Maria, querida menina, me deixe te dizer algo muito sério. Uma coisa é fato: Eu era só uma criança.

Eu era inocente, não entendia piadas sujas de primeira, não achava que alguém fosse capaz de assaltar, matar e separar famílias. Pensava ser ficção de filmes.

Não sabia que guerras eram reais, para mim, eram coisas antigas, que só se via em livros de história.
Eu só sabia ver o lado brilhante e puro das coisas. Eu era assim. Era uma criança linda que vivia em um pesadelo fantasiado de sonho.

Percebi com o tempo que as pessoas são cruéis. O tempo pode curar, do mesmo jeito que pode machucar. Alguma hora nós precisamos crescer, Maria. Alguma hora percebemos que viemos sendo enganados por toda a nossa existência. Então, fazemos uma escolha "Vamos continuar sendo enganados, ou finalmente enxergar a realidade?".

Essa pergunta, para mim, a resposta era bem óbvia "Quero deixar de ser cega!". Queria ver o mundo, escutar as verdades, descobrir coisas que a muito tempo já foram descobertas. Queria o novo!

Com o tempo, Maria, nós todos cansamos de perguntar e queremos descobrir por nós mesmos. Saber passa a ser uma excêntrica necessidade. Por mais que escute frases do gênero "Crescer é uma droga" e "Queria tanto ainda ser criança", não se deixe levar. Você, Maria, não é "Maria vai com as outras", é só Maria. Me entendeu?

Então, aqui vai o meu conselho: Não seja boba, não seja cega. A inocência é bela, mas tudo em exceção nos causa problemas. Parta para o novo, menina. O mundo é muito grande, a tua vida ainda ainda é muito longa. Portanto, aproveite enquanto ainda há amor. Agora vá, Maria, já pode crescer.

Notas finais
Então, acho que vocês podiam deixar uns comentários aqui!
:)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!