Era para ser você
34 Capítulo 32
Notas iniciais
Na manhã seguinte eu acordei revigorada, fui para a escola, e novamente não vi nem a sombra do Christoph, eu já estava começando a considerar a hipótese dele ter fugido com a Ashley pro Hawaii. Mas achei meio improvável, ou talvez ela tivesse obrigado ele a não ir mais para a escola, só pra não chegar perto de mim. Mas assim que entrei na sala de aula, eu paralisei, por uns dez segundos, e quando alguém se esbarrou em mim, dei conta de começar a andar, andei decidida pro meu lugar, mas só quando eu me sentei, percebi que não estava respirando, peguei meu caderno e o livro, e comecei a folhear, apenas para disfarçar meu nervosismo.
Christoph não olhou pra mim um segundo se quer, ele nem cuspiu uma palavra que fosse, ficou olhando pro professor a aula inteira, sem se dar conta de que eu estava do seu lado. Pensei várias vezes em dizer “oi, e aí como vai? Ou “me empresta seu lápis”, mas não tive coragem alguma, eu apenas sondava ele de canto de olho, com a esperança que ele fizesse o mesmo. Volte e meia, eu me remexia na cadeira, apenas pra poder sentir seu cheiro, e ele estava cheiroso demais, aquilo me deu nostalgia, saudade, e uma vontade enorme de pular no seu pescoço e afundar meu nariz na sua camisa, só pra inalar aquele perfume.
Quando o sinal bateu, ele saiu da sala, sério, eu fiquei sonhando acordada vendo ele sair enquanto lentamente guradava minhas coisas.
—E aí. –ouvi uma voz e me assustei.
—Oi Logan, tudo bem? –perguntei assim que vi quem era.
—Tô ótimo, você parece muito distraida. Ta sonhando com quê?
—Ah. –revirei os olhos. –Sabe como é, aula de biologia, não consigo parar de pensar naqueles insetos pesonhentos. –disse sorrindo.
Ele riu um pouco, acho mais que por educação, e então me acompanhou, e fomos até a cantina.
—E como ta o lance com o Voughan?
—Não tem lance nenhum. Ele só... você sabe, ta tudo numa boa. –forcei um sorriso.
—Ansiosa pro seu aniversário? –ele perguntou mudando de assunto.
Ainda bem que ele percebeu que eu não queria falar do Christoph, isso foi de um alívio pra mim, eu não sabia o que pensar na hora que vi ele, fiquei tão nervosa e surpresa por te-lo visto, eu não esperava mesmo, controlei com todas as forças que pude para não perguntar porque ele não veio para aula nesses dias, como ele tinha passado todo esse tempo que eu estava ausente, mas pela cara dele, e o modo como ele agiu, como se eu nem estivesse ali me magoou, fazendo eu perder a coragem que estava encontrando.
—Na verdade não, mas minha mãe sim. Ela até começou a preparar as coisas. –eu disse enquanto Logan puxava a cadeira para eu poder sentar.
Ficamos conversando sobre os preparativos do meu aniversário, e como Logan estava se dando bem com a garota, eles até começaram a namorar, mas ela preferia manter em sigilo por enquanto, até eles se firmarem bem, então eles não ficavam juntos na escola, somente fora dela. Eu estava realmente feliz por ele, o Logan é um cara legal, chega até ser um cara perfeito, mas não é o cara perfeito pra mim. E quando eu pensava nisso, Christoph surgia nos meus pensamentos, me deixando angustiada, porque mesmo ele sendo o cara perfeito pra mim, ele não estava comigo. Isso é um pouco deprimente, mas quem nunca foi apaixonado por alguém e esse sentimento não era recíproco?
Eu estava bem entrertida na conversa com Logan, ele era engraçado, era fácil conversar com ele, e mais fácil ainda ser apenas amiga dele, vai ver foi por isso que começamos a nos dar tão bem. Estava distraida, fui beber um gole do refrigerando, e olhei ao redor, de repente vi olhos cinzas gravados em mim de longe, ele desviada de mim para o Logan. Christoph o fuzilava com os olhos, um ódio ardendo neles, do nada nossos olhos se encontram, e eu fiquei paralisada neles, ele não demosntra absolutamente nada, mas seus olhos dizem muito. Esse minuto, parecia ter durado quase horas, enquanto ele me olhava sem desviar, aquela raiva sumira de seus olhos, confesso que senti falta dele me olhando desse jeito, eu só não conseguia entender porque ele fuzilava tanto o Logan.
—Você quer que eu te acompanhe? –escutei Logan dizer, me tirando do meu transe.
—Quê? –perguntei sem ter entendido direito.
