EM OUTRO REINO...

Saber que Kevin veria a mãe era um dos melhores dias da vida dele.

Logo pela manhã, Kevin tinha acordado cedo, tomou um bom café da manhã com sua avó e pastoreou as ovelhas como sua avó havia ordenado. Ele tinha que deixar aquela fazenda completamente perfeita, limpa e cheirosa (essa era um parte difícil, pois havia cavalos demais para deixar aquela fazendo toda com cheiro bom) para ver sua mãe.

Ele não via a hora disso acontecer. Seu pai o havia visitado no dia anterior e agora estava na vez de sua mãe. Sua mãe sempre conseguia ficar mais tempo com Kevin do que seu pai ― o garoto sabia que ser príncipe tomava quase todo o seu tempo, mas mesmo assim queria ver o pai com o mesmo tempo que via sua mãe.

Quando a hora do almoço passou, sua avó tinha dito que estaria nos estábulos, verificando alguns cavalos para que pudesse dar privacidade para que Kevin pudesse falar com sua mãe ― Ruth, a avó, nunca houvera ser uma grande fã de Regina, mas tinha o maior respeito por ele ter gerado seu neto. E Kevin esperou.

A tarde começava avançar e ela apareceu em seu campo de visão. Linda, alta e poderosa ― não poderosa como quem tinha superpoderes, mas poderosa por seu estilo de ser. Regina vinha caminhando ao longe com um vestido de cetim vermelho-vinho com detalhes pretos na cintura e na manga do mesmo. Era um estranho vestido para se usar em um lindo dia de sol, mas Kevin não ligou par isso; só tinha a ideia de poder abraçar sua mãe.

Quando a mulher chegou perto de seu filho, ela não conteve o sorriso que se formou e abriu os braços para o garoto.

― Mamãe! ― disse Kevin e, também sorrindo, abraçou sua mãe com tamanha força.

― Meu filho ― disse Regina ao abraçar o filho e lhe beijar a testa.

Kevin olhou para cima para olhar à sua mãe.

― Venha, vamos entrar ― disse o menino. ― Vovó fez questão de deixar a casa para que ficássemos à vontade.

Regina sorriu para o filho e adentrou com ele na casa.

Dentro da casa, o menino e a mãe tiveram um dos seus melhores momentos juntos. Ambos deram risadas, conversaram, se abraçaram e Kevin até mesmo fez questão de contar a sua mãe que tinha limpado toda a casa para que a mãe se sentisse mais confortável, mas a mãe disse que não precisava de tanto, pois só de estar com o filho era a melhor coisa.

Mas o tempo se passava e a hora de Regina ir embora já estava se aproximando. Regina tinha contado ao filho que não via a hora de poder tê-lo novamente, mas era totalmente difícil, pois o acordo sempre dizia que não era possível.

― Isso não é justo comigo, mamãe... ― resmungou Kevin, completamente emburrado.

A conversa com a mãe estava tão boa, que Kevin tinha se esquecido completamente do tempo. Sempre que estava com sua mãe, o tempo parecia estar num ritmo mais acelerado que o normal. Kevin nunca que iria aceitar isso. Nunca tinha tempo direito com seu pai e sua mãe, e quando tinha, a hora tinha que passar tão rápido? Não era justo!

Regina fez um semblante triste para Kevin, mas o menino, ainda emburrado, virou o rosto para a mãe, não ligando para o que sua mãe tinha feito com o rosto.

― Filho, sabe que é o acordo...

― Ai, eu odeio esse acordo! ― cortou Kevin. ― Eu nunca posso ficar muito tempo com vocês. Nem sei do que esse acordo se trata, mas eu queria ver o papai e você mais vezes. É chato não ver vocês.

O garoto fez um bico que sua mãe não resistiu e foi até ele, o abraçando e beijando seu rosto. Lágrimas começaram a brotar do rosto de Kevin, mas Regina as enxugou assim que elas começaram a cair.

