Notas iniciais
Boa leitura, nosso objetivo é satisfazer baby ^^

Assim que meu pai parou o carro perto de um penhasco, eu e minha irmã descemos, e ficamos admirando a vista. Era deslumbrante, dali dava para ver o mar, era um horizonte de imensidão azul, a areia branca, com pedras rugosas perto da margem, tinha algumas árvores há alguns metros do mar, o que deixava o lugar ainda mais lindo.

—Esse seria o lugar perfeito. –meu pai disse parando ao meu lado, abraçado com minha mãe.

—Você está falando sério? –eu perguntei olhando pra ele.

—Claro. Essa foi uma ótima idéia minha filha.

—Eu não falei tão sério assim pai, foi só uma idéia repentina.

—Uma ótima idéia Pietra. –ele disse sorrindo para mim.

—Será que o Sr.Voughan, acharia essa uma boa idéia também? –minha mãe perguntou, olhando para ele.

—Certamente que sim, o lugar não tem um hotel, e poderia acabar virando um ponto turístico, a cidade ficaria mais conhecida, e quem sabe, até apareceria no mapa.

—Isso seria ideal. –minha irmã sussurrou, e só eu pude ouvir.

—Eu vou conversar com o Sr.Voughan no jantar, e ver o que ele acha disso, por mim, seria ótimo, e renderia bastante.

—Podemos comer alguma coisa? Estou faminta. –minha irmã falou meio rude.

—Vamos. –meus pais disseram ao mesmo tempo.

Eles caminharam até o carro, e minha irmã foi logo atrás. Eu percebi que ela está estranha, não sei por que, ou por quem. Ela não estava falando direito comigo, como de costume desde que chegamos aqui. Meu pai estacionou o carro num pequeno restaurante na cidade, eu pedi uma torta de frutas, e nem escutei o que eles disseram, estava concentrada demais no menu com os pensamentos bem longe. Esse jeito da minha irmã está me incomodando um pouco, ela anda meio estranha ultimamente, mas hoje está pior, e a minha intuição me diz que eu era o problema disso. Eu comi em silêncio, enquanto meus pais conversavam sobre sei lá o que, minha irmã não falou um ‘’A’’, e foi assim, também de volta para casa, assim que chegamos, ela foi direto pro quarto dela, e eu fiz o mesmo, entrei logo atrás dela, eu precisava saber o que estava acontecendo de uma vez, se não, não iria sossegar.

—O que te aconteceu? –eu perguntei assim que entrei atrás dela.

—Sai daqui Pietra, eu não quero conversar.

—Mas eu quero, por que você está desse jeito? Qual o problema?

—Você quer mesmo saber qual o problema?

—Foi por isso que eu te perguntei.

—Você é o problema! –ela disse num tom alto, mas não gritando.

‘’Beleza intuição, obrigada por nunca falhar’’ –eu disse a mim mesma- mas o que deu nessa menina?

—Quê? –eu disse sem entender.

—Você é o problema. –ela disse baixo, e devagar para mim entender. –Seu jeito arrogante, só porque é a gêmea mais velha é a inteligente, a melhor, a favorita do papai. Eu estou cansada de você, e desse seu jeito estúpido com todo mundo, é por isso que você não tem amigos, nem aquele idiota do Voughan tem coragem de falar pra você o quanto você é chata. E é só uma questão de tempo até o Logan perceber quem você é mesmo. E aposto que ele não vai suportar ficar perto de você, assim como ninguém suporta.

—Você não precisa me suportar, é só ficar longe de mim.

Eu estava realmente magoada, segurei as lágrimas que carregavam nos meus olhos, eu nunca pensei ouvir isso da minha própria irmã. Dei as costas pra ela e sai do quarto, eu não queria discutir, subi pro meu quarto e fiquei lá, tranquei a porta e desabei em choro. De certa forma ela tinha razão, esse meu jeito arrogante é o que matem as pessoas longe de mim, mas também, não faço de propósito, mas isso não me importa, nunca importou. O que realmente doeu, foi a pessoa que passou junto comigo 9 meses da minha formação, e a minha vida inteira, e por mais diferente que fossemos, ela ainda é minha irmã, e eu a amo. Mas se ela não me suporta, não sou eu quem vai obrigá-la a fazer isso.

Assim que amanheceu, tomei um banho, peguei minhas coisas, nem tomei café, fui direto pra minha picape e sai. Não queria encontrar com a Ennye logo cedo, eu fui dirigindo sem saber para onde estava indo, como era muito cedo, preferi não ir direto pra escola. Acabei pegando o caminho pra praia, estacionei perto do penhasco, desliguei o carro, abri a porta e sai, fui caminhando até a margem, o mar não tinha ondas fortes, era bem tranqüilo, sentei na areia branca e fiquei lá, não tinha noção de que horas era, nem de quanto tempo fiquei ali.

—Se você for a uns cem metros naquela direção. –eu virei a cabeça e vi o Christoph parado atrás de mim. –Você vai encontrar uma Marina, e se quiser velejar, também pode.

—O que você está fazendo aqui? –perguntei ainda sentada na areia.

—É você quem está na minha propriedade dona. –ele disse se sentando ao meu lado. –Estava chorando? –ele perguntou assim que olhou no meu rosto.

—Me responde uma coisa? –perguntei olhando pra frente.

—Vou tentar ser o mais sincero que puder.

—Você me acha chata, arrogante, estúpida?

