Era uma vez, á alguns erros atrás...
1 Eu e meus sapatinhos de cristal!
Notas iniciais

O cemitério estava silencioso. A única coisa que se ouvia eram as palavras proferidas pelo padre. As roseiras, antes vistosas com flores brancas, agora caídas, murchas, mal tratadas pela falta do jardineiro, despejado por cobiçar uma das freiras responsáveis, tratando de forma indecente e violenta. A grama verde e folhas marrons preenchiam o solo que ficaria sob o corpo agora sem vida de meu pai. Havia varias pessoas presentes, amigos e clientes de meu pai. As mais chamativas, minha madrasta, com seu volumoso vestido preto de cetim, com uma gola alta e mangas enfeitadas, com enfeites que eu diria ser de um bobo da corte. Seu cabelo grande, preso em um coque perfeito no alto de sua cabeça, realçava as rugas que permaneciam próximas aos seus olhos castanhos. Ao seu lado, permaneciam as gêmeas, que cochichavam, chamando a atenção do padre. As duas usavam vestidos iguais, minhas irmãs postiças, com degrades no tom de pretos e volumosas saias. Os vestidos, diferente das de sua mãe, possuíam mangas curtas, fofas, com detalhes brilhantes. Peles impecáveis e extremamente brancas, realçando os olhos azuis que elas herdaram do pai, já falecido, no ano de nascimento das garotas. Rumores se espalham que foi assassinado, desmentindo seu óbito, onde a morte fora dada como ataque cardíaco. Os cabelos em rabos de cavalos altos, ondulados, no tom de castanho. Desde pequenas elas invejavam meus cabelos louros espessos, que diziam elas, davam impressão á algo folheado a ouro, mostrando riqueza e prosperidade. Nunca me senti melhor que elas. Sempre quis ao menos ser amiga delas, mas elas não me davam abertura para o processo. Parte disso se dava por minha madrasta que desde pequena as incentivavam a se sentir superior. O vento balança meu vestido preto de cetim, simples, e meus cabelos, atrapalhando a bela trança em que se permanecia. Minha cabeça estava composta de pensamentos desligados, quando o som do meu nome me trouxe de volta a terra.
_ Ella. Gostaria de dizer algumas palavras minha querida? – Disse o padre gentilmente estendendo a mão para mim. Em gesto afirmativo a segurei e fui para o seu lado.
_Há dez anos, eu estava nesse mesmo cemitério, abraçada, chorando, ao lado de meu pai. Eu me despedia de minha mãe. Depois disso, eu vinha aqui toda semana, trazer flores, conversar, ver minha mãe. Acho que agora vou ter que trazer o dobro de flores – disse, rindo, chorando – mas posso dizer, que o tempo em que ficamos juntos, que ele nunca falhou como pai. Sempre presente para que o que eu precisasse. O mais difícil para mim agora será saber, que em todas as manhas, ele não estará sentado ao meu lado para o café.
Joguei uma rosa branca em seu caixão. Os outros repetiram o gesto. Desceram o corpo do meu pai. Fui abraçada e recebi palavras de carinho de quase todos. Não me lembro de seus rostos, ou ao menos o que disseram. Eu estava no ar. E meus pais, bem, embaixo da terra. Todos haviam ido embora. Minha madrasta me guiava até nossa carruagem, eu não consegui processar. A viagem de volta a casa foi longa e forte perfume de minha madrasta me dava certo enjoo. Ao chegar em casa, então a surpresa.
_Ella, minha querida! Precisamos conversar. Agora que seu pai se foi, as coisas serão um pouco diferentes do que são agora. Como você deve saber, nós nos mantínhamos com o dinheiro do seu pai. Agora que ele se foi, não sei como sobreviveremos, mas resolverei isso. Enquanto isso, teremos que cortar os gastos desnecessários. A partir de amanha, você lavará, passará, cozinhará e fará as outras funções da casa. Você passará a dormir no quarto do sótão.
