Era uma vez : O Livro da Vida
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Notas iniciais
August aceitou e falou para Graham deixar o cavalo no estábulo ao lado. Emma ficou estonteada com o interior da propriedade, que estava pintada de branco com uma parede de rocha. Na sala, percebeu varias estantes entupidas de livros e pergaminhos, sobre a mesa de centro, penas, nanquim e mais papéis entulhados, confirmou sua primeira teoria.
Eles se sentaram no sofá entorno da lareira que estava acesa com um caldeirão a ferver. O cheiro ficava cada vez mais delicioso então o anfitrião ofereceu -lhes o jantar, e eles aceitaram. Enquanto todos jantavam, a loira recontou sobre sua vida falsa que estava atrás do Livro da Vida e que precisava encontra -lo.
–Hm... — falou August. Ele franziu o cenho, enquanto roía a unha do polegar, o que para Emma era algo nojento – Eu ando fazendo pesquisas desde que soube que essa preciosidade. mas não consegui nada de útil.
– Muito obrigada... — Disse Emma levantando.- Vamos...
– Fiquem... — gritou o anfitrião – Não encontrarão hospedarias abertas nesse horário. Tenho dois quartos vagos que podem passar a noite.
Eles concordaram. Depois de brigarem pelas acomodações, “decidiram” que Emma iria dormir no mesmo quarto que Gancho para vigiá -lo (Graham fez um escândalo dizendo que não dormiria no mesmo quarto que outro homem e que talvez precisasse sair mais de madrugada).
Enquanto os homem iam para seus quartos, Emma ficou na sala olhando para o fogo da lareira queimando os pedaços de lenha, pensando em como estaria seu futuro a essa altura. August se sentou ao seu lado, a observando como se pudesse ler sua alma. Eles dialogaram por minutos e no fim, ele deu uma camisola velha (que era de umas das proprietárias que havia desocupado a casa a alguns anos e que misteriosamente desapareceu deixando tudo para trás) para que pudesse dormir um pouco mais tranquila.
A moça subiu as escadas pensativa e entrou no cômodo, e viu Gancho imóvel sobre a cama. Ela banhou -se, pôs a roupa de dormir e deitou -se. Assim que se virou para o lado, viu os olhos azuis do pirata a encarar. Eles eram muito belos, mas as vezes eram sinistros.
– Deveria estar dormindo no chão... — Resmungou a moça irritada.
– Vi como me olhou com pena quando seu namorado me amarrou e me puxou com as cordas parecendo um escravo... Como sabe que me sinto, sendo que sua vida é perfeita?- Indagou o homem sussurrando ignorando a observação da moça.
– Ele não é meu namorado... e eu conheci alguém como você da onde eu vim — Os olhos cor de safira não a deixou mentir. Era como se fosse o seu Gancho ali do seu lado. — solitário, angustiado, triste . Quando nos vimos pela primeira vez, achei que ele fosse um idiota, um capacho mulherengo, mas aos poucos, vi que era apenas uma máscara. E de zero ele se tornou um herói. — Ela deu um sorriso, longe em pensamentos, fazendo uma retrospectiva de seu relacionamento .
–Acho que fiz o caminho inverso, meu amor. Eu era um herói mas me tornei um zero. — O pirata refletiu enquanto o sorriso se desfez por vergonha de sua situação ele mudou de assunto. Seus olhos encheram de lágrimas.- Vi meu irmão morrer na Ilha do desgraçado do Pan, por causa do Sonho Negro. E não pude fazer nada para salvá -lo.
– Não diga isto, está bem? — Respondeu Emma em tom condizente. Gancho chegou mais perto da moça tocando -lhe o rosto com a mão fria espalmada. Um calafrio subiu pela sua espinha mas o reprimiu. — Tudo já está escrito e não depende da gente... Também perdi quem eu amei e parece que há uma ferida aberta, mas temos que continuar...
–Você falou como Aslam... — Debochou o pirata sarcástico, que deslizou a mão pelo braço arrepiado da moça e colocou os longos dedos dela em seu peito quente a fazendo sentir o coração acelerado. Ele não usava camisa, o que fez Emma se assustar um pouco com medo dele estar nu — Parece que aqui não funciona ...