—Quer que eu vá com você até sua sala, o sinal já bateu. –ele repediu com calma.
—Ah. Não. Tudo bem, eu vou sozinha. Você vai acabar se atrasando. Não se preocupe. –eu disse já me levantando.
Olhei novamente pra direção onde o Christoph estava, e ele já tinha saido. Procurei sem muito sucesso por ele.
—Você está bem? –Logan perguntou tocando em meu ombro.
—Sim. Eu tô legal. –disse forçando um sorriso. –Até depois.
—Se cuida. –ouvi ele dizer enquanto caminhava.
Eu não vi mais o Christoph pelo resto do dia, quando cheguei em casa minha mãe estava animada com tia Amber.
—Docinho, vamos dar uma volta, quer ir junto? –minha mãe perguntou.
—Eu adoraria, mas eu tenho um monte de trabalho pra fazer, por causa da semana que faltei. –e realmente tinha, só exagerei um pouqinho.
—Tudo bem então, ou ver se sua irmã quer ir junto. –ela disse beijando minha cabeça. –Se cudia. Eu amo você.
—Piet vai junto? –minha tia apareceu do nada.
—Não, tem muito trabalho. –minha mãe respondeu por mim.
—Ah. Mas que pena.
—Tudo bem, fica pra próxima. –disse tentando convence-la, e não ficar insistindo.
—Ta. Vê se, se cuida. Vamos Jeynnie o Collin já está no carro. –ela disse já indo em direção a porta.
Assim que elas sairam, eu subi para o meu quarto, deitei na cama e fiquei olhando pro teto. Aquele olhar do Christoph não saia da minha cabeça, porque é que ele olhava com tanto ódio pro Logan? Porque é que ele me olhava daquela maneira, se agiu como se eu nem existisse? Argh, esse garoto é mais complicado do que eu, e eu ainda fico me importando com isso. Do nada eu apaguei, não sei de onde apareceu tanto cansaço, parecia que eu tinha trabalhado o dia todo debaixo de um sol escaldante, meu corpo estava pesado, e meus olhos ardiam, pedindo para serem fechados. Atendi seu apelo, e acabei dormindo. Olhos fervorosos e cinzentos surgiam de relance, isso, somente isso e mais nada. Eu tentei perguntar, mas ele não me ouvia, eu gritava mas parecia que som algum saia da minha garganta, eu tentava alcança-lo mas cada vez que eu estava mais perto, ele parecia estar mais longe. Foi perturbador, acordei de um pulo, estava suando, e meu coração estava acelerado.
A sensação de não poder chegar perto do Christoph, de não conseguir escutar sua voz, foi a pior sensação que eu já havia sentido. Eu precisava loucamente vê-lo, eu queria vê-lo, perguntar porque ele escolheu a Ashley, saber porque ele estava fazendo isso comigo, eu precisava me livrar dele, tirar ele dos meus pensamentos, e principalmente do meu coração, porque isso doia, e era uma dor aguda, uma dor que parecia ser eterna, e eu não gostava nenhum pouco dela, eu precisava voltar ao meu normal. Uma garota tipica, sem amigos, que nunca tinha sentido a paixão antes. Mas a esse ponto, eu já estava com medo, medo de que não fosse só paixão, medo de que fosse amor. E isso era muito, muito assustador para mim.
Fiquei mais algum tempo deitada, tentando assimilar o que eu tinha sonhado, escutei barulho vindo de baixo, e decidi levantar, assim que cheguei na sala, estavam todos conversando animadamente, até Ian estava ali com a minha irmã. Durante o jantar eu fiquei quieta, apenas concordava com a cabeça, e resmungava um “uhum” sem saber do que estavam falando.
Logo após o jantar, ajudei minha mãe com a louça e voltei para o meu quarto. Na manhã seguinte tudo de novo, dessa vez sempre que eu via o Christoph em algum lugar, ou ele fingia não me ver, ou eu pegava ele me encarando daquele jeito. Eu não estava mais suportando isso, estava começando a ficar com raiva dessa situação, decidi que tentaria com todas as minhas forças esquecer esse garoto, eu não podia passar o resto da minha vida perdida de amores por ele, ah isso eu não ia fazer mesmo.
A semana passou com uma lentidão horrivel, a cada dia eu pensava menos no Christoph, mas todas as noites era ele quem perturbava meus sonhos, ou eu deveria dizer; era ele meu melhor pesadelo? Não importava, no fundo eu amava sonhar com ele, só assim eu podia ficar perto dele, sentir seu cheiro que ainda estava impregnado na minha mente, ouvir sua voz rouca e sedutora.