― Você não sabe o quanto isso mata a mim e a seu pai, Kevin ― disse Regina. ― Todos os dias eu penso em você, meu querido...

― Mas não vem me ver ― disse Kevin, ainda emburrado, e enxugou uma lágrima rapidamente antes que sua mãe a fizesse.

Regina suspirou e beijou a testa do filho.

― Eu prometo que farei o possível para vê-lo mais ― disse Regina, sorrindo para o filho e lhe alisando os cabelos.

― Promete? ― perguntou ele.

Kevin, enxugando os olhos e os esfregando, olhou para mãe logo em seguida. Ele contemplou o sorriso perfeito da mãe. Ele não podia negar, sua mãe era incrivelmente linda. Seus olhos escuros eram penetrantes naquele rosto redondo e perfeito, com os cabelos negros longos caindo por sobre os ombros. Seus lábios estavam pintados num batom vinho chamativo, o que fazia Regina ainda mais irresistível e completamente linda.

Regina sorriu com afeto para o filho e lhe afagou o rosto.

― Sim, meu querido ― disse ela.

Kevin sorriu para sua mãe e a abraçou ― ele sabia que se a mãe havia prometido algo, ela iria cumprir.

Com o passar do tempo naquela tarde, Regina houvera de ir e deixou Kevin, mais uma vez, com saudade e na fazenda da avó.

O garoto ficou completamente triste quando anoiteceu e sua avó o mandou ir dormir mais cedo, pois na manhã seguinte tinha que pastorear as ovelhas com seu tio David ― Kevin não reclamou, pois era bom pastorear as ovelhas com seu tio.

Mas o menino não conseguiu dormir. Algo martelava em sua cabeça.

Havia histórias pelas redondezas que alguém fazia acordos em troca de favores. E Kevin sabia que podia dar seus serviços. O garoto sabia limpar, coordenar, pastorear, tirar leite de cabra e vacas, produzir queijos, colher as melhores verduras e frutas que tinham nas árvores da fazenda da avó.

Então ele fez aquilo que nunca pensou que faria na vida: saiu de casa no meio da noite e foi para longe das redondezas da fazenda ― ele não arriscaria ficar nas redondezas da casa de sua avó para fazer aquilo; Kevin tinha que se distanciar da família para fazer aquele tipo e coisa.

Quando o garoto finalmente ficou numa distância razoável da casa de sua avó, ele olhou aos arredores e não viu nada. Grato, pensou Kevin. Não podia ter ninguém por perto para testemunhar o que faria logo em seguida ― todos que o visse iria olhá-lo como se fosse algum monstro ou coisa do tipo.

― Rumpelstiltskin! ― disse Kevin em alto e bom som, e ficou procurando para todos os cantos a espera dele.

Mas nada aconteceu.

Porém, quando o garoto pensou em fazer o chamado novamente, ele ouviu uma risadinha fina, que mais parecia a de uma criança, vindo atrás dele.

E Kevin se virou...

PRESENTE...

Quando eu finalmente tinha conseguido dormir, a manhã seguinte veio de tal maneira que eu quase fiz manha em ficar naquela cama que minha mãe tinha preparado para mim. Era totalmente confortável ― bem melhor do que o colchão fino e velho que minha avó Ruth tinha em sua fazenda para eu dormir ―, mas eu tinha que levantar e aproveitar cada segundo com minha mãe.

Desci as escadas daquela mansão e fui direto para a cozinha tomar um bom café da manhã e minha mãe estava lá, cantarolando e fazendo alguma coisa no fogão (ela tinha me dito o que era aquela coisa de metal que pegava fogo em seis lugares).

― Bom dia ― disse minha mãe, assim que se virou e me viu.

Ela tinha um sorriso lindo no rosto ― ela sempre tivera esse sorriso perfeito e branco.

