Equilíbrio

7 Capítulo 7


Na manhã seguinte, pensei que ficaria sem comer por ser incapaz de fazer um pedido sem antes explodir o cardápio, mas o Adrien me ajudou. Talvez minha cara de derrota tenha sido o suficiente para convence-lo a ter uma espécie de pena ou empatia, embora soasse como vergonhoso e deplorável para os demais. Ou quem sabe nem se importassem comigo e minha esquisitice.

— Não é tão difícil — Adrien insistia em me mostrar — quando se está calmo. — Olhou de relance para mim. — Você parece sempre estar como um furacão.

— Eu abandonei a minha vida por uma causa que não conheço direito, deixei os meus pais pra me juntar a bando de estranhos e agora descubro que toda vez que toco um pedaço de madeira ele explode em macarrão ou qualquer outra coisa que eu resolva comer. — Desabafei falando rapidamente, respirando por fim.

— Ainda bem que não pensou em nada alcoólico pra beber.

— Álcool aqui é proibido? — Questionei, apoiando o rosto nas mãos e o cotovelo à mesa.

— Não, mas a maioria não gosta. O álcool embaralha o cérebro e afeta nossa tomada de decisão, além disso é difícil manter o equilíbrio quando se está tonto... Equilíbrio é tudo por aqui.

Aquela conversa era meramente assustadora.

Fui a primeira, junto a Adrien, a chegar na sala. Como no primeiro dia, ele se sentou ao meu lado. De certa forma era um alívio tê-lo ali, de outro ponto, poderia torná-lo um excluído entre os anormais como eu. Ao menos era isso que sentia.

A senhorita de cabelos vermelhos que nós ensinava chamava Caline Bustier. Ela entrou elegantemente na sala e aos poucos os assentos foram ocupados. Caline ensinou aos alunos a manipular a magia para criar ilusões e como utilizar isso a seu favor em diversas situações, mas nenhuma delas justificaria utilizar magia de ilusão dentro do colégio Vermelho.

Eu não acompanhei a turma, não possuía aptidão ou treinamento suficiente para controlar minha magia, apenas assisti e percebi como a magia era intrigante. Todos mexiam as mãos e dedos com maestria, como se fizessem parte de uma grande orquestra. Mas Adrien não se mexia, assim como eu, ele apenas observava a tudo e todos ao redor com cautela e uma certa estranheza, como se a qualquer momento algo horrível pudesse acontecer.

— Está tudo bem? — Perguntei sem olha-lo diretamente.

— Por que não estaria?

A frieza em sua voz me fez ficar calada.

No final da aula, Bustier pediu que eu esperasse. Para minha surpresa, pediu o mesmo para Adrien.

— Mari está atrasada em relação ao restante da turma. Você irá ser responsável pelo treinamento e adaptação dela. — Sua voz era nítida, gélida e certa, sem espaço para contestações.

Adrien a encarava. Algo por trás daquele olhar me fazia refletir melhor sobre o que estava por baixo dos panos daquela relação. O que o loiro teria em comum com a professora de cabelos vermelhos?

— Podem começar.