–Uma vez o herói me disse que se que pode quebrar ainda funciona... Pra você se está quebrado pode ser consertado. — Ela tirou a mão de seu peito e se a jeitou para virar -se e descansar.- Preciso dormir ..
– Aye... — Concordou ele. Ela sabia que quando ele respondia com rindo, estava aprontando.
Gancho achou mais perto impedindo -a de virar -se e apertou -a contra seu peito e a beijou. Aquele beijo era diferente do que havia dado pela manhã na qual havia mais luxúria do que amor. Dessa vez, uma mistura de sentimentos, como tristeza e vontade de redenção se misturaram ao sabor de rum que Emma sentia em seu lábios. As lágrimas, molharam o rosto da moça e ela se separou dele.
–Boa noite- Ele concordou no mesmo momento e aos poucos eles adormeceram.
Emma acordou de repente se sentou viu que estava outro lugar o contrário da velha e escura Floresta Encantada. Haviam pássaros voando e cantando, flores de vívidas cores à cercando e à frente uma linda campina, onde ao longe dava pra ver minúsculas pessoas fazendo pinique, crianças brincando e correndo de modo frenético. Era uma cena digna de um quadro de Monet. Uma briza soprou trazendo consigo pequeninas pétalas que pareciam apostar corrida e trazer calmaria e felicidade.
Aquele era um lugar perfeito, mas não havia ninguém que ela conhecesse por perto para compartilhar aquele momento. Seus pais não estavam ali, Henry, Gancho, Regina ou qualquer outro amigo de Storybrooke . Ela estava sozinha de novo .
Depois de algum tempo apreciando a paisagem, Emma olhou para o lado e viu um leão gigante como uma estátua chinesa, sentado ao seu lado também fitando o horizonte ao seu lado. Assustada, ela se levantou e estendeu as mãos que brilharam com sua magia. O animal virou -se e a fitou.
–Olá, Emma Swan...- O Leão disse. “Ainda bem que isso é apenas um sonho” pensou a moça.- Isso não é um sonho -respondeu o animal em alta voz.
– Como sabe o meu... — Ela franziu o cenho tentando imaginar algo.
– Eu te conheço, Fruto do amor verdadeiro... Vamos dar uma volta... — O bicho virou -se e começou a caminhar. Emma ainda com um pouco de medo, acompanhou.
A loira estava estonteada pela figura imponente do leão. Seus passos eram firmes, mas ao mesmo tempo flutuava como uma pequena pluma e sua enorme cabeça dourada, nunca olhava para baixo, era sempre mantida em pé. A voz que vinha de sua garganta era grave e sutil, como a de um pai de corrige um filho. Uma calmaria e uma paz a envolveu -a.
– Você é Aslam? — Emma falou receosa. Aquilo era um completo delírio.
– Sim... Pensou que eu fosse uma pessoa, não é? — Respondeu o animal.
– Talvez... Ninguém me disse que o dono do Livro da Vida era um leão...
– Tenho várias formas... Mas, porque está com tanto medo ?
– Quem disse que eu estou com medo... — Não iria ser fácil vê -la admitir algo, com seu lado durão ainda em pé.
– Emma, sei que está aterrorizada com tudo... Sem sua família, seus amigos, seu filho, sem um futuro definido...
– Eu passei tanto tempo tomando conta de mim mesma que quando descobri que tinha família achei que estava maluca. Agora não consigo ficar um segundo longe deles... — Sua mente viajou até seu tempo incerto. — E não sei o que será da minha vida.
Tudo ficou em silêncio. O animal sentou -se e Emma repetiu a ação ao seu lado, num barranco gramado. À frente, um cais se estendeu sob seus olhos. Os pequenos barcos de madeira navegavam na água de tom quase transparente. Numa das separações do pier, um esquadra aprontava -se a todo vapor para zarpar, os marujos frenéticos andavam de um lado para o outro embarcando mantimentos, tonéis e baús.
– E quanto a Killian Jones? — O Leão parecia ter entrado numa ferida ainda aberta. Ele havia chamado seu namorado pelo nome e não pelo apelido como costumavam fazer. — Ele disse que a amava...
