Era Apenas
1 Capítulo 1
Eis que o tempo vai passar (Um dia)
Eis que as lágrimas vão secar (sorria)
Era apenas mais um dia.
Desses que nada se vê, nada se ouve, além do aclame dos pássaros no seu canto milenar.
Era apenas outra vida, além das outras já vividas, tinha tanta vontade mas nada ela fazia pra mudar.
Era apenas outra canção, daquelas presentes em sinfonia, cujo som transcende alegria, e te faz querer dançar
Era apenas outra menina, também com brilho no olhar, era apenas outra menina que sempre ela sorria, e teu sorriso nos fazia acalmar.
Era apenas outra noite que nos dilacerava como uma foice, e aos prantos gritávamos mudos, sem que ninguém nos pudesse escutar.
Era apenas o vento la fora, com as chuvas que traziam o 'agora'De uma vez por todas já estava na hora de acabar.
Era apenas outra rima, empoeirada num livro velho, cujo os versos já estavam amarelos, pois ninguém se importou em folhear
Era apenas outra poesia outro poema, que traziam sempre o mesmo dilema,
'o que será dessa vez, e se nada for o que vai ser?'
Era sempre a mesma porta entre aberta convidando desconhecidos a entrar.
Era sempre os mesmos filmes repetidos, já sabíamos as falas e os capítulos, e no final o que vai dar.
Era sempre o mesmo som chiado vindo de um pobre e velho radio, que mesmo sem forças nunca parava de cantar.
Era sempre a mesma dor intensa, trazendo sempre a mesma sentença,
'sentir a dor ou parar de respirar.'
São sempre as mesmas manhãs de Sol, e quando não vem o Sol, pelo menos o céu se encontra lá. Lá adiante sobre os teus olhos cuja a visão deve se erguer para o enxergar.
Eram sempre os mesmos pingos de chuva, que lavavam a alma levando toda a culpa para um outro lugar, eram sempre os mesmo grãos de areia, no chão da praia a espera de uma sereia que sobre eles viesse a cantar.
Era sempre as mesmas palavras repetidas, pois as novas foram esquecidas, e nunca ninguém veio as falar.
Eram sempre as mesmas cartas de desculpas vinda da pessoa que sente culpa, pois um erro ela cometeu por isso deve se desculpar.
Eram sempre os mesmos momentos, guardados no baú do tempo, porque o que foi não volta, mas ainda podemos recordar.
Eram sempre as mesmas mãos atadas e os mesmos pés descalços, as mesmas vozes cansadas sobre o mesmo caminho de asfalto.
ainda falta muito pra chegar em casa?
Talvez vinte ou trinta passos depois de virarmos a esquina, ora vai passar de pressa, não pense no caminho pense naquela menina menina dos olhos claros e do sorriso bonito, se eu me perder na escuridão da noite nela farei meu caminho.
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