Era para ser você
21 Capitulo 21
Notas iniciais
—Como foi o aniversário? –meu pai perguntou enquanto lia seu jornal.
—Foi bem chato, bom, não tinha comida boa só frutos do mar. –eu disse comendo um pedaço de pão logo em seguida.
—Então vocês não comeram nada a noite inteira? –ele olhou para mim.
—Ah sim, o Christoph comprou pizza, e depois disso voltamos para casa.
—Esse rapaz é bem responsável. –minha mãe disse se sentando na cadeira ao meu lado.
—Hum. -resmunguei de boca cheia.
—E eu acho que ele gosta de você. –ela me olhou com um sorrisinho.
Espiei meu pai de canto de olho, e ele não tirou os olhos do jornal, talvez tenha fingido não ouvir, eu congelei na hora. Mas fiquei pensando na hipótese do Christoph gostar de mim, e tenho que admitir que amei essa “hipótese”, porém eu tenho minhas duvidas enquanto a isso. Como ele, um cara lindo, inteligente, e pelo que parece tem uma boa condição financeira; além de seus ancestrais terem fundado essa cidadezinha nessa ilha, iria gostar de mim, uma garota sem graça, com o cabelo todo despenteado, -não que eu não penteie, mas ele nunca para do jeito que eu quero. –também não sou o tipo físico de modelo, nem alta para ser como tal, não tenho olhos claros nem sou loira. Bom, me analisando perto da Ashley, eu não devo fazer o tipo dele, então não, eu tenho certeza de que o Christoph não gosta de mim.
—Deve ser paranóia sua mãe. –disse meio triste por pensar que isso seja verdade.
—Pois eu acho que a sua mãe está meio certa. –meu pai abaixou o jornal e olhou para mim. –Não que eu esteja feliz com isso, mas ele é um rapaz respeitador, de família, e eu gostei dele.
Essa conversa já está ficando fora de rumo, estou perplexamente constrangida, uma coisa é minha mãe falar sobre isso, mas meu pai é um pouco vergonhoso pra mim. E eles só podem estar brincando com a minha cara, isso não tem a menor graça.
—Somos só amigos pai, não queira inventar coisas que não existem. –eu desviei o olhar pro meu pão, estava começando a demonstrar nervosismo, e isso entrega tudo.
—Tudo bem. Acreditamos em você, mas acho que e esse rapaz gosta de você docinho. –minha mãe disse me dando uma piscadela.
—Podemos mudar de assunto, vocês estão começando a me assustar. Colocaram cogumelo no pão? Vocês estão alucinando, com todo respeito. –eu quero loucamente mudar de assunto.
—Olha o jeito que você fala com seus pais Pietra. –meu pai disse com tom autoritário.
—Desculpa. –sussurrei.
Continuamos a tomar o café da manhã, e para minha sorte, nenhum dos dois tocou mais no assunto, e não seria eu quem faria isso. No caminho para a escola liguei meu rádio e fiquei cantarolando a música, isso me distraia um pouco e não me permitia ficar pensando coisas. Terminei minha tese sobre o tema “Logan”, e cheguei á conclusão de que não gostava dele da maneira que eu pensei que gostava. Eu não me importei com a nossa briga, não fez diferença alguma pra mim, eu não senti a falta dele, eu sei que fiz errado em ter praticamente obrigado o Christoph a me ajudar a fazer com que o Logan se interessasse por mim, mas acontece que no decorrer desse período eu fui desgostando dele, do modo como eu gostei quando o vi pela primeira vez no posto de gasolina. Quero dizer, eu gosto do Logan, mas não daquele jeito, não como supostamente eu esteja começando a gostar do Christoph, não como eu pensei que gostasse, eu não tenho a menor idéia do que vou fazer agora, não tenho ninguém com quem falar sobre isso, não posso falar com a minha irmã porque a amiga dela diz ser a fim do Christoph, não posso falar sobre isso com o Christoph porque ele é a questão, e infelizmente meu único amigo. A única pessoa que eu realmente confio é minha mãe, e é exatamente com ela, que eu vou falar assim que chegar em casa.