― Bom dia ― disse eu. ― Que cheiro bom... ― falei cheirando o ar, apreciando aquele cheiro de biscoitos e mais uma coisa que eu não sabia. ― O que é?

Minha mãe deu um leve sorriso para mim e uma buzina tocou. Ela se virou para trás e foi até aquela coisa que se chamava forno e abriu uma pequena porta que tinha nele. Ela tirou uma coisa de metal de lá (usando luvas) e o cheiro gostoso que vinha daquilo era completamente impossível de se resistir.

― Isso se chama cookies, querido ― disse ela.

― E o que é esse cheiro a mais? ― perguntei, ainda cheirando o ar.

― Isso, querido, é chocolate ― respondeu ela.― Experimente um...

Assim que ela disse aquilo, ela tirou um cookie daquele treco de metal e me deu um.

― Só tome cuidado, pois está quente ― alertou-me ela.

Assenti para mesma e peguei um biscoitinho daquele. Era redondo e tinha pequenas bolinhas do tal chocolate. Ainda estava quente, mas era suportável segurá-lo. Levei até a boca e mordi um pequeno pedaço e...

― Maravilhoso! ― disse eu, completamente maravilhado com o gosto daquilo.

Ouvi minha mãe dar uma risada.

― É ótimo, não é? ― perguntou ela.

Eu não disse nada, apenas assenti e continuei comendo.

Minha mãe me serviu suco, café, leite, pães e mais algumas coisas que tinham cheiros de frutas, mas eu não sabia o que era aquilo. Parecia mole e esquisito. Minha mãe tinha dito que era para se pôr em pães e torradas (mas eu não sabia o que era torradas), mas eu resolvi não experimentar aquilo.

A conversa com minha mãe tinha sido a mais longa que eu já tive em toda a minha vida passada (acho que posso dizer assim) com ela. Minha mãe me perguntou como eu estava e o que eu estava achando daquela nova terra.

Era estranho conversar sobre aquilo. Eu não conhecia aquela terra direito e nem mesmo como sabia me adaptar àquelas normas e coisas que eles tinham. Começando pelo banheiro. O da casa de minha mãe era grande e tinha algo de metal que fazia a água cair de um treco de plástico. Era como se fosse uma miniatura de chuva em pleno cômodo, mas tudo bem. O clima aqui era esquisito... tinha um cheiro estranho no ar, um que me fazia tossir e espirrar quase todas as vezes que eu inspirava. As pessoas eram engraçadas, todas vestiam trajes estranhos e muito curiosos, mas eu ainda preferia os meus trajes da minha terra.

Mas eu estava feliz por ter minha mãe de volta, mas eu queria ver meu pai. Eu não conseguia suportar a ideia de ter e ver minha mãe naquela nova terra, mas não ver e ter meu pai por perto de mim.

― Mãe? ― perguntei assim que tinha terminado o café da manhã e já arrumado, perto da hora do almoço.

Eu estava no escritório (minha mãe me disse o que aquela sala era) em que minha mãe ficava a maioria do tempo. Ela estava atrás de uma mesa, mexendo numa coisa da qual ela chamava de computador, com um livro ao seu lado à mesa.

Minha mãe tirou os olhos do computador e me olhou, dando-me um sorriso.

― Sim, querido? ― disse ela, estendendo a mão para mim.

Eu sabia o que ela queria. Saí da porta em que eu estava e segui em direção a ela, sentando-me em seu colo. Eu não era tão pesado assim. Eu era baixo, tinha treze anos, e não era uma pessoa pesada ― nada contra as que são ―, e minha mãe nunca reclamou de eu me sentar em seu colo.

― Onde está meu pai? ― perguntei a olhando um tanto sério.

Minha mãe nunca foi de mentir para mim. Eu sabia que a única pessoa do mundo ― fora minha avó Ruth ― que poderia me dizer a verdade, seria minha mãe. Mães nunca mentem para seus filhos, certo? Certo. E eu sentia que minha mãe iria me dizer a verdade, por que até então, não havia motivos para ela ser igual a meu tio David (minha avó ficaria com vergonha por ele ter mentido).

