Era uma vez... de novo.
15 Dia quase perfeito... Só que não.
Notas iniciais
Ok, minha vez.
( Não, Dorothy. Já deixei você falar demais)
Olá. Então... Acordei no dia seguinte meio... Hm... Próxima do Henry. Mas já vou explicar por que.
Apenas não riam, ok?
(Isso vale pra você também, Dodô.)
Depois que todos eles dormiram, eu ainda encarava o teto. Foi então que a voz de Henry sussurrou ao meu lado:
– Rachel... Você gosta de mim? Digo, de verdade.
Olhei para ele com uma cara de espanto tão grande que não deu para disfarçar.
– Quê? As brincadeiras da Dorotéia poderiam ter algum sentido.
Por mais que eu não quisesse admitir, eu gostava sim dele.
( Dorotéia, se eu te dei um beliscão tinha um motivo e era para doer. Motivo? Talvez o seu berro de “SABIA”).
– Henry... Ah, que se dane. Sim.
Ele pareceu confuso.
– Espera, sim o q... Ah!- os olhos dele se arregalaram- Sério? Nossa, eu já estava esperando um fora. Então... Bom, eu também gosto de você.
–Eu deveria interpretar isso como uma declaração, um fato ou um pedido de namoro?
Ele pensou por um segundo.
– Acho que... a primeira e a ultima opção.
– Então... Legal. Eu aceito.
Ele deu um sorriso. E para a minha surpresa, se inclinou e me deu um beijo. Em seguida se virou e deitou. Eu fiquei ali, encarando as costas dele, meio chocada. Porquê? Bom, aquele foi meu primeiro beijo, e querendo ou não, passei grande parte da vida numa torre sem ver ninguém.
( Dorotéia, pare de fingir que vai vomitar. Ah, tá bom, vai jogar seu GTA V, some. E sem esse “weeee”.)
Pronto, agora devo ter paz. Desculpem por isso.
( Ah, tudo bem Henry. Pode ir também).
Enfim, vamos pular para o dia seguinte. Acordei e vi Dorotéia adormecida na janela. Henry e o resto do pessoal dormiam. Olhei para mim mesma, e me senti absurdamente suja.
( Ué Henry, já voltou? Ah.)
Só pra deixar claro: ela o expulsou. Na base do tapa. E sim, “ela” é a Dorotéia.
Continuando, abri meu armário e vi todos os meus vestidos antigos ali. Escolhi o mais confortável. Um verde água, já na altura dos tornozelos e mangas longas (estava bem frio). Lentamente, para não acordar certas pessoas que dormiam em lugares inadequados como janelas de torres (foi estranho não ter levado um tapa agora), desci e fui até o rio que passava atrás da torre e tomei um banho e desembolei os cabelos, que estavam mais bonitos que nunca. Aproveitei para fazer uma trança atrás da cabeça, aquela que a Dorothy chama de “trança grega”.
Usei a escada para subir novamente, e Robin já havia levantado. Estava acordando os homens alegres.
– Ei, Rapunzel. Acorde sua amiga, temos que ir. A menos que não queiram comer.
Procurei um jeito divertido de acordar um pássaro pré-histórico ( Henry, o que você acha que um Dodô é? Um peixe?), e localizei um jarro d’agua e alguns copos. Enchi um deles e joguei todo o conteúdo na cara da Dorotéia, que acordou assustada. O que rendeu a mim e ao Henry alguns xingamentos e um tapa na orelha. Não me pergunte o por que do Henry levar um também, a garota é doida.
Eu provavelmente deveria ter apanhado agora. Acho que vou deixar ela jogar sempre durante as minhas gravações.
Enfim, depois de se acalmar ela finalmente reparou em mim.
– Você tá parecendo um Pokémon que evoluiu, querida.- disse ela, com tanto sarcasmo que surpreendeu até a mim. Sim, fiz uma cara confusa, mas não por não ter entendido, como Dorothy mencionou. Só não entendi o porque do comentário É por que quando um Pokémon evolui ele fica com a aparência totalmente diferente e você mudou de roupas e...- ela bufou — Deixa pra lá. Apenas me diga como você conseguiu se limpar.
– Ah, tomei um banho no rio.- antes de eu terminar a frase, ela já estava rindo.
– Sério? Banho no rio? Que coisa mais... primitiva. Prefiro ficar suja.
Bem quando eu ia responder, meu celular tocou. Percebi que Dorotéia correu para atender, coisa que ela nunca fazia. Ela estava aprontando. A questão era o quê.