– Acho que não vai funcionar mentir, certo? — Ela olhou o leão que balançou a cabeça com um não – Bem ... Ele cuida do Henry como um pai, apesar de ser meio desastrado e falar coisas estúpidas. Ele é um namorado maravilhoso...
– Você o ama? — De certo modo, ela sabia que perguntaria sobre esse ponto.
– Sim... — Sussurrou ela.
– Porquê não contou isso a ele ainda ? — Ela olhou para baixo em completo silêncio ainda tentando achar uma resposta plausível. Então o animal continuou num tom sereno.- Se você o ama, mesmo que com medo, conte a ele... As pessoas acham que estarão aqui para sempre, e a morte vem num piscar de olhos e não dá tempo pra mais nada. E ele já disse que a ama, não precisa temer. Killian teve uma história parecida com a sua : ele perdeu as pessoas que mais amava ainda cedo. Teve uma fase onde as trevas e a dor foram combustíveis que o moveram por muito tempo, mas no fundo de seu oração havia uma faísca de esperança. Você o salvou de um futuro obscuro e ele te salvou de ser uma vilã. Agora diga para ele como se sente.
Emma refletiu ainda cabisbaixa. O Leão estava certo em tudo. Eles eram semelhantes em vários aspectos, mas a única coisa que diferenciavam -se era ele sempre dizia o que pensava mesmo com receio de que não o aceitassem. No primeiro encontro, ela não o levou muito a sério mas conforme os dias passavam, percebeu ela algo lá dentro crescia pelo homem de rímel , por mais consciência o julgasse como um pirata perdedor capacho da Rainha de Copas. Foi na Terra do Nunca, através de um beijo de recompensa por ele ter salvo seu pai que entendeu que o que sentia por Gancho era amor. Um amor tão grande que se comparava ao que havia sentido por Neil.
– Obrigada, Aslam … — Finalmente falou Emma parecendo ter assimilado a mensagem. — Acho que entendi...
– Bem, agora está na hora continuar sem mim...- A imponente criatura disse pondo -se em pé em sua frente. Seus olhos amarelados pareciam procurar a alma de Emma que movida pelo instinto o abraçou.
– Mas para onde vamos e porque me deixar? — Preocupou -se Emma.
– Confie em seus instintos... Estou sempre bem perto... Se hospedem na casa da Vovó, terão novidades assim que chegarem...
– Agradeço por tudo... — Ela sorriu e abraçou o Leão em agradecimento, que depois de se separar ficou frente a frente com a moça e deu um rugido ensurdecedor.
Emma assustou -se e despertou ofegante. Ainda estava tudo escuro no quarto. Gancho estava assustado e a encarava talvez preocupado. Ele a envolveu com seus braços e aninho -a em seu peito. A loira olhou para o pirata e sorriu ainda com o coração disparado, graças a adrenalina.
– Está bem, querida? — Disse o pirata antes de beijá -la na testa. Ele a contemplava com um brilho estonteante nos olhos azuis.
– Sim... — Ela soluçou ainda não conseguindo manter o ar em seus pulmões de nervosismo. Ela pestanejou por um segundo antes que aquelas palavras vieram em sua mente mas por não estar certa do que aconteceria, se conteve.
As mãos geladas de Gancho correram até o delicado rosto pálido de Emma e seus lábios se aproximaram dela e a beijou sem dizer nada. Pela manhã, Emma acordou e do lado onde seu “prisioneiro” deveria estar, não havia ninguém. Quando olhou para o chão, viu Gancho deitado e bem acordado sobre lençóis sobrepostos , coberto da cintura para baixo com uma pele ( a leve impressão que tivera em sua cabeça na noite passada voltou).
Assim que terminou de contar sobre as novas coordenadas e que Aslam havia falado com ela através de um sonho , o pirata levantou -se sem qualquer cerimônia e andou até o banheiro como desfilasse em uma passarela, confirmando seu medo : ele estava nu. De imediato, Emma corou e virou -se de costas ao ver o traseiro pálido. Ela pegou suas roupas e desceu para trocar -se em outro lugar.
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