Era para ser você
33 Capítulo 31
Notas iniciais
—Então Colin. Diga mais sobre você. –minha mãe disse educadamente.
—O Colin é dono do próprio negócio. E também, dono do próprio terreno. –minha tia disse se intrometendo.
—De onde você é? –minha mãe olhou da minha tia, para ele.
—Escócia. –ele falou animado.
Minha irmã, minha mãe e eu nos entreolhamos. Minha tia teve quatro namorados. Um Búlgaro, um Colombiano, um Russo, e um Italiano, que ela conheceu quando foi para a Roma. Mas um escocês? Isso nunca me passou pela cabeça.
—Qual seu sobrenome? –minha mãe perguntou ainda curiosa.
—Por favor Jeynnie. –minha tia fez cara feia.
—O que foi? Eu não posso saber o nome do namorado da minha irmã casula? –minha mãe respondeu com ar de censura.
—Está tudo bem. –o Colin disse com um sorriso. –Meu sobrenome é Collins.
—Colin Collins? –minha irmã disse achando graça.
—Tipo Phillip Phillips. –eu disse antes da minha irmã começar a rir.
—Quem? –ela perguntou para mim.
—Phillip Phillips. O cantor.
—Nunca ouvi.
—Ele tem uma voz linda para os meus ouvidos. Você sabe cantar Colin? –perguntei olhando pra ele.
—Um pouco. Eu toco melhor o violão. –ele disse meio envergonhado.
—Ele também sabe tocar gaita-de-fole. –minha tia disse toda orgulhosa.
—Isso é difícil? –perguntei tentando o descontrair um pouco.
—No começo, quando está começando a aprender sim. Mas depois é como andar de bicicleta, a gente nunca mais esquece.
—E em que você trabalha Colin? –minha mãe ainda com seus interrogatórios.
—Na minha terra. Eu gerencio o negocio da família, e tenho minha própria empresa de viagem.
—Interessante.
—Onde vocês se conheceram? –minha irmã perguntou curiosa.
—Deixe, que isso eu conto. –minha tia disse antes dele abrir a boca. –Eu fui até a Escócia para ver umas obras de arte, e no dia que estava marcado minha viagem de volta. Eu acabei perdendo o vôo porque estava chovendo muito, muito mesmo. E meu carro ficou parado no meio de um lamaçal na estrada. Meu celular estava sem sinal para eu chamar o reboque. Então, pacientemente tive que ficar esperando dentro do carro, até a chuva parar. Quando do nada, no meio daquela tempestade, alguém bateu na minha janela, e eu levei um susto tremendo e comecei a gritar, quando uma voz masculina, rouca e atraente perguntou se eu precisava de ajuda para tirar o carro da lama abri a janela, lá estava ele. O Colin estava encharcado da chuva, eu disse que precisava sim de ajuda com o carro. Então ele amarrou uma corda nos dois carros, e me tirou dali.
Minha tia fala de um modo muito apaixonante. Ela não solta do braço forte dele enquanto fala, com um sorriso meloso no rosto, e os olhos brilhando quando olha para ele. E ele, sem desviar o olhar dela, nem se quer pisca enquanto ela esta falando.
—Depois ele me levou até á agencia de viagem dele. Eu disse que precisava urgente de um vôo de volta pra Califórnia. Ele me ofereceu um café e tomamos juntos, então ele me deu a passagem de volta, disse que era um presente, já que eu havia perdido meu vôo. Duas semanas depois, eu estava trabalhando na galeria, quando do nada eu olho pra entrada e o Colin está abrindo a porta. Meu coração acelerou na hora, e eu ficava me perguntando o que ele estava fazendo ali. Então, fui atendê-lo, ele comprou um quatro, e me convidou para tomar um café. Depois disso, nós começamos a nos conhecer melhor, e acabamos descobrindo que temos muitas coisas em comum.
—Que romântico. –minha irmã disse apoiando o queixo nas mãos.
—Eu me apaixonei por ela, no momento em que a vi. –ele disse olhando para a minha tia.
Fomos interrompidos pelo telefone que começou a tocar.
—Eu atendo. –disse me levantando.
Fui caminhando até a sala enquanto eles continuavam conversando, atendi ao telefone. Era meu pai, perguntando se eu havia me lembrado de pegar tia Amber na balsa, e que chegaria mais cedo do trabalho. Quando voltei pra cozinha, já estavam tirando a mesa.
—Porque não vão descansar um pouco. Devem estar exaustos da viagem. –minha mãe sugeriu aos dois.
—Não, não estou. Colin quer tomar um banho e dormir um pouco? Eu vou matar um pouco da saudade da minha irmã e das minhas sobrinhas.
—Tudo bem. Eu realmente estou muito exausto. A comida estava ótima Jeynnie. Se me dão licença. –ele deu um leve beijo em minha tia, sorriu e foi para o quarto.
—Ele não é demais? –minha tia sussurrou muito animada assim que ele saiu.
—Ele está super apaixonado por você tia. –minha irmã também parecia empolgada.
O que está acontecendo com essas pessoas? Estar apaixonado agora é sinônimo de empolgação extrema? Bom, não para mim. Talvez meu problema seja que eu não sou correspondida nesse quesito. Ignoro-as e vou ajudar minha mãe com a louça. Logo em seguida minha tia e minha irmã me seguem até a cozinha. E ficam conversando sobre a Ennye e seu namorado. Eu não estava nem um pouco com vontade de ficar escutando elas falarem sobre isso, estava começando a ficar enjoada desse assunto, então fui para a sala e liguei a tevê, fiquei entocada no meu cantinho do sofá. Depois de algum tempo, minha tia se senta ao meu lado no sofá.