― Kevin... ― disse ela. ― Seu pai... ahn ― ela pigarreou ―, bem, ele não está aqui.

Levantei de seu colo no mesmo instante, completamente chocado por minha mãe ter feito aquilo.

― Você está mentindo para mim também ― disse eu ―, não está?

Ela me olhou triste.

― Kevin...

― Por que todo mundo está mentindo para mim? ― falei para ela, já sentindo meus olhos encherem d’água. ― Por que você está mentindo para mim? Eu só quero saber onde meu pai está, mamãe. Não minta para mim, eu sou seu único filho!

― Mãe? ― ouvi a voz de uma pessoa gritar no mesmo instante.

― Henry ― disse minha mãe.

Virei-me para trás e vi um garoto um pouco maior do que eu, um tanto narigudinho, magrelo ― não tão diferente de mim ― e de cabelos castanho-escuro. Ele deu um passo à frente e olhou de mim para minha mãe.

Minha mãe se colocou de pé.

― Mãe? ― repeti as palavras que o menino disse com um sorriso irônico e com as lágrimas caindo em meus olhos.

― O que está acontecendo? ― perguntou o menino, o tal Henry.

Ele deu outro passo à frente, mas caminhou até minha mãe, parando em seu lado. Ele me encarou por um segundo, mas ver aquela cena dos dois juntos só me deu mais vontade de chorar. Minha mãe tinha me substituído. A prova estava bem ali na minha frente. Mas eu não chorei mais. Enxuguei meus olhos e engoli o choro.

― Você arrumou uma maneira de me substituir, não é? ― perguntei.

― Kevin... ― disse ela.

Mas já era tarde de mais.

Saí pela porta da frente correndo e segui para o portão que dava acesso à rua. Virando à esquerda, vi árvores e mais árvores e eu sabia que ali tinha uma floresta― eu não era tolo.

E foi o que eu fiz; corri em direção à floresta completamente decepcionado com Regina, minha própria mãe.

EM OUTRO REINO...

Era ele. Ele era inconfundível.

Lá estava ele com sua pele escamosa que mais parecia a de um crocodilo e seus dentes amarelados, e olhos numa cor âmbar eram totalmente penetrantes. Seus dedos que mais pareciam garras e seu cabelo seboso e estranho comprido até a altura dos ombros. Sua roupa que mais me parecia uma roupa de gala vermelha e vinho lhe deixava com uma cara ainda mais sombria e esquisita. Ele tinha um sorriso no rosto, como quem estivesse se divertindo com aquilo tudo.

Rumpelstiltskin estava diante de Kevin e o garoto fez a única coisa que veio a sua cabeça: se curvou de ante do Senhor das Trevas ― claro, Rumpelstiltskin podia matar Kevin com um estalar de dedos e o garoto não iria arriscar.

Kevin ouviu a risadinha novamente e levantou apenas a cabeça para olhá-lo.

― Sabe, queridinho, você foi o único que se curvou diante a mim durante todos esses anos ― disse Rumpelstiltskin. ― Gostei de você. Agora, levante-se!

Kevin obedeceu, ficando em posição normal e engoliu em seco ao ver Rumpelstiltskin a poucos centímetros dele.

― O que te traz no meio da noite me convocando, criança? ― disse o Senhor das Trevas.

Rumpelstiltskin fez um gesto com a mão e uma pedra enorme apareceu bem diante dos olhos de Kevin. O Senhor das Trevas sentou-se na enorme pedra que lhe serviam bem como uma cadeira e cruzou a perna, pondo as mãos em seu colo. Kevin respirou fundo e tomou coragem ― ele nunca tinha visto mágica sendo feita em sua frente, até então.

