Era Uma Vez

1 Era Uma Vez


As história são contatas do começo até o fim, com a finalidade de que possamos entender seu contexto, o desenrolar de seus acontecimentos, o sentido de tudo, o motivo de cada vírgula, o motivo de cada beijo roubado ou murro levado. Porém essa história não começará do começo, e sim de agora.

Agora não é o começo dos tempos, pois eu já tenho 28 anos e o meu amor não é infância, nem nada daquelas coisas clichês.

Também não é um triângulo amoroso, bom não de certa forma.

O meu amor começou numa tarde de quarta-feira, tarde chuvosa, onde eu não podia sair de casa, mal podia sair do meu quarto contando que a luz apagava toda a hora e a casa entrava naquela escuridão torturante e desesperadora, não que eu tenha medo de escuro (sim, eu tenho).

Quarta-feira é um dia comum para muitos, mas pra mim, é o dia em que as estrelas do céu pareceram dançar, e se movimentar em um ritmo caloroso, harmônico e de certa forma, engraçado.

Eu não pude trocar olhares com essa garota, nem pude trocar sorrisos ou aquela baboseira toda de paquera a primeira vista no ônibus ou no shopping. Não, eu pude trocar mensagens, e as mensagens fizeram toda aquela frescura de olhares, sorrisos e toques virarem um nada tão grande quanto um buraco negro que nem as mentes mais famosas puderam decifrar.

Larissa, um nome simples, comum e que até nos dias atuais fazem meu mundo parar, e dar várias e várias voltas, remexer meu estomago e sacudir cada parte do meu corpo, como se eu estivesse em choque, toda a vez que ouço alguma pessoa pronuncia-lo. É um nome mágico, um nome de faz de conta, um nome que me faz subir em um cavalo branco e tirar a espada de minha cintura para lutar com um tenebroso dragão de sete cabeças. Um nome que desperta meus sentimentos e meus medos mais profundos, dos quais eu imaginava ter me livrado desde o meu ultimo relacionamento fracassado.

Não, eu não sou o mocinho virgem que precisa de uma rede social para transar com mulheres mais velhas, por sua "tara" em coroas.

Nesse início que não pode ser considerado início, quero contar como realmente tudo aconteceu, como esse sentimento cresceu e como ele de certa forma não quer sair de mim, por mais que eu lute, com sete espadas e quinze ganhões.

Um sentimento que cresceu de uma amizade pura, verdadeira, de uma amizade sem maldades, sem besteiras nem brincadeiras com segundas intenções. É incrível expressar em palavras o poder que uma pessoa exerce sobre você, ou demonstrar o quanto alguém é importante na sua vida, no seu dia-a-dia, a falta que nos faz.

A amizade não evoluiu ao namoro como geralmente acontece, pois essa amizade estava destinada a ser apenas amizade, sim, mais o meu coração é um ser teimoso, chato e totalmente sem noção.

Vira e mexe minha melhor amiga diz e diz, sobre o boy magia, o menino que faz o mundo dela girar e eu simplesmente absorvo as palavras e cago todas elas de volta na privada, com uma tentativa totalmente inútil de esquecer e fingir que não sinto uma pontada no peito a cada sigla direcionada a ele que sai da boca dela.

Tento focar apenas nas curvas do sorriso dela, ao contar como foi o primeiro beijo, ou no brilho de ser olhar ao me dizer o quanto ele é bom de cama, ou o quanto ela é "parada" nele. Após conseguir focar no sorriso mais lindo que eu já pude ver, posso sentir cada músculo meu se contrair, e enrijecer, fazendo com que eu fique travado no meu lugar, observando aqueles lábios que parecem ser desenhados a mão, por algum daqueles estilistas de Paris. Como uma mulher pode ser tão perfeita assim?

Essa pergunta percorre meu corpo como um choque de eletricidade, como uma dúvida cruel na qual eu não posso simplesmente perguntar, afinal como ela iria reagir a uma cantada tão ruim quanto essa?.

