Era para ser você
17 Capitulo 17
Notas iniciais
Depois da aula, eu e o Christoph fomos para a detenção, ele não falou comigo, não disse uma só palavra me xingando sobre tagarelar demais, nem me culpou por perder o treino e ir parar na detenção. Sentei ao lado dele, ainda não desisti de tirar uma resposta que me convencesse.
—Sabe... Nós poderíamos não estar aqui, se você tivesse me respondido da primeira vez que eu te perguntei.
—Nós não estaríamos aqui, se você não fosse tão exigente e chata. Já disse que não sei.
—Esse seu “não sei”, não me convence em nada. Qual é Christoph. Você sabe o quanto eu sou curiosa, e... Essa de que a sua mãe já ouviu falar muito sobre mim está me intrigando.
-Meu pai contou á ela que você é minha amiga, porque seu pai disse a ele. E sua mãe deve ter falado muito sobre você.
—Não! –fechei os olhos e respirei fundo. –Christoph, entenda, não foi minha mãe quem disse, ela já sabia antes mesmo da minha mãe falar com a sua...
—Chega. –ele me interrompeu. –Quantas vocês eu tenho de dizer que não sei? Para de falar nisso.
—Eu quero saber...
—Eu disse, já chega. –ele endureceu a voz com autoridade para falar.
Passamos o resto da detenção em silêncio, eu fiquei encarando ele com raiva, todo tempo, um minuto ou outro ele olhava para mim, e voltava á atenção ao livro. Eu ainda estava intrigada com isso, mas achei melhor tentar esquecer, vai ver ele tinha razão, ou eu é quem sou paranóica demais. Me lembrei do Logan e do treino, por uma bobagem eu perdi de ver o treino, perdi de ver o Logan naquele uniforme, perdi de ver o Logan jogando basquete naquele uniforme. Ta, fiquei olhando pras paredes, o tempo parecia estar se arrastando, eu não queria estar aqui.
—Christoph? –sussurrei.
Ele levantou a cabeça e me olhou em silêncio, esperando eu falar alguma coisa.
—Posso te fazer uma pergunta?
—Não. –ele voltou a olhar o livro.
—Ta de mal humor por quê? –perguntei mesmo assim.
—Não estou.
—Foi por minha causa? Por que eu te irrito? –eu estava tentando puxar assunto, porque estava odiando aquele silêncio.
—Eu sabia que você era irritante Pietra, mas não pensei que chegasse a tanto. E sim, é por sua causa.
Sorri, eu gostava de irritar as pessoas, eu odeio me irritar com os outros, mas irritar era divertido, ainda mais quando era minha irmã, e o Christoph.
—Desculpa. –eu disse com total sinceridade. -Só... não precisa ficar de mal humor, você fica muito chato quando está assim.
—Que coincidência, você fica muito chata quando está curiosa. –ele rebateu.
Revirei os olhos, e fiz careta pra ele. Não demorou muito e o sinal bateu, nós saímos da sala, fui direto pro meu carro, quando cheguei no estacionamento o Logan me chamou, eu virei pra ver ele, que estava tão lindo naquele uniforme, minha nossa, ele nem tinha tirado o uniforme do time, e estava com a bola de basquete embaixo no braço esquerdo, e com a mala no ombro direito.
—Oi. –ele disse com um sorriso lindo.
—Olá. –respondi sorrindo também.
Ele chegou mais perto e me deu um beijo rápido, estava suado por causa do treino, com as bochechas um pouco vermelhas. Sem deixar a beleza de lado, eu não consigo parar de olhar pra ele, que vergonha.
—Desculpa, eu acabei de sair correndo do treino.
—Tudo bem. –respondi olhando bem no fundo daquele preto carvão dos olhos dele.
—O que você acha da gente sair pra comer alguma coisa?
—Acho uma ótima idéia, estou faminta.
—Ok. Só preciso passar em casa tomar um banho, tudo bem pra você?
—Ahm... ta... –respondi meio incerta.
Se tínhamos que passar na casa dele, seria bem provável de que eu teria que ver os pais dele, caso estivessem em casa, e isso seria muito constrangedor, já que nós não estamos oficialmente namorando, pelo menos eu acho que não, já que ele não me pediu em namoro, na verdade nunca chegamos a falar sobre isso. ‘’Estão na fase do conhecimento Pietra’’. Meu inconsciente me lembrou. Ele parou o carro em frente á casa dele, eu disse que esperaria no carro sem incomodo algum, mas ele insistiu que eu entrasse, então entrei. Pra minha sorte não tinha ninguém em casa, os pais dele estavam no trabalho, e o irmão na escola. Fiquei esperando na sala vendo tevê, enquanto ele subiu para tomar banho, fiquei olhando alguns quadros que estavam na parede, e outros em cima da estante; era do Logan quando criança, dele jogando basquete, pescando com o pai, outro com o irmão, jogando basebol e um com alguns garotos. Se eu bem reconheci, diria que três deles eram os amigos do Logan o Paul, aquele loiro idiota, o Josh e o Danny, e o outro era o Christoph.