– Alô?- até a voz dela muda quando está preocupada. Ela parou por um segundo, provavelmente para a outra pessoa falar- Euzinha. Suponho que queira falar com o Henry.- ela deu um sorriso e eu fiquei com medo.
Ela passou o telefone para Henry, e eu prestei atenção na reação dele. Estávamos encrencados? Dorothy tentou sair de fininho, mas usei o cabelo para impedir. Não era um bom sinal.
– O que diabos você fez, Doroteia?- perguntei com o movimento da boca. Ela não pode responder, porque eu quase levei um soco na cara. Henry afastou o telefone do ouvido por causa da gritaria, e eu ouvi claramente a voz da Regina:
– Dormindo agarrado com uma garota, quem você pensa que é?!
Oh-oh.
Meio em pânico, Henry jogou o celular pra mim, e eu joguei para Dorotéia. Ela quem começou, a bomba era dela. Mas ela jogou o aparelho par o Henry de novo, e ele jogou pra mim e eu pra ela. Ficamos por algum tempo brincando de batata quente com o aparelho, até percebermos que Regina havia desligado.
– Dorotéia Gale. – Eu disse, me segurando para não esganá-la. Apesar de ela merecer.
– O que você fez agora?- Henry completou.
Ela foi dando pequenos passinhos para trás, e nós a seguíamos. Claro, eu vi que ela ia bater na quina da penteadeira. É claro que não disse nada.
– Depende.- ela deu um sorriso nervoso.
– Doroteia, fala.- foi quase um rosnado. Começamos a gritar com ela ao mesmo tempo, e ela reagiu.
– OK, CALEM A BOCA! Olhem só: brincadeira infame. De péssima qualidade. Mas...
– Realmente, muito infame.- todos se assustaram com a projeção de Regina, que havia surgido no espelho. O rosto dela Diminuiu para dar espaço a mais dois rostos. Emma e Hook. Emma estava de cara fechada, e Hook, como disse a própria Doroteia, estava muito igual a ela.
– Regina? O que está fazendo no espelho? Emma? Killian?- Dorotéia estava choramingando, como se quisesse tirá-los de dentro do vidro. Puxa- saco.- Me salva desses dois, Capitão! – mas como ela sabe ser manhosa quando precisa!
– Só estou aqui de figurante, Dot.- ele tentou segurar a risada, mas não deu muito certo.
– Dorothy, querida, obrigada por me mandar a foto. Era tudo o que eu precisava... saber.- disse a rainha. Opa, opa! Que foto?
–Eles não são bebês, Regina.- Sussurrou Emma no ouvido da Regina. — Só porque dormiram próximos não quer dizer que estão juntos. Precisava me acordar para tudo isso?
Regina arqueou as sombrancelhas.
–É, acho que tem razão. Vocês podem voltar.- Ela fez um gesto indicando os dois. Foi então que percebi que Emma estava em seu apartamento (ela não morava mais com Mary Margaret, ao que parecia). Até aí tudo bem, não fosse o fato de ela e Hook estarem de pijama. Um pensamento se formou, mas foi Dorotéia quem o verbalizou:
– Espera, vocês estavam juntos?- ela deu um sorriso maldoso e cruzou os braços.
– É... É...- Hook tentou começar.
– Não, é claro que não! Enlouqueceu Dorothy? Sai daqui Hook. Sai!- Emma fez uma péssima atuação e saiu da visão do espelho. Hook desapareceu, e Regina voltou a aumentar na tela.
– Me desculpe, acho que me preocupei demais. Obviamente vocês dois não estão junt...
– Na verdade... — Henry começou, e eu congelei. O que aquele garoto tinha na cabeça?
– O quê?- A Rainha e Dorothy perguntaram ao mesmo tempo.
– Dorothy, porque você não vai... Colher maçãs, fora de... Seja lá onde vocês estejam? Vocês aí no fundo também.
Estou ferrada. Estou ferrada. Isso era só o que me passava pela cabeça quando o ultimo homem alegre saiu.
– Muito bem... vocês estão juntos- Regina visivelmente queria explodir mas estava se controlando- Essa não foi a melhor forma de saber, mas ok. Vocês não são mais bebês- ela massageava as têmporas- eu não posso fazer nada a respeito disso. Mas quero que me prometam uma coisa. Não vão bater na Dorothy.
– Mas Regina, ela...- tentei negociar.
