois de uns cinco minutos de paz, senti uma mão em meu ombro. “ Pronto, é hoje que morro afogada. “ Me virei, tendo visão de uma sorridente Regina. ( Até ali, não achei que “sorridente” e “Regina” pudessem estar numa mesma frase, principalmente se ela estiver sorrindo para alguém que conheceu um dia atrás. )
– Henry me disse que está teimando em não acreditar nisso tudo. – Ela disse, se sentando ao meu lado, só que com os pés para fora do navio. – Ele pediu para que eu te desse um empurrãozinho.
Fiz bico, arqueando as sobrancelhas.
– Empurrãozinho? –Perguntei, colocando meus pés para dentro do convés.
– Dê-me sua mão. – Pediu, eu obedeci. Coloquei minhas mãos sobre a dela. Naquele mesmo momento, me vi em um lugar totalmente diferente do navio. Eu corria, corria o máximo que podia mesmo com aqueles saltos vermelhos. Quando prestei atenção, eu estava naquela floresta do meu último flashback, só que num lugar onde haviam muuitos galhos. Uma flecha passou por cima de meu ombro, me fazendo cair por causa do susto. Senti uma enorme ardência na palma de minha mão, e quando olhei, tive visão de um enorme corte que ocupava, diagonalmente, a palma inteira. Gemi de dor, me levantando com dificuldade. Consegui chegar na estrada, tendo visão de uma carruagem, ao longe. Caí sentada no chão de pedras, meu cabelo que antes estava arrumado em duas Maria-chiquinhas agora estava solto com os cachos bagunçados. A carruagem se aproximou, ficando em torno de dois metros de mim. De lá saiu uma mulher bonita com um vestido um pouco exagerado. Espera, aquela era Regina?
– Por favor, não me machuque.. – Choraminguei, de cabeça baixa.
– Meus guardas te viram conversando com uma ladra que venho perseguindo à muito tempo. Se me contar tudo, posso te levar para o meu castelo. – Ela disse, sorrindo.
– Mas.. ela não me contou nada... –Me levantei, com as pernas tremendo.
– Mentirosa! Matem-na. – No momento em que apontaram as flechas para mim, abusei da sorte, batendo três vezes meus pés um no outro. Um clarão cor de rubi saiu dos sapatos, e dois segundos depois todos os guardas estavam inconscientes, menos Regina.
Eu estava de volta no navio. Minha mão ardia, e quando olhei para a palma, vi uma cicatriz exatamente onde eu havia cortado na visão.
– Não.. isso não pode ser real. – Insisti, mas confesso que eu estava bastante assustada.
– Me desculpe por mandar te matar, eu não conhecia você na época. – Regina se desculpou, soltando minhas mãos.
Me levantei, suspirando.
– Não acredito que vou acreditar nisso. – Murmurei. Ao olhar para o lado, avistei Rachel dando uma nota de dez dólares para Henry, que estava sorrindo. Me aproximei deles, indignada. – Vocês me usaram como base para aposta? – Perguntei, cruzando os braços.
Os dois trocaram olhares apreensivos.
– Filha da... – Murmurei, dando um tapa bem forte no ouvido da loira. Ameacei dar um em Henry também, só que eu não conheço ele bem o suficiente para fazer isso.
Rachel começou a rir da minha cara.
Andei, mal humorada, para o lugar onde eu estava sentada, mas antes que eu pudesse de fato me sentar lá, ouvi Hook gritar:
– Bem vindas à Storybrooke, madames!
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