Era uma vez... de novo.
11 Até que não é tão rui... Esquece.
Notas iniciais
( Henry! Larga o microfone! Tá, um dia te deixo gravar comigo...)
Acho que posso dizer que meu d ia não foi dos melhores.
Porquê?
Bom, pra começar, fui acordada de uma forma estupida, por uma Dorotéia mal humorada e por um garoto que arrombou a minha porta (Quê? Vocês sabem que é verdade.).
Depois, no meio de um jogo de basquete, a mesma mal humorada Dorotéia (só que mais machucada) cortou o meu cabelo.
Em seguida, o pirata com mão de gancho fura a bola.
E pra finalizar, derrubamos um feijão idiota, que leva a mim, Henry, Dorotéia, Totó e Nina pra floresta encantada. Sem nenhum suprimento ou barraca.
É.
Depois que aquele feijão caiu, um tipo de buraco negro, só que verde surgiu. Depois de alguns segundos, estávamos todos sentados em uma praia, muito bonita por sinal. Foi então que percebi que estava usando um vestido parecido com o da minha visão, só que novo. Dodô estava com um vestido antigo, tipo o que ela descreveu na visão DELA. E Henry... Bom, ele estava com as roupas do jogo. Nina se esfregava em meus pés, e Totó corria farejando as árvores atrás de nós.
E por falar em atrás... Meu cabelo estava totalmente solto, mas tinha uns 25 metros, sem brincadeira. Eu nem enxergava a ponta.
Foi então que me toquei do que tinha acontecido. Olhei pro Henry e dissemos em uníssono:
– Feijão mágico.
Depois de alguns segundos e uma expressão confusa dá Dodô:
– Portal.
Foi a vez de ela falar:
– Floresta Encantada...?
–Sim. E pelo livro....- olhei pro Henry- essa não é a parte a salvo.
– Isso a gente acha, Rachel. O problema é como voltar pra casa, ou como avisar ao pessoal.
Bufei e passei as mãos só longo da saia, num gesto de frustração. Foi então que senti alguma coisa no bolso. Era o meu celular.
– Porquê o meu não veio? -disse Dorothy, com as sombrancelhas levantadas.
– Por que você o deixou na janela.
– Ah.
– Ele seria bem útil se tivesse sinal, mas aqui com certeza n...
– Está no máximo. Tanto a bateria quanto o sinal.
–O quê? — disse Henry, se aproximando para conferir — Uau! Quem diria que um celular pode pegar bem na Terra dos Contos de Fadas...
–Bom, não sei quanto tempo isso vai durar... Vamos ligar pra Emma. Qual o telefone, Henry?
– Hum... 32538535.
Depois do terceiro toque, ela atendeu:
– Para Hook! Perai! Eu tenho que atender! Delegacia de Storybrooke, Xerife Swan.
– Henry! Você me deu o telefone da delegacia?
– Quê? Ela nunca usa o celular...
– Hm... Rachel?
– Oi Emma. Olha, não quero te assustar, mas temos um problema.
– Ohoh... O que foi?
Resumo toda a história, e para a minha surpresa, ela só falou de pois da frase 'agora estamos presos na Floresta encantada'.
– Espera aí. Vocês estão na floresta encantada?
Ao fundo, ouvi a voz do pirata:
– O quê? Ouvi direito, Swan? Os pirralhos estão sozinhos na Floresta Encantada?
– Cale a boca, Killian. Ok, vamos dar um jeito. Vou falar com o Gold, fiquem aí na praia pra não perderem o sinal.
Depois que ela desligou foi que liguei os pontos. 'Para Hook'? 'Cale a boca KILLIAN'? Ok, essa última não é nada demais, mas pelo que eu sei, desde que ele adotou o apelido, só Millah e Dorothy o chamaram pelo nome... Até agora.
– Henry... Não quero te assustar, mas você tem um padrasto.
– Anh?
Dorotéia deu um sorriso.
– Realmente... Killian consegue praticamente tudo o que quer.
Os olhos de Henry se arregalaram.
– Hook? Legal!
Rimos por algum tempo, até que o telefone tocou.
– Rachel? Ok, Gold não tem nenhuma solução imediata, procurem o acampamento e Aurora. Ela deve levar vocês até Hobin Wood, e consequentemente a Mulan. Ela deve ajudar.
– Pede pra ela andar logo, essa roupa tá me irritando.- Como sempre, muito delicada, mas dessa vez tive que concordar.
Olhei para Dorothy e tivemos a mesma idéia.
–Emma, fala aí com o Henry.
Joguei o celular para ele e me juntei à senhorita Mau-Humor para hm....personalizar os vestidos. Enquanto Dodô arrancava as manguinhas bufantes e tirava as meias três quartos, eu encurtava a minha saia, rasgando-a na altura dos joelhos para facilitar a corrida. Também quebrei os saltos dos meus sapatos, transformando-os em sapatilhas confortáveis.
Henry tinha colocado o aparelho no viva voz, e pude perceber que Regina tinha se juntado à cena na delegacia. Ele nos observava meio chocado.
– Vocês são tão femininas... Nem parece que são princesas dos contos de fadas.
Ouvi a risada da Emma (algo bastante raro) e ela, Dodô e eu falamos ao mesmo tempo:
– O que você esperava? Que eu corresse com essa saia enorme?
