Era uma vez... de novo.
3 Descubro um pouco mais sobre minha vida fantástica
Notas iniciais
Ok. Vou continuar de onde Dorotéia parou (não, já disse que não vou usar o seu apelido). Ao contrário do que ela pensa, ouvi Emma sussurrando, e ela perguntando. Acho que vocês ainda não sabem o que Emma respondeu, né? Bom, Dorotéia teve a intenção de sussurrar pra que ninguém, ou melhor, para que eu não ouvisse, provavelmente pra que eu não fizesse ninguém ficar falando enquanto ela estava tonta e com dor de cabeça (é, eu sei, eu também estava assim. Mas diferentemente de você, eu gosto de saber das coisas em que estou metida, de me manter informada. E não, eu não sou nerd!). Enfim, vi que Emma não queria responder, mas eu insisti.
–- Isso nos envolve, não é?
Ela assentiu (ignorei a cara estranha de surpresa da Dorotéia).
–- Então eu quero saber!
–- Bom... É um pouco complicado. Ei garoto, vá buscar seu livro. — disse Emma pro Henry. Pelo jeito, "garoto" era um apelidinho que ela deu pra ele, sei lá.
–- Achei que nunca fosse pedir mãe! Já volto.
Ele desapareceu pelo convés e voltou um minuto depois, com um livro grande, de capa marrom, escritas em letras douradas as palavras "Once Upon a Time". Era uma vez.
–- Pode parecer estranho, mas tudo nesse livro é real. Eu estou nesse livro. Todos nós estamos. Vocês estão. — disse Regina- mostre a elas, querido.
Henry sentou-se entre nós duas e abriu o livro. À medida que ele ia folheando, Via nas ilustrações os rostos dali. Mary Margaret era Branca de Neve. David, o príncipe. Sr. Gold, Rumpelstiltskin, ou O Senhor das Trevas. Regina, a Rainha má. O cara chamado Neil é o filho do Rumpelstiltskin. Emma aparece só como a filha do príncipe e Branca, ainda bebê. E também vi de relance algo sobre "A Salvadora". Hook não aparecia. E Belle era... Bem, a Belle.
Escutei um bocejo e vi que vinha da Dorotéia. É, ela não gostava muito de ler (fica quieta!) nem quando o livro supostamente fala sobre a vida dela.
De repente Henry fechou o livro.
–- Agora vocês acreditam?- perguntou ele.
–- Bom... Será que dá pra você me emprestar o livro por uns dias? Assim fica mais fácil de... Engolir. E de convencer também. -disse eu, apontando para a Dorotéia, que discutia com Mary Margaret sobre "as mentiras daquele livro", nas palavras dela.
–- Você acreditou? Tipo, fácil assim? — Foi Henry quem perguntou, levantando as sobrancelhas.
–- Bom, depois do navio pirata gigante invisível, eu não duvido de mais nada que vocês me falarem.
Ele riu e colocou o livro nos meus braços. Era mais pesado do que eu imaginava. Me despedi de todos imediatamente e fui para minha cabine. Mal consegui me deitar e ouvi alguém descendo as escadas. Por um momento, pensei que fosse o Henry ou o Hook (doce ilusão), mas é claro que tinha que ser a mal humorada Dorotéia.
–-Eu não acredito na quantidade de mentiras que el... Rachel, não acredito que você vai ler essa porcaria!
É claro que eu não ia contrariar a Dorotéia com ela tão irritada. Acreditem, já tive experiências bem desagradáveis com ela. (eu não estou te “pintando como uma ogra”, você É uma ogra. E cale a boca).
–- Ora, não é que eu acredite nessas besteiras, mas preciso me distrair com algo. E o que é melhor que um livro pra isso? – Mentira. Eu já tinha acreditado sim, sempre fui mais... Hum... Fácil de convencer e mais... Mente aberta, digamos assim, que a Dorotéia. E depois do navio invisível, da paralização da Dorotéia e da visão, porque não poderia ser verdade?
Ela bufou e murmurou algo como “um livro que fale de coisas plausíveis”. Ignorei e ela simplesmente se deitou e apagou.
Com a luz do lampião, continuei lendo. E me encantei. As histórias daquele livro eram diferentes dos contos comuns. Diversas coisas tinham sido mudadas, e bom... Eu nunca tinha lido aquelas versões antes. Branca de Neve caçando e atirando? Chapeuzinho loba? Rainha má boa? Isso tudo era novo... E bem mais interessante.
Foi então que cheguei na parte da minha historia. Era tudo como no meu sonho: as roupas, a fuga... Só que com muito mais detalhes, sobre a floresta e tal.
Li até bem de madrugada, mas compensou. Terminei o livro. No dia seguinte, a primeira coisa que eu fiz foi devolver o livro pro Henry. Ele arregalou os olhos:
–- Já? Eu levei quase um mês!
–-Adoro ler. Ainda mais quando gosto da historia. Me encantei por essas aí.
Ele deu um sorrisinho.
–- então... Já acreditou mesmo que é a Rapunzel?
–- não duvido tanto... Sempre gostei de historias assim. Agora só precisamos dar um jeito de convencer a cabeça-dura ali. – apontei Dorotéia, que saía da cabine agora, com as roupas que alguém havia deixado no pé da cama de cada uma. Era impressionante como elas serviam direitinho. Talvez a magia da Regina tivesse dado uma mãozinha.
–- talvez minha mãe consiga...
–- Emma?
–- não, Regina. Emma é minha mãe biológica, mas Regina é minha mãe adotiva. Rumple é meu avô. Belle é tipo minha vó, mas não é mãe do Neal, meu pai. Mary e David são meus avós. Bom, acho melhor eu desistir de te explicar a arvore genealógica da minha família. Nem eu entendo...
Eu ri com ele. ele me observou por um minuto, e saiu. Fiquei olhando o mar, até que alguém falou comigo.
–- Então, Rachel, não é? Henry me disse que gosta de ler... Parece que temos algo em comum.
Era Belle. Mal tinha ouvido sua voz desde então, ela era muito quieta (motivo para eu ter me esquecido de citá-la na tripulação).
–- Sim. — sorri. – Gosto muito. Um pouco de tudo.
Foi a vez de ela sorrir:
–- Então acho que vai gostar de conhecer minha cabine.
–- Ãh... Acho que não é uma boa ideia deixar a Dorotéia sozinha e... – olhei por cima do ombro e a vi sentada, comendo e conversando animadamente com a Regina – Quer saber? Acho que posso ir.
A segui por alguns minutos quando ela parou em frente a uma porta. Ela a empurrou e meu queixo caiu. A cabine era o dobro da minha, e só tinha uma cama e uma cômoda com um lampião. O resto do quarto era coberto por estantes, e não só as paredes. Havia estantes por literalmente todo o quarto, só com espaços para os corredores.
–- Como... Trouxe tudo isso pra cá?
–- Não trouxe. Rumple simplesmente fez eles surgirem.Fique à vontade!
Ela não precisou repetir. Fui andando pelos corredores, e vi livros sobre tudo: historia, poesia, contos... Tudo sobre a floresta encantada, onde se passavam as histórias do livro do Henry.
–É... Lindo!
Ela sorriu:
–- Leia os que quiser!
Nem preciso dizer que passei quase o resto de dia ali, né?
Fale com o autor