Eu estava sozinha no refeitório, não vi o Christoph, e por sorte nem o Logan, resolvi colocar meus fones e ficar apreciando as notas da música “Eyes on fire”. Fechei meus olhos, e de repente olhos cinzentos surgiram na minha mente, comecei a sorrir, a imagem estava muito nítida. De repente escuto alguém falar comigo, a música não está tão alta, mas não consigo entender o que a pessoa disse, abri meus olhos, e vi o Christoph sorrindo para mim com as sobrancelhas erguidas. Tirei meus fones e toda atrapalhada, deixei meu celular cair no chão.
—Calma. –ele disse se abaixando para pegar meu celular. –Pelo visto seu sonho estava muito bom. –ele falou agora colocando o celular na minha mão.
Sua mão encostou na minha e eu fiquei paralisada olhando nos seus olhos, ele segurou minha mão e apertou um pouco.
—Sua mão está gelada. –ele disse olhando para a minha mão.
—Ahm... eu... já estou acostumada. –disse gaguejando e puxando a minha mão depressa.
O que eu estou fazendo? Porque estou gaguejando? E minhas mãos começaram a suar, éca. -Calma Pietra, ele não sabe que você gosta dele, aja normalmente- meu inconsciente me aconselha e eu tento ficar calma.
—Você me assusta ás vezes sabia. –ele sussurrou agora sério.
—É minha missão na vida, assustar as pessoas. É por isso que ninguém chega perto de mim. –disse olhando pra mesa.
—Ainda bem que eu sou corajoso.
Se isso foi uma piada, não teve a menor graça.
—Hein?
—Normalmente as pessoas não chegam perto daquilo que as assustam, mas eu gosto de estar perto de você, e como você me assusta isso é um ato de coragem, não?
Ele gosta de estar perto de mim. Estou virando mortal triplo por dentro.–mas espera aí Pietra, você é a melhor amiga dele, é claro que ele vai gostar de estar perto de você, e não por que ele gosta de você, por que é exatamente o oposto, não tem como ele gostar de você, já que ele prefere loiras e você é morena, não se iluda. –meu inconsciente me alerta de novo, me fazendo acordar pra realidade.
—Christoph, posso te fazer um pergunta, um tanto pessoal?
—Depende. –ele disse franzindo a testa.
—Você é rico? –disse baixo.
Ele começou a rir, e eu não entendi por que. Ele mora numa mansão, tem uma Mercedes, e está sempre bem arrumado, acontece que eu não tinha certeza disso, então resolvi perguntar.
—O que te faz pensar que eu sou rico? –ele disse agora parando de rir.
—Você mora numa mansão, tem uma Mercedes, e seus ancestrais deram origem a esta cidade, e bem... para se construir uma cidade precisa de muito dinheiro.
—Eu não sou rico Pietra. Sou milionário, bem... meu pai é, e como eu pretendo trabalhar no negocio da família isso faz de mim um futuro milionário.
Ele disse milionário? Eu pensei que ele tivesse uma boa condição financeira e não uma excelente condição financeira. Mas isso não me surpreendeu, talvez porque eu já esperava por esta resposta.
—Ta interessada no meu dinheiro? –ele perguntou num tom brincalhão.
—Lógico que não. –retruquei.
—Ta interessada em que então, com essa pergunta?
Em você seu babaca. É obvio que eu não posso e nem vou dizer isso em voz alta.
—Só curiosidade.
—Ah, antes que eu me esqueça, minha mãe pediu para eu dizer a você, para dizer a sua mãe, que ela vai até o continente amanhã fazer algumas compras, e está convidando sua mãe para ir junto. E que vai passar na sua casa por volta das 13:oo horas.
—Mais alguma coisa?
