Notas iniciais
Olá gente, eu ia postar capítulo novo no feriado, mas acabei indo viajar, e na casa da vó não tem internet. Bom, espero que não me odeiem, mas vcs sabem que nenhuma estória sem drama não é clichê hauehau. Façam boa leitura, por hoje postarei só esse capítulo, logo mais em breve eu posto mais. Nosso objetivo é satisfazer baby ^^

Tentei abrir meus olhos, mas não conseguia. Ouvi uma voz familiar falando ao telefone. Eu não tenho a menor ideia de que horas são, mas parece estar de noite. Tentei abrir meus olhos novamente, eu estava deitada na minha cama, o Christoph de pé perto da janela.

—Tudo bem, eu não sei que horas vou. Mas prometo não sair daqui tão tarde. –ele parecia estar um pouco cansado. –Ta eu passo. Mais alguma coisa? –ele ficou em silencio por alguns segundos. –Ta, ta bom Ashley. Eu já chego.

Ele se virou e me viu acordada, desligou o celular sem dar tchau.

Ashley? Ele estava falando com aquela loira oxigenada. Não pode, mas ele nunca mencionou outra Ashley. Eles continuam conversando, e se ele disse que já chega, então quer dizer que eles estão se encontrando. Eu não posso mais continuar com isso, é tortura demais pra mim. Enquanto eu estou gostando dele cada vez mais, ele continua gostando da replica falsa da Britney Spears, se encontrando com ela, e sabe sei lá fazendo mais o que.

—Oi. –ele sussurrou se aproximando de mim. –Como você está?

Ele colocou a mão na minha testa, e parou na minha cabeça, mexendo no meu cabelo.

—Se eu dizer que estou bem, vou estar mentindo. –murmurei.

—Fiquei muito preocupado. Pedi ao médio da família que viesse te ver. Ele disse que você está com algum tipo de virose.

—Virose?

—Talvez seja alguma coisa que você comeu. Ele receitou um remédio, e logo você vai estar bem melhor.

—Sobre mais cedo...

—Tudo bem, você estava delirando por causa da febre. –ele me interrompeu.

—Christoph. –me sentei na cama. –Eu acho que não devemos mais conversar, nem sair junto.

Cada palavra estava sendo horrível para eu dizer, mas não tem outra maneira. Continuar sendo amiga do Christoph, enquanto ele continua com a Ashley, e eu sabendo que ele não está nem aí para mim, não posso fazer isso.

—Por que está dizendo isso? –sua expressão ficou séria. –É por causa do Logan? –seus olhos estavam ficando mais escuros.

—Não. Eu e o Logan não estamos juntos. –senti que tinha que explicar.

—Então porque está dizendo isso? –ele parece estar furioso

—Não podemos mais ser amigos. Por favor, vá embora.

Eu estava segurando as lágrimas, ele parece estar confuso, e furioso. E eu estou com uma vontade enorme de chorar, e implorar para que ele esqueça daquela loira aguada e fique comigo. Mas isso é impossível, ele não faria uma coisa dessas, e eu não posso me torturar com isso.

—Pietra... eu não estou te entendendo. –ele se levantou e passou a mão no cabelo.

—Por favor Christoph, vá embora. –disse quase sem voz.

—É isso o que você quer? Tem certeza.

—Sim.

“Não, não é isso”. Meu inconsciente insiste para eu dizer. Fechei meus olhos e me forcei o máximo que pude para segurar as lágrimas, que me desobedeceram e escorreram pelo meu rosto. Quando abri meus olhos novamente, ele já estava fechando a porta atrás de si, e não olhou pra trás.

Eu me desabei em choro, eu não posso mais ficar longe dele, mas também não posso suportar ficar perto dele, sabendo que ele está com outra, e que essa outra é a Ashley. Deitei de novo, e abrasei o travesseiro, não podia mais obrigar as lágrimas a ficarem escondidas, e era um alivio poder deixar elas sair. Escutei alguém abrir a porta, mas nem me mexi, de repente escuto a voz da minha irmã, e ela deita ao meu lado.

—Pietra, o que foi? –ela sussurrou me abrasando.

—Eu pedi para ele ir embora. –disse em meio ao choro.

—Por quê?

—Isso é masoquismo. Eu não posso ficar perto dele, sabendo que ele gosta de outra, que ele está com ela. Isso dói muito, como pode doer tanto?

Ela me abraçou forte, e foi o que bastou para eu chorar ainda mais.

—De quem você está falando?

—Daquela tal de Ashley, uma ex-namorada dele, ou não. Eu ouvi ele falando com ela no telefone agora. Eu não posso suportar isso Ennye.

—Chore. Chorar alivia.

Ficamos assim por um longo tempo, minha irmã ao meu lado, enquanto eu não parava de chorar. Ver ele ir embora, e saber que ele estava indo pros braços de outra doía ainda mais. Eu nunca seria o que ele quer, quem ele precisa. Sou apenas a “amiga”, e infelizmente isso não bastava, não mais. Onde está aquela música melancólica quando a gente precisa?

Depois de um pouco mais de uma hora eu consegui parar de chorar, porque não tinha mais nenhuma lágrima para sair.

—Você está se sentindo melhor? Eu me assustei quando o Christoph chegou com você nos braços, desmaiada.

—Estou. Eu estava fraca, não comi nada o dia inteiro.

—Ele chamou o médico, foi muito atencioso da parte dele.