Os dias passam, continuam, a cada dia uma pontinha do meu sentimento cresce, floresce para os lados e se espalha como uma arvore em fase de crescimento. As raízes atravessam meu peito em horizontal e vertical, por todos os lados, em todas as direções, sem me pedir permissão muito menos me perguntar se futuramente essas mesmas raízes iriam me sufocar justamente por estarem tão presas e serem tão difíceis de arrancar.

Essa garota na qual conheci por uma rede social, tem os cabelos loiros, escorridos até as costas, lisos porém não a ponto de parecer aquelas Barbies do Paraguay. Tem a pele em um tom claro de marrom que destaca suas curvas naturais e principalmente a curva mais linda de seu corpo, aquele sorriso incondicionalmente lindo. Seu corpo tem uma estatura média, com pernas e coxas de acordo com seu tamanho, pés de princesa e bailarina que calçam tênis que vão de all star até vans. Suas roupas caem bem ao seu corpo, o que me faz reparar na ótima perspectiva de moda que ela tem, blusas que cobrem boa parte da barriga e calças e shorts jeans na maioria das vezes com detalhes ou rasgados. Seus olhos são escuros em um tom não tão claro de castanho, o que destaca seu rosto cor de mel. Dentro de seus olhos tem uma pequena bolinha onde consigo me ver toda vez, a admirando parado, sem reação e sem o que falar, apenas parado sem conseguir explicar tamanha beleza.

Parte do "Era uma vez" começa ai, nesses detalhes, nesses momentos mágicos e nesse pequeno sentimento que começou do tamanho de um grãozinho de feijão e que agora, parece um daqueles prédios famosos de Nova York que só não toca no céu pois não é teoricamente possível. O começo de tudo, começa nas partes simples da vida, em uma conversa gostosa, um abraço amigo e um chá da tarde cheio de risadas, e piadas (ruins, porque eu sou uma pessoa horrível pra contar piada, até porque na maioria delas eu dou risada antes mesmo de conseguir termina-lá).

Minha maior distração tem sido minha vida fora dessas redes sociais, meu dia-a-dia no hospital, ou meu dia-a-dia na igreja e com amigos. Porém nem nesses lugares é possível esquecer aquela pessoa, aquela pessoa que você quer ver quando chegar em casa, porém que você sabe não ser possível pois provavelmente ela está na casa de um outro alguém esperando ele para verem filmes, séries ou simplesmente deitarem juntos e poderem estar um na companhia do outro (Eu não falo isso com tanta facilidade assim como estou digitando).

Minhas lágrimas ultimamente tornaram-se amigas próximas, confiáveis, e totalmente frequentes na minha vida. Por mais que seja difícil para um homem admitir, chorar é uma das únicas coisas que me fazem ficar em pé, já que a razão para o meu coração bater está fazendo outro coração feliz.

Ah, e um ponto interessante dessa história toda, é que a razão dos meus sorrisos bobos fora de hora, ou das minhas risadas escandalosamente altas em lugares públicos, não tem ideia disso tudo, alias provavelmente ela deve estar lendo essa história agora, assim como vocês estão.

E por vez posso sentir o sono tomando conta de meus olhos, e os mesmo pesando para que eu possa fecha-los e ir sonhar com a vida perfeita que planejo com a garota dos cabelos loiros e olhos intensos, apenas sonhos porém uma das melhores partes do meu dia.

Lentamente deito meu rosto no travesseiro e cada parte de meu corpo agradece pelo descanso, fazendo com que eu me mexa para que possa ajeitar a posição (aliais achar posição na cama é uma das tarefas mais difíceis dessa vida toda, principalmente quando você já está cansado dessa vida de trabalhador humilhante que você tem).

Enfim pego apenas o celular para que possa dar boa noite a razão de todos os meus sonhos bons!

Boa noite pequena, durma com Deus e sonhe com os anjos mais lindos do céu. Descanse bem e tenha um ótimo sábado amanhã repleto de sorrisos e momentos especiais.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.