Equinócios

1 Verão - Capítulo 1


Notas iniciais
Eu realmente espero que gostem, e se gostarem me avisem (sério, gente) e aí eu continuo

Eu particularmente não gosto do verão, não gosto de nada no verão, a maioria das piores coisas acontece no verão. Mas neste em particular as coisas foram melhores do que eu pensava. Estava encostado ao lado da porta do elevador, esperando o mesmo chegar ao meu andar. Quando ouvi o elevador parando, impulsei-me para frente, me endireitei e entrei, dando de cara com uma garota que eu nunca havia visto antes.

- Oi. — Ela disse com um sorriso.

- Oi. — Eu respondi timidamente.

Me encostei no espelho do fundo e observei-a com atenção. Seus cabelos eram entre um cacheado e um ondulado, com uma tonalidade muito bonita de castanho avermelhado. Seu rosto era bonito e pálido. Era encorpada e tinha um ótimo tamanho na parte de trás, me senti meio idiota e infantil de perceber isso mesmo com vinte e dois anos.

- Meu nome é Diana. — Ela sorriu pra mim, e eu logo desviei meu olhar de onde havia parado, não queria que me achasse tarado nem nada assim — Eu sou nova aqui no prédio, moro no mil seiscentos e quatro.

- Décimo sexto, né? — Eu quis confirmar, ela afirmou com a cabeça.

- E você? — Diana perguntou, eu devo ter feito uma expressão confusa porque ela riu e completou: — Seu nome, seu andar, seu apartamento?

- Ah... Ah, desculpa. Guilherme, mil quatrocentos e três. Décimo quarto.

Voltei meu olhar para os meus tênis. Depois para o mostrador dos andares. 3. E então ele apagou, e a luz do elevador também.

- Merda. Merda. Merda. Travou? — Diana começava a entrar em desespero.

- Caralho, acho que acabou a luz. — O elevador estava mesmo estagnado.

- Merda, eu tinha um jantar na casa de uma amiga hoje.

- E eu estava saindo pra ir num restaurante com uns amigos.

Peguei o celular e olhei o horário, quinze pras nove.

- Guilherme, seu celular tá pegando sinal? — Ela falou, olhei para seu rosto preocupado, iluminado pela luz fraca da tela de seu celular. Apenas mostrei a minha tela. "Sem Sinal" — Puta que pariu! Como eu vou avisar que eu fiquei presa no elevador.

- Acho que do mesmo jeito que eu. Só quando a gente sair daqui. — Bufei, liguei a lanterna do celular e me sentei no chão, na frente dela.

Diana escorregou as costas na parede do elevador, fazendo seu cabelo e sua saia irem levemente pra cima na parede de metal enquanto se sentava devagar.

- Acontece isso sempre? — Ela perguntou, se sentando de vez, a iluminação era pouca e ela ficava muito pálida àquela luz.

- De ficar preso com mulheres em ambientes fechados e abafados? Não, embora uma vez eu tenha ficado preso no banheiro com a minha irmã, quando tinha cinco anos. — Cocei a sobrancelha esquerda, esperando que minha piada quebrasse aquele clima tenso.

E quebrou, ela riu e eu olhei para os seus pés, ela estava sentada com as pernas dobradas contra o corpo. Conseguia ver uma parte de sua calcinha.

- Então, Guilherme, já que vamos ficar presos neste fodendo elevador até a energia voltar, me conte da sua vida.

- Minha vida é uma merda, Diana, não tem nada de interessante. — Eu balancei a cabeça.

- Ah, claro que é. Bem, a não ser que você trabalhe num escritório fazendo papelada, nunca tenha beijado ninguém e não tenha vontade de viver.

- Muito pelo contrário, jovem Padawan. — Ela sorriu — Bem, então tá. Eu trabalho numa livraria, já beijei, pelas minhas contas tá? Umas vinte moçoilas. E quanto a vontade de viver... Eu só sigo a vida, o que tiver que acontecer...

- Viu? É super interessante, nunca conheci ninguém que trabalhasse numa livraria. E vinte? Sério? Quantos anos você tem?

- Vinte e dois, fiz no dia vinte de março.

- Olha, vamos fazer uma média, se você tivesse começado a beijar garotas com dois anos, você beijou uma por ano! — Eu ri e ela também — Quando e com quem foi seu primeiro beijo?

- No primeiro ano do ensino médio, o nome dela era Maria Júlia, foi num jogo de verdade ou consequência. E você, me fala tudo o que eu te falei, só que sobre você.

- Hum... Eu trabalho numa loja de roupas, no shopping, tenho muita vontade de viver, tenho vinte anos, faço vinte e um no dia vinte e três de setembro, e meu primeiro beijo foi com doze anos, com um moleque idiota que me fez ficar com ele.

- E a média de línguas que já entraram na sua boca? — Eu perguntei.

- Ah é, uns dez, onze. — Ela enrugou o nariz.

