Era para ser você
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Gostaria de dizer que minha vida é um clichê, que sou mais uma adolescente que se apaixona pelo capitão do time de futebol da escola e tem esse sentimento recíproco, que sou a capitã das lideres de torcida, que sou a mais popular, ou até mesmo a nerd das nerd’s. Mas não, eu não sou assim, nunca me apaixonei, não sou popular, muito menos nerd. Não sou burra é claro, mas também não sou a garota com o QI mais alto que possa existir. Eu não tenho amigos, a final, nos mudamos umas 3 vezes por ano, não tenho tempo nem de gravar os nomes das pessoas, quem dirá ter um amigo. Poderia dizer que isto é um problema, que prejudica nas minhas notas e que nunca vou conseguir entrar em uma boa faculdade, mas é mentira. Já estou acostumada, isso não me trás problemas algum.
Mais uma vez, estamos nos mudando, e como sempre isso não me emociona, nem me deixa ansiosa para conhecer o lugar, as pessoas, etc. Não posso dizer o mesmo de minha irmã, ela e eu somos duas pessoas totalmente diferentes, a pesar de sermos um pouco parecidas, a final somos gêmeas, mas não gêmeas idênticas. Temos apenas poucas coisas semelhantes, mas isso graças à genética. Papai é um homem ocupado, nos mudamos com freqüência graças a seu trabalho, minha mãe é uma escritora, então não tem problema com a mudança, acho que herdei o amor por livros dela, eu amo ler. Tenho até uns borrões escritos, mas nada que vá virar um Best-Seller.
Dessa vez eu me surpreendi com o tamanho e deslumbre da casa, ela é enorme e linda, parece aquelas do tipo de filmes antigos, é tudo tão claro e lindo, branco, com tom de azul marinho. Assim que o caminhão de mudanças parou em frente á casa, meu pai parou o carro logo atrás. Sai não tão animada assim, e caminhei até a entrada da casa, subi as escadas e fui até o sótão, acredito que era um quarto antes, ou um tipo de ateliê, sei lá. Tem uma janela enorme, uma cama grande, alguns quadros no canto da parede empoeirados. Descido que vou ficar aqui, larguei minha mochila em cima da cama e desci para ajudar com a mudança.
O dia passou rápido, depois que terminamos de carregar a mudança para dentro de casa, decidimos que arrumaríamos no outro dia, já que estávamos exaustos, subi e tomei um banho, em seguida fui para o sótão –ou melhor dizendo, meu quarto- para pegar uma blusa, depois que voltei para o andar de baixo, vi a mesa para o jantar posta. Pizza, é o que temos para hoje, comemos em frente a tevê. Não conversamos muito, já que estávamos assistindo a um programa de culinária. Continuamos ali, não demorou muito, voltei para meu quarto para dormir estava tão exausta, arrumei a cama e deitei, coloquei meus fones, e acabei pegando no sono, um sono tão bom e profundo.
Acordei com um susto tremendo, minha querida irmã Ennye me assustou, se jogando em cima de mim para eu acordar.
—Acorda Pietra, papai disse que tem uma surpresa para nós. Além de já ser meio dia passado. Levanta de uma vez preguiçosa.
Ás vezes minha irmã me irritava demais; sou mais velha que ela por 1 min 57seg. Mas ela parece não se importar com isso, não que faça alguma diferença, mas sou 1 min 57seg mais velha. Me levantei, se troquei, e desci. Tomei um copo de suco, e fui até a sala de jantar, onde meu pai pendurava alguns quadros.
—Bom dia pai. -Disse enquanto ele estava descendo a escada
—Bom dia dorminhoca, dormiu bem? –ele disse se aproximando de mim e beijando minha testa.
—Bem até demais. Até alguém pular em cima de mim como se eu fosse uma cama elástica. Soube que tem uma surpresa.
—Ah e tenho sim. Mas só depois do almoço. –ele sorriu para mim, indo pegar mais um quadro.
—Almoço? Eu acabei de acordar. Não tem como pular essa parte e mostrar logo? –perguntei já curiosa para saber o que era.
—Ninguém aqui, além de você dormir até o meio dia. Então acho que você vai ter que esperar.
Revirei os olhos, eu detestava ficar curiosa, e além do mais eu não tinha nenhuma pista do que poderia ser. E duvido que se eu perguntasse pro meu pai ele me responderia. Então eu resolvi ir especular minha mãe, vai que ela me contava ou até mesmo me dava uma pista do que poderia ser. Assim que entrei na cozinha, ela estava pondo a mesa para o almoço.
—Quer ajuda mãe? –perguntei me aproximando dela.
—Claro. Pega os copos. –ela disse sorrindo.
—E onde estão? –perguntei, já que não tinha nada no lugar ainda.
—Em uma caixa escrito ‘‘copos’’, em algum lugar da copa.
Caminhei até a copa, -nossa essa casa é realmente muito grande- achei a caixa e peguei quatro copos. Assim que entrei na cozinha, coloquei os copos na mesa e me sentei em uma das cadeiras.
—Mãe... –comecei pensando que talvez ela falasse alguma coisa.
—Sim? –ela disse virada para o fogão.
—Ahm... Soube, que você e o papai tem uma surpresa.
—O passarinho rosa te contou? –ela disse sorrindo, olhando para mim.
—Ele só não me contou o que era.
—E você quer que eu te conte?
—Ou pelo menos me de alguma pista.
