Era Cinza - A Extinção
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Pov Gabriel
–Boa noite! Que os anjos lhe façam companhia! — exclama minha ama Seelow.
–Será que poderia? Por favor, somente por hoje! — eu insisto.
–Seria isto mesmo? — Seelow questiona.
–Eu prometo. — digo beijando os dedos.
–Sendo assim, está bem. Mas somente por hoje! Descendente de Erã! — diz minha ama sentando-se na beirada de minha cama.
–Pode começar! — balbucio animado.
–À alguns anos atrás, um rei muito perverso chamado...
–Aurien! — exclamo.
–Gabriel! Ora, deixe-me continuar a história! — indaga minha ama exaltada.
–Me desculpe ama... — abaixo a cabeça.
–Está bem. — ela assenta, e continua. — À alguns anos atrás, quando você era apenas um bebe. — ela aperta minhas bochechas com seus dedos gélidos. — A terra de Erã fora destruída pelo exercito do perverso rei Aurien; que tivera medo de perder o trono, após ser feita a aliança do povo de Erã, com as Criaturas.
–Assim como você! — exclama, ao perceber que ela havia feito uma pausa.
–Exatamente, Criaturas como eu. — Seelow diz sorrindo, e continua. — O rei, só não contava com uma coisa... O ataque das Criaturas, que destruíram o Reino Branco de Ólien, inclusive o Condado da Nobreza; sem deixar ao menos, um único da raça dos Homens vivo. — ela faz uma pausa. — Assim como acontecera com Erã, gerando a extinção dos Homens na Terra de Auyen...
–Ei! — digo.
–Não desespere-se garoto travesso!
–Significa que nessas circunstâncias, eu poderia contar essa parte da história? — pergunto.
–Mais que audácia! — ela coloca as mãos sobre a cintura.
–Somente por hoje ama...
–Somente por hoje! — exclama Seelow, e eu logo começo.
–Isso era o que todos pensavam! Pois apenas um, apenas um da raça dos Homens, havia sobrevivido! — indago, e fico de pé na cama. — Gabriel, filho de Tandré, o último dos Homens! Gabriel, o grande!
–Ora, está muito bom por hoje não?
–E enquanto as outras histórias? A Terra de Auyen tem muitas histórias! Desde as Feiticeiras da luz, da Floresta de Neve; até as Feiticeiras da Trevas, da Caverna de Bug; sem contar os Goblis, que vivem no Labirinto do Pequenas Montanhas, os Pnouns que vivem...
–Prevejo estar na hora de alguém dormir, ou será que estou errado? — diz Montlow, governador das Criaturas, herdeiro do Trono da Floresta Cinzenta; que aparece na porta.
–Seelow estava somente me contando algumas histórias... — digo me sentando novamente.
–Seelow não? Pois bem, agora que ela já terminara, já podes dormir Gabriel; amanhã será um grande dia! — ele diz com entusiasmo.
–O senhor partirá mesmo para além das Planícies de Arbustos? — pergunta minha ama.
–Sim, assim como Gabriel!
–Gabriel? Mas é apenas uma criança... — diz Seelow um tanto preocupada comigo.
–Sou quase um homem! Já posso viver aventuras! — indago animado.
–De certa forma não é mesmo? — diz Montlow com um grande sorriso em seus lábios escuros.
–Mas, e enquanto as Feiticeiras das Trevas? Ouvi estórias, de que elas se apossaram do que sobrara do Reino Branco, e do Condado da Nobreza. E se... — Seelow se preocupa ainda mais.
–São somente estórias Seelow! Não se preocupe, afinal, já é hora de sabermos o que aconteceste lá depois de um longo tempo! — afirma Montlow.
–Mas...
–Durma bem essa noite Gabriel! Amanhã quero você de pé bem cedo! — exclama Montlow se retirando.
–Sim senhor! — digo me deitando, enquanto Seelow me cobre sem dizer nada; eu já sabia o que era isso. — Não se preocupe ama, voltarei em breve.
