Era para ser você
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Antes de dormir eu havia pensando em alguma coisa, mas eu precisava falar com o Christoph, afinal ele é quem iria me ajudar. Mas eu não pretendia contar a ninguém meu plano, e ainda mais que Christoph estava me ajudando. Na manhã seguinte, assim que cheguei na escola, fui atrás dele para conversar. Encontrei ele na biblioteca.
—Bom dia. –eu disse falando atrás do seu ouvido, que levou um susto.
—Ah... Você. –ele disse quando se virou.
—Não o fantasma da ópera. Estava esperando alguém? Se quiser eu saio e podemos conversar outra hora.
—Não. Tudo bem, o que você quer?
—Eu andei pensando, e acho que poderia começar hoje. Você tem alguma dica para o que eu posso fazer ou sei lá?
Ele se sentou em uma cadeira, e eu sentei na cadeira de frente para ele, percebi que ele estava com um livro de inglês, mas nem dei bola, olhei nos olhos dele que estavam atentos ao livro, então ele olhou para mim e não disse nada.
—Do que ele gosta? –eu perguntei quebrando o silencio.
—E eu que sei? Bom... Ele namorava uma garota do tipo que ajudava ao asilo. –ele disse rindo.
—Hein? –eu disse erguendo minhas sobrancelhas sem entender direito.
—Do tipo gentil, que ajuda os outros, educada, divertida, e bonita.
—Ta me chamando de feia? –eu disse fazendo uma careta pra ele.
—Eu não disse isso.
—Mas foi o que pareceu.
—Eu quis dizer que ela era do tipo fresquinha demais, coisa que você parece não ser.
—Seja mais especifico, por favor.
—Patricinha, que vive com um gloss na mão, um tipo Pernelope Charmosa.
—Aff... Ele quer uma líder de torcida fútil e mimada? –eu disse revirando os olhos.
—A não ser que você seja uma líder de torcida fútil e mimada, não precisa da minha ajuda.
—Mas acho que você já percebeu que isso está longe, muito longe de mim.
—Pra começar, você poderia ser mais educada, não ter uma resposta na ponta da língua o tempo todo.
—Dê exemplo.
—Você pode ir levar este livro e pegar outro no fim do corredor pra mim? –ele disse erguendo o livro.
—Você tem duas pernas e dois braços. Pode muito bem ir andando até lá. –eu disse ignorando o livro que ele mantinha erguido.
—Ta vendo. Você é arrogante. Isso não vai adiantar se quiser conquistar o garoto.
—Então eu tenho que ficar calada e obedecer como se fosse um cachorrinho?
—Não exatamente, só não seja arrogante.
—Eu não sou arrogante. Sou irritada.
—Bom, acho que você vai poder começar a tentar ser menos irritada. –ele disse apontando para a entrada na biblioteca.
—O que eu faço? –pedi em desespero sem saber o que fazer.
—Fique calma, se ele ver que você está nervosa vai sacar que você está na dele, e não é isso o que você quer.
—Não? –eu disse fazendo uma cara de interrogação.
—Não. Você tem que ser difícil, ignorar ele. Mas antes disso ele tem que te notar.
—E como eu faço isso?
—Vai até lá. –ele disse apontando com a cabeça.
Eu me levantei, e fui caminhando até o balcão, onde o gato dos olhos pretos estava conversando com a senhora secretaria. No caminho eu bati em uma cadeira e quase cai, mas por pouco eu não fui de cara no chão. Me ajeitei e respirei fundo, então continuei andando, sem saber o que fazer quando chegasse lá. Parei ao lado dele, que parecia estar conversando animadamente com a senhora.
—Com licença. –eu disse interrompendo-o.
—Sim? –a senhora me perguntou educadamente.
Eu olhei de canto de olho, e percebi que ele tinha virado a cabeça para o meu lado, eu fiquei sem jeito, e tentei pensar em algo para falar com a mulher.
—A senhora pode me dizer onde fica os livros sobre literatura inglesa, por favor?
—Segundo corredor á direita. –ela disse sorrido.
—Obrigada. –eu retribui o sorriso.
—Oi irritadinha. –eu ouvi ele falar comigo, e gelei na hora.
—Oi...? –eu olhei pra ele, parecia que eu teria um ataque ali mesmo.
—Logan. Temos aula de biologia juntos. –ele disse abrindo um sorriso, e que sorriso mais perfeito ele tinha.
—Ah... Sim. –eu me fiz de desentendida.
—Eu posso te fazer uma pergunta? –ele falou se aproximando de mim.
—Claro. –eu disse, eu queria sair correndo dali, mas tive que me controlar.
—Você tem o trabalho que o senhor Orth passou na aula passada? É que eu não prestei atenção na hora que ele ditou. –ele disse com um sorriso torto.
—Ahm... Tenho... Sim eu tenho. –falei gaguejando e rápido demais.
Ah droga, eu estava fazendo exatamente o oposto do que o Christoph me disse, eu estava nervosa demais, isso ia dar na cara, e meu plano iria por água abaixo.
—Ótimo. Pego com você depois. –ele sorriu e me deu uma piscadela. E saiu em seguida.
Eu volte o mais rápido que consegui onde o Christoph estava. Eu não podia acreditar, ele se lembrou de mim, e ainda me notou, isso deveria ser uma boa coisa, não?
—O que ele te disse? –o Christoph perguntou assim que sentei.
—Ele me perguntou se eu tinha o trabalho de biologia. –eu disse com um sorriso bobo no rosto.
—Ele te notou. Isso já foi um progresso.