― Sei que o senhor é o mais poderoso de todo o reino ― disse Kevin, e Rumpelstiltskin fez um gesto com a mão, como se estivesse sem graça. E Kevin prosseguiu: ― E que o senhor faz acordos.

― Hmmm... ― fez Rumpelstiltskin e pôs uma mão em seu queixo. ― Vejo que minha reputação me segue... diga-me mais, queridinho.

Kevin respirou.

― Eu quero saber de um acordo que o senhor fez há muito tempo atrás ― disse o menino, ainda com a respiração calculada.

Kevin sabia que morreria se fizesse alguma coisa de ruim ao Senhor das Trevas e ele tinha que ser o mais cauteloso possível.

Rumpelstiltskin se levantou da pedra onde estava sentando e ainda manteve a mão no queixo. Ele começou a andar ao redor de Kevin e o garoto ficou tenso no mesmo segundo, prendendo a respiração, pensando que Rumpelstiltskin poderia matá-lo a qualquer segundo.

O Senhor das Trevas dei mais uma volta ao redor de Kevin, olhando para o garoto de cima para baixo e de baixo para cima, como se o menino fosse algo novo em sua vida. Ele parou na frente do garoto e o olhou como se o estudasse.

― Você precisará ser um pouquinho mais específico, queridinho... ― disse Rumpelstiltskin. ― Qual é o seu sobrenome?

Mas Kevin, ao invés de responder, abaixou a cabeça, completamente triste pela pergunta.

― E-eu... eu não... eu não tenho sobrenome ― disse o menino, completamente arrasado e triste.

Mas era a total verdade. Regina e Príncipe James não deram sobrenome ao filho e nem mesmo Kevin sabia disso. Isso sempre incomodou o garoto. Sempre perguntou para a mãe e para o pai o porquê que ele não podia ter um sobrenome, mas os dois sempre repreendiam o menino, ou simplesmente ignoravam a pergunta, fazendo outra logo em seguida e mudando de assunto completamente.

― Hmmm... interessante ― disse Rumpelstiltskin e Kevin o olhou. ― Você é o filho de Regina e Príncipe James! ― e o Senhor das Trevas deu aquela risadinha novamente.

Kevin corou no mesmo instante, não por estar sem graça, mas por completa vergonha por não ter sobrenome. Seus pais tinham, mas por que ele não?

Kevin pigarreou.

― Eu quero saber sobre o acordo que meus pais têm com o senhor ― disse Kevin, um pouco mais determinado e com voz firme. ― O que diz esse acordo? Por que os dois o fizeram? Quando o fizeram? Por que não tenho sobrenome? Por que...

― Calma, calma, queridinho... ― disse Rumpelstiltskin. ― É muita informação.

Kevin pareceu desanimado.

― Mas eu lhe direi, porque você é o único que me chama de senhor, queridinho ― disse Rumpelstiltskin e Kevin se animou no mesmo instante. ― Mas não deixe que isso o suba à cabeça.

Kevin desfez o sorriso e assentiu para o Senhor das Trevas.

― Bem, vejamos... ― disse o Senhor das Trevas, batendo o dedo indicador no queixo. ― O acordo foi feito bem antes de sua mãe ter dois meses de gestação e para que ninguém do reino soubesse que você existia. Exceto aqueles que têm ligação familiar com você.

― Mas por quê? ― quis saber Kevin.

― Por que Príncipe James e Regina Miller não deveria ter cruzado o caminho um do outro ― disse Rumpelstiltskin se sentando na pedra e cruzando as pernas novamente, como se aquilo o fosse levar a uma longa conversa.

Kevin hesitou se aproximar de Rumpelstiltskin, mas resolveu ficar parado onde estava.

― Você não tem sobrenome, porque, uma vez que você não existe para ninguém a não ser sua família, não há razão para sobrenomes ― prosseguiu Rumpelstiltskin, com um sorriso amarelado e podre para Kevin. ― O acordo diz que, para não saberem sobre você, a consequência seria ter limites de ver seus pais e viver apenas com sua avó paterna.