—Fale com o seu pai.
—Eu já tentei, mas ele não quis contar até depois do almoço.
—Se ele falou, está falado.
—Mas mãe...
—Ele quer mostrar pra vocês, não serei eu quem irá contrariá-lo Pietra.
—Não adianta eu tentar? –esperei por mais uma chance.
—Acho que não. –ela sorriu para mim, colocando os garfos na mesa.
Ótimo, agora até minha mãe estava escondendo de mim, eu posso estar fazendo drama, mas eu realmente detesto ficar curiosa por qualquer coisa, e não adiantaria eu tentar arrancar informações da minha mãe por que ela não contaria. Então eu tenho que esperar até depois do almoço. Fui a primeira a terminar de comer, e fiquei olhando para o meu pai, mexendo a perna de um jeito meio impaciente. Ele ficava me olhando por cima dos óculos, e voltava olhar para o seu prato. Foi assim por um longo tempo de tortura, que para mim pareceu uma eternidade. Ao contrario de mim, minha irmã parecia muito tranqüila, era obvio que ela não era curiosa como eu, me irritava um pouco ver a paciência dela, enquanto eu estava roendo as unhas. Se ela me ajudasse nessa, meu pai se daria por vencido e mostraria de uma vez o que era.
—Terminei. –meu pai disse depois de longos minutos.
—Finalmente. –eu exclamei levantando as mãos para cima.
—Por favor Pietra, tenha educação. –meu pai disse olhando para mim.
—Desculpa. Será que o senhor pode mostrar agora?
—Você é curiosa demais, igual ao seu avô. -meu pai disse se levantando.
—Ele bem me entende. -disse sorrindo.
—Tudo bem. Vamos até lá fora. Vem Ennye. –meu pai pediu indo em direção a porta da cozinha.
Levantamos juntos, e enquanto caminhava- mos até a porta, minha mãe se levantou e nos acompanhou. Quando saímos, meu pai estava parado em frente á porta de um grande galpão, que mais parecia uma garagem. Ele abriu a porta e lá estavam, duas lonas pretas cobrindo alguma coisa, que não parecia. Meu pai se aproximou e tirou a lona, uma de cada vez, mostrando dois carros, um ao lado do outro. Eu olhei para uma picape meio antiga, e outro igual, mas de cores e pouca coisa diferente.
—Qual é o meu? –perguntei com um sorriso enorme no rosto.
—O da direita. –meu pai disse com um sorriso no rosto.
—Por que duas picapes velhas? –minha irmã perguntou, parecendo não ter gostado muito.
—Ou duas picapes velhas, para cada uma, ou um carro de luxo para as duas. –meu pai falou olhando para ela.
—Isso é ótimo. Nem torturada eu levaria a Ennye pra qualquer canto junto comigo. Eu adorei pai. Obrigada. –eu disse indo abraçá-lo.
—Foi sua mãe quem escolheu.
—Obrigada mãe. Isso é perfeito. Vai ser ótimo não ir andando pra escola.
—Que bom que você gostou docinho. –minha mãe disse toda anima enquanto eu a abraçava.
—Não vai agradecer Ennye? –meu pai perguntou olhando para ela.
—Claro, muito obrigada pai. Pelo menos eu fiquei muito feliz em não precisar ficar grudada com a Pietra pra qualquer lugar que eu vá.
—Cadê a chave? –eu pedi animada para meu pai.
—Aqui. –ele disse jogando a chave na minha direção.
Assim que peguei a chave no ar, fui quase correndo, animada abrir a porta do carro. Entrei e coloquei a chave na ignição, girei a chave e escutei o ronco do motor. Pisei no acelerador e o carro caminhou um pouco. Abaixei o vidro do carro, parando ao lado dos meus pais.
—Vou inaugurar, não demoro.
—Não vá correndo. –minha mãe gritou enquanto eu voltava pisar no acelerador.
Assim que sai do campo de visão deles, entrei na estrada, sentia o vento passar pelo meu rosto. Eu estava me sentindo livre, fui ligar o rádio, mas percebi que não tinha nenhum. Então o único som que eu ouviria era do motor, mas isso já estava bom demais, pra quem só andava de ônibus, poder andar no próprio carro era a melhor coisa possível. E eu adorei minha picape, ela era meio alaranjada, meio desbotado, deveria ser meio velha. Mas mesmo assim eu adorei. Cheguei na cidade, -eu mora alguns quilômetros da cidade-. Ela era pequena, do tipo que todo mundo conhece todo mundo. Certamente eu seria o motivo da fofoca por aqui, quando começasse as aulas, que por minha não tão boa alegria, começaria amanhã. Achei melhor parar num posto de gasolina para abastecer, a gasolina não seria o suficiente pra ir á escola amanhã. Estacionei o carro e abasteci, fui pagar, e quando eu voltei e fui abrir a porta, um idiota passou do meu lado quase me atropelando.
—Preste atenção seu barbeiro. –eu gritei enfurecida.
Ele saiu do carro e caminhou até onde eu estava.
—Olhe por onde anda irritadinha. –ele disse se aproximando.
Eu fiquei olhando pra ele, sem me mexer. Ele era o cara mais gato que eu já tinha visto. Tinha os cabelos castanho escuro, olhos muito pretos, era um pouco alto e certamente tinha um tipo físico perfeito. Eu não consegui dizer nada, entrei correndo no meu carro e sai.
...
Fale com o autor