—Sim, eu vou te levar para pescar. Você está quieta demais desde que brigou com o seu namorado.
O quê? Me levar pra pescar, mas que brincadeira é essa, eu nunca pesquei na minha vida. Olhei pra ele, que me pareceu ter falado sério.
—Você também andou colocando cogumelo no pão? Eu nunca pesquei na minha vida.
—Eu te ensino. –ele disse ainda sério.
—E o Logan não é meu namorado. –disse pra deixar isso claro, já que ele nunca me pediu em namoro.
Ele me olhou, estava sem expressão alguma, e eu não consegui decifrar o que ele poderia estar pensando. Ele não falou nada, e nem eu, voltamos para a aula, depois que acabou fui para casa, quando cheguei encontrei minha mãe no escritório, escrevendo.
—Oi. –disse me sentando numa poltrona perto da mesa.
—Oi docinho, como foi a aula? –ela perguntou me olhando por cima do computador.
—Como sempre. Ah mãe, o Christoph me pediu para te avisar que a Genevieve vai até a cidade amanhã fazer algumas compras, e está te convidando para ir junto. Ela passa aqui por volta das 13:oo horas.
—Obrigada por avisar. Você não quer ir junto?
—Ahm... na verdade, o Christoph e eu vamos pescar.
—Você pescando?
—Pois é.
—Foi idéia sua, ou dele? –ela parou de mexer no computador, e agora estava me olhando.
—Dele.
—Vocês estão se dando muito bem, pelo o que me parece.
—É sobre isso que eu quero conversar com você. Ahm... bom, eu só tenho você para poder conversar sobre isso mãe.
—Claro minha filha, você e o Christoph estão namorando?
—Não. –eu disse de imediato. –Não é isso. Vou te explicar.
Expliquei tudo para a minha mãe, sobre o Logan, sobre o Christoph ter me ajudado a fazer com que o Logan se interessasse por mim, e sobre agora eu estar gostando do meu melhor amigo.
—Ah querida. Fazer com que uma pessoa goste de você intencionalmente, não é uma maneira sincera de um sentimento verdadeiro. Bom, se esse rapaz, o Logan gosta de você, é porque você procurou fazer com que ele te notasse, quando ele deveria ter te notado por si mesmo.
—Ta, mas acontece que agora eu não gosto mais do Logan, na verdade, eu acho que nunca cheguei a gostar mesmo dele. Foi só...
—Não tente se enganar Pietra, não engane os outros, mesmo que você não esteja fazendo isso de propósito.
—Eu não sei o que fazer mãe.
—Bom, você mesma disse que ele nunca oficializou nada. Vai ver, ele também não tem certeza de nada.
—Você acha?
—Eu não sei docinho, mas se ele não veio falar com você desde o dia que vocês brigaram.
—Nada.
—Espere. Só o tempo pode te mostrar o que realmente é verdade. O que tiver que ser, com certeza será.
—E enquanto isso, eu continuo sendo amiga do Christoph, e gostando cada vez mais dele, enquanto ele só me vê como a “melhor amiga”?
—Eu não acho que ele só te veja dessa maneira, já te disse. Ele gosta de você, e da pra perceber que é de uma maneira sincera, um sentimento de verdade, sem você ter feito ele te notar de propósito.
—Continuo tendo a certeza de que isso não seja verdade.
—Você só vai saber disso com o tempo, mas não tente apressar as coisas.
—Obrigada mãe. –disse indo abraçá-la.
—Eu sempre vou querer a sua felicidade minha filha.
Eu adoro o abraço da minha mãe, me sinto confortada, e foi ótimo ter falado com ela sobre isso. Cheguei á conclusão de que vou deixar o Logan de lado, se ele quiser vir falar comigo, tudo bem, se não, tudo ótimo. Eu não posso falar com ele, e ainda acabar dando falsas esperanças, eu iria acabar magoando ele e me sentir mal por isso depois, a final de contas, fui eu quem procurou por isso.
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