Finalmente chegou o dia do meu aniversário, minha mãe não parava quieta organizando tudo, ela corria de um lado para o outro, organizando as coisas, preparando a comida, e o pior, ela não queria que chegassemos perto das coisas que ela estava fazendo.
—Vá se arrumar Pietra. Não quero você na cozinha até a hora do jantar.
—Porquê? –perguntei curiosa.
—Por que, quem está organizando tudo por aqui sou eu, e eu não quero que você, nem sua irmã se intrometa na minha organização.
—Argh. –revirei os olhos e sai dali.
Não levaria nada tentar argumentar com a minha mãe, tia Amber estava ajudando ela, meu pai estava trabalhando, mas voltaria a tempo, Collin não estava sendo de muita ajuda ali, mas ainda assim minha mãe deixava ele chegar perto da cozinha, fui para cima tomar um banho. Liguei o chuveiro e deixei a água escorrer pelo meu corpo, tentei me desligar de tudo, apenas me concentrava na água morna, não estava com pressa alguma, e nem fazia questão de me apressar. Fiquei um bom tempo de baixo do chuveiro, lavei meus cabelos lentamente, deixando o condicionador tempo demais, mas valeu porque estava macio e cheiroso. Assim que entrei no meu quarto, vi um vestido arrumado em cima da minha
cama, com certeza foi minha mãe quem o deixou ali.
Esse vestido era novo, com certeza, porque eu nunca o tinha visto antes. Ele era de alça grossa, um decote comportado, com uns ondulados na barra, ia uns cinco dedos acima do joelho, ele era estampado de rosas vermelhas, mas especificamente no vermelho bordô, tinha um cinto preto na cintura, era puro e simplesmente lindo. Junto estava uma pulseira, na cor preta, que combinava com o cinto, tinha também um sapato de salto, preto, não era nada exagerado. Ao lado tinha um cartão, eu peguei e abri.
“PARABÉNS MEU AMOR, ESPERO QUE GOSTE DO SEU PRESENTE, TENHO CERTEZA QUE FICARÁ LINDO, POIS VOCÊ É A FLOR MAIS BELA QUE JÁ VI EM TODA VIDA”
COM AMOR... MAMÃE E PAPAI.
Minha mãe tem um ótimo gosto, deixei o cartão de lado e comecei a me arrumar, preferi fazer a maquiagem primeiro, passei uma sombra escura, rimel, deixei os olhos bem destacados, eu sempre gostei de fazer maquiagem na minha irmã quando éramos crianças, confesso que ficou digno de profissional, passei um batom marrom claro, logo em seguida tentei fazer alguma coisa no cabelo, opitei por uma trança estilo escama de peixe, de lado, deixando alguns fios soltos. Assim que me vesti, e coloquei os sapatos, alguém bateu na porta.
—Entra.
—Ta pronta? Uau... Pietra você está linda demais. –minha irmã disse boquiaberta.
—Você também não está nada mal.
E não estava mesmo, o vestido dela era lindo, de uma cor nude com renda em forma de flores pretas por cima, sem mangas, e com o decote alto, também uns cinco dedos acima do joelho, ela usava sapatos cor nude, de salto, com o cabelo preso num rabo de cavalo, de um modo bem elegante, brincos longos, um batom meio avermelhado, e a maquiagem bem feita.
—Mamãe mandou te chamar, os convidados já estão chegando.
—Tem muita gente lá embaixo?
—Algumas. Está nervosa?
—Um pouco, não me sinto confortável perto de pessoas. Ainda mais quando eu sou o centro das atenções.
—Fica tranquila, não esqueça que eu também sou o centro das atenções esta noite. –ela disse sorrindo, para me tranquilizar.
—Eu sei, mas você é mais comunicativa, já está acostumada com isso.
—Você também se acostuma.
—Acho dificil. Muito, muito dificil.
—Vamos. Segura minha mão, assim você não se sente sozinha nessa, como faziamos quando éramos crianças. E tem um apoio pra não cair da escada.
Eu ri, nervosa como eu estava, era muito capaz de eu acabar me estafelando no chão. Saimos do quarto, assim que chegamos nos ultimos degraus da escada, todos olharam para nós, e lá, bem atrás de todo mundo, eu vi aqueles olhos, meu coração acelerou, minhas pernas pareciam gelatina, eu dei um passo em falso, e graças a minha irmã eu não cai feio no chão.
Eu não esperava ver o Christoph aqui, ainda mais lindo desse jeito. Ele não tirava os olhos de mim, e um sorriso tordo surgiu no canto de seu lábio, ele estava com uma taça na mão, e vinha andando na minha direção.
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