_Você não pode fazer isso. Essa casa é minha por direito. Se eu quiser mando vocês para fora daqui – O que ela pensa que está fazendo. A casa é minha.
_Na verdade não minha querida. Você só tem direito a casa e aos outros pertences herdados a você quando completar seus 25 anos. Até lá, tudo está sob cuidados da sua tutora, ou seja, “euzinha”. E se não me obedecer, você sai dessa casa, sem nada, gata borralheira.
Minha vida desmoronou. Eu viraria serva de minha madrasta e de minhas irmãs, e não tinha nada que eu pudesse fazer!
~ DOIS ANOS DEPOIS ~
O relógio batia informando que era cinco da matina. Desperto, como sempre, cansada, corpo dolorido do trabalho pesado e das poucas horas de sono. E pensar que eu reclamava da minha vida há dois anos. Os vestidos de cetim, lindos, foram trocados por trapos, rasgados e sujos. Os luxuosos e confortáveis sapatos, trocados por chinelos de madeira. A pela sempre hidratada e bonita, estava ressecada e meu rosto era desfocado pelas olheiras. A menina sorridente que brincava com as barras de seus vestidos. Bom, está morta.
Uso a pequena parte livre que possuo da manha para tomar um banho gelado, tentando me manter acordada. As escadas podres e velhas de madeira rangiam sob meus pés, enquanto caminhava para a pequena porta que separava meu mundo na torre, para o mundo deles, na luxuosa casa. Passo de um ambiente velho, cheia de teias e mal cheiroso, para a parte luxuosa da casa, sempre impecável, bem, graça ao meu árduo o trabalho.
Abro as cortinas do corredor onde ficavam os quatro quartos. O de minha madrasta, os de minhas irmãs e meu antigo refúgio, hoje usado como sala de musica, onde a não talentosa Agnes tentava estourar nossos tímpanos com sua voz estridente, abafando as lindas notas que saiam do piano tocados por Madeline.
Na cozinha preparo o café, alimento as galinhas, os cavalos e o cão de guarda. Os sinos tocam, as bruxas acordaram. O inferno começa. A manha passa tão rápido que nem percebo. “Lava a roupa”, “Passa o pano”, “Limpa esse chão”, “Faz o almoço” e outras ordens são ouvidas, umas trezentas vezes por hora. A tarde chega, juntamente com as horas de tortura proporcionadas pela voz de Agnes. Mas essa tarde estava longe de ser o de sempre. As três da tarde ouve-se o barulho das ferraduras de cavalos chocarem contra o chão de terra que compreende a entrada da mansão. Curiosas, as irmãs vão rapidamente as janelas ver quem estaria lá, interrompendo as sagradas aulas de musicas.
_Meu santo deus! Mamãe! É carruagem do Correio Real!- informou Madeline com doçura em sua voz!
_Correio Real? O que fazem aqui? Ella! Vá ver do que se trata e me informe imediatamente! – Amarga como sempre, minha querida madrasta. Fiz um reverencia desajeitada e me retirei.
Ao chegar ao saguão, a campainha é acionada, e eu abro a porta com certa curiosidade no olhar!
_Posso ajudar senhor?
_Sim, minha querida. Essa por acaso seria a casa de Senhorita Coralina Campbell Young Miller?
_Sim, seria senhor. Gostaria que a chamasse?
_Não é necessário tanto incomodo a senhora viúva. Vim aqui, trazer convites oficiais do Baile dos Duques de Moore. Todas as senhoritas solteiras do município estarão convidadas, sem pestanejar, indiferente da classe social. Ouso-me a perguntar se a senhorita está solteira!
_Oh sim, sim. Sou somente uma mera empregada e minha dedicação é servir esta família, não tenho tempo para me comprometer.
_Bom, espero ver a senhorita no baile. Bom, certamente vou revê-la. É obrigatória a ida de todas as jovens solteiras. Quantas as jovens solteiras nesta residência, senhorita?