Kevin assentiu para tudo aquilo. Ele sabia que Rumpelstiltskin não tinha motivos para mentir, ele estava falando a verdade. E aquilo era realmente tudo o que o garoto precisava saber. Não queria se machucar mais sabendo o que mais havia naquele acordo.

Mas Kevin tinha uma ideia.

― Quero fazer um acordo ― disse Kevin, completamente determinado e firme.

Rumpelstiltskin se levantou da pedra e bateu palmas, onde uma fumaça vinho-avermelhada cobriu a pedra e a mesma sumiu dali. Kevin piscou para aquilo.

― Agora está falando minha língua, queridinho ― disse Rumpelstiltskin ainda com o sorriso amarelado e podre no rosto. ― Diga suas condições.

Kevin respirou.

― Eu quero alterar uma coisinha a respeito do que meus pais fizeram ― disse o garoto. ― Quero poder passar mais tempo com meus pais, vê-los com mais frequência.

O Senhor das Trevas o ouvia com atenção.

― Hmmm.. e o que eu ganho em troca com isso? ― perguntou ele, com certa impaciência na voz.

Kevin olhou para Rumpelstiltskin nos olhos.

― O que quiser ― disse o menino.

E era verdade. Kevin só queria passar mais tempo com os pais. Estava cansado de ver somente sua avó, seu tio e os animais da fazenda e a fazenda ― não que isso era ruim para ele. Kevin amava seu tio, sua avó e a fazenda, mas ele queria seus pais consigo. Tê-los por perto era bom e faria o garoto bem mais feliz.

O Senhor das Trevas deu sua risadinha fina de novo.

― Já sei o que quero, queridinho ― disse ele e voltou a rondar Kevin novamente, em passos lentos.

― O que o senhor quer? ― perguntou Kevin.

Rumpelstiltskin parou diante dele.

― Eu farei o que pediu. Mudarei o contrato ― disse ele e Kevin deu um sorriso. ― Em troca ― o sorriso de Kevin murchou ―, você será meu discípulo.

Kevin franziu a testa.

― Senhor? ― disse o garoto.

― Eu irei fazê-lo meu discípulo ― disse Rumpelstiltskin, um tanto alegre. ― Sei que tem mágica em você e quem melhor que eu para ensiná-lo, não é mesmo? ― Rumpelstiltskin soltou uma leve risadinha, completamente abobado com sua própria piada.

― Mas eu não posso praticar...

― Ninguém precisará saber ― disse o Senhor das Trevas, cortando Kevin e completamente sedutor.

Kevin deu um passo para trás.

― É pegar ou largar ― disse o Senhor das Trevas, levantando o indicador de uma das mãos para cima, como se fosse um gesto de lembrete ou algo assim.

Kevin sabia que era errado. Seus pais não queriam que ele praticasse magia e Kevin honraria com sua palavra. Mas a oportunidade de ver seus pais por mais tempo falou mais alto. Kevin tinha que ver os pais com mais frequência; ele não aguentava mais ficar só apenas alguns minutos com eles. Chega disso!, pensou Kevin, completamente revoltado.

O menino iria ver os pais com mais frequência. Se fosse essa a maneira que ele tinha para realisar isso, o garoto faria. Custe o que custar.

― Meus pais e ninguém mais saberão disso? ― perguntou Kevin.

O Senhor das Trevas deu uma risadinha e fez um gesto com a mão para Kevin.

― Claro que não ― disse o Senhor das Trevas, completamente convincente.

Kevin respirou fundo.

― Temos um acordo? ― perguntou Rumpelstiltskin, com seu sorriso amarelo e podre para Kevin.

Kevin deu um passo à frente novamente.

― Sim. Temos um acordo ― disse Kevin, mais determinado do que nunca.

E ele ouviu e viu Rumpelstiltskin dar mais uma risada fininha, mas vitoriosa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.