–Eu sei querido Gabriel... Só não me pesa para não me preocupar, pois isso será impossível! — ela indaga já de pé.
–Está bem, boa noite ama.
–Boa noite. — ela dá um longo beijo em minha testa, depois assopra as velas e sai.
~~*~~
Eu me lembro desde dia como se fosse ontem. Sinto muita falta de minha ama Seelow, ela era como uma mãe para mim; uma mãe que se eu conhecera, não me lembrava. Neste dia, perdemos várias Criaturas; por conta das Feiticeiras das Trevas, que nos atacaram, como Seelow previa. Por sorte, Montlow sobreviveu, eu o salvara; hoje ele é o rei da Floresta Cinzenta, e comanda todo o nosso povo, as Criaturas. Eu sou o único diferente, Gabriel, filho de Tandré, descendente de Erã; e o único da raça dos Homens vivo; pelo menos, era o que eu achava.
~~*~~
Pov Tiena
–Corra pequena Tiena! Rápido! — diz Malin, minha ciudadora; e uma das mais sábias Feiticeiras das Trevas.
–Eu não posso entender Malin! Qual seria o problemas de ficarmos? — pergunto enquanto ela me puxava pelas mãos, entre o muro de espinhos.
–Pelo o que Unim disse, irá ter uma Guerra! As Criaturas vieram novamente!
–As Criaturas?
–Sim querida, agora corra! Precisamos entrar na Caverna depressa! — ela aperta o passo.
–Tenho que vê-las Malin! Preciso vingar meu pai! — digo olhando para trás.
–Está louca? Escuta criança. — ela se abaixa para mais próximo à mim. — Não há nada que possas fazer, a rainha o vingará por você! Agora venha; depressa!
–Malin! Eu não deixarei que elas vençam novamente! — digo, e paramos. — Como herdeira do Reino Branco, filha de Aurien, e a única da raça dos Homens com vida; não deixarei isso acontecer! — indago me virando, a saio correndo para o sentido contrário.
–Pare! Pare agora Tiena! — Unim aparece em minha frente, e me segura pelos ombros.
–Não! Me deixe ir Unim! Não posso deixar que aconteça tudo outra vez! — digo em meio à soluços.
–Eu disse, disse à ela! — aparece Malin ofegante atrás de mim.
–Você precisa voltar para a Caverna! Estará segura lá! — exclama Unim, ainda segurando em meus ombros, enquanto eu chorava. — Escuta criança. — ela se acalma. — Se as Criaturas à virem, irão te matar, por conta de quem você é. Precisa honrar seu pai, e a raça dos homens; ficando viva, segura.
–Mas Unim... — digo chorando.
–Leve-a Malin, deixe-a segura em Bug. — diz Unim me soltando, e olhando para Malin. — E sem erros desta vez! — ela volta para o Norte.
–Venha, venha depressa Tiena! Não chores pequena criança. — ela diz me abraçando, e andando até a caverna de Bug, nossa casa.
–Você acha que Unim, e a rainha morrerão? — pergunto aos soluços.
–Querida, tudo acabará bem; tudo ficará bem logo; agora, o importante é que fique segura. — ela diz se apressando.
–Tomara. — balbucio baixinho; depois pego meu amuleto, o qual estava pendurado em meu pescoço, ele pertenceu um dia aos meus pais, o rei Aurien, e a rainha Croan; dou-lhe um beijo, e sigo até Bug junto à Malin.
~~*~~
Foi neste dia, que a rainha morreu; outra perda em minha vida. Unim ficou no lugar dela, e Malin no lugar de Unim. Eu sou Tiena, filha do falecido rei Aurien; antiga herdeira do Reino Branco, porém agora, herdeira da Caverna de Bug, onde vivem as Feiticeiras das Trevas. Eu, a única da raça dos Homens com vida; pelo menos, isso era o que eu achava.
~~*~~
Fale com o autor