_ Senhorita Agnes Campbell, Senhorita Madeline Campbell e bem, eu.
_ Certamente. Três convites as nobres moças e um convite para a Senhora Campbell. Desculpe o incomodo. Adeus. Há varias casas ainda a serem visitadas.
_Incomodo nenhum. Obrigada pela gentileza. Adeus!
A carruagem partiu e em minhas mãos, estavam os convites para o baile do duque. Tal baile que eu fora convidada. Não sou burra, posso dizer isto. Se eu chegasse à sala de musica com quatro convites, eu nunca iria ao baile. Então o escondi, em baixo dos trapos. Subi a sala de musica onde encontrei duas garotas eufóricas e uma mãe orgulhosa. Entreguei os convites e me retirei. Eufórica como as meninas, cheguei ao meu quarto e retirei o ultimo convite de seu esconderijo. O envelope era num tom de bege real, que brilhava á luz do sol. Não estava endereçado a ninguém, mas era lacrado com o selo oficial da família real, o tornando autentico.
Dentro havia três papeis. Um dizia “Obrigatório o uso de traje de gala” e no outro era um cartão especial necessário para entrar no palácio. O terceiro, uma carta especial, descrevendo o motivo do baile. “Por meio deste, afirmo que o baile servira como um modo de encontrar uma companheira para o herdeiro do ducado, Matthew Lorenzo Underwood Moore Collins.”
Uma companheira. O duque queria uma esposa. Como alguém pode conhecer uma mulher em uma noite e se casar com ela? Ele não saberá se verdadeiramente a ama. E a mulher provavelmente o quer por causa de seu titulo. Um casamento arranjado, onde eles teriam um amor incerto ou falta dele. O baile seria daqui a três dias e eu precisava arranjar tudo do que precisava. Eu não possuía vestidos, sapatos ou joias. Mas eu sei quem tem, e tem tantos, que nem notará a falta de um.
Nos dias que antecediam o baile eu escolhi o vestido, as joias, faixas, mas os sapatos de minhas irmãs eram grandes. Os dias se passando e nenhum de seus sapatos se encaixava ao meu pequeno pé. Não poderia ir ao baile sem sapatos e não possuo se quer dinheiro para comprar novos. A desistência estava certa. Subiu a seu quarto para pegar o vestido, joias e faixas para por novamente em seu devido lugar. Então no ultimo degrau, eu cai, batendo em uma tabua oca, diferente de todas as outras. Tinha algo escondido ali. Puxei a tabua com toda força que tinha, e com dificuldade ela saiu do lugar. Dentro havia uma caixa, com o par de sapatos mais belos que eu já havia visto. Foi quando notei que conhecia aquele sapato. O sapato com que minha mãe se casou com meu pai. Folheado de cristal e perfeito nos meus pés. Lembro-me então, quando mamãe morreu, meu pai levando baús e caixas paras as torres da casa e voltando de mãos vazias. Lembrava-me do cheiro vindo do vestido de casamento em chamas e depois o seu estado em cinzas. Escondi-os novamente e voltei ao trabalho.
No dia do baile todas se arrumavam e ficam exuberantes de sua maneira, enquanto eu passava e dava os últimos toques nos vestidos de minhas irmãs. A carruagem delas chegou e partiram alegremente para o baile. Subi e me arrumei o mais rápido possível. As luvas, o vestido, os sapatos, o cabelo e o rosto impecáveis.
Caminhava no escuro da noite, em caminho ao palácio, com medo do que me esperava. O barulho das ferraduras de cavalos chocando se ao chão e das rodas, batendo nas pedras me assustou. Uma carruagem parou ao meu lado e de lá saiu uma cabeça de uma senhora, muito bem arrumada.
_Oque uma jovem tão bela e elegante faz andando sozinha, nessa estrada perigosa?
_ Oh, boa noite, senhora. Estou a caminho do Baile. Atrasei-me na preparação e me patroa impaciente, bom, minha deixou para trás.