- Qual é. — Eu disse descrente.

- Tô falando sério! — Ela esganiçou um pouco a voz.

- Admite, foram mais de vinte. — Eu insisti.

- Não foram, não! — Ela riu, chutando meu pé.

- Caralho! — Eu gritei, virando a cabeça pra cima.

- Eu tô com fome. Eu ia comer pizza hoje, eu podia estar comendo a porra de uma pizza agora! — Ela encostou o ombro na parede ao lado, depois soltou a cabeça, que bateu um pouco mais forte do que ela esperava — Ai... — Ela sussurrou rindo e eu ri também.

- Eu ia ficar com uma moça hoje. Mas acho que não vou mais. — Eu falei sem emoção, olhando pra baixo.

- Ela é gostosa? — Ela perguntou mordendo o lábio inferior.

- Quê? — Eu fiquei um pouco surpreso com esse interesse dela.

- Você sabe... — Ela fez um gesto com as mãos, que me sugeriam peitos grandes.

- Não... Não. Eu nem ligo pra isso. — Dizer isso em voz alta fazia parecer mentira.

- Bom saber. — Ela riu e eu também, chutei o pé dela de leve.

- Você gosta do quê? — Eu perguntei, com medo da resposta.

- Tá me perguntando se eu sou lésbica?

- Não, é diferente, tô perguntando de qual dos dois você gosta.

- Eu gosto do que você tem aí. — Ela riu — ...Você não é gay não, né? — Ela arregalou os olhos.

- Não, apesar de não ter nada contra. — Eu ri — Pareço ser?

- Não, não, claro que não. É que tipo... Eu tô aqui falando desse jeito, e né..? — Ela falou tudo isso muito rápido.

- Como assim falando desse jeito? Tá dando em cima de mim? — Eu ri.

- Não! — Ela falou meio rápido de mais, e de um jeito muito engraçado, que me fez rir.

Ela olhou pra mim, e eu olhei pra ela, seus olhos eram castanhos, mas eram bem claros. Eu estava começando a gostar mesmo dela, me repreendi seriamente por dentro quando me peguei imaginando fazer aquilo com ela. Diana era o tipo de garota que eu duvido muito que seja sozinha, e se ela fosse, eu queria estar com ela.

- Você tem alguém? — Eu perguntei, sério.

- Não. Ninguém. Moro sozinha e deve fazer uns seis meses que não fico com ninguém... E você?

- Eu também. Moro sozinho, mas a última vez que fiquei com alguém foi uns dois meses atrás.

- E a moça que você ia beijar hoje? — Ela perguntou, meio hesitante. Fiquei em silêncio por muito tempo, pensando na Amanda. Eu não gostava dela, não gostava nem o suficiente pra ser amigo dela. Nem sei porque havia combinado com ela de ir pra casa dela depois do restaurante. Ela me irritava, acho que não valia a pena perder a virgindade com ela, me senti muito menininha de dezesseis anos escrevendo no diário quando esse pensamento me veio — Gui?

- Quê? Ah, desculpa... Não, ela não significa merda nenhuma pra mim. Eu ia transar com ela hoje. Ela disse que mulher nenhuma ficaria com um cara virgem. — Comecei a me arrepender de ter soltado essa informação quando ela finalmente falou:

- Você é virgem?

- Sou. — apoiei a testa na mão enquanto soltava o ar pela boca. Senti meu rosto queimar de vergonha.

- Eu também, e eu acho fofo você ser também. Tipo... Vai ser um momento especial, sabe? Quando você fizer isso. Tipo, você e ela, juntos... — Levantei o rosto e a olhei bem, ela começou a ficar vermelha, e eu mais ainda, principalmente porque ela deixou subentendido que faríamos isso juntos — Desculpa, não... Não... Não foi isso que eu quis dizer, sabe? É que... — Ela gaguejou.

Ela desistiu e enterrou o rosto nas mãos.

- A gente nem se conhece, Guilherme, e já tô aqui me oferecendo. — Ela bufou — Que merda.

Eu não achava o que falar, apesar de querer muito arranjar alguma coisa pra dizer. Queria fazer muita coisa, na minha cabeça passou até o pensamento de avançar nela e começar a beijá-la, mas era muito cedo pra isso.

- Desculpa.

- Tudo bem, Diana.

- Sério, desculpa, desculpa mesmo, por te deixar sem jeito. Foi mal, mesmo, sério, desculpa.

Eu ri.

- Pra quê tudo isso, Di? Fala sério, não é uma ideia idiota assim, né? — Eu tomei a coragem do mundo todo pra falar isso, ela sorriu de canto.

- Não, talvez não seja.

A luz do elevador acendeu e nós suspiramos aliviados. Me levantei, colocando o celular no bolso e estendi a mão pra ela se apoiar.

O elevador terminou o caminho e chegou ao térreo.

Ela me beijou no rosto antes de sair do elevador.

- A gente se vê, Gui.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.