—Demorei? –dei um pulo de susto quando o Logan falou atrás de mim.
—Que susto. –fechei os olhos e coloquei a mão no peito.
—Desculpa. –ele disse rindo. –E aí, vamos?
—Claro. –respondi indo em direção da porta.
Eu deixava escapar olhar de canto de olho pro Logan enquanto ele dirigia, ele estava com uma camisa preta de manga comprida branca, uma calça jeans, os cabelos úmidos, e muito cheiroso, aquela pela clara dele com as bochechas só um pouquinho vermelhas. Ah minha nossa, ele está bonito demais. Ele parou o carro, e entramos na lanchonete, abri a porta e soou o barulho do sino na porta, nos sentamos em uma mesa perto da janela, fizemos nosso pedido, e ele estava me olhando sério enquanto esperávamos.
—O que foi, tem alguma coisa errada comigo? –perguntei, já que ele não parava de me olhar.
—Não. –ele sorriu de canto. –Você tem olhos lindos, só estava reparando mais neles.
—Obrigada. –disse tímida.
—Percebi que você olha bem nos olhos quando está conversando.
—É mania, gosto de olhar nos olhos de quem estou conversando. –disse olhando no preto carvão dos seus olhos.
—Não são todas as pessoas que fazem isso. Isso intimida um pouco. –ele riu baixinho.
—Eu te intimido? –perguntei um pouco séria.
—Só quando olha bem dentro dos meus olhos.
Fomos interrompidos pela garçonete, que trouxe nossos sucos.
—Então... –ele disse depois de tomar um gole do suco.
—O quê? –perguntei tomando o meu.
—Como foi na detenção?
Não entendi onde exatamente ele quis chegar com essa pergunta, mas respondi.
—Um tédio.
—Tenho certeza de que sim.
—É mesmo?
Certo, agora eu estava começando a me intrigar com o que ele estava querendo dizer, ou perguntar, onde exatamente estava querendo chegar com essa conversa, então resolvi levar isso um pouco só para ver até onde iria.
—Na companhia do Voughan, com certeza. –ele respondeu meio esnobe.
—O que você quer dizer com isso?
—O cara te fez ir para a detenção, e ainda por cima, você teve que ficar todo o tempo com ele, e você mesma disse que foi um tédio. Sinceramente, não sei por que você fala com ele, nem deveria se dar ao trabalho.
—Primeiro, o cara foi parar na detenção por minha causa, e não o contrario. Segundo, o nome do cara é Christoph. E terceiro, se foi um tédio ou não, com certeza não foi por causa da companhia dele. –respondi séria.
—Ta defendendo ele por quê?
—Por que ele não teve culpa, eu não vou acusar ele por ter feito algo que não fez. E ele é meu amigo, é claro que eu vou continuar falando com ele.
Hein? O Logan estava com ciúmes, ou é porque supostamente ele tem algum problema com o Christoph? De qualquer jeito eu não gostei do modo como ele falou comigo, e é claro que eu vou defender o Christoph, ele é praticamente meu único amigo, e não teve culpa de nada, e se o Logan estava pensando que eu iria concordar com ele, ele estava muito enganado. Levantei e dei as costas pra ele, sai pela porta e fui caminhando até o estacionamento da escola onde estava meu carro, ouvi o Logan gritar meu nome, mas nem dei importância.
—Ei... Pietra... –agora estava um pouco mais perto.
Continuei andando sem olhar pra trás, eu poderia estar fazendo drama sim, mas ele não tinha o direito de falar comigo daquele jeito, até parece que eu sou uma propriedade dele, e se eu continuasse ali falando sobre isso, ele seria bem capaz de querer me obrigar a não falar mais com os meus amigos, bom, ele disse isso, só não com as palavras bem declaradas.
—Pare. –ele disse segurando meu braço.
—Me larga. –disse encarando ele.
—Qual o seu problema?
—Qual o seu problema? –perguntei, ele ainda segurava meu braço.
—Vai fazer isso mesmo? Por causa daquele cara? –ele apertou um pouco meu braço.
—Solta do meu braço, você ta me machucando. –eu disse tentando soltar dele.
—Por que você saiu daquele jeito? –ele perguntou soltando do meu braço.
—Por que você não tem o direito de falar comigo, como se eu fosse uma propriedade sua.
—Mas o quê? Eu não falei nada demais...
—Você foi esnobe, se eu continuasse lá, você seria capaz de querer me obrigar a parar de falar com os meus amigos, bom praticamente disse isso. Acontece que eu não tenho culpa se você tem algum problema com o Christoph, seja ele qual for.
—Eu não vou te obrigar a parar de falar com seus amigos, só não entendo porque você se da ao trabalho de falar com ele.
—Já disse. Ele é meu amigo, e o que eu faço ou deixo de fazer não te diz respeito. Passar bem.
Me virei, e continuei andando, eu estou muito furiosa com o Logan, quem ele pensa que é pra falar comigo assim? Entrei no meu carro e fui dirigindo até em casa, liguei o rádio e fui me acalmando, é melhor eu não ficar pensando nisso, se não eu ficaria mais brava com ele.
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