_Ora. Sorte sua que temos lugar vago na carruagem. Acomode-se querida.
Abri um sorriso e subi na carruagem preta, puxada por quatro cavalos brancos. Do lado de dentro havia três pessoas. A senhora, um homem, alto e magro, que supus ser o marido da senhora. E uma jovem, aparentemente com uma idade próxima a minha, bonita e que provavelmente seria a filha do casal. Sentei-me ao lado da jovem, que estava a me observar com certa curiosidade nos olhos. A carruagem deu partida e voltamos a seguir, em um silencio monstruoso, noite adentro.
Depois de sofridos cinco minutos, a senhora que me convidou a entrar virou gentilmente a cabeça e me perguntou, com voz suave:
_Querida, eu gostaria de saber, qual seu nome minha jovem?
_Oh claro, sou Ella Mont’Negro. E a senhora?
_Seu nome não me vem a ser estranho! Bom, esquecemos os detalhes obscuros que a mente de uma velha não se lembra!- Ela deu uma risada rouca e continuou – Bom, sou Constance Evans Harper, mas pode me chamar de Senhora Evans, apenas. Esta é minha querida filha, Diannah e este desocupado aqui – outra risada rouca preencheu o local, e eu respondi com um sorriso amarelo, não vendo graça alguma na piada – é meu marido, Doutor Peter Evans!
Ele estendeu a mão para mim, e eu a apertei com gentileza. A Senhora Evans me encheu de perguntas sobre meus pais, o que eu fazia e me contou como Diannah costurava e tocava flauta, nos dando motivo para conversar. Ela era tímida e difícil de conquistar, mas tinha uma paixão enorme pela musica e pretendia seguir com a carreira musical, mesmo com sua mãe a alertando que não era uma profissão digna de uma Harper. A família Harper há tempos era seguida de casamentos arranjados ás moças com nobres ricos e era de se esperar que Diannah seguisse o tal costume. O partido mais desejado era, é claro, o duque Underwood. Mas ela me contou que não desejava o duque e sim amor. Era compreensivo. O tempo passou rápido, a conversa com Diannah rendeu. Logo o cocheiro parara a carruagem e abrira a portinha nos avisando à chegada ao palácio.
Nunca vira algo tão magnifico. Uma escadaria enorme, de mármore branco se estendia até as portas do gigante palácio. O próprio era revestido de branco, azul e ouro. Havia sete Torres e a principal portava o sino que me desperta a todas as manhas. Durante toda a escadaria havia guardas, postados com uma postura e uniforme impecável. A fila de guardas continuava do corredor até as portas do salão do baile.
O baile já havia começado. A música tocava, casais dançavam e tudo parecia em plena ordem. As mães presentes, sempre atentas, rodavam o salão a procura do jovem duque. A situação era de certa forma engraçada. Posso jurar que varias das moças não realmente queriam o duque, contrariando a vontade de suas mães.
Rodei o salão, procurando sempre ficar o mais distante possível de minha madrasta e minhas irmãs. Diannah estava dançando com um cavalheiro bonito. Ela sorria de uma forma maravilhosa, encantada pelo sujeito. Estava em devaneios, tentando imaginar, quem seria o charmoso cavalheiro de balançara minha amiga. Uma mão tocou a minha me fazendo virar tão rápido que quase cai, mas luvas brancas me seguraram e me puxaram de volta.
Eu estava parada diante de um jovem deslumbrante, com olhos verdes penetrantes e um lábio no tom rosado com curvas perfeitas. O jovem sorria, mostrando dentes incrivelmente brancos. Com uma voz calma e suave como uma pena ele disse:
_A senhorita está bem?
Fiquei calada, paralisada pela beleza do jovem. Quando me toquei ele me perguntara algo, me recompus e desviei o olhar daqueles olhos que me causavam arrepios.
_Ahn? Oh claro, sim! Estou bem, ótima, na verdade!
Ele sorriu, ainda mais, achando graça da minha confusão.