—Por favor Ennye, será que da para não falar sobre ele?

—Claro. Desculpa. Adivinha.

—O quê?

—O papai aceitou conhecer o Ian. Ele viria essa noite, mas como você não estava bem eu remarquei para amanhã.

—E vai ser você quem vai preparar o jantar?

—Você pode me ajudar.

—Coitado, ele vai acabar tendo uma dor de barriga horrível.

—Então acho melhor você ficar só olhando enquanto eu cozinho. –ela disse rindo.

—É ai que ele não volta mais aqui.

—Nem mesmo quando você está melancolicamente apaixonada, deixa de fazer piadas comigo.

—Jamais. –ri baixo. –Descobri que o Logan é e sempre foi apaixonado pela sua amiga.

—Qual delas?

—A morena, eu nunca me lembro o nome delas.

—A Lucy?

—Essa mesma. Eu disse pra ele falar com ela, se reaproximar.

—Aquela vaca, nunca me falou nada sobre isso.

Meus pais bateram na porta e entraram, minha mãe estava com um copo d’água em uma mão, e o remédio na outra. Minha irmã se levantou, e eu me sentei na cama.

—Como você está minha filha? –meu pai perguntou se sentando ao meu lado.

—Bem melhor pai.

—Que susto você nos deu docinho. Tome o seu remédio.

Peguei o remédio, coloque na goela e bebi a água. Eu já não estava mais com dores, e nem com febre, mas em compensação, estava morrendo de sono.

—Estou com muito sono. –murmurei.

—É normal, o médico disse que a medicação te daria sono. E não é pra você ir para a escola até estar se sentindo bem melhor, e por precaução deu atestado de dois dias. –minha mãe disse pegando o copo da minha mão.

—Isso vai ser ótimo. –disse forçando um sorriso.

—Vamos te deixar descansar. Se precisar de qualquer coisa, ou sentir dor, tontura, é só gritar que eu venho correndo. –meu pai falou me dando um beijo na cabeça.

—Pode deixar.

—Boa noite meu amor, durma bem. Eu te amo. –minha mãe também me deu um beijo na cabeça.

—Eu também te amo mãe.

—Boa noite irmãzinha.

Eles saíram do quarto, e eu apaguei a luz do abajur no criado mudo. Virei pro lado, e não levou dois minutos e eu acabei dormindo.

Acordei no meio da madrugada, estava com sede, levantei e fui até a cozinha beber um copo d’água. Quando estava voltando, decidi ficar um pouco na sala, sentei no sofá e liguei a tevê, fiquei mudando de canal até encontrar alguma coisa para assistir. Estava passando o filme “500 dias com ela”. Isso não tem a ver muito com a minha situação, já que é o cara que fica perdido de paixão, quando ela não quer nada com ele. A maneira que ele lida com o rompimento, é a maneira como eu estou me sentindo, o coração despedaçado, e pensar que estou assim, porque eu quis. Mas é melhor sofrer agora, do que depois acabar vendo eles juntos, com certeza isso seria muito mais doloroso.

De repente as lembranças voltaram como um filme na minha cabeça, o dia em que eu conheci ele, quando pedi para ele me ajudar a fazer com que o Logan me notasse, quem diria que agora eu estou querendo que ele me notasse. Talvez se eu pintasse meu cabelo de loiro, colocasse lentes de contato e emagrecesse uns quinze quilos teria a atenção dele. Mas eu não vou fazer isso, lógico que não.

Comecei a chorar de novo, e descontroladamente, eu quero ele aqui, junto comigo, quero poder sentir o cheiro do seu perfume de novo, quero poder olhar naqueles olhos exoticamente cinza, e perder o fôlego só de ver o seu sorriso. Mudei de canal de novo, e estava passando “It Will Rain”. Se eu queria uma música melancólica, aqui está uma, e a cada nota, as lágrimas escorriam pelo meu rosto, deitei no sofá e abracei minhas pernas, eu não estava mais agüentando sentir essa dor, parece que estava abrindo um buraco no meu peito.

Eu não quero admitir isso, mas estou apaixonada pelo Christoph, me apaixonei por cada detalhe dele. O sorriso, os olhos, o jeito que ele passava a mão no cabelo, como ele dirigia meu carro, o modo como falava meu nome. Mas o que mais me machuca, é saber que ele não sente o mesmo por mim, que eu não causo o mesmo efeito nele, e só de pensar na hipótese dele estar com aquela loira oxigenada agora, me deixava com raiva.

Acabei dormindo no sofá, o meu rosto molhado das lágrimas, o soluço impulsivo. E a vontade de não querer mais sair desse sofá, não sair mais de casa, só pra não precisar ver ele, mas acontece que ele está em tudo o que eu vejo, o que faço, nessa casa, nessa ilha. Porque eu fui simplesmente me apaixonar por ele? Seria mais simples se eu continuasse acreditando que gostava do Logan, mas quem eu estou querendo enganar.

Quando eu acordei já estava amanhecendo, levantei meio grogue, olhei no relógio que marcava exatamente seis da manhã. Fui até as escadas e subi uma a uma bem devagar, entrei no meu quarto e fui até o meu armário, peguei a jaqueta do Christoph que ainda estava comigo, e que ainda tinha o cheiro dele. Deitei na minha cama, e abracei a jaqueta, sentindo o cheiro do seu perfume, acabei adormecendo de novo.