Era Uma Vez Um Talvez Felizes Pra Sempre
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Dali a pouco, ouvi batidas na minha porta. Abri.
- O que você quer? – Encarei minha mãe.
- Podemos conversar?
Fomos pra sala.
- Tudo bem que você vá pra sua madrinha, ela me ligou e nós conversamos... Vai ser bom mesmo se a gente passar um tempo sem nos ver.
- Concordo.
- Ela conversou comigo, contou que a – ela pigarreou – Nina... Também vai.
- Sim, ela vai.
Ela segurou minha mão e eu puxei.
- Olha, eu vou tentar, ta bom? Prometo, eu vou tentar aceitar isso.
- Você fala “isso” como se fosse um crime, que horror. Cara, na boa, faça isso por você, não é nem por mim. “Isso” – fiz aspas no ar – não é crime algum, não é nada do que você pensa, é só uma realidade diferente da sua. – Respirei fundo. – Tente.
Ela assentiu e eu voltei pro quarto.
*
Duas semanas se passaram, eu passava o menor tempo possível em casa e dormia, quase sempre, na casa da Nina.
Estávamos cada vez mais ansiosas com essa viagem, e tiramos um dia pra ir ao shopping fazer compras pra viagem.
Entramos em diversas lojas de roupa, experimentamos várias roupas, — nos pegamos em vários provadores – e nos divertimos muito. Quando terminamos as compras, eu levava a maioria das sacolas, e a maioria delas eram de Nina.
Paramos no Starbucks e lanchamos, conversamos um pouco e o Sr. Turner foi nos buscar. Eu, finalmente, já não tinha vergonha com os meus sogros. Chegamos à casa de Nina, a ajudei a arrumar as coisas no armário, tomamos um banho e fomos lanchar.
- Só faltam duas semanas, hein. – Sra. Turner sorriu, nos olhando.
Sorrimos.
- Eu to tão ansiosa! – Nina suspirou feliz.
Terminamos de lanchar e fomos pro quarto.
- Vamos jogar videogame, mô? – Perguntei abraçando a cintura dela.
- Hm... – Ela colocou a mão no queixo – Vamos. Eu sou o P1.
- Aaaaah, mas o videogame é meu! – Fiz bico.
Ela riu e mordeu meu bico. – Mas a casa é minha e o quarto é meu. – Ela sorriu, ligou o videogame, pegou os controles e me entregou um.
Sentei na cama e ela sentou no meio das minhas pernas, coloquei os braços envolta dela e nós jogamos Street Fighter. Até que ela cansou e deitou a cabeça no meu peito. Desliguei o videogame e encostei na cama. Dormimos assim mesmo, de mau jeito, mas confortavelmente desconfortável.
Acordamos no dia seguinte sem animo algum pra ir pra escola, até porque estávamos doloridas. Nos deitamos direito e ela sussurrou:
- Vamos ficar aqui hoje, amor. To com soninho.
Concordei com a cabeça e dormimos mais um pouco.
Acordamos de tarde com o meu celular tocando, era minha mãe.
- Posso pedir pra você ir jantar comigo hoje?
- Nina pode ir?
- Vocês não se desgrudam?
- Não. Eu já tive que aguentar o Henrique. Ela pode?
Ouvi ela suspirando do outro lado da linha – Pode.
- Ok. Nos vemos à noite.
Desliguei e falei pra nina. Nos levantamos, arrumamos e saímos, fomos ao parque.
Caminhamos e depois de um tempo, deitamos na grama.
- Se lembra da primeira vez que você me trouxe aqui? – Ela olhava o céu e acariciava minha mão.
- Lembro. – Sorri.
Ela me olhou.
- Quando você se apaixonou por mim?
-Hm... Acho que quando eu vi seu sorriso pela primeira vez, no dia que você esbarrou em mim lá na praça.
- Nossa. – Ela riu.
Sorri.
- E quando descobriu que me amava?
Pensei e demorei um tempo. – Não sei. Só soube. Acordei um dia morrendo de vontade de dizer que te amava e foi isso.
Nos beijamos.
Quando estava escurecendo, voltamos pra casa dela, nos arrumamos, eu peguei as minhas roupas novas e levei. Minha mãe ainda não tinha chegado quando nós chegamos, guardei as coisas e ficamos na sala, pouco tempo depois ela chegou junto com o Henrique. Eca.
- Boa noite. – Ela me deu um beijo no rosto.
- Boa noite. – Não fiz mais nada.
Henrique estendeu a mão pra me cumprimentar e eu só o cumprimentei porque não queria que ela tratasse Nina mal. Elas se falaram normal, e Henrique falou com ela também, por mais que eu não quisesse que ele encostasse um dedo na minha namorada.
A comida já estava pronta, minha mãe pôs a mesa e nos sentamos todos. Henrique serviu o vinho e cada um se serviu.
- Queria falar alguma coisa em especial? – Quebrei o silêncio.
- Queria passar um tempo com você. – Minha mãe respondeu.
Assenti e voltamos a comer em silêncio.
- Mas... – Ela voltou a falar. – Tenho uma coisa pra contar sim. – Ela segurou a mão do Henrique.
Lá vem merda, pensei.
- Henrique e eu... Bem...
“Não diga que vão se casar, não diga, não diga!” Implorei em pensamento.
- Vamos nos casar.
Holy shit!
Não controlei a reação que eu tive. Fiquei encarando os dois, só encarando. Com olhar de raiva. Nina pôs o braço envolta de mim e sussurrou no meu ouvido:
- Calma amor, respira fundo.
Respirei.
- Se casar. – Merda, minha voz estava quase de choro. – É... Ok, ta bom, tudo bem. – Larguei os talheres e encostei na cadeira.
- Você ta bem? – Ele perguntou.
- Pare de fingir que se importa. – Fui direta. Não o aguento.
- Eu me importo, vou ser seu padras...
- Cala a boca. – O interrompi. – Você não vai ser nada meu. Ouviu?
-Minha filha... – Minha mãe me olhou. – Não o trate assim.
- Você tem coragem de me pedir isso? Ta bom, mãe.
Dei um selinho na Nina, que estava segurando minha mão embaixo da mesa.
Minha mãe nos olhou acho que com a mesma expressão que eu fiquei.
- Se casem, sejam felizes. Eu não vou ser que nem você, mãe. Eu odeio esse cara, mas quem tem que gostar é você, quem vai casar é você. Então, sejam felizes, isso que eu desejo pra vocês. – Sorri falsa, mas eu estava sendo sincera. Eu acho.
Ela não falou nada, apenas agradeceu com a cabeça, se levantou e foi tirar a mesa. Henrique foi pra cozinha com ela e ouvi ela chorando. Subi com Nina.
- Por que me deu um selinho? Você sabe que ela não...
- Não aceita? Não gosta? Bom... O problema é dela. Você é minha namorada, você me faz bem e eu tava muito mal ali. – Respirei fundo. – Desculpa por isso.
- Relaxa amor. – Ela me beijou.
Tiramos a roupa e fomos dormir.
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