Era uma vez... de novo.

6 Descubro que sou capaz de virar uma tartaruga


Notas iniciais
Oi, oi, oi :3 postando rapidinho aqui, aproveitando que tá de dia e tem mais chances de conseguirmos leitores. Enjoy.

( Como você consegue ser tão lerda para passar o microfone? )

Ah, oi, de novo. Agora não vai ser que nem quando eu gravei pela primeira vez, quando eu contei tudo que havia acontecido no meu ponto de vista: desta vez, só vou ressaltar alguns pontos importantes.

Primeiro: Rachel, de onde você tirou esse apelido?

Parece que veio de uma criança de dois anos. Não me chame mais assim.

Segundo: em minha defesa, eu realmente tenho problema com barcos. Para algumas pessoas, é divertido estar em alto mar, num negócio que fica balançando toda hora, mas pra mim, eu me sinto como se eu estivesse num daqueles navios de Piratas Do Caribe, que quase viram quando há uma tempestade ( e para ficar mais emocionante ainda adicionam a melodia do Davy Jones. Eu juro que ouvi essa musiquinha ecoar em minha mente logo que coloquei o pé naquele navio ).

Terceiro: vamos lá, por que a Chapeuzinho Vermelho ( ou Ruby, sei lá, todos tem mais de um nome nessa cidade... ) é tão... velha? Ok, não é o jeito certo de se falar pois ela deve ter uns 26 anos, mas, enquanto Rachel, a Rapunzel, tem treze, a Chapeuzinho tem 26? Parem de estragar minha infância, não é,pessoal?

Agora vamos ao que interessa.

Me assustei com a quantidade de pessoas que haviam ali, em frente ao palco improvisado na torre do relógio. Para mim, as únicas fábulas que existem são aquelas dos irmãos Grimm, mas parece que eu estava errada. Quantas histórias para dormir existem, exatamente?

Meus devaneios foram interrompidos com o som de alguém batendo em um microfone.

– Quando a maldição foi lançada, todos nós, cidadãos de Storybrooke, estávamos crentes de que todas as fábulas estavam presas na cidade. Essa crença foi se desmoronando, quando, meses atrás, Emma e Snow foram mandadas novamente para nossa terra natal, e descobriram que algumas histórias haviam ficado para trás. Mas três dias atrás descobrimos que haviam outras histórias faltando, e que elas não estavam nem em Storybrooke, nem na Floresta Encantada. – Ele fez uma breve pausa para limpar a garganta. – Com ajuda de magia, conseguimos localizar essas fábulas. – David fez sinal para que eu e Rachel subíssemos no palco. Rachel obedeceu. Eu hesitei.

O engraçado foi que ela só percebeu que eu não havia a acompanhado quando já estava em cima do palco. Acabei passando vergonha depois de soltar uma risada quando vi a cara dela, pois todos os olhares – quando digo todos , não estou exagerando – se viraram para mim. Aí vocês já devem imaginar como eu fiquei naquela hora, não é?

Eu virei uma tartaruga. Minha cabeça se encolheu enquanto meus ombros subiam, e não hesitei em colocar – aquela parte do braço a partir do cotovelo que eu não sei o nome – em frente ao meu rosto. Foi bizarro.

Quando Rachel soltou uma risada, ao invés de os cidadãos olharem de volta para ela, eles riram também.

O que eles têm contra mim?

( Pare de rir ou eu pego esse chocolate aí e não devolvo mais. )

Depois de uma série de gargalhadas, Rachel resolveu tentar me arrastar até o palco, o que obviamente, eu não fiz. Só depois de um pedido educado de Mary Margaret e David – ao mesmo tempo, esses dois são realmente feitos um para o outro — eu resolvi cooperar.

Com nós duas no palco, David voltou a falar.

– Dorothy Gale e Rapunzel. A história da loirinha vocês provavelmente já conhecem, está em todos os livros. – Começou, dando espaço para Rachel estufar o peito em aprovação. – Fala sobre uma garota de longos cabelos que estava aprisionada por uma madrasta do mal. – Ele disse, para total entendimento dos cidadãos. – Por fim, Dorothy Gale faz parte da história O Mágico de Oz, também muito famosa. – Enquanto ele resumia a minha história, percebi algo curioso. Curioso e assustador. Em certo momento, olhei de relance para Rachel e percebi que meu ombro estava um pouquinho mais baixo que o dela ( considerando que estávamos lado-a-lado ). Á primeira vista, achei que era só impressão, mas quando olhei direito, meu ombro realmente estava mais baixo que o dela. Pouco, meio centímetro mais ou menos, mas estava.

Minha sorte foi que ninguém percebeu o olhar assustado que dei para Rachel. A loira, aproveitando que David estava falando, me olhou confusa.

– O que foi? – Ela sussurrou.

– Eu acho que estou mais baixa que você. – Respondi, baixando a cabeça por dois segundos, porém, voltando a olhar para ela em seguinte. A visão que eu tive da loira foi algo como ela tentando segurar uma risada para não chamar atenção. Depois que ela se realizou de que o que eu dissera era verdade, pelo o que eu entendi ela prendeu a respiração, contraiu a boca e ficou tão vermelha quanto meu tênis.

Tentativa falha, obviamente.

A risada de Rachel foi tão alta que até eu me assustei. Não mais que David e os cidadãos. Acho que Mary Margaret quase caiu em Regina com o susto. E o silêncio pairou...

Todos, inclusive eu e exceto Rachel, estávamos de boca aberta.