—Ta. Mas e agora, o que eu faço?
—Continue agindo como quem não quer nada. Ele vai vir falar com você sobre o trabalho.
—E depois que ele pegar o trabalho. Não vai mais precisar falar comigo, e o que eu faço daí?
Ele pareceu pensar um pouco, então o sinal tocou, nos levantamos e fomos caminhando juntos até a sala de aula. Assim que entramos o senhor Orth já estava na sala, mas para nossa sorte, ela estava quase vazia, então ele não teria motivos para reclamar.
—Ele ta entrando. –eu disse em sussurro, e tentando disfarçar.
—Ele apenas te olhou de relance. –ele disse assim que o Logan passou por nós.
—Mas que palhaçada Christoph, isso não vai dar certo, eu nem sei como agir perto dele, ele deve me achar uma patética.
—Fica calma novata, ele nem te conhece pra poder achar qualquer coisa de você.
—Mas a primeira impressão é a que fica.
—Aposto que aquela hora que você interrompeu ele na biblioteca, ele não teve uma má impressão de você.
—Aquela pode não ter sido, mas a primeira vez...
—Que primeira vez? –ele perguntou se virando para mim.
—Foi logo que eu cheguei, meu pai nos deu um carro, e eu fui dar uma volta, no posto ele quase me atropelou, e eu xinguei ele.
—E foi nesse dia que você se apaixonou a primeira vista?
—Hum... Eu não sei dizer se estou apaixonada.
—E se não estivesse, por que quer fazer de tudo pra ele te notar?
—Você e suas teorias complicadas.
—Você nunca namorou antes? –ele perguntou em um tom de quem estava achando graça.
—Não... –eu disse olhando pro caderno.
—Mas pelo menos já beijou alguém? –ele disse rindo dessa vez.
—O quê? Já! Mas minha vida pessoal não te interessa. –disse olhando para ele.
—Bom... Se não me interessa, por que eu estou te ajudando nela?
—Passado é passado. Você está me ajudando no presente, e não precisa saber detalhes.
—OK... –ele disse ainda rindo.
O professor começou a aula, e não tocamos mais no assunto, no final da aula o Logan acabou saindo antes mesmo do sinal tocar, e não veio pedir o trabalho para mim. Eu já estava começando a achar que isso não levaria a nada, ele nunca que se interessaria por mim, eu não sou loira, não tenho olhos claros, não sou líder de torcida, nem nerd.
—Você poderia aparecer no treino hoje depois da aula. –o Christoph disse assim que saímos da sala.
—Pra quê?
—O Logan vai estar lá, e como não tem muitas pessoas por lá, ele vai acabar te vendo e vai pedir o trabalho. Ou seja, ela vai falar com você.
—Mas eu não vou sozinha, isso é vergonhoso, ele vai pensar que eu estou lá por causa dele.
—Então leva alguém. Você tem uma irmã, certo?
—Tenho. Mas não sei se ela vai querer ir junto.
—Tente, vai ser uma oportunidade pra você. Depois da aula, no ginásio. –ele me deu uma piscadela e saiu.
Eu tentei encontrar minha irmã por ali, mas não tive muita sorte, eu só fui conseguir encontrá-la no refeitório, ela estava sentada com algumas amigas, eu caminhei até ela.
—Ennye... –eu disse parando atrás de uma garota loira.
—Oi Pietra, senta aqui com a gente. –ela disse com um sorriso no rosto. –Gente, essa aqui é a minha irmã, Pietra.
—Oi... –eu disse com um sorriso torto olhando para cada uma delas.
—Hm... Então é você a famosa Pietra. A Ennye sempre fala de você, mas confesso que você ficou mais famosa por ter batido no carro do Paul. –a garota do lado da loira disse sorrindo.
—Ele até que mereceu, ordinário. Mas por que você fez aquilo? –a loira perguntou.
—Você mesma disse, ele é um ordinário.
A loira me olhou com uma cara estranha, eu poderia até supor que ela é ex-namorada do crápula, mas eu não estou nem aí.
—Não liga, a Emily gosta do Paul, mas ele não sabe da existência dela, ou é isso que parece. Não tem nada a ver com você, quando ela fala dele, fica assim. –a morena sussurrou no meu ouvido.
—Sabe o que a gente poderia fazer? –a loira disse mudando de humor.
—Contar carneirinhos? –eu disse tentando soar engraçada, mas acho que não deu muito certo.
—Não. Podíamos ajudar sua irmã com o gato dela. –ela disse sorrindo, parece não ter se ofendido com o meu comentário.
—Gato? –eu perguntei sorrindo também.
—O Ian, ele é do time. Podíamos ir ver eles no treino depois da aula. –a morena falou toda animada.
Ótimo, isso seria mais que perfeito, eu iria com elas, e então seria uma desculpa de eu estar lá, apenas para acompanhar minha querida irmã e suas novas amigas. Então eu nem ia precisar pedir para minha irmã me acompanhar.
—Ah... Não sei. –eu disse para não demonstrar que realmente queria ir.
—Vamos Pietra, vai ser divertido, tem um monte de gatinhos no time. –a loira disse toda animada.
—Gatinhos ou o Paul? –a morena falou rindo?
—Não enche Lucy. –ela disse fazendo uma careta.
—Tudo bem. Eu não tenho nada melhor pra fazer mesmo.
—Ótimo. –minha irmã falou sorrindo. –Nos vemos depois da aula no ginásio Pietra.
Ela falou assim que bateu o sinal, saindo com as amigas.
...
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