_A senhorita gostaria de dançar? – ele estendeu a mão e sorriu. Há jeito de dizer não a aqueles olhos verdes? Tomei sua mão e fomos ao centro do salão. Por algum motivo muitas mães olharam raivosas na minha direção. Dançamos por quase a festa inteira. Ele então me convidou para tomar um ar, nos jardins do palácio. Eu mesmo que queria descansar os pés depois de tanta dança, aceitei.
O jardim era magnífico, com flores de todas as cores, uma mais bela que a outra. Ao centro, uma fonte com um cupido jorrava agua pela boca. O clima estava fresco e aconchegante.
_Não acha inapropriado para uma dama como eu ficar sozinha, aqui no escuro, com uma pessoa que ela nem ao menos sabe o nome?
_Meu nome? Você não sabe quem eu... Oh é claro, não te disse meu nome – A troca de tom em sua voz me deixou preocupada. Eu deveria conhecê-lo? – Meu nome é... É Matt! Mas posso dizer que também não sei o da senhorita.
_Matt... Nunca conheci ninguém com esse nome. Mas não posso dizer que o meu é comum. Sou Ella.
_Bom, é um prazer conhece-la senhorita Ella.
_Igualmente, Matt.
Depois um estranho silencio seguiu-se. Continuamos a andar pelo jardim, quando vi um canteiro de orquídeas. Quando pequena a casa era recheada delas. Meus olhos marejaram com a lembrança de minha mãe. Sequei os olhos e me virei para Matt. Ele me encarava, deslumbrado.
_Está me encarando. Por que sempre faz isso?
_Me desculpe. É difícil me conter diante de tanta beleza.
Minhas bochechas rosaram com as belas palavras e eu não consegui segurar um sorriso singelo que se formava em minha boca. Matt foi chegando mais perto e levantou minha cabeça, fazendo me olhar diretamente em seus olhos. A luz da lua ilumina seus olhos verdes, o deixando de uma cor perto do azul. Seus cabelos pretos balançavam pela leve brisa que bagunçava os cachos loiros em minha cabeça. A única coisa que eu conseguia pensar era naqueles lábios rosados e da vontade que eu tinha de beija-los. Notei que ele sentia o mesmo, pois sua mão livre se envolveu em minha cintura me trazendo para perto e a outra segurava a minha mão. Estávamos a centímetros um do outro. Por impulso envolvi minhas mãos em seu pescoço e ele desceu a outra mão até a cintura. Nossos olhos se fecharam e ele me beijou.
Seus lábios eram mornos e suas mãos seguravam firme minha cintura. Minhas mãos se apertam em volta de seu pescoço, meus olhos não obedeciam quando eu desejava abri-los. Não sei de onde isso veio, mas ele deu um mordidinha de leve em meus lábios inferiores, os puxando, e sorri entre o beijo. Repeti o ato em seus lábios e senti o sorriso, dessa vez nele. Não havia percebido, mas tínhamos caminhado mais adentro do jardim, onde tínhamos umas árvores, onde nos apoiamos. Há quanto tempo estávamos assim? Segundos? Minutos? Não sabia, mas já estava ficando sem ar. Sua mão subia e descia pelas minhas costas, enquanto a outra se pousou em minha nuca causando arrepios. Um galho se quebrou aos nossos pés, nos acordando do transe romântico em que nos encontrávamos, fazendo nos cair em gargalhadas. Olhamos um pro outro e sorrimos. Ele me beijou rapidamente, só encostando os lábios nos meus. Depois beijou minha bochecha, no canto do lábio, no pescoço, e voltou à bochecha, depois o canto do lábio e assim repetida vezes.
_Vem, eu quero te apresentar á algumas pessoas. — ele disse sorrindo e me puxando. Admito que fiquei triste por que aquilo significava o fim da sessão de beijos.