– E você acha que EU me pareço com uma princesa Henry?
– Ah, falou o senhor machão.- Claro que tinha que ser Dorotéia.
Ele revirou os olhos.
– Primeiro: sim Rachel, eu esperava que você corresse com a saia. Segundo: mãe, não, você não se parece com uma princesa, mas foi criada desde sempre em Boston, então não conta. E Dorotéia... Quem te perguntou?
Percebi que do lado de lá o telefone também estava no viva-voz, pois ouvia a risada de todos e Hook murmurando:
– Esse aí quer morrer com um sapatinho vermelho enfiado na cara.
– Ninguém, mas eu falo do mesmo jeito.
Ouvi Hook murmurando um 'ela não muda mesmo...', e tive que rir. Mas só então pensei que tínhamos pouco tempo para chegar ao acampamento antes que anoitecesse. Achava que isso não ia ser possível, mas podíamos tentar.
– Emma, tem alguma dica pra nos dar? Tipo, uma trilha?
– Só sigam a estrela mais brilhante. Em alguns dias vão achar o acampamento.
– Obrigada. Assim que esse telefone pegar de novo, damos notícia.
– Tudo bem. Se cuidem.
– Ok.
Desligamos e nos olhamos. Tentei dar um passo, mas senti meus cabelos enrolados em algo.
Foi então que tive uma ideia. Me concentrei e fiz com que os cabelos se dividissem em três. Em seguida, fiz a mechas se cruzarem formando uma trança mal feita. Não me importei, apenas fiquei feliz que ele não estivesse mais arrastando.
–Bom, acho que podemos ir andando. Não queremos ficar a noite na mata, né?
Andamos cerca de um quilômetro e achamos um riacho. Usamos as mãos em forma de concha para matar a sede, e seguimos em frente.
Já era noite quando achamos uma clareira. O céu estava estrelado, mas uma das estrelas se destacava de longe.
– É aquela- disse, enquanto marcava com uma seta a direção em que teríamos que seguir no dia seguinte. Só então começamos a sentir frio.
– Acho que deveríamos acender uma fogueira.
Juntamos alguns galhos, e depois de três tentativas (uma de Henry e duas minhas. Dorotéia apenas observava) que custaram um grande esforço, apelei com ela:
– Você podia ajudar ao menos um pouco!
Ela deu de ombros e apenas bateu os saltos. Surgiu uma fogueira que parecia estar acesa há horas. Olhei incrédula, mas não disse nada. Seria o mesmo que discutir com uma pedra no chão.
Sentamos em um tronco, e logo senti fome, e acho que Henry também, pois perguntou à Dorotéia:
– Será que estes seus sapatos não podiam fazer surgir ovos? E bacon?
– Ou suco de laranja? — entrei na dele.
– Se pudessem, faria isso pra mim. Agora calem a boca.
Revirei os olhos.
– Acho que deveríamos caçar algo. Rachel?
– Porquê Rachel? Porquê não eu?- disse dorotéia, meio indignada.
– Por que você não tem boa vontade. Rachel? -repetiu.
– Acho que está muito escuro... Aguentam até amanhã?
Eles assentiram.
– Ok. Olha, não sei vocês, mas eu vou deitar.
Quando levantei para pegar lenha, Dorotéia me deteve:
– Relaxa loira. Isso não vai apagar até eu mandar.
Me sentei de e soltei os cabelos. Eles serviram como travesseiro. Percebi que os dois estavam deitados no tronco, então mandei eles se levantarem e estendi os cabelos. Com o novo tamanho, era deram duas voltas na parte de cima do trono, funcionando como um travesseiro bem macio.
Joguei os metros (sim, metros. Os cabelos estavam REALMENTE grandes) restantes por cima de nós, como um cobertor. Rapidamente adormecemos.
No dia seguinte, acordei e percebi que os dois tinham escorregado do tronco, deixando meus cabelos livres. Como eles ainda dormiam me levantei silenciosamente e fui procurar comida (se eu estava faminta, imaginava o humor da Dodô quando acordasse...)
Quem diria que a Terra dos Contos de Fadas era tão fértil?
Ok, todo mundo. Mas ainda assim, em alguns metros achei uma laranjeira carregada, um pé de morangos, uma mangueira (com as mangas tão grandes que os galhos estavam perto do chão, para minha sorte), alguns ovos de pássaro (sim, fiquei com dó, mas Dorotéia não comeria só frutas), um coqueiro e uma pedra grande e lisa ( serviria para preparar os ovos). Parecia que o lugar estava cooperando.
Voltei para o acamamento e estendi a folha de coqueiro no chão. Com uma pedra afiada e um pouco de dificuldade, descasquei as laranjas e mangas. Como o fogo ainda estava aceso, coloquei a pedra em cima e quebrei os ovos. O cheiro e o ruído acordou os dorminhocos.
– Bom dia! Café...
– Wow! Como achou tudo isso?
– Não sei, aqui tem muitas frutas.
– Os ovos são meus!- Foi a primeira frase da Dorotéia.
Comemos em silêncio. Juntei as frutas que sobraram e com a ajuda dos dois montamos um tipo de mochila.
Depois de algum tempo, ouvimos algo vindo em nossa direção. Algo grande. Rapidamente nós nos escondemos e esperamos. O barulho aumentou, até que vimos o que era.
Era um ogro.
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