Rachel conseguiu, em meio aos risos, explicar para todo mundo o que havia acontecido.

Eles riram com ela também, e fui obrigada a virar a tartaruga novamente.

– Acho que quando vocês duas entraram em Storybrooke, considerando que Rapunzel original é mais velha e eventualmente mais alta que a Dorothy original, a altura de vocês mudou. – David explicou, dando pequenas risadinhas.

Foi naquele momento que percebi que Rachel nunca ia parar de me implicar por causa disso. Nunca.

O silêncio pairou novamente, e me vi sendo encarada por todos os cidadão, mais uma vez. Eles me olhavam como se esperassem que eu fizesse alguma coisa, como cantar aquela música Somewhere Over The Rainbow, que a Dorothy do filme antigão canta.

Apenas voltei ao normal, considerando que antes eu estava na minha versão tartaruga.

( Sim, eu vi o filme, Rachel. Quer o chocolate ou não? )

Após David voltar a falar uma breve frase e uma salva de palmas dos cidadãos para nós, finalmente pudemos descer do palco. Tive que aguentar Rachel passar um braço pelos meus ombros e sair andando como se fosse a dona do pedaço. Um dia salvei um gatinho de uma árvore para uma senhora, e acho que ela não estava com nem metade da felicidade da loira.

Para minha felicidade, algo me puxou pelo ombro.

O tal Hook por quem Rachel – e tenho que admitir, eu também, só que menos que a coitada – é apaixonada, foi quem me chamou.

– Posso conversar com você? – Ele perguntou, sério. Concordei com a cabeça e me aproximei, feliz por Rachel ter se afastado. Antes de dizer alguma coisa, vi Mary Margaret

– Você salvou minha vida, valeu. – Agradeci, com um sorriso nervoso. – Te devo uma. – Completei. O homem tinha sorte, nunca devo nada à ninguém devido ao meu maldito orgulho.

– Na verdade, eu precisava mesmo falar com você, mas de nada, mesmo assim. – Ele disse, com um sorriso vitorioso. – Enfim, o crocodilo mandou eu chamar você. – Completei. Na hora deixei bem claro que eu não sabia quem era o tal Crocodilo. – Ah, quer dizer, Rumplestilskin. – Corrigiu.

– Por que esse nome tão complicado? – Perguntei, começando a andar, acompanhada pelo pirata.

– Não sei. Acho que naquela terra natal deles, os nomes são bem... diferentes. – O homem disse, dando de ombros.

Arqueei minhas sobrancelhas.

– E o seu nome? – Perguntei. Hook me olhou confuso. – Eu digo, seu nome não é Gancho, obviamente, mas é como todos te chamam. – Completei. Ele me olhou como se estivesse esperando algo mais. – Por que deixa todos te chamarem assim? Não prefere ser chamado pelo primeiro nome?

– Bom, seja lá quem começou a espalhar o apelido, fez um bom trabalho. – Ele disse.

– Não respondeu minha pergunta. – Insisti,dando um sorriso traiçoeiro para ele, que ficou quieto. – Não importa. Entretanto, eu gosto de ser diferente. Vou te chamar de Killian, a partir de agora. – Completei, decidida.

Ele me olhou com aprovação.

– Você não mudou. – Killian disse, olhando para frente com um sorriso.

– Oi? – Perguntei, confusa.

– Ah é, esqueci que não se lembra. – Ele disse. – Certo dia eu estava navegando com o Jolly Roger perto da floresta encantada, quando avistei dois pontinhos vermelhos brilhantes ao longe. Como um mero pirata, obviamente, fui checar, podia ser algo valioso. Quando me aproximei, avistei você, desmaiada, bem na beira da montanha que dava para o mar. Parecia que tinha corrido muito. – Ele fez uma pequena pausa. – Na hora, só me importei com seus sapatos, mas quando tentei pegá-los para mim, eles simplesmente não saíam de seu pé. Dois segundos depois, você acordou, gritando coisas como “ Fique longe de mim “. – Ele me olhou. Acho que riu por que eu o encarava com aquela cara de bunda que as pessoas fazem quando não sabem o que está acontecendo. – Continuando. Na hora, me lembrei muito de uma certa pessoa de doze anos que um dia acolhi em meu navio. Ele era filho da minha esposa. – Ele disse “esposa” com certa tristeza na voz. Acho que ele e a mulher nunca chegaram a realmente se casar. – Mas quando ele descobriu que eu havia roubado a mulher do pai dele, não quis ficar lá. – Outra vez, uma breve pausa. – Quando você começou a tentar me dar lição de moral ali, dizendo “ Como ousa tentar roubar os meus sapatos “ e coisas do tipo, na hora me lembrei do garoto. Por isso – depois de muita insistência – consegui levar você para o navio. Me lembro claramente de como ficou enjoada. – Killian deu uma risadinha. – E lembro claramente de você dizendo que quer ser diferente, por isso iria me chamar de Killian.

Dei uma breve risada. Como eu estava sendo obrigada a acreditar, imaginei a cena de mim falando “ Como ousa roubar os meus sapatos “ e isso soltou outra risada de mim. Mas, antes que eu pudesse falar qualquer coisa,Killian parou.

– Bem vinda à loja de Rumplestilskin, O Senhor das Trevas, Senhor Gold. – Ele disse, inclinando a cabeça à cada nome que dizia. – Chame como quiser. Para mim, é Crocodilo.

Notas finais
Gostaram do cracházinho? Foi uma idéia que eu tive, mas não sei se vou continuar com ela :x