– Não. Sei que ela queria apenas brincar com vocês, apesar do mau gosto.- Quando Henry tentou argumentar, ela acrescentou- Se bater nela, Rapunzel, eu corto seu cabelo. E Henry, eu tiro seu videogame.
Ambos murcharam, mas não tivemos escolha. Passamos algum tempo contando o que havia acontecido, e ela nos liberou. Henry começou a descer pelas escadas, mas eu estava tão impaciente que usei a velha argola para descer pelos cabelos. É bem simples, eu passo o cabelo pela argola e ele desliza até meus pés tocarem o chão. É bem como em Enrolados.
Logo tive a linda visão de Dorotéia plantando bananeira e tentando manter o vestido no lugar, enquanto o mais jovem dos homens alegres, Ian, ria como um louco.
( Por falar em rir como um louco, o quê a Dorotéia está fazendo, que está rindo tanto? Henry, dá uma olhada pra mim.)
Assim que ela nos viu, se endireitou e assumiu postura defensiva, esperando os tapas que não podíamos dar.
( O quê? Só por isso? Não ligo se é um recorde em GTA, está atrapalhando a gravação!)
Só pra esclarecer, de novo: ela está rindo por que explodiu uma pancada de carros e um cara saiu voando. Argh.
– Regina disse para eu não te bater. Por que você não fez nada de errado. Por mais que eu queira desobedecer a essa regra, ela ameaçou cortar meu cabelo. Ele nunca esteve tão bonito, não vou arriscar.- sim, eu estava emburrada.
Henry contou sobre a punição do videogame, e ela sorriu. Ia ter troco.
Robin anunciou que teríamos que ir até uma vila próxima para comer, e depois das reclamações, seguimos em frente.
Dorothy e Ian iam na nossa frente, rindo e conversando, então exclamei:
– BOMBA! Dorothy e Ian nem perceberam que foram flagrados por nossos queridos paparazzi Rachel e Henry! Está rolando ou não? Sexta, no Good Morning Storybrooke!
Ela se virou.
– Há há. Sério, precisa rever sua maneira de vingança.
Assim que ela se virou de novo, tirei uma foto e mandei para Hook (na verdade, para o celular da Emma, mas ele veria de qualquer jeito), com a legenda “Parece que sua tripulante não é assim tão santa, não é mesmo? Mal conhece o garoto e já está toda boba!”. E... Enviar.
Guardei o celular sem que ela percebesse. Isso ia ser bom.
Foi então que a trilha se abriu em uma estrada, e eu o avistei. O patinho fofo! Dei um gritinho e corri em direção à ele. Abri a porta, e tive a mesma visão que na primeira vez: um bando de caras enormes e mal encarados, bebendo e conversando. Todos se viraram pra mim, e eu perguntei ironicamente:
– Tem lugar pra mais uma?- e corri para perto deles.
Imediatamente recebi abraços e cafunés de todos. Foi quando Dorothy abriu a porta com Henry, gritando a pior coisa possível:
– OLÁ CRIANÇAS...- O grito dela morreu na metade ao ver o que estava acontecendo.
Quando todos cravaram os olhos neles, Dorothy sussurrou (de forma beeeem audível):
– Henry, quem são eles? São gigantes e me dão medo.
– Nós te damos medo? Por que nós te damos medo?
Ela ainda tentou escapar, coitada. Ah, coitada nada! Era mais uma vingança.
– E-eu... já estava de saída.
O cara do gancho a segurou, e ela congelou. Que ironia, para quem foi quase criada por alguém com o gancho.
O cara do gancho (nunca soube o nome dele, todos o chamavam assim.) a pendurou num porta-casacos na parede, e segurei a risada. Mas tinha que salvar a pele dela.
Ou quase isso.
– Ela é minha amiga, pessoal. Mas podem deixar ela aí, é bem divertido ver ela assim.
Ela me lançou um olhar mortal, e em seguida ficou emburrada.
Comecei a conversar com meus velhos amigos, e expliquei minha situação.
– Então você precisa voltar para casa?- perguntou o cara de nariz grande (chamam ele assim ou de Narigudo).
– É, mas não sei como. Mas e vocês, como andam? Novos amores? Problemas? Amigos?...Sonhos?- dei um sorriso.
– Sabia que ia perguntar isso. CARA DA SANFONA! – Ele gritou, e o Magrelo começou a tocar.