Estávamos voltando quando vi minha madrasta se despedindo de suas conhecidas e tomando o caminho até a saída do salão. O desespero tomou conta de mim. Soltei a mão de Matt e sai do salão o mais rápido possível. Ouvi Matt gritar meu nome e correr atrás de mim. Já estava quase nas escadarias quando ele me alcançou.
_Ella, oque está acontecendo, por que saiu assim?
_Me desculpe, eu tenho que ir, você não iria entender.
_Por favor, fica. Nunca senti o que estou sentindo agora por mais ninguém. Por favor, não se vá!
Um guarda chegou perto de nos e perguntou:
_Está tudo bem, alteza?
_Alteza? Um momento. Você é o duque? Por que não me contou antes?
_Esta tudo bem, pode se retirar – ele dispensou o guarda se voltou para mim – Ella, eu não te falei por que queria saber se você gostava de mim por eu ser eu ou por ser o duque. Quando notei que não me conhecia, morri de amores por você, sabendo da sua ingenuidade e sinceridade. Por favor. Eu sei que se amor existe, é o que sinto por você. Não se vá.
O beijei de leve seus lábios. Não queria ir, mas não podia ficar.
_Matt, eu também sinto isso por você. E exatamente por isso, você tem que entender que eu devo ir. Sei que você ira me achar. Se você realmente sente isso por mim, você ira me achar.
Ele abaixou a cabeça e encostou-se à minha, sussurrando “ok” no meu ouvido.
_Matt. – ele olhou para mim com os olhos marejados – eu preciso de cavalo. Um rápido.
Ele me levou aos estábulos e me colocou em um dos cavalos mais rápidos do reino. Eu o beijei pela ultima vez e galopei noite adentro. Consegui chegar antes de minha madrasta. Tirei o vestido, os sapatos, tirei a maquiagem, desfiz o penteado e botei uma camisola. Deitei em minha cama e chorei por horas até dormir.
Na manha seguinte todo reino falava de uma estranha senhorita com cabelos loiros que deixara o duque no baile. Já havia feito todos os serviços da casa quando minha madrasta me mandou subir ao meu quarto. Ao entrar a porta foi fechada e trancada a chave.
_Você acha que poderia ter me enganado? É claro que sei que você, sua ratinha, é a moça que largara o duque ontem. Agora ele está indo de casa em casa procurando por você. Vamos garantir que ele não te ache ok?
Eu gritei, chorei e fiz de tudo, mas ninguém me ouvia. Ouvi as ferraduras dos cavalos chocarem se contra as pedras, a campainha e a euforia de minha madrasta ao receber o duque.
Minutos se passaram quando ouvi gritos aterrorizados nos andares de baixo. A fechadura de minha porta se virou e uma Madeline ensanguentada e descabelada abriu a porta. Corri ao seu socorro e a levei lá pra baixo. No caminho vi uma poça de sangue. Minha madrasta e minha irmã presas numa cadeira, furiosas. Um corte na perna de minha madrasta, um corte nos braços de Madeline, a poça. Logo percebi que elas lutaram pela minha liberdade.
Sai da casa com Madeline nos meus ombros, e lá estava ele. Matt. Lindo, correu ao nosso encontro e pegou Madeline, colocando a na carruagem e mandando a levarem para o palácio.
_Você me achou! – sorri
_Claro que sim. Eu disse que iria! Eu te amo Ella!
_Eu também te amo Matt! Vamos sair daqui!
Subimos no cavalo, que na noite passada me trouxe para casa. Agarrada em suas costas fomos em direção ao palácio. Tudo estava bem. Minha madrasta e irmã pagavam pelos erros, Madeline havia se recuperado bem e morava no palácio comigo. Sim, no palácio, com meu marido, o duque Underwood, ou na minha preferencia, só Matt. Sempre pensei que para sair daquela vida eu precisaria de uma fada madrinha com uma vara de condão. Bom pelo visto essa fada vai ter que procurar por donzela em apuros.
E assim eles viveram felizes. Não para sempre. Mas por um longo, longo tempo.
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