Era Uma Vez... [hiatus]
3 A curiosidade não mata o gato... ou será que sim?
Notas iniciais
O barulho foi muito forte, o que quer que tenha caído, causou muito estrago. Edward me abraçava fortemente, não era necessário tanta força, já que Rony também estava me abraçando. Quando achei seguro me desvencilhar deles, olhei para cima, ainda estava muita fumaça, mas o brilho roxo era mais forte. Lutei um pouco com o aperto forte de Edward, mas ele logo cedeu, fui engatinhando até o brilho, tateando a minha frente, cheguei até a beirada da cratera, mas como sou desastrada, acabei saindo rolando, indo de encontro com aquilo.
— AI! – alguma coisa com uma voz bem fina gritou. O brilho me cegava, não conseguia ver nada, nem minhas próprias mãos. Fechei os olhos e fui passando a mão, para ver (ou sentir) o que estava embaixo de mim. – Olha essa sua mão boba meu.
— Quem está ai? – sussurrei assustada.
— Se você saísse de cima de mim, eu poderia me apresentar direito. – eu pulei para o lado, ainda de olhos fechados, conseguia ver a claridade daquela criatura de longe. – acho que também ajuda se você abrisse os olhos.
— Tem muito brilho aqui.
— Não sabia que as fadas de Avalon estavam acostumadas à escuridão.
— Não... Sua energia... É muito forte. – eu disse me encolhendo, conseguia sentir o poder sombrio, e aquilo me deixava muito mal.
— A, desculpe, eu não posso evitar. – a criatura soltou uma risadinha abafada. – Será que tem como eu sair daqui sem ninguém me ver?
— Se ainda tem fumaça, creio que sim. Você, o que é que seja você, causou muito estrago.
— Tem algum lugar a onde eu possa me esconder?
— Tem um lago logo a sua direita... Eu acho que seja a sua direita. Se esconda do outro lado da ponte. – eu disse, ainda de olhos fechados, apontando para minha frente. Ouvi um zunido estranho e uma repentina escuridão. Abri os olhos e só vi fumaça, terra e água. Levantei o mais rápido que eu consegui e sai da cratera de fininho, a fumaça ainda me encobria.
— POLLY! POLLY! – ouvi Edward gritando logo a minha frente, mesmo sem o ver.
— Aqui, eu to aqui. – eu disse agarrando suas mãos. Senti Rony segurando nos meus ombros.
— A onde você foi?! – Edward gritou.
— Ouvi uma criança chorar, e fui engatilhando até encontra-la, nada demais. – dei de ombros. – Vocês estão bem né?
— Rony torceu o tornozelo, mas fora isso, sim. E você?
— Sim, só um pouco suja de terra. – eu disse começando a enxergar melhor suas feições. Ele estava muito sujo, com algumas linhas molhadas nos olhos, ele não estava chorando, só seu olho estranhamente azul estava irritado por causa da fumaça, apenas isso, sem choro.
— Os guardas. — Rony sussurrou olhando para trás. – Vamos sair daqui, não queremos mais problemas. – Edward e eu concordamos. Mas antes de sair, eu dei uma olhada para a ponte, ali emanava um pequeno brilho, roxo, delicado, quase se apagando.
— Vocês estão se sentindo diferente? – perguntei.
— Tipo? – Rony me olhou preocupado.
— Sei lá, como se alguma coisa mais poderosa estivesse por perto... Como se alguma coisa poderosa e ruim estivesse por perto...
— Não... – disse Edward cauteloso. – Venha Polly, você está assustada, vamos te levar pra casa, antes que sua mãe chegue. – eu assenti e voltei a andar.
Rony e Edward me levaram pra casa, por muuuuuuuuuuita sorte, minha mãe ainda não estava lá. Eles foram embora e eu subi para tomar um banho, acho que minha mãe desconfiaria se ela chegasse e eu estivesse suja, desse jeito. Dei um sumiço a meu vestido verde (não importa, eu tinha milhões de outros) e coloquei um pijama rosa claro, curto.
Algum tempo depois, minha mãe chegou assustada, me abraçando e narrando tudo que tinha acontecido. Fingi ficar surpresa e contei que tinha ouvido uma explosão, mas fiquei com muito medo de sair. Minha mãe nada comentou da audiência que teve, e eu achei isso bom, aconteceu coisa demais para apenas um dia. Ela foi dormir minutos depois, dizendo que estava com muita dor de cabeça. Eu fiquei sentada no sofá da sala, nossa casinha (um chalé na verdade), era simples: uma cozinha, uma sala e um banheiro no andar de baixo; e dois pequenos quartos no andar de cima.
Minha mãe, quando tem dor de cabeça, ela toma um remédio que faz com que ela apague durante muitas horas. Olhei em duvida para as escadas... Se eu fosse e voltasse em menos de 30 minutos, ela nunca ia perceber... Meu casaco e meus tênis estavam tão tentadores atrás da porta... Eu precisava ver o que era aquela criatura, realmente precisava. Se fosse alguma coisa perigosa, eu seria a responsável por ter a deixado escapar... Então seria eu que deveria checar e impedir qualquer ação sinistra daquela criatura, o que quer que ela seja.
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