I'm malicious, mean and scary( Sou mal-intencionado, malvado e assustador )
My sneer could curdle dairy ( Minha zombaria pode coalhar leite )
And violence wise my hands ( Se falarmos de violência )
Are not the cleanest ( Minhas mãos não são as mais limpas )
But despite my evil look( Mas apesar de meu olhar maligno )
And my temper( Do meu temperamento )
And my hook( E do meu gancho )
I've always yearned to be a concert pianist! (Eu sempre quis ser um pianista)
Ele começou a tocar, e por causa do gancho algumas teclas se soltaram. Usei uma frigideira para proteger a cabeça das teclas voadoras.
Tor would like to quit and be a florist ( Tor gostaria de ser um florista)
Gunther does interior design ( Gunther faz design de interiores )
Ulf is into mime ( Ulf gosta de mímica )
Attila's cupcakes are sublime ( Os cupcakes do Attila são maravilhosos )
Bruiser Knits (O Bruiser faz tricô)
Killer sews (Killer costura)
Fang does little puppet show ( O Fang faz teatro de fantoches )
And Vladimir collects ceramic unicorns ( E o Vladimir faz coleção de unicórnios)
Depois desse verso, um enorme silêncio surgiu, e bem nessa hora Dorotéia resolveu falar.
– Por que estão cantando? Eles ensaiaram isso? Me ajude, acho que estou em um filme da Disney.
Meu deus.
– E você? Qual o seu sonho?
– Desculpem pessoal- respondeu Dorotéia- Não tenho sonhos.
Depois diz que gosta da vida. Todas as espadas foram apontadas para ela. Ela congelou e – inacreditável- roubou o texto de Flinn Rider.
– I have dreams like you-- No, really!( Tenho sonhos como vocês, sério! )
Just much less... touchy feely( Apenas menos, sentimental. )
They mainly happen( Se passam em )
Somewhere warm and sunny!( Um lugar quente e ensolarado )
On an Island that I own( Numa ilha que me pretence )
Tanned and rested and alone( Bronzeada, descansada e sozinha )
Surronded by enourmous piles of money( Rodeada por pilhas de dinheiro!)
Hoje o dia não estava muito bom para o pobre pássaro. Eu quase não acreditei no que eles fizeram em seguida.
Bom, primeiro eles a empurraram para perto da cabra vesga que babava.
E depois a colocaram em cima de um barril.
E empurraram o barril. Com ela em cima.
No meio de tochas, gravetos flamejantes e cuspidores de fogo.
É, eu quase morri de tanto rir.
Não sei como, mas consegui cântaro ultimo verso:
Yes way down deep inside i've got a dream! ( Pois no fundo eu tenho um sonho sim! )
Dorotéia bateu na porta e caiu, com a porta se fechando atrás de si, mas ao invés de voltar furiosa, ela não voltou. Comecei a ficar preocupada depois de uns 40 segundos, e Henry também. Me levantei e fui até a porta, com ele atrás de mim.
O que eu vi foi Dorotéia suspensa no ar, de frente a uma senhora de cabelos cheios e já grisalhos, usando um vestido vinho e uma capa. Ela estava com a mão erguida, mantendo Dorothy no ar, sem respirar.
Minha madrasta.
Paralisei. O que ela estava fazendo ali?
– Ora, ora, Rapunzel. Enfim de volta ao lar?- perguntou ela.
– Solte-a. – foi tudo o que eu disse.
– Ah Rapunzel, que bobagem! Ela é uma ameaça para você. Deve morrer.
– Ela não é uma ameaça. É minha amiga, e você não vai machuca-la.
Ela riu. Uma risada sarcástica.
– Ora, e quem vai me impedir? Você é fraca, Rapunzel. E está sozinha.
– Não, ela não é. E não está sozinha- veio a voz de Robin atrás de mim.
Todos os homens alegres tinham suas armas apontadas pra ela.
– Ora, mas que violência! Isso não é realmente necessário...
Um dos homens atirou uma faquinha, que se cravou no braço dela. Com um grito de dor, ela recolheu o braço, soltando Dorothy. Eu e Henry fomos checar se ela estava bem, e estava. Só tossindo e meio fraca.
Fui a única que percebeu que ela tirava algo do bolso. Algo que ela jogou no chão.
Feijão mágico.
O portal se abriu, sugando imediatamente todos os homens alegres. Era nossa chance. A ideia da minha madrasta era despachar os homens alegres e ficar com nós três, mas antes que o portal se fechasse, eu e Henry pulamos, arrastando Dorotéia, Nina e Totó conosco.
A última coisa que eu ouvi foi o grito de raiva vindo da velha senhora.
Abri os olhos, e a primeira coisa que enxerguei foi a torre do relógio.
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