Era Uma Vez Um Talvez Felizes Pra Sempre
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Cheguei em casa e confesso que fiquei pensando naquela menina. Tinha um sorriso lindo. O cabelo na altura do antebraço e liso, castanho-escuro e as pontas azuladas. Tinha uma covinha em cada canto do sorriso, e no lado direito um piercing dentro da covinha. Ficou lindo nela. Um piercing de argola no nariz, do lado esquerdo, ficou lindo também. Os olhos eram grandes e cor de mel, fascinantes. Ela era baixinha, uns 10 ou mais centímetros mais baixa que eu. Me encantou. A voz, era suave. E aquele sotaque lindo, diferente do meu.
Acordei dos meus pensamentos quando minha mãe bateu na porta.
– Entra. — Murmurei.
Ela abriu a porta — Já ta tarde. Vá dormir, amanhã vamos acordar cedo pra arrumar a casa, quero que me ajude.
– Sei meus horários. Já pode sair.
Ela não disse mais nada e fechou a porta. Lembrei do meu pai, que todas as noites me dava um beijo na testa antes de dormir, e se eu não conseguia, ele cantava pra mim. Passei a noite o lembrando, e lá pelas tantas, dormi.
Acordei cedo, parecia que nem tinha dormido. Me olhei no espelho e estava horrível, cheia de sono. Lavei o rosto e escovei os dentes. Desci e o idiota do chefe da minha mãe tava lá.
– Coloque uma roupa direita, Henrique está aqui. – Minha mãe me fitou.
– E eu posso saber por quê ele ta aqui? – Vi que ele me olhava, mas olhei somente pra minha mãe.
– Veio nos ajudar a arrumar a casa.
– Ah, que ótimo, vai dar em cima do chefe agora pra se dar bem? Uau, incrível hein. – Subi as escadas e voltei pra cama.
Não acredito que ela ta fazendo isso. E dizia amar tanto meu pai. Peguei a foto dele que tinha na minha mesinha de cabeceira e chorei um pouco, até ouvir as batidas na porta.
– Sou eu Isabella, abre a porta. – Minha mãe dizia.
– O que você quer? Vai lá com seu namoradinho, não precisa da minha ajuda.
– Abra, estou esperando.
Só pra não ouvir mais encheção de saco, abri.
– Ele é só meu chefe, e meu amigo. Ele ta querendo ser gentil, se dispôs a nos mostrar a cidade e a ajudar com a mudança. Você pode pelo menos fingir que é educada na frente dele? Não quero perder o emprego e ele não merece sua falta de educação.
– Não vou fingir ser quem não sou, mas posso ficar calada.
– Menos pior. Agora se troca e vem ajudar, por favor.
– Nem a vontade eu posso ficar, é foda. Já vou. – Fechei a porta e fui me trocar.
Coloquei roupa de ficar em casa, uma camisa do AC/DC que era do meu pai. Meu bom gosto musical veio dele. Desci e encontrei os dois na sala arrumando as coisas.
– Camisa legal. – O babacão do Henrique comentou. Dei um sorrisinho e continuei arrumando as coisas.
Tentei ficar o mais longe possível deles, arrumando principalmente o meu quarto e o escritório. De tarde, tive fome. Ia comer um pacote de biscoito, mas o metidinho nos chamou pra almoçar. Não recusei porque também não sou idiota. Troquei de roupa e fomos. Quando voltamos, eles entraram primeiro que eu, e do quintal enxerguei a menina linda do outro lado da rua, junto com duas meninas que também estavam lá ontem. Lindas, mas não tanto quanto ela.
– Merda. – Sussurrei.
Ela me viu olhando pra ela, deu um sorrisinho e acenou. Acenei de volta com um sorriso tímido e entrei dentro de casa. Antes de fechar a porta, ouvi uma risada gostosa. Aposto que era dela.
– Por que demorou? – Minha mãe já cobrou.
– Não interessa. – Peguei uma com meus livros e subi para arrumá-los na estante.
Resolvi ficar por lá, já estava cansada. Tomei um banho e coloquei de novo a camisa do meu pai, e fiquei só com ela e uma calcinha. Fiquei olhando pela janela pra ver se encontrava a menina, mas ela não estava aonde meus olhos alcançavam. Recebi uma sms da Rafa.
“Entra no face, tenho que te contar uma coisa. To com saudade.”
Peguei o notebook e liguei.
Rafaella Fitch:
Você não sabe!
Isabella Stone:
Meio óbvio, você ainda não contou
Não demora, fala logo.
Rafaella Fitch:
Ok, ok. Acho que to apaixonada.
Isabella Stone:
OI??? Por quem?
Quem roubou meu lugar?
Hahaha, brincadeira.
Mas quem é?
Rafaella Fitch:
É um menino.
Juro, eu ri quando li. Não acreditei. Minha melhor amiga, lésbica assumida e auto rotulada, apaixonada por um menino? Sim, eu ri.
Isabella Stone:
Um menino? Kkkkkkkkkkk
Sério? Você?
Kkkkkkkkkk Quem é o viado?
Rafaella Ficth:
Fred!
Isabella Stone:
o:
nossa senhora, que isso hein kk.
Nossa..
NOSSA!
Cê ta fudida. Esquece, vai andar, tu ta alterada, vai pegar uma menina, Fred não rola kkk
Rafaella Fitch:
Já peguei, não adianta, to apaixonada.
Fred era o pegador do grupo. O maior galinha. Já tinha pegado todas que andavam com a gente, menos eu e a Rafa. Ele sempre pedia pra ficar comigo, mesmo sabendo que eu não ficaria. Senti pena da Rafa, ninguém merece se apaixonar por alguém como ele.
Fechei o note e resolvi ver TV, ouvi umas risadas e olhei imediatamente pela janela. Era o grupinho de novo, agora maior. E a linda tava lá, no meio deles, como o centro das atenções.
Que besteira, Isabella, você nem sabe o nome dela.
Tentei não pensar nela, fiquei lendo, amo ler. Olhei no relógio e já era tarde, desci as escadas e felizmente o cara já tinha ido embora.
– Tem alguma coisa pra comer? – Perguntei
– Fiz macarrão.
Fui na cozinha e coloquei um pouco de macarrão e um copo de coca e fui pro quarto. Comi, e depois levei as coisas pra cozinha de novo, e lavei a louça. Tomei outro banho e escovei os dentes. Deitei na cama, o relógio marcava 1:30.
Fiquei pensando em tantas coisas que estavam acontecendo, e pensei no problema da Rafa. Mandei uma sms chamando-a para passar o final de semana aqui, pra me ajudar a arrumar as coisas e pra sair comigo. Já estava com saudade. Ela disse que amanhã estaria aqui.
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