Era Uma Vez
23 Capítulo 23 - Chega de lágrimas!
Notas iniciais
=*
Escolhas.
Isto me soa responsabilidade.Porém,são elas quem decidem o nosso futuro,por mais dolorosas ou assustadoras que possam – muitas vezes – parecer,são sempre necessárias.
É inimaginável a vontade que eu tinha de explodir em sentimentos que consumiam meu coração em dor,angústia,sofrimento,raiva e amor,um incontrolável e mais puro amor que um ser humano pode sentir.Seria difícil sequer tentar explicar às pessoas a minha volta o que eu sentia,imaginar ou tentar colocar-se no lugar de alguém como eu nunca é o suficiente,não para quem jamais passou pelo que eu passei,por isso dou preferência ao meu sufocante silêncio.
Mas eu já estava cansada.Eu tinha que parar de sofrer,eu tinha que parar de chorar,eu já estava realmente cansada de viver essa vida deprimente,se é que posso chamar isso de vida.Eu ainda estava muito confusa em relação ao Bill,mas a partir daquele momento eu tentaria pelo menos superar toda aquela dor.Chega de tortura,chega de lágrimas.
- ...vou levar o café da manhã para Elize,Anna eu já volt...
Minha avó tinha uma bandeja nas mãos com suco e torradas com geléia,ela ficou me olhando atônita,o que me fez parar na metade da escada.
- Bom dia. – Falei tentando quebrar aquele clima de espanto,mas ela continuou me olhando daquele jeito.Desci o restante dos degraus indo até a sala. – Não se preocupe com o meu café da manhã vovó,eu estou de saída.
- Saída? Onde você vai? Tome o suco pelo menos...
- Desculpe,não dá,tenho que resolver um problema. – Dito isto abri a porta e antes de sair olhei para Anna e gesticulei os lábios um pedido de “Obrigado”,ela me retribuiu com um terno sorriso.
- Acho que ela levou muito a sério quando eu disse para levantar da cama e ir viver... – Sorri ao escutar Anna falar antes de eu fechar completamente a porta.
Tinha acabado de sair quando percebi o frio que estava fazendo,estava com dois casacos,calça jeans e tênis,mas ainda assim sentia um pouco de frio,esfreguei minhas mãos e fui andando para onde eu iria já que não era muito longe.Dei uma rápida olhada para a janela do quarto do Bill,as luzes estavam apagadas e eu não vi ninguém,melhor assim,suspirei e continuei andando.
Havia pouco movimento na biblioteca naquela manhã como eu já esperava,respirei fundo e caminhei decidida entre as estantes de livros até chegar ao grande balcão onde ficavam os atendentes.Deparei-me com um homem loiro de costas para mim,ele se virou ao perceber minha presença.
- Olá,posso ajuda-la?
- Sim,eu estou procurando um... amigo,Daniel.
- Ele trabalha na parte da tarde no meu lugar,mas já deve estar chegando.Só pode ser ele mesmo?
- Sim.Assunto particular. – Ele ficou me olhando por um tempo,o que me deixou um pouco sem graça.
- É... parece que milagres acontecem. – Disse ele finalmente.
Continuei calada e sem entender o que ele estava querendo dizer.
- Daniel não tem muitos amigos,muito menos... “amigas”.
- Então eu não sou a única... – Sussurrei.
- O que disse? – Perguntou o cara que aparentava ter uns vinte e poucos anos.
- Nada. – Ele continuou me olhando. – Quer dizer,estava pensando... então ele não deve ter tido muitas namoradas,certo?
- Pois é,todas acham ele estranho sabe.Mas... bem,às vezes eu acho que não é apenas isso.
Eu franzi o cenho com os olhos semi-cerrados,mostrando o meu interesse para que ele prosseguisse.Ele olhou para os lados e aproximou-se mais de mim como alguém que está prestes a contar um segredo,o que me deixou ainda mais curiosa.
- Há dois anos surgiram boatos de que ele ameaçava e perseguia uma garota aqui do bairro,dizem que ela era muito bonita o que despertou uma certa obsessão dele por ela.No inicio ela não ligava,mas a situação se agravou quando ele invadiu a casa dela,os pais dela haviam saído então era uma ótima oportunidade,o planinho dele quase daria certo se os pais da garota não tivessem chegado à tempo.
- À tempo de quê?
- Os pais os encontraram dentro do quarto dela e sabe-se lá o que se passava pela cabeça dele.
Creio que minha expressão não era das melhores,eu estava realmente horrorizada com aquela história,seja ela verdade ou não.Pensava que a armação de Daniel não passava de um grande ciúme e que ele se arrependeria do erro que cometeu,mas foi aí que eu percebi que a coisa era séria.Eu devia ter desconfiado,se tivesse me informado melhor à respeito dele antes de começar uma “amizade”,com certeza muitos problemas seriam evitados,os problemas atuais e os bem prováveis futuros problemas.
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