—Parcialmente. Você tem a sua personalidade, mas não são todos que vêm isso dessa maneira, então devem achar que você é uma metida presunçosa. Você fala sem pensar, e muitas vezes pensa alto, um pouco alto demais eu diria. –ele disse rindo.

O que me fez rir um pouco também. Não tinha sol, mas também não estava frio, e se o Christoph está aqui, isso significa que eu perdi todas as aulas, ou ele não foi pra escola hoje também.

—Você não deveria estar na escola? –perguntei mudando de assunto, e ver se descobria se eu passei tempo demais aqui.

—Você não deveria ter ido á escola? –eu olhei pra ele, que estava com a testa franzida, e olhava dentro dos meus olhos.

—Deveria, mas não quis.

—Foi alguma coisa com a sua irmã?

Eu realmente estava começando a achar que o Christoph era algum tipo de vidente, ou tele-pata. Ou ele andava me espionando, o que é, deu pra ser um agente secreto agora, trabalha pro James Bond ou pra Kingsman.

—Como você sabe? –perguntei realmente confusa.

—Ela veio perguntar se eu sabia onde você estava, disse que vocês tiveram uma discussão. Que você não estava em casa hoje cedo, e nem apareceu na escola.

—E então vocês estão fazendo uma busca, e você acabou me achando aqui?

—Não. Eu disse pra ela que logo você iria aparecer. Não esquece que você é a invasora de propriedades alheias, não vim atrás de você.

—Obrigada.

—Eu sempre gostei de vir aqui. –ele disse depois de alguns minutos. –É isolado, gosto de ouvir meus pensamentos, mas principalmente ver esse lindo mar, que me faz lembrar o Caribe.

Eu olhei pra ele, que estava olhando fixamente o horizonte azul, e parecia perdido em alguma lembrança, não dava pra decifrar sua expressão, então eu não poderia nem tentar um palpite sobre o que ele poderia estar pensando.

—Vem. –ele se levantou e estendeu a mão para mim.

—Pra onde quer me levar? –perguntei pegando a sua mão e me levantando.

—A uns cem metros naquela direção. –ele disse apontando para a estrada.

Então caminhamos juntos até meu carro, ele foi alguns passos mais rápido e entrou no meu carro, no banco do motorista. Eu não falei nada e sentei no banco do passageiro, ele ligou o carro, deu a ré e saiu dali. Ele seguiu a estrada até dar uns cem metros como disse, entrou na esquerda onde tinha um grande portão de ferro. Ele saiu do carro ainda ligado, abriu o portão, voltou, estacionou perto da entrada. Eu também saí, enquanto ele foi fechar o portão.

—Já velejou antes? –ele me perguntou assim que se aproximou.

—Não.

—Ótimo. –ele sorriu pra mim e foi caminhando até um bote.

Segui ele e entrei no bote, a vista daqui era ainda mais linda, tinha três barcos, e alguns botes parados perto da Marina.

—De quem são esses barcos?

—Um é do meu pai, o outro, do meu tio, e o outro é para quem quiser alugar. –ele disse pegando os remos que estava dentro do bote.

—Eu esqueci a escuta do seu primo na minha casa, te devolvo amanhã.

—Não se preocupe, ele tem outras. Mas me conta, porque você e sua irmã brigaram?

—Não brigamos. Ela estava estranha, eu só fui perguntar qual era o problema dela, e então ela disse que o problema era eu.

—Você fez alguma coisa?

—Não que eu saiba.

—Vai ver ela está brava por outro motivo e acabou descontando em você.

Eu não disse nada, nem ele, de repente eu senti um pingo de chuva cair no meu rosto, eu olhei pra cima, o tempo estava limpo, sem sol, mas não parecia que ia chover.

—Sentiu isso? –perguntei olhando pra ele.

—Isso quê?

—Acho que vai chover.

—Não parece que vai chover. –ele disse, também olhando pro céu.

Não demorou nem cinco minutos e começou a chover, só caiu alguns pingos, e enquanto o Christoph voltava pra Marina, que não estava muito longe, a chuva foi engrossando, quando ele encostou o bote e saímos dele, a chuva ficou bem forte, fomos correndo pro meu carro, dessa vez eu sentei no banco do motorista, assim que ele entrou eu virei a chave pra ligar o carro, mas não ligava.

—Você estragou meu carro. –eu disse olhando pra ele.

—Claro que não. –ele rebateu.

—Então porque não quer ligar?

—Tenta de novo.

Eu tentei e nada, tentei mais uma, duas, três vezes, e nada do carro ligar.

—Desisto. –disse colocando a testa no volante.

—O jeito é esperar a chuva parar, aí eu vejo o que aconteceu.

—Você virou mecânico agora?

—Você tem que aprender a não me subestimar.

—Ok, doutor faz tudo. –eu disse rindo.

A chuva demorou a passar, enquanto isso, ficamos jogando palavras fora, depois que a chuva parou de vez, ele desceu e mexeu em alguma coisa no motor, eu virei a chave e ligou de primeira, já era fim de tarde, eu deixei o Christoph na casa dele, pois segundo ele, -‘’andar é uma terapia, além de um bom exercício, só uso o carro quando não estou a fim de gastar a sola do sapato’’-. Cheguei em casa, estacionei minha picape no galpão, e entrei pela porta dos fundos, por sorte não tinha ninguém na cozinha, mas infelizmente, eu teria que passar pela sala para poder ir pro meu quarto, e pra minha surpresa, tinha alguém lá, e alguém que eu menos esperava encontrar por aqui.