—É impressão minha, ou você está fugindo da nossa conversa.
—Ainda nem começamos a conversar.
—Eu quis dizer, do assunto que eu estava falando com a sua irmã.
—Claro que não. Eu só estava dando espaço para vocês falarem sobre o que estavam falando.
—O que anda te deixando assim. Você nunca foi calada assim Piet.
Eu não gostava quando minha tia me chamava de Piet, mas toda vez que eu reclamava, e pedia para ela não me chamar assim, ela dizia que a culpa era dos meus pais, que decidiram colocar meu nome de Pietra. E que se eu tenho que aturar Pietra. Tenho que aturar Piet. Já cansei de argumentar com ela sobre isso.
—Ah tia. –minha voz estava falha.
E de novo, as lágrimas começaram a queimar meus olhos, eu estava tentando não chorar.
—Quer conversar em um lugar mais privado? –ela perguntou docemente.
Concordei com a cabeça, e fomos para o meu quarto. Assim que encostei a porta atrás de mim, inspirei fundo e fechei meus olhos, contendo o choro. Tia Amber se sentou nos pés da minha cama, e ficou esperando eu falar alguma coisa. Comecei explicando que achava estar apaixonada pelo meu melhor amigo, mas como poderia saber que isso é paixão se eu nunca me apaixonei antes, e até onde a literatura me dizia, estar apaixonada era uma sensação boa, e não dolorosa como está acontecendo comigo.
Depois que eu fiz um bom resumo, consegui terminar sem chorar.
—Ah querida. –ela disse me abraçando. –Não fique assim, você é uma garota linda, inteligente, é claro que ele deve gostar de você também, só não percebeu isso antes.
—Gostar de mim? –disse num tom debochado. –Tia por acaso você acha que me pareço com a Britney Spears?
—Claro que não. –ela disse rindo um pouco.
—Pois bem. Então é óbvio que ele não gosta de mim, já que a garota com quem ele supostamente está, é a falsa replica da Britney Spears.
—Ele deve ser muito burro pra fazer uma coisa dessas.
Certamente, mas eu não sabia o que fazer, e entrar nesse assunto só me deixava ainda mais triste.
—Mas vamos esquecer disso, eu não quero te ver triste desse jeito, nem por esse tal de Christopher, e nem por cara nenhum! –ela disse tentando me animar.
—Obrigada. –eu a abracei forte, o abraço da tia Amber me conforava. –Eu já estou até me sentindo melhor. –disse sorrindo.
—Maravilha, agora vamos lá pra baixo, eu te trouxe um presentinho, não é seu presente de aniversário claro, mas uma lembrança.
Nos levantamos e descemos até a sala, onde minha mãe e minha irmã estavam sentadas assistindo tevê, tia Amber passou pelo quarto onde suas coisas estavam guardadas, e pegou dois pacotes de presente.
—Ennye lindinha, aqui está seu presente. –ela disse entregando para minha irmã.
Quando éramos crianças, tia Amber adorava brincar com a gente, nós fingiamos ser As meninas super poderosas, Ennye era a Lindinha, tia Amber a Florsinha, e eu Docinho. Porque segundo ela, eu era rabugenta e briguenta igual a do desenho, e ajudava eu ter os cabelos curtos e franja.
—Oh tia, é lindo. –Ennye abriu o pacote, era um pequeno quadro pintado, com uma paisagem de um verde lindo, e uma casa ao fundo.
—Comprei quando estive na Escócia. –tia Amber disse sorrindo. –Abra o seu Piet.
Abri o pacote, e também era um pequeno quadro pintado, mas ao contrário da Ennye, o meu tinha uma pintura de um castelo, era a pintura mais linda e delicada que eu já tinha visto.
—Eu sei que você adora essas coisas de castelos e tal. –ela disse sorrindo.
—Obrigada, eu amei. –disse com toda sinceridade.
Ficamos ali conversando animadamente por mais um tempo, graças a tia Amber, eu fiquei muito feliz, nem havia me lembrado o porque estive trsite antes, papai chegou depois de algum tempo, o que não pareceu muito, já que estavamos entrrtidas na conversa. Eles se cumprimentaram, para papai, tia Amber era uma irmã caçula. Antes do jantar ser servido, Collin deu ar de sua presensa.
—É um prazer te conhecer Collin, espero que tenha descansado da viagem.
—Obrigado Peter, sim a cama é muito confortável, eu dormi muito bem.
Eles começaram a conversar, de cara meu pai pareceu ter gostado do Collin, não é pra menos, já que ele é um cara super estrovertido e animado. Dessa vez tia Amber acertou em cheio, e eu torcia muito pra que eles acabassem se casando, antes que ela perca a chance e nunca mais se case.
Depois do jantar, eu fui para o quarto, estava exausta, dei boa noite para todos, e fui dormir, peguei no sono logo, e pra amenizar meus pensamentos de todos esses dias pensando, e sonhando com o Christoph, hoje eu não sonhei com ele, com nada que me lembrasse, não foi um sonho bem nítido, eu apenas escutava o barulho do mar.
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